25 de novembro de 2016

Capítulo 4

Parque Nacional de Tikal, Petén, Guatemala

— Onde estamos? — perguntou Atticus.
Eles desembarcaram no campo estreito perto de um templo.
Ao redor do campo havia filas de degraus, uma espécie de arquibancada. Situada no alto de uma das paredes estava uma estranha pedra em forma de anel coberta de hieróglifos. Dan tentou pensar em uma piada sobre antigas aulas de educação física, mas seu cérebro ainda parecia ter sido derramado de seu crânio pela batida.
— Uau!— Atticus correu até o anel.
— Atticus, como você pode se preocupar com ruínas maias em um momento como este? — perguntou Dan, cansado. — Nós acabamos de escapar da morte por um fio de cabelo do nariz.
— Mas isso é incrível! — disse Atticus.
Dan, Jake e Amy descansaram e prenderam a respiração enquanto Atticus pasava as mãos nos glifos de pedra. Dan estava feliz que Att parecia se recuperar rapidamente, mas ele não confiava neste súbito entusiasmo. Ele sabia que estava lidando Atticus em sua forma típica – mergulhando na história. Talvez fosse por isso que ele tivesse se tornado tão prodígio. Sua vida tivera a sua quota de traumas, mas ele encontrou segurança no conhecimento, no mais obscuro, melhor.
— Dan, olha! — Atticus acenou para ele. — Eu sempre quis ver uma delas com meus próprios olhos.
Quando a cabeça parou de girar, Dan sentou-se. Eles pareciam ter caído em algum antigo estádio.
— Lembra-me um pouco de um campo de tênis — Jake comentou.
— É — Atticus disse a eles. — É uma quadra de pok-a-tok.
— Uma quadra do quê? — perguntou Dan.
— Uma quadra de pok-a-tok — Atticus repetiu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Dan tentou andar, mas suas pernas estavam bambas. Deixou-se estatelar-se na grama.
— Eu sei que você está dizendo algo importante, Att, mas me perdoe se eu tiver problemas em me preocupar com isso agora.
Sirenes soaram à distância, se aproximando gradualmente.
— Espero que seja uma ambulância — Amy falou.
Jake lançou um olhar penetrante para ela.
— Você se machucou?
— Eu não sei dizer. Acho que não, mas meus braços e pernas estão dormentes, e eu quero que todos vocês verifiquem se tem lesões, também
A ambulância chegou, seguida por um jipe cheio de soldados guatemaltecos em uniformes camuflados, com boinas verdes na cabeça e rifles presos sobre os ombros.
— O exército? — Dan sussurrou. — Não é um exagero?
— Caímos de helicóptero em um parque nacional — Amy lembrou.
Dois médicos pularam para fora da ambulância e verificaram os ferimentos das crianças. Um deles falava inglês, e o capitão do exército que supervisionou os exames falava, também.
— Onde está o piloto? — perguntou o capitão.
— Ele pulou — explicou Amy.
— E tentou levar o pequeno com ele — Dan acrescentou, apontando para Atticus.
Os olhos do capitão se estreitaram em descrença.
— Ele pulou? Por que ele faria isso?
— Nos diga você — devolveu Jake.
Dan pegou o olhar desaprovador que Amy lançou-lhe. Eles sabiam porque o piloto tinha saltado – ele aceitara o suborno de Pierce para deixar os Cahill morrerem em uma queda “acidental” de helicóptero.
Mas deixar o Exército guatemalteco entrar nos seus problemas não ajudaria. Por tudo que eles sabiam, Pierce estava com um com eles, também. Seu braço longo do mal atingiu todo o mundo.
— Não sabemos por que ele pulou — disse Amy. — Vocês podem perguntar a ele se o encontrarem na selva.
O capitão olhou em dúvida para a densa floresta. Dan sabia que ela crescia tão rápido que poderia cobrir um avião caído em questão de dias.
Os médicos concluíram a verificação de Dan, Amy, Jake e Atticus para ver se tinham ossos quebrados e sinais de concussão.
— Algumas batidas e contusões, mas eles estão bem — informou um deles ao capitão.
— Certo. Vocês podem ir. — O capitão liberou a ambulância e cruzou os braços sobre o peito. Dan olhou para a pistola no cinto. Esses caras não brincam por aí. — Agora, posso perguntar o que vocês, garotos, estão fazendo aqui em Tikal?
— Nós somos turistas — respondeu Amy enquanto a ambulância ia embora. — Apenas queremos ver as ruínas, isso é tudo. Temos uma reserva no hotel.
Como se confirmasse a declaração de Amy, um guarda do parque Tikal se aproximou em um SUV. Ele saiu, olhou para o helicóptero caído, balançou a cabeça e assobiou.
— Eu não quis acreditar quando o aeroporto ligou e disse que você pousaram um helicóptero na quadra de pok-a-tok. — Ele sacudiu a cabeça de novo. — Eu ainda não acredito.
— Estamos investigando o local do acidente — o capitão disse ao guarda. — Você pode levar estas as pessoas para o hotel delas. Nós entraremos em contato se necessitarmos de mais informações.
— Tudo bem — concordou Amy. — O senhor sabe onde estaremos.
O capitão deu-lhe um olhar sombrio.
— Sim, senhorita, sabemos.
O guarda recolheu as bagagens dos Cahill e as colocou no SUV. As crianças se empilharam no banco de trás e deixaram o guarda ficar no banco de frente para si mesmo. Ele deu a partida no carro, em seguida, virou-se e olhou para eles como se tentasse descobrir que tipo de estranhas criaturas que poderiam ser.
— Vocês estão vivos. — Não era uma pergunta, mas uma afirmação atônita. — É difícil de acreditar.
Dan não sabia como responder a isso.
Jake disse:
— Estranho, mas verdadeiro. E nós realmente gostaríamos de chegar ao hotel e nos recuperarmos.
Mas o motorista ainda os olhava.
— Vocês são os Cahill, não? — Amy assentiu. — Aqueles Cahills?
Obviamente, esse cara lia os tabloides. Dan viu Amy abrir a boca, cansada como se fosse responder, mas Jake a cortou.
— Nós não sabemos do que está falando, cara. Nós podemos continuar?
O motorista finalmente virou-se para o volante e colocou o SUV para funcionar.
— Se pousaram com um helicóptero em uma quadra de pok-a-tok, vocês devem esperar algumas perguntas.
— O que é esse pok-a-tok que todo mundo está falando? — perguntou Dan a Atticus em voz baixa.
— Foi um jogo complicado jogado pelos maias cerca de quatro mil anos atrás. O objetivo era fazer com que uma bola passassem através daquela pedra em forma de anel sem usar as mãos ou os pés — Atticus explicou. — Nós não sabemos muito sobre ele, não mais do que isso.
Dan se virou e olhou pela janela para o anel que aparecia à distância. Devia estar a cerca de seis metros acima do chão. — Isso parece impossível.
— Era tão difícil que os jogos se prolongavam por dias sem pontuação — continuou Atticus. — Os historiadores acham que o time perdedor era frequentemente executado.
— E eu que pensei que jogar queimada era duro — Dan comentou.
— Por que eles eram executados? — perguntou Amy.
— Os jogadores eram muitas vezes prisioneiros de guerra — explicou Atticus. — Eram oferecidos como sacrifícios aos deuses — ele pareceu pensativo.
— O que foi? — perguntou Dan. Quando o seu amigo tinha aquele olhar no rosto, isso significava que sua mente brilhante estava trabalhando em algo importante, como se estivesse ponderando as origens do universo, ou a programação de uma almofada de pum.
— Nada... apenas que os traços na pedra circular pareciam familiares, de alguma forma.
O guarda deu a volta em uma estrada na selva, apontando uma alta pirâmide maia em frente a uma clareira ou praça da cidade. Ao contrário das pirâmides egípcias construídas de grandes blocos de pedra cortada com laterais lisas e planas, ou aquelas em Angkor Wat que pareciam ter sido feitas de areia molhada derramada, estas eram pirâmides em degraus, pequenas pedras cortadas formando degraus altos que levavam ao topo.
— Podemos caminhar até o topo de uma dessas pirâmides? — perguntou Dan. Quanto mais cedo eles começassem a procurar o cristal, o melhor.
— Certamente estão abertas aos turistas, sim — o guarda respondeu. — Tikal foi um dos principais centros da civilização maia, habitada de VI a.C. até X d.C. A antiga cidade tem sido mapeada. Ela cobria mais 16 km² e era composta por mais de três mil estruturas. O parque inteiro cobre cerca de 576 km². Vários tesouros arqueológicos ainda estão enterrados sob a vegetação — ele acenou com a mão para um denso bosque verde com algumas pilhas de pedra visível apenas através das folhas. —Existem milhares de estruturas antigas enterradas nesta selva, e escavamos apenas uma fração delas.
O espírito de Dan afundou. Como eles encontrariam um pedaço de quartzo em tudo isso?
Eles seguiram através da selva verdejante.
De repente, as árvores se abriram e uma bela cidade antiga apareceu diante deles. Um degrau da pirâmide rosa tinha sessenta metros de altura em uma extremidade, com uma longa escadaria cinza na frente. Era rodeada pelo o que parecia ser casas ou palácios em torno de uma aldeia verde.
— Parece outro planeta — comentou Jake. 
— Parece Yavin — Dan respondeu. — Você sabe, de Jornada nas Estrelas?
— Isso mesmo — o guarda falou para eles. — George Lucas filmou cenas do primeiro filme de Star Wars aqui em 1977.
Ele dirigiu. À distância, os topos de pedra cinzenta de outros templos antigos surgiam através do verde, e belos pássaros exóticos voavam próximos às copas das árvores. Dan avistou um animal de aparência engraçada com olhos de guaxinim e uma cauda longa e anelada correndo por uma trilha na selva.
— Um quati! — exclamou Atticus.
— Muito bom, rapaz — disse o guarda à óbvia afirmação de Atticus. — Você verá quatis em todo o lugar aqui.
Eles passaram por uma árvore muito alta – talvez com trinta e um metros de altura – com grandes espinhos cobrindo o tronco. Os ramos superiores se abriam ao longo da estrada como um dossel.
— Uma ceiba — o guarda disse-lhes. — A árvore sagrada dos maias. Eles acreditavam que suas raízes alcançavam o submundo e seus ramos erguiam-se para o céu. As almas dos mortos subiam por eles para alcançar o paraíso.
Um caminhão passou por eles, quatro homens a cavalo atrás, machados e pás apoiados nos ombros. O guarda franziu a testa.
— Tikal é também uma importante reserva de floresta tropical protegida por plantas, pássaros e animais — ele olhou para o caminhão enquanto desapareciam no espelho do retrovisor. — Nós patrulhamos a área tão bem como podemos, mas, infelizmente, alguns caçadores conseguem escapar de vez em quando.
— Caçadores ilegais? O que eles caçam? — Amy perguntou.
— Eles caçam crocodilos, pumas e jaguares para seus casacos, colhem flores em extinção, ou derrubam árvores raras de madeira valiosa — respondeu o guarda. — Às vezes encontramos caçadores em campos de madeireiras secretos na parte mais profunda da floresta. São quase impossíveis de detectar sob a cobertura da selva.
— Você já ouviu falar de uma pedra despedaçada, ou cristal despedaçado, encontrado em um desses templos? — perguntou Amy.
— Ou quartzo chocado? — acrescentou Jake.
O guarda balançou a cabeça.
— Os templos são feitos de pedra calcária local. Não é encontrado muito quartzo nesta área, a menos que os maias tenham feito trocas por ele.
Eles passaram o resto do caminho em silêncio.

* * *

Eles fizeram o check-in no hotel e foram para seus quartos. Amy abriu a mochila para certificar-se de que o frasco de soro sobrevivera ao acidente. Ela ergueu o frasco contra a luz. O fluido verde-veneno – não diluído, superpoderoso – era tão mortal quanto parecia. E transmitia incrível poder à pessoa que bebia – por uma semana. E então a matava. Ela estremeceu e colocou o frasco de volta dentro de sua mochila.
Amy tomou um banho e trocou de roupa, em seguida, foi para perto da porta encontrar os outros no quarto de Dan e Atticus. Jake estava lá, se divertindo com os outros meninos. Dan perdia para Atticus no xadrez. A TV estava ligada, sintonizada num canal internacional de notícias. A camisa de Dan estava manchada da viagem acidentada, uma grande marca de pé estampada na frente.
— O que é esse pé em sua camiseta? — perguntou Amy.
Dan olhou para ela.
— Deve ter sido aquele maldito piloto, enquanto eu segurava a perna dele tentando impedi-lo de nos atacar.
Amy suspirou.
— Você não vai tomar banho? Ou, pelo menos, trocar de roupa?
— Por quê? Vamos nos encontrar com a rainha da Inglaterra ou algo assim? — perguntou Dan.
— Falando da rainha... — Jake aumentou o volume da TV.
A filmagem mostrava um homem bonito que dava a mão para a Rainha Elizabeth, sua mulher loira retocada fazendo uma reverência ao seu lado.
— Magnata da mídia americana J. Rutherford Pierce encontrou-se com a rainha Elizabeth em uma recepção ontem na última etapa de sua turnê europeia — relatou o locutor de notícias. — Pierce tem se reunido com os líderes do mundo em uma clara indicação de que está se preparando para concorrer a um cargo político. Especialistas esperam que ele tome um lugar na corrida à presidência americana muito em breve.
— Presidente Pierce — falou Dan. — Eu não gosto do som disso.
— Ele tem uma aura sinistra — Amy concordou.
— Da forma como Pierce opera, ele está a um passo de presidente para ditador — disse Dan.
Amy assistiu a mulher de Pierce, Debi Ann, que pairava no fundo. O contraste entre ela e seu marido era marcante.
Ela parecia aborrecida e desbotada, enquanto o marido era brilhante e vibrante, quase como espécies diferentes da raça humana.
Porque ele está tomando o soro, Amy imaginou. E Debi Ann não.
Pierce tomou uma versão modificada do soro, uma dose muito fraca, diluída. Suficiente para aumentar o seu poder, mas não o suficiente para matá-lo.
— O que sabemos sobre a esposa dele? — ela perguntou a Jake.
— Não muito. Espera – estão entrevistando os dois agora.
O noticiário mostrou uma entrevista filmada na elegante casa dos Pierce em Boston. Debi Ann sentava-se ao lado de Pierce em um sofá azul de seda, sorrindo e balançando a cabeça mecanicamente.
— E você, Debi Ann? — o entrevistador perguntou. — Li que cresceu em uma família de cientistas. Como foi isso?
Debi Ann assentiu.
— Nós tínhamos um laboratório de química no porão — ela sorriu para a memória. — Essa era a nossa sala de jogos. Nós Starlings éramos todos cientistas talentosos.
Dan e Amy saltaram de pé ao mesmo tempo.
— Starling? — Amy engasgou. — Ela disse Starling?
— Você viu o olhar no rosto de Pierce quando ela mencionou isso? — Dan perguntou. — Ele estava furioso!
Amy tinha notado lampejo de raiva passando pelo sereno rosto bronzeado de Pierce à menção do nome Starling. Embora não significasse nada para noventa e nove por cento da audiência, ele claramente não queria que Debi Ann mencionasse esse fato muito importante. Os Starlings estavam ligados a Amy e Dan. Se Debi Ann era uma Starling, só poderia significar uma coisa. Ela era uma Cahill também.
— Ela é a ligação de Pierce com o soro! — Dan exclamou.
— Ele deve ter sabido de tudo sobre a família, as raízes e tudo mais, através da esposa — Jake disse.
— Mas eu pesquisei sobre ela — Amy protestou. — Tanto ela quanto Pierce, implacavelmente. Percorri a Internet e nenhuma conexão Cahill nunca veio à tona. Como pode?
— Pergunte a Pony — disse Dan. Ele ligou para Attleboro, colocando o telefone no viva-voz.
Uma voz suave britânica respondeu.
— Dan? Vocês fizeram aquilo em Tikal, eu vi.
— Sim — Amy interrompeu. — Nós todos fizemos. Apenas foi necessário.
— Amy, estou tão feliz que esteja bem — Ian ronronou. — Todos estão bem? Dan? Atticus? Aquele outro... Qual o nome dele? Joke?
Amy ficou vermelha ao jogo de palavras, joke era piada em inglês, e seus os olhos foram involuntariamente para Jake, que fez uma careta.
— Isso está além de você, Ian — disse Amy. — Escute, nós precisamos que coloque Pony em uma busca profunda para obter informações sobre Debi Ann Pierce. Tente buscar sobre Deborah Starling também.
— Estou trabalhando nisso. — Mais um ronronar. Desta vez não veio de Ian, porém, mas a partir de um gato de verdade. — Ugh, fique longe de mim, felino imundo! — Ian resmungou.
— Oi, Saladin! — Dan chamou.
— Miau! — o mau egípcio respondeu.
— Ian e Hamilton estão te alimentando bem? — perguntou Amy. — Ian, Saladin está comendo anchovas vermelhas o suficiente?
— Nós não estamos funcionando como hotel pet aqui, sabe — Ian resmungou. — Estamos na verdade ocupados ajudando-a a salvar o mundo, caso tenha esquecido.
— E nós apreciamos isso — respondeu Amy. Houve uma batida na porta. — Temos que ir. Diga para Pony pesquisar sobre Debi Ann.
Jake abriu a porta para uma mulher alta e morena vestida com uma saia safaria.
— Olá — disse ela. — Eu sou a Dra. Casanova. Uma Amy Cahill marcou para se encontrar comigo?
— Entre — Jake se afastou para deixá-la entrar. — Estávamos esperando por você.
— Obrigada — ela assentiu com a cabeça, olhou ao redor da sala e sentou-se na única cadeira que não continha roupas espalhadas dos garotos. — Eu normalmente não estou disponível para consultas particulares, mas quando El Presidente pede um favor... — Amy contatara alguns Cahill para conseguir um encontro privado com a principal perita da Guatemala sobre Tikal, na esperança de tornar mais rápido o trabalho de localizar o cristal despedaçado. — Entendo que vocês tenham algumas perguntas a fazer sobre um dos templos daqui?
— Sim... apenas não sabemos qual templo — disse Amy. — Nós estamos procurando por algo chamado cristal despedaça – ou quartzo chocado.
Ela mostrou à arqueóloga uma foto de quartzo chocado, tirada através de um microscópio.
A pedra tinha ondas com as cores do arco-íris, com camadas estriadas de linhas pretas nítidas que pareciam quase como relâmpagos. Era diferente e bonita.
A Dra. Casanova assentiu.
— Não é nativa desta área, mas é encontrada em Yucatán. O povo de Tikal negociava com o de Yucatán e poderíamos facilmente ter ficado um pouco desse cristal. Nunca vi por aqui, no entanto.
— A pedra tem essa aparência somente através de um microscópio — explicou Atticus. — Seria difícil detectá-la entre outras pedras, uma vez que parece quartzo comum a olho nu.
A Dra. Casanova olhou com cautela para o Atticus de onze anos. Ele era tão inteligente e maduro para sua idade que alguns adultos o achavam ameaçador, como se tivessem medo de ser ultrapassados por uma criança. Amy esperava que a Dra. Casanova não fosse esse tipo de adulto.
— No entanto — disse a arqueóloga. — Todos os templos escavados foram exaustivamente analisados. Um pedaço de quartzo, chocado ou não, teria sido notado em todo o calcário.
— Mas pode haver um pedaço de quartzo chocado em um dos templos não escavados, certo? — perguntou Amy.
— Tudo é possível — a Dra. Casanova admitiu. — Mesmo a aterrissagem de um helicóptero em uma quadra de pok-a-tok, pelo o que ouvi falar.
Dan começou a rir, mas a risada morreu em sua garganta quando viu o olhar severo da arqueóloga sobre ele.
— Sim, sinto muito por isso. Foi um pouso de emergência.
— Vocês podem ter destruído inestimáveis tesouros arqueológicos — disse a Dra. Casanova. — Arruinado para sempre.
— Uh, sim. Nós também poderíamos ter morrido — Dan apontou.
— Isso não faz parte dos meus interesses — a Dra. Casanova bufou.
Amy viu Dan trocar um olhar de oh, irmão com Atticus.
— Eu sei que pok-a-tok é uma espécie de mistério para nós — disse Atticus. — Mas a senhora não descobriu nada de novo sobre isso?
Amy não tinha certeza se ele estava mudando de assunto para ser diplomático, ou se era apenas sua curiosidade natural. De qualquer maneira, ela estava grata.
— Sabemos que foi muito importante – como baseball e futebol são para vocês — a Dra. Casanova respondeu, seu rosto suavizando levemente. — Há relíquias retratando homens jogando pok-a-tok em todo o mundo maia. Vocês as verão enquanto explorarem o parque – as partes abertas ao público, isto é.
Amy limpou a garganta.
— Acredito que temos permissão para explorar as ruínas não escavadas também — ela pegou um papel oficial e mostrou-o à Dra. Casanova. Os mesmos fios que ela puxou para conseguir uma reunião privada com a arqueóloga também haviam convencido o governo e os funcionários do parque a quebrar algumas regras por eles. Ou, pelo menos, era o que o papel dizia. Na verdade, ela tinha conseguido que Pony forjasse algumas falsificações que pareciam bastante reais.
A arqueóloga franziu a testa.
— Posso fornecer-lhes um guia para ter certeza de que não farão nada para causar danos aos artefatos.
Amy conteve uma careta. Um guia era a última coisa que eles queriam. Eles não tinham intenção de danificar qualquer coisa, mas se encontrassem o cristal despedaçado, levariam uma amostra dele. Ela se sentiu um pouco culpada por profanar ruínas antigas, mas tinha que ser pesado contra o bem maior.
Sem aquele cristal não haveria antídoto do soro, e sem o antídoto... bem, o mundo seria de Pierce, literalmente. Eles apenas viveriam nele, e a Dra. Casanova também.
— Em qualquer caso, levaria anos – décadas – para procurar por toda a cidade perdida de Tikal por uma pedra — falou a Dra. Casanova, levantando-se para partir. — Parece que dificilmente valeria o esforço.
— Valeria para nós — disse Dan.
— Por quê?
— Projeto de ciências da escola — Dan mentiu sem problemas, assim como vinha fazendo há anos.
Mentir para seguranças, bibliotecários, agentes da Interpol – qualquer um que ficasse entre os Cahill e sua missão.
A Dra. Casanova parecia cética, mas, aparentemente, decidiu não descobrir mais a fundo.
Este era um daqueles momentos em que ser “apenas crianças” foi útil.
— Se tiverem mais perguntas, sintam-se livres para ligar para meu escritório. Adeus.
Ela se foi.
— Não temos anos para encontrar o cristal — Amy falou. — Precisamos dele agora! Deve haver uma maneira de encontrá-lo rapidamente. Algo no livro. Alguma pista...
Seus olhos se voltaram para todo o livro. Continha todas as respostas de que precisavam, mesmo que apenas eles pudessem decodificá-las.

Um comentário:

  1. "Ela se sentiu um pouco culpada por profanar ruínas antigas, mas tinha que ser pesado contra o bem maior."Bem Maior...só eu que lembrei do HP?

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