25 de novembro de 2016

Capítulo 3

O helicóptero voava um pouco mais firme agora, já que ninguém estava pendurado para fora da porta aberta, mas ele desviava para a esquerda e para direita. Amy não fazia ideia de como mantê-lo em linha reta.
— Está todo mundo bem aí atrás? — ela gritou.
Atticus esfregou suas pernas como se elas doessem, mas engoliu em seco e assentiu.
— Eu estou bem.
— Amy, você consegue controlar essa coisa? — Dan perguntou.
— Não! — Ela examinou o painel de controle em pânico. Ela sabia que eles deveriam se dirigir para o norte em direção à Tikal. Mas que lado era o norte? — Qual desses é a bússola?
Jake saltou para o assento do copiloto.
— É essa. Eu acho.
— Talvez possamos falar com a torre de controle ou algo assim? — Amy sugeriu. — E eles podiam me dizer o que fazer?
Jake colocou o microfone e o fone do piloto e mexeu nos controles até que fazer contato por rádio com alguém falando espanhol.
— É torre de controle em Tikal!— disse Jake. Ele disparou algo em espanhol para eles. Eles responderam de volta com algo que parecia uma pergunta, e incredulidade.
Jake respondeu. Pelo rádio veio gritos de choque e horror.
— O que eles estão dizendo? — Amy perguntou a Jake.
— Eles continuam pedindo para falar com o piloto, e quando eu disse a eles que ele se mandou e uma adolescente estava tentando voar para Tikal, eles meio que piraram.
— Ok, mas o que eu devo FAZER?
Jake falou pelo rádio em espanhol novamente. Uma onda de pânico em espanhol inundou de volta.
 — Mantenha o visor a cerca de 800 metros à frente, se puder — Jake traduziu. Ele mostrou a ela o que cada um dos controles fazia e como trabalhar com os dois pedais no chão. — Siga para o norte-noroeste, para manter a bússola apontada para este número 33. — Ele apontou para o local onde a bússola devia apontar.
— O quê?! Como eu faço isso?
Após outra troca de falas em espanhol, Jake disse a ela como ajustar os controles cíclicos e coletivos e o acelerador. Ela empurrou a cíclica muito forte e o helicóptero começou a despencar.
Dan e Atticus gritaram. 
— Não tanto assim! — Jake gritou. — Pressão leve!
— Ok, ok! — Ela mal conseguia pensar. Estendido embaixo deles não havia nada além de vulcões esfumaçados e a grossa cobertura da selva. Não havia lugar para pousar até onde ela conseguia ver.
E se ela não pudesse manter o helicóptero no ar, eles cairiam. As vidas deles estavam em suas mãos, e suas mãos pareciam tão úteis quanto dois tijolos.
— Estabilize — Jake recomendou. — Um pouco mais de pressão sobre o pedal direito. Agora é só nos mantermos assim...
Ela pressionou com muita força no pedal e o helicóptero balançou novamente.
Não, para, para!
— Uou! — Dan gritou.
— Devagar! Devagar! — Jake exclamou.
Ela tirou os pés do pedal como se de repente ele queimasse, causando outra guinada. Tentou tocá-lo levemente, e o helicóptero se estabilizou novamente. Seu coração disparava, as mãos tremiam, mas ela se obrigou a focar nos controles. Ela sentia como se estivesse lutando com um tubarão, uma criatura grande, perigosa e incontrolável; um movimento em falso e ele poderia mastigar você em pedaços. Ela olhou para Dan e para Atticus em seus assentos atrás dela, segurando um ao outro. Eu não vou deixá-los morrer, ela disse a si mesma. Nós não vamos cair, nós não vamos cair...
Uma mão forte agarrou seu ombro. Ela sabia sem olhar que era de Jake. Amy não disse nada, não tinha tempo para pensar sobre isso, mas isso a acalmou um pouco.
O rádio grunhiu em espanhol.
— A torre tem você no radar deles. Eles vão nos guiar — Jake disse. — Estamos quase no Parque Nacional de Tikal agora. Se puder encontrar uma clareira, eles vão te dizer como pousar essa coisa. Siga a oeste.
— Uma clareira? — Amy examinou o terreno por uma abertura na selva. Ela não viu nada além de vegetação espessa por quilômetros. Mas então as árvores começaram a ficar mais separadas, enquanto as ruínas dos templos ficaram visíveis.
— Diminua sua altitude para 90 metros. — Jake traduziu. — Devagar.
Amy abaixou a alavanca que era o coletivo lentamente.
A frente de sua testa pulsava com tensão. As três vidas sob seus cuidados – Dan, Jake, Atticus – pesavam sobre seu coração tão fortemente que ela temia que isso fosse puxar o helicóptero para baixo. Mas a mão forte ainda agarrava seu ombro. Isso ajudou.
— Ótimo. Agora desacelere. 30 nós. 20 nós.
Amy olhou o velocímetro.
— Afrouxe o cíclico de volta e mantenha o nariz para cima. PARA CIMA! — Jake adicionou quando a frente começou apontar para baixo. O coração de Amy estava em sua garganta, mas ela o engoliu. Pense! Pense!, e puxou a frente para cima. Eles estavam deslizando sobre as copas das árvores. Amy viu uma pirâmide maia perto de uma clareira retangular estranha – um campo estreito de grama esticado entre as duas estruturas de pedras. Quase parecia uma pista de pouso, mas não era muito grande.
— Eu vou pousar ali — ela falou para Jake.
Mordendo o lábio, ela diminuiu a velocidade do helicóptero para ficar suspenso sobre a grama. Ela puxou o coletivo para abaixá-lo. Eles ficaram na mesma altura das copas das árvores, depois abaixo das folhas, até que ela podia praticamente ver cada lâmina da grama. Não havia muita margem para erro.
A mão em seu ombro não a soltou. A torre de controle deu mais instruções.
— Arme o freio de pouso — Jake traduziu.
— O que isso significa? — Sua cabeça girava. Tudo era estranho – os controles, tentar voar, as ordens em espanhol, a dor pulsante em sua barriga...
Mais espanhol.
— Eu acho que é isso! — Jake puxou uma alavanca. O impulso para frente do helicóptero parou e ele começou a cair rapidamente.    Eles estavam a nove metros no ar, caindo do céu direto para o chão.
— Posição de colisão! — Amy gritou.
Dan e Atticus se inclinaram para frente em seus assentos, Atticus cobrindo os olhos. Amy freneticamente puxou o nariz para cima para retardar a descida, mas não funcionou. O chão ampliou em sua visão. Ela soltou os controles e cobriu a cabeça.
Bam! O helicóptero caiu no chão, quebrando a cauda contra um muro de pedra.
Em seguida, a frente desceu. A testa de Amy bateu contra os joelhos. Tudo estava quieto.
A mão de Jake ainda agarrava seu ombro. Ele nunca a soltou, em nenhum momento.
Ela levantou a cabeça. Jake levantou a sua. Ela se virou e viu Dan e Atticus agachados no chão. Atticus levantou a cabeça. Mas Dan não se mexeu.
— Dan! Você está bem? — Ela foi para trás e o sacudiu. Ele se sentou, esfregando sua têmpora.
— Estamos seguros agora? Estamos no chão?
— Sim — Amy disse. Ela sentiu o gosto de metal, e percebeu que seu lábio sangrava onde ela o mordera. — Está todo mundo bem? — Ela colocou a mão na cabeça de Atticus, depois na de Dan.
Jake assentiu para ela.
— Sim. — Era um milagre que ninguém tivesse se machucado.
A porta de Amy tinha amassado no pouso.
Ela soltou o cinto de segurança e caiu para fora do helicóptero. Jake saltou pela própria porta e ajudou os garotos mais novos a pisarem em terra firme.
— Dan, você tem certeza de que está bem? — Amy perguntou. — Você também, Att? — Ambos pareciam instáveis em seus pés.
Atticus se endireitou, tentando ser corajoso.
 — Só alguns machucados — ele guinchou. Ele não conseguia esconder o tremor em sua voz.
— Sinto como se tivesse acabado de ser vomitado de um liquidificador — Dan respondeu. — Mas eu estou bem. — Era uma habilidade que ele tinha aperfeiçoado ao longo dos anos, mascar seu medo com piadas. Mas seu alívio borbulhante tornou impossível sua culpa tomar a posse.
— Graças a Deus.
— Ei, sua boca está sangrando — Dan falou.
— Eu sei — Amy apertou os lábios, sentindo o sangue novamente. Ela inspecionou os danos. Eles tinham pousado em cima da cauda e parado nos trens de pouso. Os rotores da cauda tinham quebrado e sua ponta fora esmagada. Uma das janelas de trás dos passageiros tinha quebrado e uma porta se pendurava pelas dobradiças, e suas mochilas haviam sido jogadas para fora do helicóptero, na grama. Felizmente, o helicóptero não estava muito alto quando eles começaram a cair, ou os danos teriam sido piores.
Ela respirou fundo e caiu no chão. 
— Eu nunca farei isso de novo.
— E eu nunca desejo que você faça isso de novo — Dan disse.

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