25 de novembro de 2016

Capítulo 2

Amy quase podia sentir a respiração quente dos capangas em seu pescoço – tinha um odor específico, uma espécie de cheiro de couve verde misturado com cloro e amônia. Ela conhecia aquele cheiro muito bem agora, de tantos desentendimentos com homens semelhantes a concreto tentando matá-la.
Ela se virou, preparando-se para lutar. Havia cinco homens, quatro crianças... desvantagem numérica e muscular, mas se eles fossem espertos, talvez tivessem uma chance de escapar. Ela avistou dois mecânicos do aeroporto inspecionando um avião a cerca de 30 metros de distância. Talvez se ela conseguisse chamar a atenção deles, os capangas ficassem com medo de atacar.
Ela pulou, acenando e gritando, “Ei!” quando um dos homens do Pierce se lançou em cima dela.
Ela se abaixou e deixou que ele passasse por cima dela, caindo com um baque na pista. Só então um caminhão carregado de bagagens se aproximou do terminal, rumo a um jato esperando na pista.
— Pulem! — Amy gritou.
Ela saltou sobre o caminhão quando ele passou, se escondendo atrás de uma montanha de malas. Pegou a mão de Atticus para erguê-lo, mas ela estava escorregadia de suor e escorregou por entre seus dedos.
Ele correu, ofegante, para se manter ao lado do caminhão. Amy agarrou o pulso dele dessa vez e o puxou para cima com tanta força que quase deslocou o ombro.
Jake e Dan saltaram no último segundo.
Amy olhou para trás para ver quanta vantagem eles tinham ganhado, mas os homens de Pierce continuavam se aproximando, não muito atrás do caminhão em alta velocidade.
Eles não tinham tempo de sobra. Ela acenou freneticamente para o piloto do helicóptero deles, que estava sentando nos controles.
— Vamos! — ela gritou para ele. — Agora!
O motor do helicóptero rugiu ganhando vida, e os rotores começaram a girar, lentamente no início, depois mais rápido. O piloto abriu a porta.
— Pulem! — Amy gritou para Jake, Dan e Atticus. — Agora!— Ela pegou a mão de Att quando eles pularam do caminhão de bagagens em alta velocidade. Amy caiu de joelhos e rolou pelo asfalto quente. Ela levantou Atticus e correu para o helicóptero, com Jake e Dan bem atrás deles. Os homens de Pierce estavam se aproximando. Amy e Dan subiram a bordo do helicóptero. Jake empurrou Atticus para dentro, saltou e fechou a porta quando os rotores giraram mais rápido e o helicóptero decolou.
O piloto gritou alguma coisa para eles em espanhol, e Jake gritou algo de volta.
— Ele está perguntando por que esses homens grandes estão perseguindo quatro crianças — Jake traduziu. — Eu disse apenas para ele nos tirar daqui.
O piloto gritou novamente, apontando para a pista logo abaixo. Um dos capangas estava pulando no ar, assustadoramente alto, tentando agarrar o trem de pouso. Ele quase conseguiu, caindo no chão ileso enquanto o helicóptero voava fora de seu alcance.
Amy deu um suspiro de alívio rápido.
— Graças aos céus que esses caras não conseguem voar — Dan comentou. — Nem mesmo aprimorados com o soro.
Os garotos se acomodaram em seus assentos atrás do piloto e apertaram o cinto para a viagem à Tikal.
Era um helicóptero grande, com duas fileiras de três assentos de frente um para o outro atrás de uma cabine fechada de dois lugares. Amy enfiou a cabeça na cabine para se certificar de que o piloto sabia para onde eles estavam indo e para agradecer-lhe pelo seu raciocínio rápido.
— O prazer é meu — ele disse com um sotaque forte, balançando a cabeça mas sem a olhar nos olhos. — Por favor, sente-se e coloque o cinto de segurança, senhorita. A viagem para Tikal pode ser instável. Nós estaremos voando sobre vulcões ativos.
Amy se sentou e colocou o cinto. Algo a estava incomodando; algo sobre o piloto não parecia certo. Seu torso era largo e irregular sob o paletó.
— Você notou algo de estranho sobre o piloto? — ela sussurrou para Dan.
— Tipo o quê? — ele perguntou friamente, como se fosse necessário um esforço sobre-humano só para responde-la. 
— Deixa pra lá — Amy apertou a testa contra a janela, frustrada.
O helicóptero se ergueu e deixou para trás a Cidade da Guatemala. Muito abaixo, um cobertor de montanhas vulcânicas marrons se estendia.
Ela colocou sua bolsa de couro no chão e ouviu um pequeno tilintar. Não conseguiu resistir a lançar outro olhar para Dan, que agora estava absorvido em um jogo de computador. Seus cabelos castanhos e lisos caíam em seus olhos, e ele tinha que ficar afastando-o. Amy tentou sufocar uma onda de ternura por ele, mas a visão foi o suficiente para fazer seu coração doer como uma pele se recuperando de queimaduras de gelo. Às vezes era fácil esquecer que ele só tinha treze anos. Se eles ainda estivessem em Attleboro, a maior coisa pelo que eles estariam brigando seria sobre cortes de cabelo e dever de casa, discussões que ela provavelmente perderia porque Dan era a pessoa mais teimosa que ela já conheceu.
Não a admirava que eles mal falassem um com o outro. Dan estava cansado de toda essa coisa de Cahill.
“Estou fora”, ele tinha dito a ela. Assim que eles finalmente acabassem com o Pierce, sem mais negócios Cahill para ele. Ele tinha planejado desaparecer e viver o resto de sua vida na quietude e no anonimato, com tão pouco mistério, ação e aventura quanto poderia.
Amy se lembrou de um tempo, não muito anos atrás, em que Dan teria descartado uma vida assim tão chata. Esse era o tipo de dano que a caça às pistas tinha feito a ele. Um garoto cuja vida foi tão estressante que ele estava pronto para se aposentar aos treze anos.
Atticus sentou ao lado de Dan, seu corpo rijo dobrado no assento, debruçado sobre o livro de Olivia, e seu irmão mais velho, Jake, ao seu lado, lendo por cima do ombro dele. Ele tinha se fixado em uma página de hieróglifos estranhos e desconhecidos que não conseguia entender. Eles estavam alinhados em fileiras, cada um era um quadrado arredondado com um glifo no interior, e entre eles havia um conjunto de letras e números. Amy tinha olhado para os símbolos, mas não conseguiu nada com eles. Às vezes, ela via algo que parecia um rosto, ou uma língua, ou um monstro. Às vezes, eles eram apenas pontos, linhas e círculos, quase decorativos. Eram formas complexas, não letras, exatamente, mas quase como desenhos grosseiros... baseados em o quê?
Eles tinham deixado o assento ao lado de Amy vazio. Ninguém queria sentar ao seu lado. Jake muito menos. Seu coração se encolheu quando o fantasma de sua crueldade ecoou em sua cabeça. Eu não te amo...Você acha que existe essa coisa entre a gente, mas não existe. Nunca houve, e nunca haverá.
Eles não entendiam como era estar no comando. Eles não sabiam como era mandar alguém que você ama para uma missão tão perigosa que a morte era quase certa. Ela se recusava a ser a razão de seu irmãozinho nunca mais receber outro corte de cabelo. Mais um acidente, e ela estaria olhando para seu cabelo castanho desgrenhado contra um revestimento de um caixão. A partir de agora, ela faria o que fosse necessário para manter sua família – e o mundo – a salvo de Pierce.
Se isso os irrita, que pena.
Ela preferia tê-los vivos e irritados a mortos. Amy colocou sua mochila embaixo do assento e ouviu o tilintar de novo. Vinha de um pequeno frasco com o soro Cahill. Ninguém sabia que ela o possuía. Ela odiava a ideia de ter uma dose completa, não diluída, perto de si.
Era como manter algo radioativo perto de sua pele, como o Super-Homem carregando kryptonita por aí.
Atticus trabalhava em decodificar a fórmula do livro de Olivia Cahill. Ultimamente ele estava obcecado com uma receita do livro para “Cristal de Açúcar Comestível”.
— Se você quer tanto assim um doce, Atticus, eu compro um para você quando pousarmos — Amy brincou, principalmente para obrigar um deles a reconhecer sua presença.
— Não é isso — Atticus disse. — O cristal comentível é algo muito simples de fazer. Essa receita é ridiculamente complicada. Há outra coisa acontecendo aqui.
— Cristal... — Amy meditou. — Talvez tenha uma conexão com o cristal despedaçado.
— Talvez — Dan disse. — Mas o que é cristal despedaçado?
— Leia a descrição de novo, Jake — Amy pediu.
Atticus entregou o livro para Jake.
A descrição de Olivia do cristal estava escrita em latim, e o latim de Amy era de ruim para não-existente.
O celular de Amy tocou.
— Finalmente — ela falou com alívio. Eles ficaram sem sinal e sem contato com a base deles em Attleboro por várias horas, e isso a deixava nervosa. — É o Ian. Espere um segundo, Jake.
Ela podia sentir Jake se enrijecendo do outro lado do corredor e viu o aborrecimento – ou era raiva? – que atravessou seu rosto.
— Ian?
— Amy.
— É bom ouvir sua voz.
— Sim, nós estivemos tentando falar com você desde que deixou o espaço aéreo dos EUA — Ian respondeu. — Está no helicóptero que conseguimos para vocês?
— Sim. — Não era necessário dizer como eles mal conseguiram sair do aeroporto vivos. — Obrigado pela sua ajuda, Ian.
Pelo canto do olho, ela podia jurar que viu o Jake enrugar o nariz e murmurar “Obrigado pela ajuda, Ian”, sob sua respiração. Típico. Jake mal podia olhar para ela sem fazer caretas, mas ainda assim vê-la falar com um garoto pela qual ela teve uma queda um dia o tornava de obscuro e infeliz para irritadiço e infantil.
— Como está o Ian? — Jake perguntou quando ela desligou o celular. Ele ajeitou sua postura, abotoando o primeiro botão da camisa e jogando o nariz para cima. — Esplendidamente bem, eu espero? — ele acrescentou em um sotaque britânico terrível e exagerado. — Tudo lisonjeamente bem na velha Attleboro, não? Ou como eu chamo, o purgatório norte-americano? Realmente espero ser capaz de deixar essa maldita terra de caipiras e voltar para a civilização um dia desses.
Dan e Atticus riram de seus lugares.
Amy cruzou os braços, irritada.
— Apenas leia para mim a descrição da Olivia do ingrediente, por favor.
— Eu digo, aqui diz que ela usou flocos de um cristal despedaçado divido de uma pedra de um templo maia em Tikal — Jake ainda usava seu falso sotaque do Ian.
— Obrigada. Você pode parar com o sotaque agora.
— Esplendidamente bem. Engraçado, achei que você gostava de sotaques britânicos.
— Jake...
— Foi mal.
— Sim. Foi mal mesmo. O que mais a Olivia diz? Em seu sotaque normal, por favor.
Jake franziu a testa para o livro.
— Basicamente, Olivia olhou para rocha sob uma lupa e viu que os cristais tinham uma estrutura em ziguezague incomum, como se tivessem sido deformados por uma grande pressão.
— Parece quartzo chocado. Eu vi isso em Estranho Porém Verdade — Dan disse. — É encontrado em locais onde dispositivos nucleares foram usados, mas também em locais onde um meteoro caiu na Terra.
— Chicxulub! — Atticus exclamou.
— Saúde — Dan disse de volta.
— Não, a Cratera de Chicxulub — Atticus continuou. — Um meteoro atingiu a terra há cerca de 65 milhões de anos. Isso causou tsunamis gigantes e trouxe tanta poeira que quase causou uma era do gelo artificial, como um inverno nuclear. Alguns cientistas acham que o meteoro foi responsável pela extinção dos dinossauros.
— Eu mesmo sou um fã da teoria vulcânica — Dan harmonizou. — Aquela poeira do vulcão os exterminou.
— Seja como for, um meteoro caiu aqui — Atticus disse. — Eles acharam quartzo chocado naquele lugar, deformado pelo impacto do meteoro. Mas fica em Yucatán, no México, não na Guatemala.
— Os maias barganharam pela América Central inteira — Jake apontou. — Eles poderiam facilmente ter trocados pedras de Yucatán.
— Se tudo o que precisamos é de um pedaço de quartzo chocado, podemos comprar pela Internet — Dan observou. — Não precisamos ir até a Guatemala.
— O livro diz especificamente “cristal despedaçado de Tikal” — Jake disse — Deve ter algumas propriedades especiais.
— Os maias construíram templos disso? — Dan perguntou
— Eu já chequei — Amy respondeu. Ela estava grata que, pelo menos quando discutiam o antídoto, os outros paravam com o tratamento do silêncio. — Os templos são construídos de pedra calcárias locais. Mas eles podem ter colocado pedras especiais nos altares do templo, talvez algo que tenham trocado, algo único.
Tikal era um parque nacional e um tesouro arqueológico. As ruínas de uma grande cidade antiga – um império caído – tinham sido escondidas por séculos do crescimento da selva, mas em 1956 os arqueólogos começaram a escavar e ficaram espantados com o que acharam: cidades inteiras feitas de pedra, enormes pirâmides maias e templos, vários quilômetros de construções antigas.
— Como eu pensei — Atticus anunciou, acenando com o papel que ele estava usando para decodificar a receita de doces.
— Não é uma receita de doce? — Dan perguntou.
— Não, a não ser que você goste de doces duro o bastante para quebrar os dentes — Atticus respondeu. — É uma mensagem codificada. Açúcar, ou sacarose, tem uma fórmula química de C12H22O11, mas quando eu decodifiquei essa lista de ingredientes, a fórmula para açúcar era SiO2. Essa é a fórmula química do quartzo. Mas continua a descrever a estrutura molecular e é um pouco estranha, não exatamente certa para quartzo. Assim que adicionei a estrutura molecular para quartzo despedaçado no código, eu descobri. O antídoto requer um pedaço de pedra despedaçada especial, que tem certas propriedades moleculares. Um desses pedaços especiais está incorporado nas ruínas de um templo maia em Tikal. O pedaço que a Olivia usou foi quebrado desse cristal.
— Mas Tikal é cheia de ruínas de templos — Amy disse.
— É gigante — Jake acrescentou. — Como nós vamos saber qual templo tem o cristal que precisamos?
— Me dê o livro de volta, Jake — Atticus pediu. Ele abriu a página coberta com hieróglifos estranhos.
— Saca só — Dan indicou para a janela. — Esse vulcão está expelindo cinzas.
Então o helicóptero atravessou uma pequena nuvem negra. Tudo ficou escuro do lado de fora das janelas. Por um segundo, Amy teve a sensação de que estava sufocando. Mas a nuvem negra – as cinzas da qual Dan tinha acabado de falar – desapareceu rapidamente.
O helicóptero desviou para a direita, em seguida, virou bruscamente para a esquerda. Ele balançou para cima e para baixo.
— O que está acontecendo? — Jake perguntou.
Outra guinada, e Amy sentiu seu estômago cair até seus joelhos.
— Uou! — Atticus gritou.
— Isso é melhor que montanha-russa! — Dan exclamou. 
— Isso não é bom. — Eles estavam longe da Cidade da Guatemala agora, voando sobre montanhas e pela selva que pareciam estar no meio do nada. Amy abriu a divisória da cabine e dos assentos de passageiros e pegou o piloto se sentando rapidamente. — O que está acontecendo? — ela perguntou.
O piloto não olhou para ela.
— Não inglês.
Não inglês? Não tinha ele dito a ela para se sentar e colocar o cinto de segurança? Ela notou seu paletó no assento ao lado dele. Ela se inclinou mais para dentro da cabine e imediatamente percebeu porque o piloto tinha parecido ter um caroço por baixo do casaco. Ele tinha um paraquedas preso às costas.
Uma onda de náusea ansiosa tomou conta de Amy.
— O que você acha que está fazendo? — ela exigiu. O piloto se recusou a olhar em seus olhos.
O helicóptero balançou novamente, quase acertando a lateral de uma montanha.
— Ele está usando um paraquedas! — ela contou aos outros. — Acho que ele vai pular.
— O Pierce deve ter falado com ele — Dan disse.
O piloto empurrou a maçaneta da porta da cabine para a esquerda, tentando abri-la e se jogar.
— Segurem-no! — Jake gritou.
Amy saiu do caminho. Jake mergulhou através da divisória e agarrou o piloto antes que ele pudesse abrir a porta.
— Dan, me ajuda!
Dan alcançou através da porta da divisória e ajudou Jake arrastar o piloto para a área dos passageiros. O helicóptero imediatamente começou a cair.
— Amy... pegue os controles! — Jake mandou.
Amy rastejou sobre Dan e Jake, que lutavam com o piloto, para o banco da frente e agarrou os controles. Ela entrou em pânico. E agora?
 — Estabilize essa coisa! — Jake gritou.
— Como? — Amy gritou de volta para ele.
— Eu não sei! — Jake respondeu.
O helicóptero se inclinou para baixo na direção das árvores. Ela puxou a alavanca em frente dela e o helicóptero inclinou para cima. O helicóptero não subiu, mas parou de cair. Ele nivelou e foi para frente – em linha reta direto para um vulcão.
— AMY! — Dan gritou.
— Eu estou tentando! — Ela encontrou uma alavanca no chão à sua esquerda. Não tinha tentando essa ainda.
Ela a puxou, rezando para que fizesse algo de bom.
O helicóptero subiu. Se ergueu sobre o vulcão. Amy olhou para o abismo escuro no topo e pensou ter visto uma nuvem de fumaça.
O piloto escapou das mãos de Jake e jogou a parte superior de seu corpo na cabine, tentando tirar as mãos dela dos controles.
— Tirem-no daqui! — ela gritou.
Jake, Dan e Atticus arrastaram o piloto de volta para a segunda fileira de assentos. O helicóptero caiu rapidamente, em direção a um vale verde.
— Puxa para cima! Para cima! — Jake gritou.
— Eu sei! — Amy puxou a alavanca novamente com toda sua força. O helicóptero se levantou em direção ao céu, saindo do vale e quase raspando no topo de uma colina. Ele vacilou. Ela endireitou o helicóptero e o estabilizou, mas então ele começou a girar, circulando ao redor do ar. Amy puxou freneticamente a alavanca de controle, e o helicóptero virou para frente.
Os meninos lutaram para subjugar o piloto, mas ele não ia ceder sem uma luta. Ele conseguiu destrancar a porta do passageiro. Amy sentiu a mudança na pressão. Ela olhou para trás para ver o que estava acontecendo, e o helicóptero desviou para esquerda. Todo mundo caiu para o lado.
— Amy, cuidado! — Dan gritou.
Amy se concentrou em manter o helicóptero estável. O piloto tinha agarrado Atticus pelos braços como uma espécie de refém.
— Solte-o! — Jake gritou.
Amy não se atreveu afastar o olhar dos controles – um deslize e o helicóptero bateria, ou uma inclinação fora de mão e Atticus cairia para fora. Atrás dela, ela ouviu um baque, um grunhindo e um grito. Mas quando o Jake gritou desesperadamente “Não! Não!”, ela teve que se virar para ver o que estava acontecendo.
O piloto estava se inclinando para fora do helicóptero com Atticus preso em um braço. Ele ia saltar e levar Atticus consigo.
Mas o piloto tinha um paraquedas, e Atticus, não.
Dan jogou todo seu peso em uma das pernas do piloto, e Jake puxou o seu braço, tentando arrastá-lo de volta para o helicóptero. De repente, o piloto gritou.
Amy voltou a sua atenção para a frente do helicóptero. Ela estava prestes a voar direto para um penhasco. Ela puxou o cíclico para cima e o helicóptero se ergueu sobre o penhasco, quase o raspando com os trens de pouso. Suor escorreu por sua testa. Ele pingava em seus olhos, mas ela não se atreveu soltar os controles para enxugá-lo.
— Nós cuidamos disso, Amy! — Jake gritou. — Apenas mantenha essa coisa no ar!
Amy se concentrou no painel de controle e tentou não olhar para trás para ver o que acontecia lá. Mas era difícil. Os sons vindo do banco traseiro – grunhidos, gemidos de dor, baques altos – a aterrorizavam.
   Ela não conseguia ver, mas sentia cada baque como um soco no estômago.

* * *

Dan sentia cada músculo em seu corpo se esforçando, desde seus globos oculares até os dedos do pé enrolados em torno do suporte de um assento. O piloto se segurava na porta da cabine, curvado na cintura, a cabeça balançado, ainda segurando Atticus. Jake puxava uma das pernas do piloto e Dan segurava o pé de Atticus, apoiando suas pernas contra um assento. Os olhos de Atticus estavam enormes de terror enquanto se esforçava para agarrar a mão de Dan. Ele estava ofegante, sua respiração rápida e superficial como um coelho aterrorizado.
O piloto de um chute forte no queixo de Jake, derrubando-o para trás.
— Ugh! — o aperto de Jake se afrouxou e o piloto caiu para fora da porta.
— Att! — Dan gritou.
O pequeno corpo de Atticus parecia flutuar pelo ar sobre a selva abaixo. Dan agarrou o pé de Atticus, mas o tênis escorregou de sua mão. Jake se lançou até o irmão e o segurou pelo torso.
Com um esforço enorme ele puxou o corpo de volta para a cabine, Atticus em seus braços. Eles caíram no chão.
Dan olhou para baixo antes de fechar a porta da cabine. O paraquedas do piloto se abriu enquanto ele flutuava na selva e desaparecia entre as copas das árvores.

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