25 de novembro de 2016

Capítulo 28

Os homens se moveram rapidamente. Estavam sobre Amy, Dan e Pony em segundos.
Amy varreu a área com os olhos à procura de uma saída, mas eles estavam cercados. Os soldados os colocaram contra o templo em ruínas. Não havia lugar para ir, além de para cima.
— Por aqui!
Ela puxou Pony e Dan enquanto subia até o lado não escavado da pirâmide, um enorme monte de terra com videiras, samambaias e árvores crescendo ali. Ela poderia ter alcançado o topo do antes dos soldados, mas não podia deixar Dan e Pony para trás. Dan estava em forma, mas não se igualava a Amy – o soro a tornara tão rápida quanto o mais rápido corredor olímpico. Pony era um especialista interno, não estava acostumado a correr por sua vida. Ele os desacelerava.
Os bandidos rapidamente os alcançaram. A visão de seus músculos salientes e os olhos frios como pedra encheram Amy de raiva, e, como que em resposta, seus músculos foram inundados com força.
Um lutador investiu contra o elo mais fraco, Pony, mas Amy estava em cima dele no lado escorregadio do templo, o que lhe deu uma vantagem.
Ela chutou-o direto no peito e o homem caiu da pirâmide. Amy pegou Pony pouco antes que os homens pudessem arrastá-lo para baixo.
— Obrigado! — disse Pony.
— Não me agradeça ainda — respondeu Amy. — Chegue ao topo, enquanto eu luto com eles!
Ela chutou outro bandido para fora do templo, mas assim que um caía no chão, outro subia. Ela olhou para trás. Dan e Pony alcançaram o topo da pirâmide.
Dois soldados estavam começando a subir mais uma vez o monte de terra, então ela tinha alguns segundos. Amy correu para o topo, pegou uma videira e testou-a. Ela estava enrolada solidamente em torno do galho alto de uma árvore sumaúma a seis metros da pirâmide.
— Usem isto para deslizar para baixo! — ela disse Dan e Pony.
Eles envolveram as mãos em torno da videira áspera e escorregaram a partir do topo da pirâmide de volta para o chão da floresta. Desapareceram entre a vegetação para esperar por ela.
Os soldados continuavam chegando. Amy chutou um no peito, seu pé direito alcançando o esterno de forma lima e firme. Ele voou para trás com um grito. Ela deslocou-se para o pé esquerdo e derrubou um segundo gorila. Mas um terceiro subia logo atrás. Ele agarrou um dos pés dela e puxou-a para desequilibrá-la. Amy caiu de costas, a cabeça quase acertando uma raiz de árvore exposta.
O bandido pulou sobre ela, indo para o seu pescoço. Apertou sua garganta com tanta força que ela não conseguia respirar. Amy afastou as mãos do pescoço e balançou-se para trás, levantando as pernas. Ela enfiou os dois pés em seu estômago, empurrando-o. Ele rolou monte abaixo. Amy quase tinha sido estrangulada, mas ela não sentia nada, nenhuma dor, nada além de energia feroz. Ela saltou e rapidamente desceu para encontrar Dan e Pony.
Dois soldados esperavam por ela lá embaixo. Um agarrou Pony pelo rabo de cavalo, puxando sua cabeça para trás; o outro segurava Dan pela nuca como um gatinho prestes a ser afogado. Os olhos de Pony arregalados de terror. Dan ficava chutando seu captor nas canelas, mas o bandido não pareceu notar.
— Deixe-os ir — Amy rosnou.
Eles não podiam segurar Pony e Dan e lutar contra ela ao mesmo tempo. Eles soltaram os meninos e foram na direção dela. Ela pulou para o lado, evitando-os, em seguida, acertou cada um com golpe forte no pescoço. Ela ouviu ruído nos arbustos atrás dela.
— Mais estão vindo. Corram.
Ela se sentia quase um animal, sobrenatural, como os deuses maias que vira em esculturas e desenhos ao redor de Tikal. Ela era o deus jaguar quando corria, aplicava golpes rápidos como uma serpente, tinha a inteligência de um deus Jester. Ela podia correr mais que os soldados. Mas Dan e Pony não conseguiriam manter o seu ritmo. Ela não tinha escolha a não ser lutar para protegê-los.
Ela rasgou através da selva, arrastando os rapazes atrás dela, à procura de um lugar seguro para eles se esconderem até que ela pudesse lutar contra o exército... se ela aguentasse lutar contra todos...
Ela afastou a dúvida. Ela conseguiria. Tinha que fazer isso. Amy examinou a selva enquanto corria. Quinze metros à frente, uma parede de pedra arruinada, cerca de um e meio metro de altura, brilhava à luz do luar. Se eles pudessem se proteger atrás dela, poderiam usá-la como cobertura e talvez enganar os bandidos tempo suficiente para voltar ao hotel.
Ela empurrou Dan e Pony por cima do muro.
— Amy, não — Dan imediatamente rastejou de volta por cima do muro e ficou ao lado dela. — Eu vou lutar com você.
— Você não pode — ela o empurrou de volta para o outro lado. — Proteja-se.
Ele puxou-se até o topo da parede novamente.
— Eu estou no comando, lembra?
— Sim — disse ela. — Mas não agora.
— Amy — Pony implorou. — Corra. Salve-se.
— Pony está certo — concordou Dan. — Você pode escapar. Corra. Nós vamos aproveitar as chances que tivermos.
Eles estavam dispostos a sacrificar-se por ela. E isso enfureceu Amy. Ela viu como a luta parecia através de seus olhos – uma batalha perdida. Doze homens contra uma menina. Eles não entendiam. Ela tomou o soro. Ela podia vencer.
— Quando você vir uma chance, pegue Pony e corra de volta para o hotel — ela disse para Dan com uma nota de finalidade na voz dela.
Dan poderia ser o líder agora. O julgamento de Amy poderia estar defeituoso, por vezes. Mas cada célula de seu corpo gritava Proteja-o! E ela não podia ignorar a voz. Ela correu ao longo da parede, quinze metros, trinta, rápida como um relâmpago, afastando os soldados dos meninos. Então virou-se para enfrentar seus atacantes frente a frente.
Ela usou um golpe de judô para lançar o primeiro sobre a cabeça. Se esquivou rapidamente do próximo, e de um terceiro. Ela pegou um galho de árvore caído para usar como arma, afastando os soldados tão rápido quanto podia. Mas eles continuavam chegando. Quatro deles, seis, dez, doze...
Ela estava cercada. Saltou para o topo da parede, esperando que a altura extra lhe desse alguma vantagem. Amy atacou um dos homens com o galho, derrubando-o como um pino de boliche. Você consegue fazer isso.
E então aconteceu.
Ela sentiu uma fraqueza súbita nas pernas. Fez uma pausa, segurando o ramo que servia de espada, mas suas mãos tremiam como uma árvore na tempestade. Não, ela pensou desesperadamente. Não agora. O poder foi drenado dos seus membros. Seus olhos reviraram em sua cabeça. Ela sentiu-se escorregando pela parede, a pedra bruta raspando os braços, manchas coloridas surgindo diante de seus olhos.
Esse episódio foi pior do que antes. Pior do que qualquer coisa que ela havia sentido em sua vida.
— Amy! Amy!
Ela podia ouvir Dan chamando-a, mas não podia vê-lo. Não podia ver nada além de manchas e cores rodopiantes. Ela sabia o que estava acontecendo. Desta vez, ela sabia: outra alucinação. Isso não é real, ela pensou. Não posso deixar me controlar. Então, ela ouviu gritos, terríveis gritos de rasgar o coração. Macacos bugios, pensou. Eu estou cercada por macacos bugios. Afastem-se de mim!
Eles saltaram para cima e para baixo, então a atacaram, agarrando seu cabelo e rosto com as patas peludas.
Não! ela gritou. Pare! Pare! É uma ilusão, ela pensou. Faça isso ir embora!
Ela convocou toda a sua força para limpar a mente, lutar contra a escuridão. Ela ouviu passos correndo em sua direção. Eles eram reais? Eles se aproximaram.   mais perto... em seguida, atacaram!
Mãos agarraram seus braços. Ela os afastou. As cores em sua visão desbotaram em preto e cinza. Ela se sentiu como se estivesse olhando através de uma névoa de sombras enquanto gritos enchiam seus ouvidos. Algo tentou pegá-la e arrastá-la – macacos? Homens? Ela não sabia dizer.
Ela chutou cegamente, seu pé e joelho batendo em algo duro até que o algo a soltou.
No meio do caos e do barulho, ela ouviu Dan chamando-lhe:
— Amy! Socorro! Socorro!
Dan. Ela tinha que ajudar Dan. Ela chutou e socou tudo o que tocava, empurrando e arranhando até que, finalmente, os ataques cessaram.
Tudo ficou em silêncio. Sua visão clareou, o nevoeiro se dissipou. As coisas se foram. Eram macacos bugios, ou homens? Ela não sabia. Ela estava de pé num muro em ruínas ao luar, sozinha.
— Dan! — ela gritou. — Pony! Onde vocês estão?
Ela ouviu um grito à distância. Ela correu de volta para a clareira desmatada ilegalmente. Os ruídos ficaram mais altos. O uff-uff-uff das pás de um helicóptero zumbindo acima. Um helicóptero preto pairava sobre a clareira, preparando-se para pousar.
Dois bandidos, seus rostos arranhados e sangrando, agarraram-na. Sua força aumentou novamente, e ela lançou-os ao chão, onde permaneceram, imóveis.
As pás do helicóptero giraram formando uma ventania quando ele pousou na clareira, fazendo poeira e folhas voarem. Amy protegeu os olhos e recuou. Sob o helicóptero, do outro lado, ela viu pés correndo em direção à porta helicóptero. Ela atravessou a clareira, abaixando-se sob os rotores zunindo. Dan!
Dois soldados o arrastavam para dentro do helicóptero. Outro puxava Pony para trás enquanto eles colocavam Dan para dentro. Em seguida, soltaram Pony e correram para o próprio helicóptero. Os homens de Pierce estavam indo embora, e levavam Dan com eles.
— Dan! Não! — Amy gritou, e correu para o helicóptero. Mas Pony estava mais perto. Ele mergulhou para o trem de pouso, agarrando-o enquanto o helicóptero se erguia do chão.
— Pony! Desça! — Amy tentou saltar no ar e agarrar o trem de pouso por si mesma, mas estava alto demais.
A máquina decolou, as pernas de Pony balançando fora de seu alcance. Ela saltou tão alto quanto pôde, mas não era suficiente. O helicóptero disparou por cima das árvores, Pony agarrado abaixo dele. Ele estava pendurado pelas pontas dos dedos, o rosto comprimido contra o metal, sua língua para fora da boca. Ela só conseguia distinguir o rosto frenético de Dan pressionado na janela, e atrás dele, um bandido assistindo Pony e rindo. Amy prendeu a respiração. Era tarde demais para Pony descer agora – o helicóptero estava alto demais.
— Segure-se! — ela gritou. — Segure-se!
As pernas de Pony rasparam no topo de uma árvore. Ele tentou pisar em um galho, como se pudesse pousar lá, mas não era suficientemente sólido. Amy pensou poder ver os músculos de seus braços tremendo, usando toda a sua força. Amy queria fechar os olhos, mas não podia. Ela continuou esperando que uma mão saísse pela porta helicóptero e puxasse Pony para dentro em segurança, que algum milagre aconteceria... Ela encontrou-se estendendo a mão para ele, pulando como se pudesse saltar ao ar e salvá-lo. Mas ela estava enraizada no chão, e ele pendia no céu, impotente.
Uma de suas mãos escorregou da barra de metal. Ele estava pendurado pela sua vida por uma mão suada. O helicóptero se ergueu mais, muito acima das árvores agora. Pony ergueu a mão livre para o trem de pouso, tentando agarrá-lo novamente, mas não conseguiu alcançá-lo. Seu ombro estalou fora de posição, deslocando-se.
E então a outra mão escorregou. Ele caiu.
Amy gritou enquanto via sua figura pequena cair do céu e desaparecer entre as árvores. O helicóptero flutuou para longe.
A selva estava tranquila. Amy ficou sozinha na clareira. O helicóptero tinha ido embora. Dan tinha ido embora. Pony certamente estava morto.
Ela correu para a floresta, esperando por um milagre. Rezando para encontrar Pony vivo. Ela acelerou através das árvores densas, saltando por cima de obstáculos e rasgando as videiras que bloqueavam seu caminho.
Ela deve ter corrido cerca de um quilômetro e meio quando o encontrou. O corpo de Pony havia pousado no galho de uma árvore, seis metros acima, as costas arqueadas em um ângulo não-natural, quebrado. Sua cabeça pendia para trás, seu rabo de cavalo balançando, a boca escancarada e o luar refletindo em seus olhos abertos, vidrados.
As pernas de Amy se dobraram. Ela caiu no chão úmido. Sua força drenada agora, deixando-a quase paralisada.
Pony está morto. Ele está morto.
Ele morreu tentando me salvar.
E Dan se foi.
Ela era um fracasso. Ela tinha falhado em todos os sentidos.
Lágrimas escaparam dos seus olhos. Ela não podia detê-las. Amy se deitou no chão úmido e soluçou. Ela tinha todo aquele poder. O poder do soro de Gideon. Força incomensurável de corpo, mente e determinação. E o que de bom isso trouxe a ela? Os efeitos colaterais estavam piorando. Ela estava em declínio a cada dia. E, no entanto, de alguma forma, ela tinha que encontrar o poder sobre-humano para se erguer. Para resgatar Dan. Para continuar atrás do antídoto. Porque sem isso, eles estavam todos condenados.
Ela descansou um pouco mais até sentir alguma força retornar para as pernas. Então, ao amanhecer, ergueu-se e se obrigou a marchar, derrotada, com o coração partido pela selva vazia, de volta para o hotel.
Ela daria a notícia para os outros. Eles ficariam horrorizados, e lamentariam. Mas eles convocariam seus últimos resquícios de vontade e continuariam a lutar. Não havia nada mais a fazer.

Um comentário:

  1. Não! Não! Meu Zeus! Meu Rá! Pelo olho de Odin! Razieee!!! Eu adorava o Pony!! Qual é o problema do monstro que escreve esse livro que não consigo parar de ler?! Qual é o meu problema pra ler isso? Quem vai morrer ainda? Nellie? Atticus? Já separaram o Ian da Natalie, sendo que eu nunca me recuperei da separação do Fred e do Jorge, que pelo menos Dan e Amy sobrevivam.

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