18 de novembro de 2016

Capítulo 27

Nelie se agachou no mato à beira do estacionamento da Trilon, olhando para o prédio escuro. Havia quatro laboratórios com luzes ainda acesas. Ela esperou, as pernas com cãibras, até que as luzes se apagaram, uma por uma. Logo os cientistas dispersados deixaram o prédio e entraram em seus carros.
Nellie saiu da vala e correu pelo estacionamento agachada, fazendo seu melhor para evitar as poças de luzes que saíam dos imponentes postes de aço. Havia uma estação de segurança dentro da entrada principal que ficava aberta vinte quatro horas por dia e sete dias por semana, de forma que aquele caminho não dava. Felizmente, ela tinha todos as plantas do edifício memorizadas. Nellie saiu do estacionamento e foi rodeando o lado norte do prédio, agachada embaixo das janelas do primeiro andar só por precaução.
Nelie encontrou uma porta lateral e tirou um conjunto de ferramentas de arrombamento do seu bolso de trás. Ela inseriu as ferramentas de metal fino na fechadura e fechou os olhos enquanto cutucava lá dentro, julgando seu sucesso pelas vibrações que voltavam através do metal. Sentiu as ganchetas sair de seu caminho uma por uma, mas ficou presa na última. Ela escorregou e deslizou para fora de seu alcance e suas mãos ficaram tensa.
Nellie ouviu passos no escuro. Sem dúvida, um guarda em patrulha. Ele estava se aproximando. Seis metros de distância. Depois quatro. Nellie colocou toda a sua concentração nas ferramentas, as torcendo e girando. Vamos. Vamos. Um feixe de luz de uma lanterna apareceu. Nellie prendeu a respiração. Três metros. Um metro. A última gancheta levantou e a fechadura se abriu. Ela jogou o ombro contra a porta quando o guarda apareceu. Rolou para dentro, colocando uma mão do lado na porta um segundo antes de ela se fechar sozinha. Ela a segurou ali, ouvindo até que o guarda fosse embora novamente. Então fechou lentamente a porta e, em seguida, se virou para a escuridão do prédio.
Ela estava em uma escada do primeiro andar. Para voltar para a máquina de salgadinhos, ela precisava subir três andares e depois seguir pelos corredores até que estivesse no lado oeste do edifício.
Nelie entrou em movimento, esgueirando-se até o quarto andar, e depois espiando pelas portas até ter certeza de que ninguém estava vindo. Os corredores estavam meio iluminados pelas luzes de segurança, enchendo a série de laboratórios e corredores com uma escuridão misteriosa. Nellie congelava a cada som, seu corpo ficando em estado de alerta até que ela percebeu que era simplesmente o prédio se acomodando ou o ciclo dos aparelhos de ar-condicionado. Ela tinha memorizado os lugares das câmeras de vídeo e fez uma longa e sinuosa rota para evitá-las. Pareceu que ela levou horas antes de finalmente parar mais uma vez no corredor sem saída.
A máquina de salgadinhos brilhava à frente dela. Quando ela se aproximou, o vidro frontal pegou seu reflexo. A pele de Nellie ficou fria quando ela imaginou que a máquina negra era uma boca enorme, prestes a devorá-la.
Vamos, Gomez, controle-se. É só sua imaginação.
As mãos de Nellie tremiam quando ela tirou o cartão-chave roubado de seu bolso de trás. Ela tinha definitivamente aprendido uma coisa ou outra ao longo dos anos. Um esbarrão sutil nos ombros e a representante farmacêutica tinha que ela tinha visto do lado de fora do escritório do Dr. Callender fora distraída o suficiente para que Nellie pudesse roubar seu cartão sem ser notada. Nellie o colocou através do leitor. Houve um clique e um lado da máquina de salgadinhos se abriu para longe da parede.
Nellie espreitou em torno do lado da máquina. Agora um espaço fora aberto entre ela e a parede atrás. Ela deslizou as pontas dos dedos na fenda que se formou e puxou. A máquina de salgadinhos se abriu com facilidade e sem um só som. Do outro lado havia uma escada de concreto estreita que conduzia para baixo na escuridão.
Nellie engoliu um caroço de medo crescendo em sua garganta e deu um passo para a escuridão, fechando a porta atrás de si. Ela permaneceu ali, no escuro, o coração martelando, até que houve um leve zumbido ao redor dela e uma série de luzes fluorescentes se acendeu por toda a escadaria. , Nellie pensou. Acho que você pode ser do mal e consciente quanto a energia ao mesmo tempo.
Nellie desceu as escadas, atravessando os patamares em ziguezague em cada andar, até que tinha descido cinco andares. Lá, encontrou um patamar e uma porta de aço. O porão deveria ser logo do outro lado. Ela passou o seu cartão A no leitor perto da maçaneta e a porta se abriu.
Nellie espiou pela porta. Do outro lado havia um corredor anódino com grandes janelas panorâmicas circulando sua extensão. Ela não viu ninguém ou nem ouviu nenhuma voz.
Nellie entrou no corredor se agachando ligeiramente, soltando a porta atrás dela. Quando chegou ao primeiro laboratório, se achatou contra a parede e olhou por cima do ombro.
O laboratório estava cheio de fileiras de computadores, mesas, cadeiras, e um quadro que coberto por uma confusão de símbolos. Havia outro laboratório ao lado exatamente como esse. Ela foi para o terceiro laboratório e achou tanques de vidro cheio de um líquido verde espesso. Formas estranhas e irregulares flutuavam no verde, enquanto bolhas de ar fluíam ao lado.
O soro, Nellie pensou com um calafrio. Seu instinto era se aproximar e quebrar os tanques, mas ela precisava ver a escala completa da operação. Quando começou a descer o corredor, uma porta se abriu atrás dela e alguém saiu de uma sala adjacente.
Uma mão foi posta sobre sua boca e ela foi puxada do corredor para outra sala. Nellie se moveu sem pensar. Ela avistou um extintor de incêndio no chão, o agarrou e o girou com tanta força quanto podia.
Houve um prazeroso grito de dor e seu agressor caiu no chão. Ela ergueu a lata de aço para mais uma pancada.
— Nellie! Por favor! Espere!
Nellie parou no meio ato. Abaixo dela ela viu um emaranhado de cabelo pretos e olhos escuros arregalados de medo.
— Sammy!
O extintor de incêndio bateu no chão e Nellie caiu ao lado dele. Ele havia caído contra uma mesa próxima e sangrava na testa.
— Ah, não. Ah, Deus. Não acredito que eu acabei... Você está bem?
— Eu estou bem! Mas o que... o que você está fazendo aqui?
Nellie sorriu.
— Eu sou sua própria cavalaria pessoal. Vou te tirar daqui, mas primeiro, preciso ver o que o Pierce está fazendo. Você pode andar?
Sammy assentiu e Nellie o ajudou a se levantar. Ela posicionou suas costas contra a parede e olhou para o corredor. O caminho estava livre.
Nellie e Sammy se moveram pelo corredor. A boca de Nellie ficou seca e os músculos de suas pernas tremeram quando ela se aproximava. Outra janela repousava na parede a frente, a maior delas até agora. Nellie andou ao lado dela, suas costas para a parede. Ela ficou surpresa ao encontrar seu coração acelerado. Ela se virou lentamente e olhou lá dentro.
Não havia ninguém até onde ela podia ver, apenas um chão de fábrica do tamanho de um campo de futebol, cheio de fileiras de máquinas negras. Uma correia transportadora corria ao longo da sala, conectando máquina a máquina. Mas o que havia lá dentro? Nellie se aproximou da janela e espiou pelo canto. O que ela viu ali fez seu sangue gelar.
— Ele realmente está fazendo isso — Nellie disse, chocada com a ideia.
Ao longo da parede de trás havia três tanques de vidro enormes, cada um com quase três andares de altura. Eles estavam vazios, mas ela sabia que logo eles estariam preenchidos com o mesmo líquido verde espesso que ela viu mais cedo. Mangueiras saíam debaixo dos tanques para as máquinas que ligavam as correias transportadoras.
— Ele está produzindo o soro em massa — Nellie disse.
— Mas por quê? — Sammy perguntou.
Havia mangueiras prontas para esguichar o soro em frascos, e correias esperando para levar os frascos para longe. Nellie podia ver centenas, talvez milhares de frascos vazios, apenas esperando Pierce pressionar o botão.
— Porque — Nellie disse, seu rosto severo — ele vai construir um exército.

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