25 de novembro de 2016

Capítulo 26

Trilon Laboratories, Delaware

— Psiu! Sammy!
Sammy levantou a cabeça do seu microscópio. Ele olhou ao redor da sala. Não viu ninguém. Voltou para a sua pesquisa. Pressionou seu olho no microscópio, em seguida, afastou-o e escreveu algumas anotações em seu caderno de notas.
Do seu ponto de vista – a entrada de ar ao longo da estação de trabalho de Sammy – Nellie teve o luxo de um minuto para admirar o seu cabelo encaracolado, sua aparência elegante e séria enquanto ele trabalhava. Sua pele cor de oliva clara tinha ficado um pouco amarelada por estar trancado em um laboratório subterrâneo por todo esse tempo, mas ainda fazia o coração de Nellie acelerar.
— Nellie?
— Aqui em cima — claro, agora que o caminho estava livre, ela empurrou a grade de ventilação e deslizou para o laboratório. Sammy ajudou-a a descer.
— Cuidado — ele sussurrou. — Há um guarda armado do lado de fora da porta.
Nellie verificou a sala. Se o guarda se virasse para olhar através da janelinha da porta, ele a veria. Ela se escondeu atrás da estação de trabalho de Sammy. Sammy agachou-se para falar com ela, mas ela o impediu.
— Não – fique lá e finja que continua trabalhando, caso os seguranças resolvam checar a área. Ele vai entrar se não o vir.
Sammy se levantou e começou a classificar algumas lâminas.
— Eu sinto muito — ele murmurou. — Estive quebrando a cabeça, mas não consigo pensar em nada que possa ajudar Amy além do antídoto.
Nellie fez uma careta, o peito apertando sob o peso de seu desapontamento.
— Tudo bem. Você só precisa de mais tempo para se concentrar. Ninguém pode trabalhar enquanto estiver cercado por esses guardas assustadores e essa comida terrível — ela pegou a mão dele. — Agora, você pode sair daqui? Eu sei que um respiradouro que podemos usar.
Sammy olhou para a porta. A parte de trás da cabeça do guarda era visível. Ele não estava olhando – no momento. Mas tudo o que ele tinha que fazer era virar a cabeça quarenta e cinco graus e ele veria tudo.
— Eu deveria ficar. Não posso sabotar a pesquisa de Pierce, a menos que eu esteja aqui.
— Quanto mais tempo ficar, mais estará em perigo. Você já fez o suficiente, Sammy. Mais do que suficiente. E eu vou destruir este lugar.
Ele olhou para ela e suspirou. Ela podia ver em seu rosto que ele mal podia suportar mais um minuto de cativeiro.
— Tudo bem. Vamos lá. Rápido.
Ele puxou Nellie de pé e impulsionou-a para a ventilação. Nellie se estendeu no duto e, em seguida, estendeu a mão para puxar Sammy para cima. Ele colocou uma cadeira sob o respiradouro e começou a subir quando a porta se abriu. Nellie puxou-o para dentro e fechou a grade. O guarda percebera? Ela prendeu a respiração. Estava desesperada para rastejar para longe, mas temia que isso fizesse muito barulho.
Sammy agarrou a mão dela. Ele tinha acabado de entrar nas aberturas de ventilação. Um de seus pés estava pressionado contra a grade. Foi quando ela notou que o tênis dele estava desamarrado. E os cadarços penduravam-se do lado de fora da abertura. Ela apontou para o pé e fez um gesto para Sammy erguer o pé.
Tarde demais.
— Ei, o que é isso — perguntou o guarda.
— Vamos, Sammy! — Nellie puxou seu braço e começou a rastejar através da tubulação, mas o segurança vira o cadarço.
Ele arrancou a grade da abertura, saltou em cima da cadeira, e entrou. Agarrou as pernas de Sammy, gritando:
— Pare!
— Nellie! Ele me pegou!
Nellie virou-se e agarrou os braços de Sammy em um cabo-de-guerra com o segurança, mas ele era forte demais. Ele arrancou Sammy da abertura e o puxou para baixo, para o chão. O outro segurança escutara o grito e correu para a sala enquanto Nellie tentava desaparecer pelo duto. Ele deu um pulo na cadeira, mergulhou na abertura e agarrou Nellie pelos pés.
— Me solta! — ela o chutou no rosto.
— Uuf!— O guarda grunhiu, mas não a soltou. Ele a puxou para baixo através da abertura de ventilação e de volta para o laboratório. A sala estava cheia de guardas agora, cinco deles. Eles já tinham contido Sammy.
Nellie gritou:
— Cinco contra dois? Tentem uma luta justa, brutamontes!
Ela fez seu melhor golpe, o chute triplo especial: um chute giratório seguido por uma joelhada no queixo, terminando com um chute frontal elevado. Mas cinco bandidos reforçados de soro eram demais para ela. Eles a amordaçaram e amarraram suas mãos atrás das costas.
— Vamos lá.
Os capangas levaram Sammy e Nellie para fora do laboratório e pelo corredor até um elevador.
— Apenas para ter certeza — disse um guarda, pegando duas vendas do bolso da jaqueta. Eles vendaram Sammy e, em seguida, Nellie. — Caso estejam tendo ideias inteligentes.
— Não há como fugir para onde estão indo — o outro segurança falou.
Nellie ouviu a porta do elevador ser aberta. O guarda forçou-a para frente. Ela tropeçou. Ouviu a porta fechar, sentiu seu interior ascender enquanto o elevador descia.
E continuava descedo.
A porta se abriu e ela sentiu uma rajada de ar frio. Ela foi empurrada alguns metros para frente. Chaves chacoalharam. A fechadura foi destrancada. A porta se abriu, e ela foi empurrada através dela.
Sua venda foi tirada. Ela e Sammy estavam em uma pequena sala sem janelas. Uma cela, realmente. A entrada de ar era minúscula, do tamanho de ratos. A porta não tinha janela. Os guardas desamarraram-na e saíram, fechando a porta atrás deles. Nellie olhou para Sammy.
— Eu sinto muito.
Nellie sabia que era impossível, mas ela não pôde se impedir de forçar aporta.
A maçaneta não virou. Ela bateu e bateu nela, desesperada para sair. Sammy jogou-se contra a porta, esperando quebrá-la pela força. A porta mal vibrou. Através do metal grosso, Nellie pensou ter ouvido os guardas rindo. Eles estavam presos, sem saída.
— Eles têm que voltar — disse Nellie. — Como você pode fazer suas pesquisas para eles se estiver trancado em uma cela?
Os grandes olhos castanhos de Sammy pareciam cansados.
— Acredite em mim, eles podem fazer o que quiser.
Ela pressionou as costas contra a parede e escorregou para o chão em desespero. Sammy sentou ao lado dela e descansou a cabeça em seu ombro. Ela não podia avisar Amy. Fiske estava morrendo também. E agora não havia nada que pudesse fazer. Saber disso quase a matou.

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