25 de novembro de 2016

Capítulo 25

Pony estava sozinho no hotel, os olhos e os dedos colados no laptop, quando seu celular tocou.
— Jake, e aí? — Pony perguntou, sem um traço de humor em sua voz.
Amy e Dan tinham partido uns 20 minutos antes para se encontrar com os chantagistas, e Pony estava rastreava os e-mails recebidos à procura de sua fonte. Ele não tinha encontrado ainda, mas não gostava da direção que estava tomando.
— Nós conseguimos o cristal e estamos voltando — Jake relatou.
— Excelente! Dan e Amy saíram um tempinho atrás. Eles estão fora do alcance de sinal do celular por agora, mas ficarão maravilhados em ouvir isso.
Agora tudo de que precisamos é o livro, ele pensou, e nós estamos quase lá.
— Nós acabamos de cruzar o Passeio Mendez — Jake falou. — Quase fomos pegos pelos guardas da patrulha, por isso estamos dando um tempo até eles se mandarem da área.
— Entendido. Fiquem seguros.
Pony desligou e voltou a monitorar a pista dos chantagistas. Ele tinha se oferecido para ficar para trás e acompanhar a conversa porque temia a ação.
Ele podia admitir para si mesmo ou para qualquer um que o perguntasse. Esses caras do Pierce não eram brincadeira.
Mas Pony levava o trabalho que tinha muito a sério. E agora que o fazia, se sentia mais como parte da equipe do que nunca.
Praticamente um Cahill. Se Dan ou Amy me pedissem para eu ir com eles agora, eu iria. E falava sério. Mas ele era mais útil ali do hotel. Sem dúvida quanto a isso. Não houvera nenhuma atividade eletrônica a noite toda. Mortalmente quieto. Isso o deixava nervoso. Então ele tentou rastrear o e-mail original, ver de onde veio.
Isso deveria ter sido fácil. Se a mensagem do chantagista viesse de caçadores ou aldeões, teria sido. Mas a verdadeira origem da mensagem era estranhamente evasiva. Seguindo um palpite, Pony invadiu o e-mail de April May.
Bingo.
Ele não conseguiu encontrar o bilhete de resgate verdadeiro, mas achou o endereço de e-mail falso da Amy na lista de contatos da April.
Então April sabia sobre a conta falsa de Amy, e teve algum contato com ela.
Sua lista de contatos também estava cheia de endereços de Pierce, suas várias contas, de sua esposa, de seus filhos... 
Ele abriu um arquivo marcado “P”. E-mails de Pierce, incluindo suas ordens para manter o olho em Amy e Dan e informá-lo de cada movimentos que eles fizessem. Pony esfregou os olhos e balançou a cabeça. Ah, April May, seja lá quem você for, ele pensou tristemente. Ele foi tomado por um impulso de escrever para ela, e em seguida, com a mesma rapidez, tomado por um ataque de timidez.
Esqueça a timidez, ele disse para si mesmo. Vá em frente.
Ele tinha aprendido muito no curto espaço de tempo em que esteve com os Cahill, e uma das maiores lições era de não se reter. Faça agora, porque nunca se sabe o que poderia acontecer no dia seguinte, ou até mesmo no minuto seguinte. Ele compôs um bilhete rápido:

Querida April May, minha comadre de computador,
Algum dia, quando toda essa loucura acabar, espero encontrá-la pessoalmente. Como soldados inimigos se encontrando em terreno neutro depois de uma trégua. Nós podemos trocar notas e segredos e, quem sabe, descobrir o que mais temos em comum do que apenas dedos rápidos...
— P

Poucos minutos depois, a sua notificação de e-mail apitou.

Eu adoraria isso, Pony. Vamos trabalhar juntos para acabar com essa guerra agora. Porque é uma guerra.
Cuide-se. Eu não estou apenas falando por falar. Por favor, esteja atento. Há perigo em toda parte.
Vou ficar de olho em você.
— AM

Pony sentiu um formigamento subir de seus dedos do pé até a ponta de seu rabo de cavalo. Algum dia... Algum dia.
Ele se pegou sonhando acordado e parou com isso. Os Cahill precisavam dele.
Amy e Dan precisavam dele – especialmente Amy.
Eles tinham-no atraído para fora da garagem de seus pais para um mundo que era mais perigoso do que ele jamais imaginou. Mas não estava arrependido. Ele aprendeu a amá-los, todos eles, até mesmo o tolo ranziza do Ian.
Seu celular tocou. Nova mensagem. De Nellie.

O LIVRO NÃO ESTÁ LÁ. OS HOMENS DO PIERCE ESTÃO ESPERANDO. TENTEI FALAR COM AMY E DAN – SEM RESPOSTA. NÃO OS DEIXE IR, PONY. IMPEÇA-OS!

Seu primeiro instinto foi entrar em pânico. O que eu faço? O que eu faço? Dan e Amy estavam fora do alcance de sinal. Se ele corresse, talvez pudesse detê-los antes de eles chegarem ao local de encontro.
Se ele corresse? Quão rápido ele poderia correr em suas pernas bambas de ás do computador, alimentada só com cafeína e pizza? Jake e os outros ainda estavam a meia hora de caminhada do hotel. Eles não voltariam a tempo.
Tinha que ser ele.
Só para testar, Pony ligou para Amy, depois para Dan. As chamadas foram direito para a caixa postal. Sem sinal. Eles estavam muito longe na selva. Só havia uma maneira de alcançá-los.
Correndo.

Um comentário:

  1. "Ele aprendeu a amá-los, todos eles, até mesmo o tolo ranziza do Ian." Kkkkkkkkk

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