18 de novembro de 2016

Capítulo 21

Amy estava sozinha no convés tarde naquela noite, olhando para as estrelas brilhantes rodeadas de preto. Eles estavam no mar aberto, em algum lugar entre as costas da Espanha e Marrocos. Não havia vestígio de terra ou de um raio de luz artificial em nenhuma direção. Amy imaginou que a vista não devia ter sido tão diferente na época de Cartago ou de Atlântida.
Ela subiu as escadas para a plataforma. Todos estavam lá embaixo. Amy tinha explicado que devido a um atraso na obtenção de combustível, o avião ainda não chegaria por horas, então todos deviam descansar um pouco.
Amy se ajoelhou ao lado do grande leme do barco e pegou a chave da ignição abaixo dele. Deixou cair na palma de sua mão, juntamente com a chave reserva que tinha achado entre as coisas do capitão. As chaves tilintaram juntas em sua palma, atraindo a luz da lua. Ela andou até a grade e abriu a mão. As chaves caíram na água, batendo com um plop quase inaudível.
— O que você está fazendo?
Amy se virou. Jake estava de pé na escotilha que descia para o compartimento da tripulação.
— Eu só estava... tomando um pouco ar.
Jake subiu até a plataforma, onde se encostou na grade e olhou para o mar. A água estava calma exceto por algumas ondas pequenas, marcadas com a luz do luar.
— Você deveria dormir um pouco — Amy disse, nervosa. — O avião estará aqui em poucas horas.
Jake assentiu, mas continuou olhando para a água escura.
— Você acha que eles sabiam o que estava por vir?
A mudança repentina confundiu Amy.
— Quem? Eles sabiam que o quê que estava por vir?
— O povo de Atlântida — ele disse. — Ou Tartesso. Ou seja lá como era chamado. Atticus disse que provavelmente foi uma das maiores cidades de todos os tempos. Eu estava pensando, já que eles tinham conseguido tanta coisa, talvez não pudessem imaginar o fim chegando. Aposto que foi isso os matou — Jake olhou por cima do ombro para Amy. — Pensar que eles eram invencíveis.
— Jake...
— Eu costumava saber o que você ou Dan iam fazer quase antes de vocês agirem. Estávamos em sincronia. Mas agora parece que tudo o que fazemos é brigar. Eu não gosto do que vejo chegando, Amy.
Um impulso de contradizê-lo queimou em Amy, mas se extinguiu antes que ela pudesse falar.
— Eu sei — ela disse. Mal passou de um sussurro.
Jake deu um passo na direção dela na mesma hora em que o zumbido distante dos motores quebrou o silêncio.
Jake olhou para cima quando as luzes do hidroavião entraram em foco. O luar refletiu em suas asas quando o avião se inclinou para uma aterrissagem.
— Acho que ele está adiantado — Jake observou. — Podemos falar sobre isso mais tarde. Eu vou acordar os outros.
Ele começou a ir, mas Amy agarrou sua manga para impedi-lo.
— O que você...?
— Eu vou para Svalbard — ela disse. — Sozinha.
— O quê? Amy...
— Todo mundo estará esperando pela gente em Túnis — ela disse. — Os repórteres, a polícia, os capangas do Pierce. Svalbard é nossa única chance.
— Certo, mas ir sozinha é loucura! Papai disse que o lugar estará vazio e trancado. Você nunca vai conseguir entrar sozinha. Juntos, nós poderíamos...
— Eu não vou deixar mais ninguém se machucar por causa disso. Você está certo, Jake. Nós não somos invencíveis. E o Pierce é bom demais. Inteligente demais.
Houve um rugido dos motores e, em seguida, um borrifo de água quando o hidroavião pousou. Jake pegou o braço de Amy quando ela se virou para a grade do barco.
— Você está certa. Deixe Dan e Atticus para trás. Mas me deixe ir com você.
A expressão no rosto de Jake quase fez Amy cair de joelhos. Apesar de tudo, todas as brigas e as mágoas, Jake não hesitava em se colocar em perigo para ajudá-la. Ela sabia exatamente como ele se sentia, porque ela sentia o mesmo. Amy sentiu algo brilhante se incendiar dentro dela. Mas a breve onda de alegria não conseguiu superar o muro frio de medo, preocupação e culpa que ela tinha construído. Ela sabia o que tinha que fazer. Amy pensou em sua avó, imaginou a coluna de ferro que existiu dentro de Grace, e se forçou a olhar nos olhos de Jake.
— Eu não te amo — ela disse. — Eu sei que você acha que eu amo. Você acha que existe essa... coisa entre a gente, mas não existe. Nunca houve, e nunca haverá.
Houve uma pausa, e então a luz nos olhos de Jake começou a desaparecer lentamente. Amy ficou transtornada em ver isso, mas não pôde desviar o olhar. Ela não conseguia impedir. O aperto de Jake em seu braço afrouxou. O avião taxiou até parar a cerca de quinze metros do barco e o piloto abriu a porta traseira.
— Eu desliguei o barco — Amy falou. — Mas tem um monte de comida e água a bordo. Vocês estarão seguros até eu mandar alguém para cá. Se algo acontecer comigo, diga a Dan para juntar tudo o que a gente tem sobre o Pierce e ligar para o FBI.
Antes que Jake pudesse protestar, Amy pegou sua mochila e mergulhou pela lateral do barco. A água fria a atingiu como um soco, mas ela emergiu e nadou pelas ondas baixas em segundos. Ela podia ouvir gritos atrás dela agora. O avião estava a nove metros de distância, depois seis, depois três.
O piloto se abaixou e a pegou pelo pulso, puxando-a para cima da boia que servia como trem de pouso. Ele enrolou uma toalha em volta de Amy quando ela entrou no avião. Amy se virou para fechar a porta.
— AMY!
Dan estava no convés agora, de pé logo ao lado de Jake. Seu irmão gritou seu nome e Amy sentiu lágrimas quentes enchendo seus olhos.
— AMY!
Os motores do avião ligaram e a hélice começou a girar. Dan tirou os sapatos e a camisa e mergulhou para fora do barco. Ele desapareceu no negrume, e segundos depois ela viu seus braços brancos e finos nadando através da água. O piloto se virou para ela.
— O que eu faço?
— Decole. Agora!
Dan se aproximava a cada vez mais. Mais algumas braçadas e ele seria capaz de agarrar os pontões.
— Mas tem alguém na água — o piloto gritou por cima do barulho dos motores. — Não deveríamos...
— Apenas decole!
Amy bateu a porta e caiu contra o seu assento. Ela podia ouvir Jake, Atticus e Dan gritando, mesmo com o barulho das hélices.
Cada grito era como um soco cravando nela, apertando suas entranhas. Amy fechou os olhos com força e o som dos motores aumentou, abafando os meninos. O avião começou a se afastar, ganhando velocidade. Houve um espalhamento de água abaixo e depois a sensação estranhamente pesada quando eles decolaram para o céu.
Amy abriu os olhos. Abaixo, o barco ficou menor até que Dan e os outros desapareceram à distância. Logo, o barco não era nada mais que um ponto branco no meio do preto.
Amy se obrigou a olhar para frente, olhando pela janela do piloto, enquanto eles subiam na escuridão.

4 comentários:

  1. VOCÊ TEM A FAMÍLIA MAIS PODEROSA DO MUNDO NÃO PRECISA FAZER TUDO SOZINHA SUA ESTUPIDA!

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  2. QUE MENINA BURRA, eu detesto o Jake mais chegou a dar do nele pelo que a Amy fez, eu to com raiva dela, ela so pode ser idiota.
    ~Tephi

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  3. você também não para para pensar no lado da menina.

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  4. Ela ta se comportando muito mal mesmo. Que pena do jake, ja to comecando a achar que ela nao o merece.

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