25 de novembro de 2016

Capítulo 20

Costa do Maine.

Um homem alto, bronzeado e forte estava parado na frente de J. Rutherford, se contorcendo. O próprio Pierce queria desesperadamente que sua perna esquerda parasse de tremer. Ele descansou a mão em seu joelho para impedir a perna de chutar involuntariamente. Ele se perguntou se este homem de pé diante dele, que brilhava com força e saúde, passava por algum dos sintomas que Pierce apresentava. Afinal, Pierce foi responsável por aumentar a sua força.
Este era Morrow, o novo chefe dos capangas de Pierce. Pierce estivera distribuindo-lhes doses do soro durante semanas agora. Talvez Morrow estivesse se contorcendo porque, assim como Pierce, cada vez mais espasmos incontroláveis tomavam seus braços e pernas.
Ou talvez ele estivesse se contorcendo porque estava em apuros.
Pierce enviara Morrow e seus capangas para sabotarem as crianças Cahill na selva da Guatemala. Oito homens adultos, superfortes, rápidos e mais inteligentes pelo soro, atacaram quatro crianças normais, e não conseguiram capturar ou matar uma só delas.
— Isso não é aceitável — disse Pierce.
— Eu sei, senhor.
— Você sabe o que aconteceu com o seu predecessor.
— Eu sei, senhor.
O chefe anterior de segurança e seus homens tinham recebido um veneno de ação lenta antes de serem enviados para Túnis para capturar os Cahill. Se tivessem sido bem-sucedidos, Pierce teria lhes dado o antídoto para o veneno. Eles não tinham sido bem-sucedidos.
Suas mortes tinham sido lentas e dolorosas.
Pierce bateu o indicador no queixo, ponderando a melhor maneira de punir este novo esquadrão inútil, quando Morrow baixou uma pasta na cadeira e a abriu, puxando um saco plástico de dentro.
— Eu sei que nada pode compensar nosso fracasso — Morrow falou. — Mas espero que isso ajude.
Pirce pegou o saco e o abriu.
— O que é isso?
— O menino deixou cair na selva. Eu não tenho certeza do que é, mas pareceu importante.
Era um livro – um livro muito antigo. De fato, era importante. Muito importante.
— Obrigado, Morrow. Bom trabalho. Você está dispensado.
Por favor saia daqui para que minha perna esquerda possa tremer em paz.
Foi um pensamento terrível e embaraçoso.
Pierce nunca deixaria ninguém saber que ele tinha qualquer fraqueza. Ainda assim, os espasmos estavam ficando cada vez piores. Estava ficando cada vez mais difícil para ele aparecer em público – e se ele fosse sair em campanha eleitoral todos os dias, seria necessário manter esses sintomas sob controle. Mas como fazer isso sem diminuir a dose do soro?
Pierce voltou sua atenção para o livro.
Livro de Cuidados Domésticos de Olivia Cahill. Algumas coisas pareciam triviais – receitas, listas de compras, tarefas – e algumas ele não entendia.
Havia esquemas, diagramas, desenhos e páginas escritas em linguagens que ele não conhecia.
Em seguida, ele encontrou uma seção que arrepiou o cabelo prateado bem aparado na parte de trás de seu pescoço: Perdtes Civitates Codex. Ele não sabia exatamente o que era, mas reconheceu os lugares em que as crianças Cahill estiveram recentemente: Troia, Cartago, Tikal... e Angkor.
Esse deveria ser o lugar aonde eles iriam em seguida.
Ele mesmo iria para o Camboja e os venceria no que fosse que eles estivessem procurando. Eles pareciam estar reunindo ingredientes raros: os bigodes de um leopardo da Anatólia, simphium, cristal despedaçado, e – aha – veneno de cobra de Angkor Wat. Mas por quê? Por que eles queriam esses itens?
A resposta ficou clara assim que ele estudou o livro de Olivia mais a fundo. Algumas dessas “receitas” eram mais complicadas do que pareciam. Olivia parecia trabalhar em métodos para neutralizar os efeitos do soro que o marido inventara.
Em seguida, Pierce entendeu. Olivia Cahill tinha formulado um antídoto para o soro.
E Amy e Dan estavam reunindo os ingredientes para forjá-lo.
Eles estavam tentando tirar seu poder longe. Ele não deveria permitir que isso acontecesse. Sua tentativa de dominar o mundo falharia.
J. Rutherford Pierce não tolerava falhas.
Seus homens tinham falhado até agora. Mas as crianças não seriam capazes de combatê-los para sempre. O exército de Pierce cumpriria a sua missão; os Cahill morreriam. E agora era mais urgente do que nunca. Mas enquanto refletia sobre esses pensamentos sombrios, outra realização o acertou. Ele havia recrutado o seu brilhante amigo Dr. Jeffrey Callender para diluir o soro, para encontrar uma maneira de tornar os efeitos colaterais mais toleráveis. O Dr. Callender e sua equipe estavam trabalhando noite e dia neste projeto, mas ele não havia chegado a uma solução ainda.
Talvez, pensou Pierce, a solução esteja bem aqui neste livro. Se seus próprios laboratórios pudessem produzir o antídoto, ele poderia ser usado para compensar os efeitos do soro. Ele seria capaz de tomar o soro para sempre – sem espasmos musculares ou qualquer efeito colateral.
Ele poderia ser imparável.

Um comentário:

  1. NÃAAO! PORQUE? PORQUE AS PARCAS PERMITIRAM ESSE DESTINO CRUEL?

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