18 de novembro de 2016

Capítulo 20

Nellie se escondeu no banheiro, ouvindo quando os últimos funcionários do turno da noite saíram de seus laboratórios. Meia hora depois de suas vozes desvanecerem, as equipes de limpeza entraram com o farfalhar dos esfregões e o barulho dos aspiradores.
Por fim, a única coisa que Nellie podia ouvir era o zumbido suave dos aparelhos de ar-condicionado no silêncio da noite.
Nellie respirou, então saiu de seu poleiro no topo do vaso sanitário. Fora do banheiro, o corredor estava cheio com uma mistura de luzes de segurança e sombras profundas. Nellie olhou para as câmeras de segurança colocadas ao longo do teto. Elas eram estáticas, e ela tinha certeza de que poderia se manter fora do campo de seu visão.
Ela subiu as escadas para o próximo andar, abrindo e fechando portas com cuidado excruciante para não fazer barulho. Nellie chegou ao quarto andar, em seguida, consultou seu mapa mental. A entrada para a escada secreta deveria ficar em um beco sem saída – esquerda, depois direita, esquerda novamente, a partir de onde estava.
Nellie começou a atravessar o primeiro corredor, mas mergulhou de volta nas sombras quando um houve clique de uma porta à sua frente. Ela se achatou contra a parte quando uma mulher de jaleco branco entrou no corredor. Ela checava seus bolsos, cada vez mais frustrada enquanto procurava algo. Assim que ela estava fora de vista, Nellie esperou e escutou antes de continuar. Cada passo confirmava que ela e a mulher estavam indo na mesma direção.
Talvez ela saiba que estou atrás dela e está me atraindo para uma armadilha. Talvez isso acabe comigo nas mãos de uma dupla de capangas como os que quase mataram as crianças.
Nellie expulsou os pensamentos improdutivos e obrigou-se a continuar.
Suas pernas não estavam muito firmes. Esquerda, depois direita, depois esquerda novamente. Nellie ficou para trás no escuro e espiou através pela esquina. A mulher estava no fim de um corredor, de costas para Nellie. Ela vasculhava através de seus bolsos, murmurando para si mesma. Nellie ouviu o tinido de metal e um baque surdo.
A mulher se moveu para o lado e Nellie avistou o que havia no fim do corredor.
Não uma entrada secreta.
Era uma máquina de salgadinhos.
A cientista se abaixou até a abertura para pegar seu lanche, rasgou o saco e devorou uma embalagem inteira de torresmo sabor churrasco com mel, indo ao ponto de virar o saco de cabeça para baixo para poder comer as últimas migalhas restantes.
Hum. Talvez ela não faça parte de uma conspiração criminosa internacional, afinal.
Nellie se escondeu nas sombras mais uma vez quando a mulher passou por ela.
Quando a Senhorita Torresmo se foi, Nellie foi nas pontas dos pés até a máquina de salgadinhos, passando as mãos ao longo das paredes, procurando uma junção ou um lugar oco que pudesse indicar uma entrada. Não havia nada.
A própria máquina de salgadinhos parecia perfeitamente normal. Vidro na frente e metal preto nas laterais. Uma abertura para o troco e um lugar para passar cartão de crédito. Ao lado do leitor de cartão estava um grande A vermelho cercado por branco. A máquina estava cheia de doces, salgadinhos e pacotes de balas. Nellie a cutucou com uma mão, mas ela não se moveu. Ela colocou o ombro contra ela e empurrou, ainda nada.
— Vamos lá, coisa estúpida. Eu sei que tem mais do que torresmo em você! Tem que ter!
Nellie deu outro empurrão, e quando não deu em nada, sua frustração chegou ao limite. Ela chutou e empurrou a coisa, fazendo-a balançar para frente e para trás.
  — Abre! Abre, coisa estúpida! Abre-te sésamo!
  — Ei!
Nellie arquejou e virou. Ela estava cara a cara com um homem de terno cinza-carvão que tinha mais ou menos o tamanho da máquina de salgadinhos. Um receptor de rádio repousava em sua orelha e Nellie avistou uma protuberância em forma de arma debaixo de seu casaco.
As costas de Nellie estavam pressionadas contra a máquina, e ela só podia olhar horrorizada enquanto o homem se aproximava, enfiando a mão dentro do casaco.
— Espera, não, eu só estava...
O guarda tirou um punhado de moedas.
— Vocês cientistas são todos iguais — ele comentou, balançando a cabeça. — Tão impacientes. Vocês tem que amar suas máquinas se quiserem tirar algo delas. Trate-as bem.
Ele se virou para Nellie com um sorriso estranho no rosto cinzelado.
— Então? O que você queria, doutora?
Nellie abriu a boca para responder, mas as palavras sumiram quando ela avistou o cartão de identificação pendurado no cinto do homem. Era branco, assim como o dela, mas em vez do D azul como no cartão dela, no dele havia um A vermelho brilhante.



Nelie olhou para o A na máquina de salgadinhos. Combinava perfeitamente com o do cartão do guarda. Uma salva de fogos de artifício explodiu na cabeça de Nellie.
— Senhorita?
— Torresmo — Nellie respondeu com um sorriso. — Eu quero o torresmo.

2 comentários:

  1. Ainda estava aqui me perguntando pra que uma máquina de salgadinhos tinha abertura pra cartão

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cartão de crédito, ué. Paga-se com dinheiro ou cartão de crédito, que é a coisa mais comum nos EUA

      Excluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!