25 de novembro de 2016

Capítulo 1

Cidade da Guatemala, Guatemala

Amy Cahill colocou seus óculos escuros em preparação para a multidão de paparazzis quando o avião pousou no Aeroporto Internacional de La Aurora, mas tudo parecia tranquilo. Isso deveria ter ajudado a Amy relaxar, mas ela tinha esquecido de como fazer isso. Em vez disso, os nervos em seu pescoço se tensionaram ainda mais.
Ela e os outros – seu irmão, Dan; o amigo dele, Atticus; e o irmão mais velho de Atticus, Jake – desembarcaram e caminharam pelo aeroporto em direção ao portão aonde embarcariam em um helicóptero fretado. Eles contrataram um piloto local que sabia voar através das montanhas da selva vulcânicas, já que pousar em Tikal era complicado.
— Agradável e tranquilo — Jake comentou. — Pra variar.
Pessoas – pessoas de aparência normal em roupas de turistas como shorts, sandálias e camisetas – repousavam jogando em seus celulares, caminhavam calmamente para seus portões, olhando com tédio para os chocolates isentos de impostos que pareciam ser vendidos em todos os aeroportos.
Amy não respondeu. Não havia nada mais a acrescentar à observação de Jake além de “Por enquanto”. Ou: “Veremos”.
Além disso, ela duvidava que ele tivesse dirigido o comentário a ela. Mal estava falando com ela, se comunicando basicamente quando necessário.
A mesma coisa com Dan. Atticus falhava, ocasionalmente, e lhe oferecia um chiclete ou lhe mostrava seu sorriso doce, mas então Dan o encarava para castigá-lo por sua pequena traição.
Amy disse a si mesma que não importava se eles a odiassem. Ela não estava correndo ao redor do mundo em busca de amigos. Como líder da família Cahill, ela tinha que fazer escolhas difíceis – como deixar Dan, Atticus e Jake para trás quando ela se dirigiu ao Círculo Polar Ártico sozinha. Abandonar as poucas pessoas que ela amava tinha parecido como cortar sua própria mão, mas isso não importava. Ela tinha um trabalho a fazer. Contanto que os outros não ficassem em seu caminho, incluí-la em suas piadas e partilhar chicletes era problema deles.
Houve um grito vindo de uma banca de jornal e Amy se virou.
— Ali estão eles!
— Paparazzis na direção das duas horas — Dan murmurou.
Uma pequena multidão de fotógrafos os cercou, os seus equipamentos batendo enquanto eles corriam.
Amy não conseguiu conter um suspiro exasperado.  Lá vamos nós de novo.
Já era ruim o suficiente que J. Rutherford Pierce tivesse enviado capangas assassinos atrás de Amy e Dan aonde quer que eles fossem. Além disso, ele tinha feito os paparazzi ficarem obcecados por eles – Amy e Dan Cahill, os líderes adolescentes da família mais rica e mais poderosa que o mundo já conheceu. A fonte dos poderes deles era um soro que Pierce conseguiu roubar, aumentando o seu próprio poder e tornando-o extremamente perigoso. Amy e Dan estavam em uma missão desesperada para achar o antídoto do soro, e tinham ido para a Guatemala porque suspeitavam que o próximo ingrediente de que precisavam – “cristal despedaçado” ou seja lá o que era isso – estava escondido nas ruínas antigas maias de Tikal. Mas era quase impossível realizar uma operação secreta – ou até esconder uma – quando os repórteres divulgavam cada movimento seu.
— Para cá — Jake apontou para uma porta marcada SALA VIP, vigiada por um guarda.
Amy mostrou um cartão VIP para o guarda e eles entraram, mas não antes de um dos fotógrafos avistá-los e conseguir umas fotos rápidas. O flash lançou sombras sinistras na parede em frente a ela. Ela não podia deixar os fotógrafos seguirem-nos para o helicóptero que os esperava. Se os paparazzi descobrissem para ondes eles estavam indo, isso significava que Pierce saberia também.
— Amy! — o fotógrafo gritou. — Usando seu privilégio para evitar o público? O que nós somos, a plebe?
Amy o ignorou e continuou correndo, mas o fotógrafo empurrou o guarda, que não conseguiu parar a multidão inteira determinada a rodeá-lo.
Amy, Jake, Dan e Atticus correram através da sala, esquivando-se de passageiros relaxados que tomavam suas bebidas. Amy saltou por sobre uma mesa lateral na hora que uma mulher estendeu a mão para pegar sua xícara de café.
A mulher olhou para ela e resmungou “Crianças mal-educadas!”
O comentário ricocheteou pela couraça de Teflon de Amy. Os dias em que Amy se preocupava com boas maneiras estavam muito longe.
Sua viagem quase fatal para Svalbard tinha congelado o que restava de seu coração. Ser perseguida pela imprensa poderia fazer isso com uma pessoa – e ser caçada por um assassino cruel e poderoso, ainda mais. Pierce quase não precisava de seu exército para encontrar os Cahill – a imprensa fazia esse trabalho para ele.
Dan encontrou uma porta nos fundos da sala e a abriu. 
— Por aqui!
Os outros o seguiram pelo vestiário dos funcionários.
— Ei! O que vocês estão...?
Sem tempo para ouvir o resto dessa pergunta, eles passaram reto e correram por um longo espelho, onde outra aeromoça arrumava seu cabelo com spray. Amy foi atingida por um pouco, mas limpou o spray dos olhos e continuou correndo sem perder o ritmo.
Eles acharam outra saída e seguiram através do labirinto do aeroporto, saltando por cima de malas e das pernas das pessoas sentadas no chão, até que pararam na esteira de bagagens. Uma multidão de passageiros tinha acabado de chegar para pegar as suas malas.
— Tentem se perder na multidão — Amy recomendou. Mesmo que os garotos não estivessem falando com ela, eles não podiam ignorar suas ordens.
Eles teceram seu caminho por entre os passageiros cansados, impacientes pela chegada de suas malas. Amy ouviu um grito na beira da multidão.
— Lá está a Amy!
— Nos deixe passar — o clarão denunciador dos flashes apareceu do outro lado do grande salão.
Os paparazzi os tinham avistado.
— O que você está fazendo em Guatemala, Amy? — um repórter gritou da multidão. — Planejando destruir a floresta tropical?
— Dan, você está seguindo ordens como um bom garoto?
Amy arriscou um olhar para Dan, sabendo que a observação havia atingido um ponto sensível.
— Eu não quero que eles saibam para onde estamos indo — Amy disse aos outros — nós temos que sair do aeroporto por um tempo. O helicóptero terá que esperar.
— Enquanto fazemos o quê? — Jake exigiu.
— Eu não tinha chegado tão longe ainda.
Amy os levou através de um corredor para a saída do aeroporto, seus olhos vasculhando o terminal por alguma outra maneira de sair. Mas a saída do aeroporto estava bloqueada por um muro de seis homens grandes de ternos preto, musculosos e com rostos de pedra.
Amy os conhecia bem demais, agora. Os homens do Pierce. Os soldados do exército da Founders Media. Eles pairavam sobre os Cahill, os músculos se agitando, como tigres se preparando para saltar e matar.
— Voltem! — Amy gritou para os outros. — Voltem por onde viemos.
Presos entre músculos e paparazzi, Amy preferia enfrentar os paparazzi. Os soldados de Pierce não podiam ser vistos atacando as crianças. Amy sabia que os homens do Pierce tinham ordens para matar, mas tinha que parecer acidente. Enquanto eles recuavam para o corredor da bagagem, houve um zumbido alto e uma luz piscante amarela, e um dos carrosséis de bagagens começou a girar. Malas de viagens começaram a girar no mesmo lugar e aparecer em torno da esteira transportadora. Os passageiros se aglomeravam ao redor, esperando ansiosamente para pegar suas malas, bloqueando temporariamente os paparazzi de alcançarem os Cahill.
— Por aqui! — Dan pulou no carrossel e seguiu até o fim, desaparecendo por trás de um tapete de borracha. Amy, Jake e Atticus escorregaram entre a multidão e pularam sobre a esteira transportadora antes que os paparazzi pudessem alcançá-los.
— Abaixem-se! — Amy agarrou Atticus e os dois se esconderam atrás de uma grande mala de viagem vermelha enrolada por um barbante. Alguém pegou a mala e a retirou do transportador, de repente expondo Amy e Att.
— Ei! — o homem gritou em choque quando eles foram revelados. — Tem crianças em cima dessa coisa!
Amy agarrou a mão de Atticus e pulou sobre a esteira para o centro do transportador.
Um guarda do aeroporto pisou na borda do transportador para agarrá-los, mas um dos homens de Pierce o empurrou para o lado. Amy podia ver a multidão se dividindo enquanto os soldados de Pierce avançavam.
Amy, Atticus e Jake correram e pularam de volta para a esteira circular atrás de uma caixa grande que não tinha sido reivindicada. Um dos homens agarrou o braço de Atticus e o puxou para fora.
— Solta ele! — Jake levantou, chutando rapidamente o homem no peito. O homem cambaleou, derrubando o soldado trás dele. Eles pisaram em falso, tropeçando sobre bagagens e caindo em uma pilha no chão.
Amy se esquivou quando uma cortina de borracha passou por suas cabeças, deixando os óculos de Att tortos.
Dan esperava por eles do outro lado enquanto eles foram jogados em uma área de bagagem segura e desceram uma rampa. Era como escorregar em um escorregador muito protuberante. Os trabalhadores do aeroporto olharam para eles em estado de choque e, em seguida, explodiram em um clamor irritado em espanhol.
— Não se preocupem, pessoal, estamos de saída — Dan falou.
Amy olhou para trás. Um dos homens do Pierce vinha através da aba, mas um segurança do aeroporto o arrastou de volta. O guarda não poderia segurá-lo por muito tempo, ela sabia.
— Portão sete. Vamos — ela disse aos outros.
Eles passaram por carrinhos empilhados com bagagens até a pista. Seis dos homens de Pierce surgiram da área das bagagens, vasculharam o lugar, e apontaram na direção deles.
— Cadê o nosso helicóptero? — Jake perguntou a Amy.
Amy assentiu para um helicóptero acelerando na pista.
— Está ali na frente.
— Nós não vamos conseguir! — Atticus exclamou.
Atticus estava certo. Os capangas de Pierce tinham tomado uma dose pequena do soro, e seus corpos reforçados podiam correr mais rápido do que as crianças jamais poderiam. Sem essa vantagem química, as crianças não tinham chance em uma corrida a todo vapor.
Amy e os outros correram para o helicóptero, mas ela podia sentir os homens se aproximando, cem metros atrás dela, cinquenta, vinte... os passos deles soando cada vez mais alto, cada passo soando como a condenação.

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