25 de novembro de 2016

Capítulo 19

Tikal, Guatemala

— Ah, meus Deus. Olhe isso.
Dan observou Amy verificar duas vezes para ter certeza de que tinha lido o e-mail direito. Ela entrou na conta falsa que criara para coisas práticas, como fazer reservas no hotel em Tikal, só para ter certeza de que não tinha perdido nenhuma mensagem.
— Alguém encontrou o livro de Olivia — Amy falou para os outros. — Pelo menos, ele diz que sim. E ele quer cinco mil dólares para devolver.
— Quem é? — Dan se inclinou sobre o ombro dela para ler a mensagem:


— Não está assinado — Amy falou. — E não reconheço o endereço de e-mail, mas é da Guatemala.
— Tem de ser uma armadilha — disse Jake.
— Concordo — disse Dan. — Mas não importa. Armadilha ou não, nós precisamos desse livro.
A razão desagradável de porque eles precisavam do livro pendia como uma atmosfera pesada sobre o quarto.
Dan puxou um mapa de satélite do parque e identificou o local para a troca.
— Olhe para isso — ele apontou para um aglomerado de barracas na selva, um grande caminhão e, não muito longe, uma área limpa de arvores. — Parece um campo de exploração de madeira ilegal para mim. Ou caçadores.
Amy balançou a cabeça.
— Caçadores não saberiam o que o livro é. Alguém os está usando como cobertura.
— De qualquer forma — Dan falou. — Nós temos que encontrar o cristal despedaçado, e precisamos conseguir o livro de Olivia de volta. Hoje à noite.
— Nós quatro não podemos lidar com tudo sozinhos — Jake apontou. — E, além disso, quem sabe quantos homens foram pagos para nos matar dessa vez?
— Vamos trazer o resto do pessoal para dar apoio — Dan sugeriu.
— Não — Amy disse com firmeza. — Por que colocar mais vidas em jogo do que precisamos?
— Porque nossas vidas estão em jogo agora — Dan insistiu. — Especialmente a sua. Amy, nós precisamos de ajuda aqui — ele fez uma pausa, de repente se sentindo inseguro. Amy lhe pedira para assumir o comando. Agora que ele estava fazendo isso, ela ficaria em seu caminho? O que faria se ela se opusesse?
Eles ficaram cara-a-cara, cada um esperando que o outro recuasse.
— Amy, esta é a minha decisão — ele fez uma pausa, engolindo em seco, e firmou sua coragem. — E é a final.
Ela recuou quase que fácil demais.
— Eu sinto muito, Dan. Não estou acostumada a isso — ele se sentiu tão triste por ela agora que quase cedeu ao irmão caçula dentro dele que queria gritar. Eu retiro o que disse, Amy! Eu estava brincando. Você está no comando de novo, de verdade... E ele teria dado qualquer coisa para deixá-la assumir, se isso desfizesse o soro, anulando sua sentença de morte, e deixá-la viver.
Ela sorriu para ele, um sorriso orgulhoso de irmã que ao mesmo tempo o tocou e o irritou.
— Tudo bem. Chame Ian.
À menção do nome de Ian, Jake se encolheu. Ela começou a falar algo para explicar, ajudá-lo a entender, mas ele a cortou.
— Precisamos de toda a ajuda que pudermos conseguir — ele disse. — Entendi.
Dan esperava que Amy estivesse feliz que Jake tivesse voltado à sua brusquidão habitual e parado de agitá-la. Como se as coisas estivessem normais. Pelo menos eles estavam sendo civilizados um com o outro. Era difícil conseguir fazer qualquer coisa quando eles estavam pulando na garganta um do outro – literalmente.
Ele ligou para Attleboro em sua linha segura. Ian atendeu.
— Ian, aqui é Dan. Nós temos um monte de novidades para você.
— Dan? — Ian soou um pouco confuso. — Onde está Amy?
— Ela está aqui. Mas nós tivemos alguns problemas, e eu estou no comando agora — ele olhou para Amy enquanto falava. Ela estava olhando para seu colo, mãos contraindo ligeiramente.
Em seguida, ela levantou a cabeça e acenou para ele como se dissesse: é isso mesmo.
Ian colocou Jonah e Hsmilton no viva-voz para atualizarem as informações. Dan falou-lhes sobre o livro e os chantagistas.
— O livro está seguro! — Ian exclamou. — Graças a Deus. Vou reunir a tripulação e voaremos para aí imediatamente. Vocês precisam de algo de casa?
— Sim — respondeu Dan. — Traga cinco mil dólares em dinheiro. Nós não achamos que seja sobre isso, mas é o que os chantagistas pediram.
— Levaremos.
— Traga Pony, também — disse Dan. — Precisaremos de todos nós para dar certo.
— Certo. Claro, você percebe que após oito horas preso em um avião com Hamilton, Jonah e Pony, eu virarei um lunático muito delirante.
— Você já é um lunático muito delirante — Dan brincou. — É só trazer seus traseiros até aqui.
— Estamos a caminho.
— Espere — Dan olhou para Amy novamente e piscou para conter as lágrimas que brotaram em seus olhos. — Há mais uma coisa que vocês devem saber. — Houve um silêncio na linha enquanto Ian esperava que a notícia, como se sentisse que era algo sério. — Amy tomou o soro — Dan falou calmamente. — A dose completa, não diluída. Ela está melhor hoje, mas alguns dos efeitos colaterais são graves, então...
Houve uma longa pausa.
— É por isso que você está no comando agora — completou Ian.
— Sim.
— Oh, não — Ian sussurrou. — Amy, eu...
Dan ouviu a tensão em sua voz enquanto ele se perdia. Ian podia ser rápido como um relâmpago ao retornar insultos, mas expressar choque e tristeza não era fácil para ele.
— Quanto tempo ela tem?
Dan odiava dizer isso em voz alta, especialmente na frente de Amy. Mas não havia como contornar isso, e eles não tinham tempo para nada além da verdade.
— Cerca de quatro dias.
— Veremos vocês hoje à noite.
Um silêncio mortal caiu sobre o quarto de hotel. A perna de Amy sacudia impacientemente. Dan sentia como se alguém tivesse amarrado pesos em seus pulsos e tornozelos, como se para o menor movimento fosse necessário um esforço sobre-humano.
Ele era responsável por tudo que acontecia a partir daquele momento. Só pesava sobre ele. Ele podia sentir a responsabilidade pressionando em seus ombros e coluna como uma mochila cheia de pedras. A maior parte era culpa sua. Afinal Amy tinha tomado o soro para salvá-lo.
— Amy? Você está bem? — Dan perguntou.
Ela olhou para ele, seus olhos vazios.
— Não se preocupe comigo. Vamos apenas fazer isso.
Eles tinham até o anoitecer para fazer um plano.
— Vamos nos dividir em dois grupos — Dan falou. — Um grupo vai encontrar o cristal, e o outro vai pegar o livro.
— Não — ela protestou. — O livro é uma armadilha. É perigoso. Eu vou sozinha.
— Grande plano, Amy — respondeu Jake. — Você vai sozinha, e Pierce fica com você e o livro.
— Pierce não sabe que eu tomei o soro. Seus homens não estarão esperando uma garota superforte. Vou pegá-los de surpresa.
— Você não é forte o suficiente para derrotar um exército sozinha — disse Dan. — Jake está certo. Vou com você.
— E eu também — disse Jake.
— Não — Dan insistiu. — Amy e eu lidaremos com isso sozinhos — Jake começou a protestar, mas Dan o cortou. — Ponto.
Jake balançou a cabeça tristemente.
— Você é mais parecido com sua irmã do que imagina, Dan.
Era verdade? Dan não sabia. Resta saber, ele pensou.
— Até amanhã de manhã, teremos tanto o livro quanto o cristal – e estaremos muito mais próximos do antídoto.
— É isso mesmo — disse Atticus. — Nada pode nos parar agora, Amy.
Amy tentou sorrir. Dan esperava que Att estivesse certo. Mas ele estivera tão perto da vitória tantas vezes antes, e ela sempre parecia escapar para além do seu alcance.
Não desta vez, prometeu a si mesmo. Desta vez tudo vai sair do nosso modo.
Pela primeira vez, tem que sair.

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