25 de novembro de 2016

Capítulo 18

Trilon Laboratories, Delare

Quando as cinco horas finalmente chegaram, Nellie pulou fora. “Trabalhar até tarde” até que todos tinham ido embora era o horário em que seu trabalho de verdade realmente começava.
Nellie desejou poder estar na Guatemala com Amy, mas ela tinha um trabalho a fazer aqui. Amy precisava do antídoto para o soro mais do que nunca. O que Pierce fazia para compensar os efeitos colaterais do soro? Talvez essa informação pudesse aliviar os sintomas de Amy e dar-lhe algum tempo. Nellie ia encontrar Saamy e o poria para trabalhar nisso – agora.
O tempo de Nellie na Trilon não tinha sido um completo desperdício. Por um lado, ela tinha visto os bioquímicos de seu laboratório usando nanotecnologia para estudar as interações dos diferentes compostos ao nível molecular. Eles tinham um laser que podia fazer pequenas marcas em um pedaço de metal ou vidro – por exemplo, numa placa que poderia ser vista sob o microscópio. Nellie os vira utilizar laser sem realmente saber o motivo. Mas agora ela tinha um uso para ele.
Levou algumas tentativas para pegar o jeito, mas ela conseguiu esculpir uma mensagem em uma lâmina de vidro. A mensagem era invisível ao olho nu, mas perfeitamente legível sob um microscópio.
Ela embalou o vidro em um papel para protegê-lo de arranhões e enfiou-o no bolso.
Entrou furtivamente no andar de cima, driblando as câmeras de segurança, e caminhou por um corredor escuro até chegar à máquina de vendas automática. Ela usou seu cartão roubado para abrir a máquina e se esgueirar para o porão secreto. Abriu a porta da escada e olhou para dentro.
Sammy estava sendo levado para uma sala – pelo o que Nellie podia ver, parecia outro laboratório, ainda mais high-tech do que o anterior – por um guarda armado. O homem empurrou Sammy para dentro e trancou a porta.
Então ficou perto da porta, arma automática na mão, guardando-a.
Oh, Sammy. O que ele tinha feito para ganhar um guarda armado? Como Nellie passaria por esse cara? Ela fechou e buscou em volta por uma alternativa. A escada estava vazia, exceto por um extintor de incêndio pendurado na parede. E logo acima do extintor de incêndio... uma grade. Uma grade que provavelmente levava a uma entrada de ar, o que se precisava aqui se você não quisesse sufocar até em um porão subterrâneo.
A parte inferior da ventilação estava fora do alcance de Nellie, mas se subisse no degrau, seus dedos alcançavam a tela.
Talvez se ela tivesse o apoio do extintor... ela tirou o cilindro metálico do lugar, colocou-o no último degrau e subiu nele. O recipiente aguentou o seu peso, mas se moveu precariamente sob os seus dedos dos pés. Ela puxou seu confiável canivete do bolso e desparafusou a tela de ventilação.
Espere... ela pensou ter ouvido um barulho no corredor do outro lado da porta de incêndio. Ela congelou. Tinha alguém vindo?
Outro ruído. Ela rapidamente saltou, recolocou o extintor de incêndio no suporte e subiu correndo o lance de escadas. Ela tinha acabado de alcançar o segundo piso quando ouviu a porta do porão abrir. Ela congelou novamente, rezando para que quem estivesse lá – provavelmente o guarda armado – não subisse as escadas ou percebesse os parafusos soltos da ventilação.
Depois de alguns segundos de tensão, a porta foi fechada. Ela olhou por cima do corrimão para as escadas. Nenhum sinal do guarda.
Na ponta dos pés, andou de volta para as escadas. Tudo limpo. Ela colocou o extintor de incêndio no degrau, subiu nele e continuou trabalhando nos parafusos.
Soltou os dois parafusos inferiores e deixou-os cair no bolso do jaleco branco. Ela deslizou os dedos sob a grade e agarrou a borda da abertura. Se pudesse apenas se lançar para cima de alguma forma... mas era alto demais.
Então ela notou o suporte na parede que tinha sido concebido para sustentar o extintor.
Ela se agarrou a entrada de ventilação com os dedos e saltou para cima, pisando no suporte com o pé direito para se impulsionar na abertura.
Quando pulou, o extintor rolou debaixo de seu pé e caiu do degrau com um barulho alto. Ela se arrastou para a abertura de ventilação. A grade fechou atrás dela ao mesmo tempo em que a porta se abriu. Nellie rastejou pelo duto, para longe da grade, apenas o suficiente para ver o guarda armado voltar, pegar o extintor caído e subir rapidamente a escada para procurar intrusos.
Outro segurança saiu quando o primeiro retornou ao patamar inferior.
— Achou alguma coisa? — o segundo segurança perguntou.
— Não —  primeiro guarda colocou o extintor de volta no suporte, que tinha ficado um pouco frouxo pelo pé de Nellie. — Imagino que foi só o extintor caindo.
— Esse suporte tem que ser reforçado — o outro guarda observou.
Eles ficaram em silêncio por um momento, armas prontas, ouvindo qualquer som. Nellie prendeu a respiração.
— Tudo certo — disse o primeiro.
Eles abriram a porta e voltaram a patrulhar o laboratório. Nellie soltou a respiração.
Que bom que esses guardas se importam tanto com o extintor. Ela começou a rastejar pelo duto, em busca de Sammy. A cada poucos metros, ela olhava pela grade. A primeira dava para um pequeno corredor. A segunda, para uma sala que parecia ser um escritório. A terceira dava para um laboratório. Havia uma mesa de computadores, uma máquina que Nellie não reconheceu que brilhava com uma luz branca a cada cinco segundos, um freezer grande e uma bancada de laboratório coberta por frascos, garrafas, provetas e microscópios de alta potência.
De seu ponto de vista próximo do teto, ela viu um jovem magro de jaleco branco, o rosto pressionado em um microscópio, ainda trabalhando arduamente às nove da noite. Ela reconheceria aquele tufo de cabelos pretos encaracolados em qualquer lugar. Sammy.
Ela estava prestes a sussurrar. Psiu! Sammy! Quando percebeu um movimento no canto da sala. Um segurança estava sentado em uma cadeira perto do freezer, enquanto o outro bloqueava a porta. Ambos estavam armados com rifles automáticos.
Sammy ergueu a cabeça e escreveu algo em um notebook.
Houve um clique e ar frio começou a fluir através da tubulação. Nellei estremeceu. Ela ficou gelada e sentiu que estava prestes a espirrar.
Oh, não. NÃO.
Ela não seria capturada porque seu nariz estava com cócegas. Isso não iria acontecer.
O interior de suas narinas formigava. Ela manteve a boca fechada e apertou o nariz. Fechou os olhos e orou. Não, não, eu não vou espirrar, eu não vou...
Uh oh. Estava vindo. Ela sentiu a pressão dentro de seus pulmões, a corrente de ar.
Esse comichão queria sair, e ela não conseguia pará-lo. Ela soltou seu nariz e lenta e silenciosamente puxou um pouco de ar. Calma, ela disse para si mesma. Calma. Mantenha-se calmo, nariz.
Ela esperou. A vontade de espirrar passou.
Quarenta e cinco minutos mais tarde, e os guardas ainda vigiavam, e Sammy ainda trabalhava. Ele era tão corajoso, ela pensou. Ela poderia tê-lo tirado dali, mas ele não quis ir. Ficou para ajudar a causa.
O coração de Nellie inchou por ele. Mas sua perna estava dolorida de ficar perfeitamente imóvel na ventilação. Ela enviou uma mensagem mental silenciosa para os guardas: Deixem o pobre rapaz ir para a cama. Ele tem que dormir em algum momento.
Por fim, a porta do laboratório foi aberta, e os guardas escoltaram Sammy para fora. Eles apagaram a luz e saíram.
Depois de dez minutos, ela pensou que podia ser seguro escorregar para dentro do laboratório e deixar a sua mensagem.
O laboratório estava escuro, exceto por uma luz de segurança. Nellie chutou a grade fora, em seguida, se aproximou para desparafusar a tela. Ela desceu para o laboratório, pegou a lâmina de vidro do bolso, e a colocou sob o microscópio de Sammy.

SAMMY, AMY TOMOU O SORO, DOSE COMPLETA. ALGO PARA ATRASAR OS SINTOMAS? – N

Então ela se arrastou de volta para o duto, usando uma cadeira para alcançá-lo. A grade se fechou atrás dela, mas ainda estava solta na parte inferior, assim ela poderia ir e vir conforme necessário. Ou talvez, quando chegasse o momento – se os guardas alguma vez o deixassem sozinho – Sammy encontraria um momento para usar a ventilação e escapar.
Não desista, Sammy. Ela pensou. Amy precisa de você. Todos precisamos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!