18 de novembro de 2016

Capítulo 17

Amy estava no alto da escada da biblioteca quando seu celular tocou. Ela colocou de lado o livro que estava olhando e o tirou do bolso.
Museu de Cartago, leu na mensagem.
Atticus e Jake tinham ido para casa de seu pai procurar por pistas, enquanto ela e Dan ficaram para trás para pesquisar Uthman e seu reinado. Parecia que os outros tinham achado algo primeiro. Amy arrumou as notas que estava tomando e, em seguida, deslizou para baixo da escada.
Ela foi para a sala de estudo onde Dan tinha estado a manhã inteira, mas seu irmão não estava lá.
A mesa estava coberta por um amontoado de livros, papéis e embalagens de doces. Dan, ela pensou. Ela conseguia se lembrar de um tempo em que sua bagunça a deixava louca, mas agora...
Amy arrumou os livros e jogou as embalagens fora. Estava prestes a colocar as notas de Dan em sua mochila quando viu um maço de papéis coloridos saindo dela. Curiosa, Amy pegou um.
Era um panfleto anunciando algo chamado Academia Bartleby de Palhaços Mundialmente Famosos. Tinha outro de um acampamento de beisebol, e outro para um acampamento de astronauta. Uma solicitação para a Escola Americana em Roma estava no fundo. Cada página estava impressa com cores brilhantes e cobertas com fotos de garotos da idade do Dan. Garotos correndo em parques, ou fazendo malabarismos com tochas. Garotos correndo para um home run.
Amy sentiu um buraco negro se abrir dentro dela.
Ele já está fazendo planos para ir embora.
Ela folheou os panfletos de novo. Há quanto tempo Dan estava escondendo isso? Ela tinha tentado se convencer de que a conversa dele de ir embora era uma coisa passageira, mas agora... seu último membro da família, a pessoa em que ela mais confiava, estava com um pé para fora da porta.
— Amy?
Amy colocou os panfletos de volta na mochila e se virou.
— Está tudo bem? — Dan perguntou.
— S-sim — ela gaguejou, incapaz de olhar em seus olhos. — Jake mandou uma mensagem. Eles estão no Museu de Cartago.
Amy passou por Dan antes que ele pudesse dizer algo, quase correndo para o saguão lá fora.
Era como se o maço de papéis dentro de sua mochila fosse uma bomba, e ela tinha que fugir antes que explodisse.
Amy saiu da penumbra da biblioteca, protegendo os olhos da luz da manhã da Tunísia. O zumbido da chamada para a oração parecia vir de todas as direções. Tudo parecia alto demais e brilhante demais. Dan apareceu atrás dela e levantou uma mão no tráfego até que um táxi derrapou para parar no meio-fio. Dan disse ao motorista onde eles estavam indo e o carro se afastou da biblioteca e se juntou ao tráfego da Tunísia.
— Amy? — Dan perguntou. — Você achou algo útil?
Ela balançou a cabeça, seus olhos fixos na janela.
— Eu só tomei umas notas. Qualquer coisa que parecia valer a pena.
Eles deixaram o trânsito da cidade e foram para uma autoestrada que atravessava o Lago de Túnis. O brilho do sol sobre a água atingiu os olhos de Amy como pregos e ela teve que desviar o olhar.
Dan estava sentado ao seu lado com seus braços em volta da mochila, segurando-a perto de seu peito enquanto olhava para fora da janela.
Um pedaço de papel azul brilhante despontava do topo da mochila. Ela queria dizer algo a Dan, mas o quê? Não vá? Como pôde? Pela primeira vez, havia algo entre eles grande demais para palavras. Ele realmente vai fazer isso. Ele vai embora. Amy não conseguia respirar.
O resto da viagem passou em um borrão. O táxi parou e Dan desceu e se dirigiu até a calçada do museu, sua mochila balançando no ombro. Jake e Atticus estavam esperando. Tudo de repente voltou a entrar em foco. Eles tinham trabalho a fazer. Amy se sacudiu e pagou o motorista.
— O que vocês conseguiram? — ela perguntou quando se juntou a eles na entrada do museu.
— Nós achamos isso na sala do papai — Atticus disse, entregando um pedaço de papel. — Quando pensamos que ele tinha sido sequestrado, achamos que a bagunça toda era só os capangas de Pierce saqueando o lugar, por isso não vimos isso.
Amy abriu o pedaço de papel.
— Dr. Abdallah, 2 P.M.
— Ele é um pesquisador daqui — Jake disse. — Nós ligamos e dissemos a ele que estávamos vindo.
  Jake abriu a porta de vidro para o museu e eles foram recebidos por um homem elegante tunisino no átrio da entrada.
— Jake! Atticus! Eu ouvi tanto sobre vocês dois. Todo mundo aqui estava terrivelmente preocupado ao saber que vocês não sabem do paradeiro de seu pai.
— Obrigado, Dr. Abdallah — Jake disse. — Nós achamos que o senhor foi o último a ver nosso pai antes de perdermos o seu paradeiro.
O Dr. Abdallah sinalizou para o recepcionista, que os levou através de um longo saguão forrado com escritórios.
— É claro — o doutor disse enquanto os levava através do saguão. — Mas nós não nos falamos mais do que alguns minutos. Seu pai parecia... agitado. Animado! Mais animado do que já o vi estar, na verdade.
— O que ele disse?
— Em breve estaremos exibindo uma grande coleção de artefatos do século XV. — Dr. Abdallah disse enquanto abria uma porta pesada no final do saguão. — Ele queria uma antevisão da coleção.
— Podemos ver também? — Atticus perguntou. — Nós seremos bem cuidadosos.
O Dr. Abdallah mostrou a eles uma grande sala cheia de mesas cobertas de artefatos e pilhas de livros antigos.
— Tem algo relacionado com Uthman? — Jake perguntou.
— Ah, tal pai tal filho! — Dr. Abdallah sorriu — O Dr. Rosenbloom me perguntou a mesma coisa. Por aqui.
O Dr. Abdallah os levou aos fundos da sala, uma mesa exibindo vasos de barro e metais trabalhados reluzentes. Atticus foi imediatamente para uma pequena pilha de livros e abriu o primeiro.
— Há traduções em inglês ao lado — Dr. Abdallah disse. — Estarei no meu escritório se precisarem de mim.
Assim que o doutor saiu da sala, Atticus se inclinou sobre uma das traduções como se estivesse tentando mergulhar nelas.
— O que diz aí, Att? — Dan perguntou.
Atticus o ignorou e leu, virando as páginas, seu rosto ficando cada vez mais próximo do livro.
— Ah, cara!
— O que foi? — Jake perguntou.
Atticus virou outra página e balançou a cabeça.
— Isso não faz sentido!
— O quê? — Jake perguntou.
— Bem, é um tipo de diário — Atticus disse. — Uthman estava falando sobre encontrar um comerciante viajante que alegou possuir uma cópia de Hermócrates. Parece que Uthman não estava com cem por cento de certeza que fosse legítimo, mas ele disse que o livro dava mais detalhes sobre Atlântida. Tudo sobre sua história e cultura, mas nada sobre onde a cidade ficava. Tudo o que ele diz é que nos tempos antigos ela era chamada por outro nome.
— Que outro nome?
Attcius virou a página e encontrou uma nota de rodapé passageira.
— Tartesso.
— Tartesso? — Dan repetiu. — Nunca ouvi falar.
— Eu também não — Jake franziu a testa.
Dan suspirou, frustrado.
— Ok, eu acho que vamos ter que olhar para mapas antigos e tentar achar uma ilha chamada Tartesso.
— Espera! — Amy abriu seu caderno, correndo seu dedo ao longo de cada página.
— O que foi, Amy? Você achou algo?
Ela deixou cair o caderno na mesa e vasculhou pelas páginas.
— Estava aqui — ela murmurou. — Bem aqui.
— O que estava? — Dan perguntou.
Amy virou as páginas até achar um com um mapa. Uma anotação abaixo indicava que retratava o mundo como ele era no século IV a.C.
— Não é exatamente o século certo, mas eu achei interessante e quis uma cópia.
Amy colocou seu dedo no litoral do que era agora a Tunísia, em seguida, o arrastou até o oeste após Marrocos e através o Estreito de Gibraltar. Para o norte onde havia as fronteiras de um país que todos eles reconheceram como a Espanha. No interior da costa sudoeste, havia uma grande região marcada com um círculo. Nesse círculo estava escrito uma única palavra: Tartesso.
— Senhoras e senhores — Dan disse, quebrando o silêncio. — Parece que nós acabamos de descobrir Atlântida.
— Maravilha! — disse Atticus, e eles bateram os punhos.

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