18 de novembro de 2016

Capítulo 15

Dan observou sua irmã fazer uma dúzia de chamadas e, em seguida, colocar o celular de volta no bolso.
— Você tem certeza de que isso vai funcionar? — ele sussurrou.
Amy olhou para ele, mas não disse nada. Dan engoliu em seco. Ele podia ver em seus olhos. Esse era um passo de confiança. Ele tinha confiado em sua irmã sem questionar, mas ela estava tão errática ultimamente. Será que estava agindo de forma racional?
— Eles estão vindo — sussurrou Jake.
Todos os músculos no corpo de Dan ficaram tensos quando os homens de Pierce viraram a esquina. Dan prendeu a respiração enquanto eles começavam a correr. Eles eram como estátuas gregas em movimento, incansáveis, invulneráveis. No instante em que o som de seus passos desapareceu, Amy assentiu para Jake e ele correu para a rua aberta.
— Ei!  — gritou Jake. — Qual é o problema? Os idiotas não conseguem pegar umas criancinhas?
— Vai — disse Amy.
Dan saiu do beco com Amy e Atticus logo atrás dele. Ele cortou para a direita e se dirigiu até a rua, seguindo o mapa em sua cabeça para o Bab El Bahr. Houve um estrondo atrás dele quando Jake empurrou um carrinho de mercado vazio na rua. Só iria atrasar os homens por um segundo. Mais uma vez, ele rezou para que sua irmã soubesse o que estava fazendo.
Dan fez outra curva acentuada. A praça em torno de Bal el Bahr estava à vista. Ele disparou em direção a ela, mas então, houve um barulho e uma exclamação de dor atrás dele. Dan se virou para ver Jake esparramado na calçada, e os homens de Pierce indo para cima dele como uma onda.
— Jake! — gritou Dan enquanto ele derrapava até parar. — Amy!
Dan começou a dar a volta para ir até Jake, mas a mão de Amy segurou seu braço, impedindo-o.
— O que você está... 
— Nós temos que continuar!
— Nós não podemos deixá-lo!
Ela puxou Dan de volta para ela.
— Vamos! Agora!
Amy agarrou o braço de Atticus, também, e os puxou até a rua. Dan olhou para trás e viu o homem de olhos azuis levantar Jake do chão. O Bab el Bahr e a praça que o rodeava estavam logo à frente. Atrás deles, os homens de Pierce os perseguiam, arrastando Jake com eles. A luz da lua refletiu na arma em uma das mãos.
Amy não parou até que eles estivessem ao pé do portão. Ela procurou pelas ruas vazias, em volta deles, com os olhos arregalados, desesperados.
— Eles não vieram! — ela disse, com os olhos agitados. — Por que eles não vieram?
— Essa perseguição acabou.
Amy, Dan e Atticus se viraram para ver os homens de Pierce em um semicírculo em volta deles, com Jake de joelhos ao lado do homem de olhos azuis. O homem estava com a arma automática apontada para a nuca de Jake.
— Uma rendição rápida será mais fácil para todos — o líder falou.
— E depois o quê? — perguntou Amy, dando um passo para frente. — Nós cairemos de um prédio? O que dá a melhor notícia?
O homem ergueu arma das costas de Jake e apontou para o peito de Amy.
— Não é hora para joguinhos.
Seu dedo ficou tenso no gatilho, mas antes que ele pudesse atirar, o som de vozes veio de todas as direções. A praça estava escura, mas as vozes ficavam cada vez mais altas, como se houvesse um tumulto a caminho. Holofotes penetraram a escuridão.
— Amy! Dan! Aqui!
Amy puxou uma pilha de cartões de visita de seu bolso e os jogou no pé do homem.
— Não, é hora para um jogo novo — ela devolveu. — Espero que goste.
Segundos depois, eles estavam cercados por todos os lados por repórteres, quase trinta deles, empurrando e se acotovelando para frente. Flashes eram disparados como fogos de artifícios em cima deles. À distância, Dan conseguia ver vans com holofotes se dirigindo para a praça.
Os homens de Pierce estavam cercados. Seus músculos tensionaram e suas narinas dilataram quando armas, Tasers e algemas desapareceram em seus casacos. Um deles até puxou Jake de pé e jogou um braço ao redor dele, como se fossem velhos amigos.
Minha irmã é genial, Dan pensou. Minha irmã é inacreditavelmente genial.
— Amy! Dan! — um dos repórteres gritou. — Diga-nos o que vocês estão fazendo em Túnis.
— Algum comentário sobre a entrevista dos Tolliver?
— Jake Rosenbloom é seu novo namorado!?
— Dan? Por que você faz tudo o que sua irmã te pede?
Os repórteres ficaram em silêncio quando Amy deu passo para frente diante das luzes.
— Vocês estão fazendo as perguntas erradas! — Amy anunciou para a multidão de repórteres. — Não importa quem é meu namorado e não importa como me sinto sobre o que os Tolliver disseram. O que importa é o que está acontecendo aqui e agora. O que importa são esses homens! 
Ela apontou um dedo acusador para os homens de Pierce, e as cabeças dos repórteres se viraram na direção deles. Os homens de Pierce se atrapalharam, claramente sem saber o que faria seu chefe se irritar ainda mais – lutar ou correr.
— Vocês precisam se perguntar por que homens armados estão perseguindo um bando de crianças no meio da noite! — Amy continuou, sua voz ecoando sobre os cliques das câmeras. — Vocês precisam se perguntar por que, quando quase ninguém nunca ouviu falar de nós antes, estamos nas notícias de repente todos os dias! Quem se beneficia com isso, e por quê?
— Quem, Amy? — um repórter gritou. — Quem está atrás de vocês?
Amy ficou na frente dos brilhos das luzes. Dan conseguia sentir a tensão crescendo ao redor deles, até parecer que ia explodir. Ele pegou o braço de sua irmã e começou a puxá-la para atrás das câmeras, mas ela se afastou dele.
— A pessoa que vocês precisam investigar é o chefe eles — ela disse. — O homem que os paga para nos perseguirem pelo mundo inteiro. O mesmo homem que sequestrou um estudioso inocente chamado Dr. Mark Rosenbloom!
— Quem!? — uma mulher em terno vermelho gritou. — Nos diga quem é!
— J. Rutherford Pierce! — gritou Amy.
Era como se uma bomba tivesse explodido no meio da praça. Todos os repórteres começaram a gritar, surgindo à frente em um maremoto. Eles passaram por Dan e Amy e foram direto aos homens do Pierce. Dan quase riu ao ver o olhar de terror abjeto no rosto do homem de olhos azuis. Pierce podia tê-lo transformado em uma máquina de matar mais letal que o mundo já conheceu, mas nada podia prepará-lo por um ataque como esse. Jake se soltou do homem que o segurava, e os capangas de Pierce correram como se tivessem um exército atrás deles. Os repórteres não desistiram, indo atrás dos homens como um bando de piranhas famintas. Depois de um minuto, a praça estava vazia.
— Você ficou LOUCA!? — Jake estava de pé no meio da praça, com o rosto vermelho de raiva. — Você contou a eles sobre o Pierce? Sobre meu pai!?
— Eu estava tentando salvar a sua vida! — Amy disse.
— E a vida do meu pai? O que você acha que Pierce vai fazer com ele agora que você o expôs? — Jake berrou.
— Jake, eu...
— Você não pode tomar decisões sobre minha família, Amy!
— Nós não podemos só ficar esperando — respondeu Amy, seu rosto endurecendo. — Se agirmos, talvez possamos forçar Pierce a cometer um erro.
— E se esse erro for matar meu pai? Você sequer se importa?
— É claro que eu me importo!
Dan se forçou entre Jake e Amy.
— Pessoal! Esperem. Vamos nos acalmar. Nós vamos achar seu pai, Jake. Eu prometo.
Jake olhou para ele.
— E se vocês não acharem? Você vai ficar do lado dela então, também, Dan? Esses repórteres estavam certos sobre vocês. Quando é que você vai começar a tomar suas próprias decisões?
Dan sentiu sua própria raiva aumentar.
— Amy está fazendo seu melhor!
— Para ela! Não para mim e Atticus.
— TODO MUNDO CALE A BOCA!!
Dan, Amy e Jake se viraram para Atticus, os peitos arfantes. Atticus estava debaixo de um poste de luz, o livro de Olivia aberto em suas mãos.
— Atticus — Jake disse. — O quê? O que foi?
— Eu descobri.
— Descobriu o quê?
Atticus respirou fundo, como se estivesse se preparando antes de dar um mergulho alto.
— Eu sei onde papai está — ele disse. — E sei onde o silphium está, também.

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