25 de novembro de 2016

Capítulo 12

Costa de Maine

Depois de derrotar Galt na luta matinal de karatê, Cara tomou banho e se trocou para a Mesa Redonda. Mesa Redonda era um “jogo de perguntas” que seu pai tinha inventado, onde ela e Galt competiam para ver qual deles tinha o maior conhecimento de política e história. Pierce era o “moderador”, fazendo as perguntas.
Ele mantinha uma contagem de pontos ganhos por cada criança. No momento, Galt estava vencendo Cara de 110 a 100. Mas Cara o estava vencendo recentemente. Ela estava fechando a lacuna. Talvez hoje seria o dia que ela o ultrapassaria. E se isso acontecesse, o seu pai finalmente a notaria e perceberia que Cara era tão digna de sua atenção quanto Galt?
Cara terminou de se vestir e olhou suas anotações da história. Os fatos e imagens grudavam em sua mente tão facilmente agora. Sua memória melhorara quando começou a tomar os shakes de poder que seu pai lhe dava, mas com a força extra do shake de Galt, sua memória tinha se tornado fotográfica.
Galt e seu pai esperavam por ela no escritório de Pierce. Ela tomou seu lugar na “mesa de jogo”, que era equipada com pequenas campainhas, assim como em um show de perguntas real.
Que os jogos comecem.
— Vocês estão prontos? — Pierce vasculhou seus blocos de notas e fixou seus olhos azuis frios em seus filhos. — Tudo bem, Mesa Redonda, Round Cinco. Vamos começar. Nomes Códigos do Serviço Secreto: Qual é o Nome Código do Serviço Secreto para Barack Obama?
Fácil. Cara apertou sua campainha uma fração de segundo de Galt.
— Renegado.
— Correto. Me dê mais três nomes códigos para pontos bônus.
— Bill Clinton: Águia. Richard Nixon: Holofote. John F. Kennedy: Lanceiro. Senador Ted Kennedy: Queimadura de Sol... — Cara poderia continuar para sempre.
— Já chega — a voz de Pierce foi severa, mas ele estava sorrindo. — Eu só pedi três, Cara.
— Você devia penalizá-la por um ponto — Galt disse.
— Eu não vou penalizá-la por fazer mais do que pedi — Pierce falou. — Você deve sempre se esforçar a fazer mais do que lhe é pedido. É assim que você fica na frente.
Galt fez uma careta.
— Próxima pergunta. Nomeie três cidades que já sediaram a Convenção Nacional Republicana. Já.
Novamente Cara foi mais rápida a apertar.
— Tampa, 2012; St. Paul, 2008; Nova York, 2004; Filadélfia, 2000... 
— Exibida — Galt resmungou.
— Crédito extra por saber os anos. Bom trabalho, Cara. — Pierce anotou os pontos de Cara em uma folha de pontuação e embaralhou seus cartões de perguntas. — Rodada relâmpago. Essa é para os perdedores. Eu vou nomear um presidente, e você deve me dizer o nome do candidato que ele venceu. Prontos? Dwight D. Eisenhower.
Cara apertou.
— Cara.
— Adlai Stevenson. — Me dê algo desafiador, Cara pensou. Isso é muito fácil.
— George W. Bush em 2000. Cara.
— Al Gore Ralph Nader — Cara respondeu.
— Ralph Nader! Partido Verde! — Galt gritou.
— Tarde demais, Galt. George H. W. Bush. Cara.
— Michael Dukakis.
— Certo. Hum... Rutherford B. Hayes. Galt.
— Samuel J. Tilden — Galt disse.
— Um ponto para Galt — Pierce anotou suas pontuações. É claro que Galt acertaria do Rutheford B. Hayes, esse era seu presidente favorito. Porque seu nome era Galt Rutherford Pierce, por causa de seu pai.
Eles jogaram por mais meia hora. Galt conseguiu marcar mais alguns pontos, mas Cara o venceu no final.
— Cara está na frente — Pierce anunciou após adicionar seus pontos. — Agora está 157 para Cara, 123 para Galt. Bom trabalho, Cara. E como recompensa por seu desempenho impressionante, você irá para Washington comigo amanhã.
Galt saltou de pé.
— O quê!? O senhor disse que eu podia ir!
— Penso que a criança mais politicamente astuta deve ser a que vai me acompanhar enquanto eu estiver me encontrado com o Congresso — Pierce apontou, cravando em Galt um olhar duro. — Você não concorda, Galt? Faz sentido.
Galt estava furioso e frustrado. Cara praticamente podia sentir o calor de sua raiva saindo de sua pele.
— Obrigada, pai — ela se levantou para ir. — Eu vou fazer minhas malas.
— Peça para sua mãe te ajudar — Pierce falou para ela. — Ela sabe das coisas certas para usar em Washington.
Cara se irritou enquanto subia as escadas com carpete macio para seu quarto. Seu pai não teria se preocupado com o que o Galt iria usar. Ele a estava levando para Washington porque ela era inteligente, como uma assessora? Ou como um ornamento, como sua mãe? 
Ele ainda favorece Galt, Cara percebeu. Seu pai achava que o recente sucesso de Cara era apenas um acaso, apenas um revés temporário para seu irmão.
Lá no fundo, Cara pensou amargamente, apesar de tudo o que eu fiz, meu pai acha que sou uma cópia de carbono da mamãe – basicamente, uma burra.
Eu vou mostrar para ele.

* * *

A mãe de Cara bateu na porta de seu quarto mais tarde naquele dia.
— Você gostaria de ir às compras comigo esta tarde, querida? — Debi Ann perguntou. — Seu pai me disse que a levará para Washington com ele! Isso é emocionante. Haverá muito mais dessas aparições públicas, e você precisará de alguns vestidos novos.
Cara sabia dos tipos de vestidos que sua mãe queria comprar para ela. Eles eram caros, lisos e sempre tinham algum detalhe de menininha – um colarinho Peter Pan branco, talvez, ou um laço na cintura. Perfeito para a filha de um candidato. Mas absolutamente ridículo.
— Você não pode simplesmente pedir algumas coisas do meu tamanho?
— É claro, querida — sua mãe odiava conflito, e ela deveria saber por experiência que um passeio de compras com Cara seria uma longa discussão. — Seu pai disse que você foi um gênio na Mesa Redonda desta manhã. — Ela olhou para suas perfeitas unhas manicuradas de rosa, como se estivesse com medo de olhar nos olhos de Cara. Como se estivesse intimidada por sua própria filha.
— Obrigada, mãe — ela mal conseguia olhar para sua mãe esses dias.
Debi Ann tinha essa expressão de dor, como um cervo encarando os faróis, que deixava Cara maluca. Se apenas sua mãe se defendesse. Mas Cara não poderia culpá-la. Como alguém poderia se defender de seu pai?

* * *

Debi Ann Pierce sentou-se à mesa branca e maculada em seu escritório branco e imaculado. Este era o lugar onde ela assinava as mensagens que sua secretária escrevia para ela, mensagens de agradecimentos para as esposas dos dignitários visitantes, cartões de melhoras para pessoas importantes que estavam doentes, cheques para muitas instituições de caridades que ela apoiava. Ela não precisava realmente do escritório só para ela, mas eles tinham o espaço, e por isso que ela passava os dias sentada sozinha, se preocupando.
Ultimamente suas preocupações haviam se estabelecido em Cara.
Cara tinha mudado recentemente. Era surpreendente o suficiente quando sua filha um pouco desajeitada começou a ficar excelente em tênis, esqui aquático, judô, karatê... praticamente qualquer esporte que tentava.
Ela parecia ter se tornado uma atleta natural quase da noite para o dia. Galt também, apesar de ter sido mais atlético que Cara quando criança.
Ultimamente, os talentos das crianças atingiram Debi Ann como mais do que apenas surpreendente – eles eram espantosos. Inacreditáveis. E fizeram Debi Ann se perguntar o que exatamente acontecia sob seu próprio teto.
Se Rutherford a pegasse bisbilhotando... Debi Ann estremeceu. Ela não sabia o que ele faria. Odiava pensar nisso.
Sim, ela era sua esposa. Mas isso não o impediria de machucá-la se ela ficasse em seu caminho.
Ela poderia muito bem ser uma estranha completa pelo o que ele se preocupava. Ou um mosquito, algo pequeno e irritante que poderia golpear para longe sem um pensamento – e esmagá-lo caso tentasse picá-lo.
Tudo com o que ele se importava eram as suas ambições.
Poder. Debi Ann tinha certeza que Pierce não tinha sentido nada parecido como “amor” por ninguém – nem mesmo por ela ou pelas crianças – em um longo tempo. Não desde a mulher que ninguém tinha permissão para dizer o nome.
Então por ela deveria honrar seus desejos? Se ela tivesse que seguir por seu caminho, queria saber para onde estava indo.

Um comentário:

  1. Esse cara só pode ter levado um fora muito grande da mãe da Amy pra ter tanto ódio dos Cahill, isso não é só medo de perder o poder, isso é dor de cotovelo.

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