25 de novembro de 2016

Capítulo 11

Dan abraçou Amy por todo o caminho de volta ao hotel. Ele não conseguia se permitir soltá-la.
Lágrimas rolavam pelo seu rosto e ele não conseguia fazê-las parar.
Seu coração estava partindo. Ele nem ligava como isso parecia, um menino de treze anos com o braço envolta da cintura da irmã, soluçando incontrolavelmente. Nada importava agora.
Amy tinha tomado o soro para salvá-lo.
E agora ela iria morrer.
Talvez morrer fosse melhor que isso, a culpa pesando em seu coração como um cobertor de chumbo. Era por sua culpa que o soro existia. Era por sua culpa que Amy o tivesse carregado por aí por segurança.
Culpa sua que ela o tivesse tomado...
Culpa sua que ela morreria em breve.
Ele podia sentir como o soro a tinha mudado enquanto caminhavam. Jake e Atticus tropeçavam pelo caminho como zumbis, entorpecidos pelo choque. Mas Dan podia sentir Amy se segurando para evitar sair correndo na frente deles. Sua pele parecia zumbir com energia e poder.
Ele não podia segurá-la para sempre. Ele a soltou.
Ela imediatamente pulou à frente, quase involuntariamente. Ela pulou para cima de uma cerca de pedra em um salto fácil, em seguida, deu mortal duplo para descer.
Ela se virou para Dan com um sorriso apologético, triste.
— Eu sempre quis fazer isso.
Jake e Atticus a observavam sem expressão, como se não conseguissem compreender o que estava acontecendo. A Amy que eles conheciam não era ginasta – especialmente em um momento como este.
Não parece real para ela, Dan pensou. Se ela está sentindo o poder, a força... mas não o veneno.
Não parecia real para ele, tampouco.

* * *

De volta ao hotel, Amy saltava ao redor da sala, tentando conter sua energia. Poderia ter sido reconfortante – alguém tão cheio de vida não poderia possivelmente estar morrendo. Dan podia ver as emoções brincando pelo seu rosto, saltando ao redor também. Num minuto ela estava tonta com poder, no próximo, oprimida pelo pânico.
Atticus tentou pegar a mão dela e fazê-la se sentar. Quando isso falhou, Jake tomou uma abordagem mais direta.
— Amy, se acalme — ele falou. — Nós temos que nos concentrar em achar o cristal. O antídoto é mais importante que nunca, agora.
Seu tom de voz era áspero, como se ele estivesse furioso com Amy, mas sempre que Dan olhava nos olhos de Jake, podia ver um brilho de angústia.
— Eu preciso ver os glifos — a respiração de Atticus tremeu enquanto falava, mas ele tentou esconder seu medo, tentou agir tão firme quanto Jake. — Onde está o livro de Olivia, Dan?
O livro. Dan abriu sua mochila e a vasculhou.
— Estava aqui quando nós fomos atacados... — ele procurou pela mochila, e a esvaziou. — Talvez eu tenha colocado no bolso. — Ele apalpou os bolsos, depois os virou do avesso. Nenhum livro.
— Dan, cadê ele? — a voz de Amy ficou aguda e tensa.
— Eu... Eu não sei.
Ela estava começando a entrar em pânico, o terror crescendo de suas entranhas com um gosto amargo, metálico.
— Cheque a mochila mais uma vez — Atticus disse.
— Estou checando — Dan procurou duas e três vezes em cada canto de sua mochila, em cada bolso.
Não tinha outra resposta. O livro de Olivia tinha desaparecido.
— Deve ter caído do meu bolso quando eu lutava contra os homens de Pierce — Dan falou.
Então estava em algum lugar lá fora na selva... na vasta selva onde aviões poderiam cair e nunca serem encontrados.
O clima na sala se tornou sombrio e escuro. Dan chutou uma cadeira em fúria.
Amy estava morrendo. E agora o livro já era.
Ele tinha feito isso de novo. Tinha desapontado a Amy.
Ele estava certo em abandoná-la. Não podiam contar com ele para fazer nada direito.
Sem o cristal e uma receita de um antídoto perfeito, Amy não poderia ser salva. Dan sabia a receita de cor, embora alguns dos códigos mais complicados ainda não tivessem sido decifrados.
O livro estava repleto de informações que lançavam luz sobre a receita – como onde exatamente encontrar os ingredientes. Um pequeno erro e o antídoto não funcionaria.
E ele tinha perdido o livro. Era culpa dele.
Sua irmã, que estava diante dele agora tão cheia de vida, estaria morta em uma semana. Apenas mais sete dias de revirar os olhos toda vez que ele fizesse uma piada ruim. 168 horas de despentear seu cabelo e chamá-lo de idiota com um sorriso que significava que ela o preferia dessa maneira. 10.080 minutos restantes com sua irmã mais velha, aquela que o deixou dormir em sua cama por um ano após seus pais morrerem, que pulou o primeiro dia da sétima série para sentar em um banco ao lado da escola primária de Dan e acenava para ele durante o recreio. Amy, a única família que lhe restava, iria embora para sempre.
O tempo estava passando. Eles tinham que impedir Pierce de dominar o mundo. Mas primeiro tinham que salvar a vida de Amy.

Um comentário:

  1. Ai meu coração, não creio nisso! Chorando em 3, 2, 1...

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