18 de novembro de 2016

Capítulo 11

— Amy! Amy, espera aí! — Dan correu atrás de sua irmã enquanto ela andava apressadamente pelo lobby do hotel. — Por que o Pierce pegaria o Dr. Rosenbloom?
— Para chegar até a gente.
— Mas o Pierce não quer nada da gente. Ele só quer nos matar! Amy!
Amy passou por um trio de turistas atordoados e subiu as escadas de dois em dois degraus. Quando chegou ao andar deles, Amy escancarou a porta do quarto do hotel e entrou, indo em direção ao telefone.
— Para quem você está ligando?
— Para a polícia!
Dan bateu a mão sobre o receptor antes que Amy pudesse ligar.
— Ei, Amy. Você sabe como isso funciona. Se nós chamarmos a polícia...
— Nós não podemos ficar aqui sentados enquanto Pierce faz sabe-se lá o que com o pai deles, Dan. Foi o que fizemos com Damien Vesper, e não vou jogar dessa vez.
— Amy...
— Pedimos ajuda ao Dr. Rosenbloom, Dan.
A dor na voz de Amy era insuportável. Por mais que Dan odiasse admitir, ele sabia que ela estava certa. Eles haviam perdido pessoas antes, e ainda estavam tentando lidar com isso. Como poderiam tentar essa chance de novo, com o próprio pai do Atticus e do Jake? Dan tirou a mão do telefone e Amy o pegou e começou a discar. Antes que ela pudesse terminar, o telefone foi arrancado da mesa e das mãos de Amy. Eles se viraram para ver o fio do telefone enrolado na mão de Jake.
— Ligar para a polícia irá matá-lo — Jake falou. — Pierce tê-lo levando significa que ele quer negociar, e isso nos dá uma oportunidade. Temos que esperar para ver o que ele tem para dizer e então nós o pegamos.
— Jake... — Amy começou.
— É assim que funciona — Jake disse. — Você sabe disso.
— Att — Dan perguntou. — Você concorda com isso?
Atticus estava atrás de seu irmão, os braços cruzados sobre o peito, a cabeça abaixada fazendo seus dreadlocks esconderem o rosto. Ele balançou a cabeça lentamente.
— Então o que fazemos enquanto isso? — Dan perguntou.
— Nosso trabalho — Jake disse com uma respiração estremecida e profunda. — Nós ainda temos que achar o silphium. Atticus, dê uma olhada no livro de Olivia, linha por linha para o caso de termos perdido algo. Dan, veja se você consegue achar algo na internet. Amy, me ajude a procurar alguns lugares na área com alguma conexão com a Founders Media. Talvez possamos reduzir os locais na qual podem estar prendendo o papai.
— Nós não vamos achá-lo — Amy falou.
— Vamos, Amy — Dan disse com um sorriso pálido. — Nosso recorde de levar a melhor sobre loucos homicidas é o melhor da liga!
— Mas o Pierce é mais inteligente deles — ela disse, olhando de Dan para Jake e depois Atticus, ainda imóvel. — Não é?

* * *

Os quatro estavam espalhados pelo cômodo e trabalhando silenciosamente, debruçados sobre papéis e telas de computadores. Dan ansiava a conversa habitual das sessões de pesquisa deles, mas até ele mesmo estava tenso demais para tentar. Não conseguia parar de olhar para o celular. Por que Pierce não ligava logo e acabava com a espera? Quando Dan não estava olhando para o celular, estava olhando para Atticus. Alguém que não conhecia Att provavelmente pensaria que ele estava superfocado, mas Dan via a verdade toda vez que Atticus se atrapalhava com seu lápis e em cada página que seu amigo permanecia por um segundo a mais.
— É isso — Jake disse, se recostando e esfregando seus olhos cansados pela luminosidade da tela. — Eu consegui. Cheguei ao fim da Internet.
— O que tem lá? — Dan perguntou.
— Exatamente o que você esperaria — ele disse. — Um meme.
  Jake pensara certo. Dan estava cansado, também. Estendeu a mão sobre a mesa e ligou a TV em um canal de notícias em inglês.
— Dan — Amy disse.
— O quê? Eu só quero ver como o meu Sox está indo. Você achou algo sobre a Founders Media?
— Nada — Amy respondeu. — Apesar de possuir cada canal de mídia no mundo, juntamente com as empresas farmacêuticas e start-ups da Internet, a Founders Media não tem nada na Tunísia.
— Isso não é possível.
— É verdade — Jake disse. — Nós até pedimos ao Pony para fazer uma pesquisa lá de casa. Pierce não tem nada aqui. Nada que deixe rastro, de qualquer modo.
— Atticus?
— Neca — disse ele, esfregando os olhos injetados de sangue. — Quero dizer, tem todo tipo de coisa aqui, mas é difícil saber o que é importante e o que é uma lista de compras de quatrocentos anos de idade.
— Uh-oh! — Dan se endireitou na cadeira e se atrapalhou com o controle remoto.
— O quê? — Amy perguntou. — Dan, o que foi?
— Nada! — Dan desligou a TV. — Não se preocupe com isso. Ei! Quem quer invadir os arquivos nacionais da Tunísia?
Amy arrancou o controle de sua mão.
— Não, Amy, espera...
A TV foi ligada novamente, mostrando dois jornalistas elegantes em uma enorme mesa de vidro cromado. Amy se sentou atrás de Dan e largou o controle remoto ao lado de um grande cinzeiro na mesa.
— ... para mais notícias sobre os problemáticos viajantes mundiais, Dan e Amy Cahill, nós agora iremos nos voltar para o correspondente sênior de crime internacional, Chet Waterdam. Chet?
— Vamos lá, Amy — Dan disse. — Nós não precisamos ver isso.
Um homem com uma aparência áspera, pele alaranjada e suspensórios vermelhos brilhantes apareceu na tela.
— Obrigado, Wes. As crianças Cahill! No início, nós aqui da CVB News pensamos que era apenas diversão e brincadeiras, mas agora aprendemos o que estamos vendo é realmente uma conspiração criminosa internacional de proporções assustadoras. Mas primeiro, os Cahill, quem eles são?
A foto mais idiota que Dan já vira de si mesmo apareceu na tela.


— Dan Cahill! — Chet exclamou. — Segundo em comando. Um fanático leal, mas com vontade fraca e um puxa-saco estúpido.
— Ei! — exclamou Dan.
— O verdadeiro poder da trama dos Cahill está aqui.
A foto de Dan foi substituída por uma escura de Amy em uma rua com a aparência decadente em alguma cidade sem nome, parecendo misteriosa e furtiva.


— Amy Cahill! Uma garota imprudente viciada em adrenalina sob o disfarce de uma bibliotecária em treinamento.
— Bem, eles te pegaram nessa — Dan disse, esperando por uma risada, mas recebendo um olhar penetrante no lugar.
— A Srta. Cahill é cruel. Nunca disposta a sujar suas próprias mãos, porém, tem um histórico de atrair garotos para fazer suas ordens.
A tela da TV foi preenchida por uma foto de Evan sorrindo, de pé ao sol. Dan olhou para Amy. Ela estava paralisada, os olhos arregalados, a pele pálida.


— Amy — ele disse. — Sério. Desliga isso.
— Evan Tolliver — a voz entoou. — Estudante brilhante e filho amado de Terrence e Letitia Tolliver. Mas por que não deixamos que eles falem sobre o filho...
A foto de Evan desapareceu, substituída por um homem de cabelos grisalhos e blusa branca e uma mulher de vestido azul. Eles estavam sentados lado a lado em uma varanda ensolarada, com uma fazenda se estendendo atrás deles.
— Nosso filho amava Amy Cahill — Letitia Tolliver disse em uma voz extraída de dor. — Ele a amava mais que tudo.
Terrence Tolliver puxou sua esposa mais perto enquanto ela tirava seus óculos e limpava uma única lágrima em seu rosto.
— É verdade — Terrence confirmou. — Ele a amava e ela o matou. Como se a menina tivesse segurado a arma com a própria mão. Ela o arrastou para esse mundo, e esse pobre garoto, nosso único filho, não sobreviveu. E ela corre ao redor do mundo como se nem se importasse.
— Amy... — Jake falou, mas até ele ficou em silêncio quando a câmera se aproximou do rosto do Sr. Tolliver. Ele e sua esposa pareciam mais velhos do que o normal. Uma voz fora da câmera falou:
— E o que você diria para qualquer um que esteja se associando com a Srta. Cahill agora?
— Saaa de perto dessa garota o mais rápido que puder — Letitia disse. — Ela parece inocente, mas é uma cobra.
Amy estava imóvel, inclinada sobre sua cadeira. Na luz bruxuleante da TV, seus olhos estavam ocos.
— Palavras fortes — Chet continuou. — Aquelas que levam a, talvez, a pergunta mais importante de todas; Amy Cahill já achou sua próxima vítima?
A tela mostrou outra foto. Era Jake, fotografado de pé no beco da medina. Ele sorria de escárnio e raiva e sua mão estava fechada em um punho, pronto para socar o repórter que estava caído e sangrando aos seus pés. Amy estava nas sombras, observando tudo com um olhar que, se Dan não conhecesse, acharia parecer nitidamente satisfeito.
— Jake Rosenbloom, atleta estrela, estudante honorário, um jovem com um futuro brilhante pela frente. Quanto tempo até Amy Cahill tirar isso, também? Para mais...
Algo zuniu no ar sobre a cabeça de Dan e a tela da TV explodiu em uma chuva de vidro, plástico e faíscas elétricas. Dan pulou de seu assento quando o cinzeiro de cristal acertou o chão e quebrou. Dan se virou para Amy, de pé ao lado da mesa com lágrimas nos olhos.
— É Pierce quem está fazendo isso — Dan falou. — Você sabe disso. Não significa nada.
— Significa para mim! — Amy gritou. — Talvez você possa fugir, Dan, mas eu não. Eu tenho que ficar! Tenho que lidar com isso!
— Eu não estou fugindo!
— Eu devo estar louca — Amy falou. — Eu não sei por que achei que isso daria certo. Dan, ligue para o piloto. Diga a ele para levar Jake e Atticus para casa. Esta noite.
— Amy — Jake chamou. — Você não pode achar que eu acredito nesse tipo de coisa.
Amy virou-se para ele.
— Não importa no que você acredita! Essa conversa já está terminada. Dan e eu acharemos o silphium e a polícia vai achar o seu pai e é só.
— Não. Amy, não é assim que vai funcionar.
— Isso é loucura — Dan disse. — Você não pode esperar que eles...
— Isso é uma ordem! — Amy rugiu.
Dan recuou para trás, sentindo as palavras de Amy como um soco. A sala ficou em silêncio. Eles eram como quatro estátuas, congelados em cantos opostos da sala, músculos tensos como aço, vibrando de raiva.
— Eu sou a líder dos Cahill — Amy falou, sua calma mortal mais assustadora que seus gritos. — E não quero ouvir mais nenhuma opinião ou discussão. É assim que vai ser e ponto final.
Antes que alguém pudesse dizer uma palavra, Amy abriu a porta de seu quarto e a bateu com força atrás dela.
Jake, Dan e Atticus não se moveram.
— Dan — Jake disse. — Você tem que falar com ela.
Dan assentiu, mas não se virou para Jake ou Atticus, ele apenas continuou olhando para a TV quebrada.

6 comentários:

  1. — Eu sou a líder dos Cahill — Amy falou, sua calma mortal mais assustadora que seus gritos.



    Não está exatamente qualificada para o cargo

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  2. A Amy se tornou um Isabel melhorada, ela vai acabar matando todo muito.
    ~Tephi

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  3. Até esse capítulo, eu defendia a Amy, mas agr n dá mais n

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  4. Eu tô é me assustando com essa Amy autoritária. Mas eu ainda vou defende-la, ela vai perceber que não é bem assim que as coisas devem ocorrer.

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  5. Amy, querida , agora não tem mais como defende. Sinceramente, decepcionei.
    $Heyna

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  6. Helloooooooo,gente! Amadureçam! Todos sabemos que a Amy não é mesma de O labirinto dos ossos! As CIRCUNSTÂNCIAS fizeram ela mudar. As RESPONSABILIDADES fizeram ela mudar. A CULPA fez ela mudar. Ela se culpa pela morte do Evan. Se culpa pela morte do Lester. Se culpa pela morte da Natalie. Se culpa pela morte do McIntyre. Se culpa pela morte do Erasmus. Se culpa pela morte da Irina. Ela quer carregar todos nas costas mesmo se isso fizer com que ela morra mas todos os outros sobrevivam! Ela é ALTRUÍSTA os suficiente para por a necessidade de sobrevivência dos outros acima da dela! ISSO NÃO FAZ DELA UMA LÍDER RUIM!!! Na hora do fim do livro TODO MUNDO parabeniza! Mas na hora de apoiá-la durante o processo ninguém dá as caras! Que saco! Acho que se vocês fossem olhar nos outros livros também tem isso! A tris(Divergente), o Percy (PJO e HDO) o guri das crônicas dos Kane(me desculpem mas eu realmente esqueci o nome dele (desculpem mesmo)) Todos eles são assim, POR ISSO são líderes. Mas vcs só criticam, não é mesmo?!? Meu God! Porque é tão difícil as pessoas pararem de criticar os verdadeiros heróis?

    P.S.:NÃO ESTOU QUERENDO DESMERECER, MUITO MENOS CRITICAR OS OUTROS MEMBROS DA EQUIPE CAHILL! AMO TODOS ELES! Mas queria escrever essa defesa para a coitada da Amy, porque nesse sentido sou igual a ela.

    P.S.2:PROMESSA CUMPRIDA(vide caps posteriores)
    Ass: K Hill

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Boa leitura :)