25 de novembro de 2016

Capítulo 10

Houve um instante agonizante quando nada aconteceu, e então poder como uma luz dourada surgiu através de suas veias, energizando seus membros, suas mãos, seu cérebro. Ela se sentia forte, porém leve. Como se pudesse saltar sobre o abismo, quarenta metros, noventa. Não – ela tentou colocar um freio em sua mente rápida, ela podia saltar longe, muito longe, talvez trinta metros, mas não tão longe, ainda não...
Concentre-se.
Sua mente imediatamente se focou em Dan.
Os capangas a cercaram, mas ela saltou para fora do alcance deles, suas pernas saltando mais alto do que ela pensou ser possível, e agarrou o cabo da tirolesa, o que estava sendo cortado do outro lado do rio.
Amy desceu ao longo do fio, uma mão de cada vez. Ela alcançou Dan em questão de segundos, assim que o cabo se rompeu. Ele caiu para a água quando seu arreio deslizou pelo cabo rompido. Mas em vez de enchê-la de terror, a visão de seu irmão em queda livre ativou uma onda de energia quando seu braço disparou, agarrando uma das mãos de Dan antes de ele cair fora do alcance.
— Segure-se! — ela disse a ele.
Ela esforçou todos os seus músculos para deixar seu aperto mais forte. O cabo rasgava a pele de sua mão. O impulso da queda os balançou de volta para o rio, de volta para o lado onde os homens de Pierce esperavam. Ela se agarrou no cabo como Tarzan segurando um cipó. Eles voaram para frente e se chocaram contra os capangas atordoados eu os esperavam lá, derrubando-os no chão.
Dan olhou para Amy em choque.
— O quê...?
— Suba nas minhas costas — Amy ordenou.
O cabo da tirolesa agora pendia para baixo do penhasco em direção a água correndo. Dan se agarrou em suas costas como uma criança pequena. Ela deslizou no cabo, apoiando os pés contra o penhasco.
— Amy, o que você está fazendo? — Dan era pesado, mas ela sabia que não o deixaria cair a não ser que ele a soltasse.
— Eu te peguei. Só segure com força — ela respondeu.
Eles desceram pelo cabo, fazendo rapel contra o penhasco. Ela pulos os últimos seis metros até a beira do rio estreito. Dan deslizou para fora de suas costas. Rochas grandes pontilhavam a água de um lado para o outro. Ela pisou na primeira pedra, depois na próxima. Elas eram afiadas, molhadas, e escorregadias.
— Para o outro lado! Vamos! — ordenou Dan.
Ele se esforçou para segui-la através das rochas. Seu senso de equilíbrio estava superafiado – ela quase não precisava parar nas pedras quando saltava para a próxima.
Dan se agachou, se agarrando a cada pedra enquanto ele atravessava lentamente a água corrente.
Ela o ajudou nas últimas rochas até que ele aterrissou do outro lado do rio. Os homens de Pierce os observavam sem poder fazer nada lá de cima, incapazes de alcançá-los. 
— O que fazemos agora? — Dan perguntou. Não havia nenhum lugar para ir além de para cima, nada naquele lado além de um penhasco a cerca de nove metros de altura.
— Nós escalamos.
— Mas e o... ? — Dan apontou para o homem com o facão olhando para eles.
Amy o examinou. Ele tinha um facão, mas havia apenas um.
— Nós lidaremos com ele quando chegarmos lá.
Ela içou Dan em suas costas novamente e começou a escalar o penhasco. Amy se esticou para alcançar uma pedra que se projetava para fora, se agarrou a ela enquanto seu pé encontrava um apoio resistente, e lentamente escalou a face do penhasco.
Cerca de um metro abaixo do topo havia uma borda estreita de pedra.
— Desça — ela disse a Dan.
Ela o deixou empoleirado na borda. Logo acima dela, o homem com o facão esperava.
Amy subiu o resto do penhasco. O capanga levantou o facão, pronto para atacar. Ela o chutou para fora de sua mão. A lâmina caiu sobre o penhasco até o rio, tilintando fortemente contra as rochas. O queixo da capanga caiu em surpresa. Amy o acertou horizontalmente, com um chute no estômago. Ela estendeu a mão para Dan, içando-o para o topo do penhasco.
Eles correram através da selva para o centro da tirolesa por cerca de quatrocentos metros, até onde Jake e Atticus esperavamo por eles. Amy teve que se segurar para Dan poder se manter ao lado dela. Ela se sentia como uma gazela, como se pudesse correr através da selva por quilômetros e nunca ficar cansada.
— Vocês estão bem? — Jake perguntou. — Por que demoraram?
— Estamos bem — Amy disse. — Estamos ótimos.
Ela nem estava sem fôlego. Podia ter continuado a correr, podia correr uma maratona sem se cansar. Ela saltava para cima e para baixo em seus pés.
— Amy — Dan estava ofegante. — O que acabou de ACONTECER?
— Como assim? — A energia dourada percorria suas veias. Ela sabia o que ele queria dizer. No fundo de sua mente ela sabia que algo estava errado, mas ela não sabia o que era, só conseguia sentir energia.
— Você... Você me pegou antes de eu cair — Dan disse, olhando para ela em descrença, como se a estranheza do que tinha acontecido estava acabasse de acertá-lo. — Você fez rapel em um penhasco comigo em suas costas. Você acabou com um dos capangas do Pierce como se não fosse nada...
— O quê? — Jake perguntou. —Amy...?
Ela parou de saltar. Ela ainda sentia a energia fluindo através de suas veias, brilhando para fora de seus olhos. Mas a voz no fundo de sua mente estava ficando mais clara: Algo está errado, algo está muito errado...
— Eu tive que fazer isso, Dan — ela disse. — Eu não podia deixar você morrer...
A boca de Dan abriu, então fechou. Ele sabe, ela pensou. Ele sabe, mas não consegue dizer isso em voz alta.
— Valeu a pena — ela falou.
Ela estava cansada de deixá-lo fazê-la se sentir culpada por salvá-lo.
— Eu faria novamente.
— Do que você está falando? — Jake exigiu.
Dan e Atticus olharam para ela com perguntas em seus olhos, e medo.
— O soro — ela falou para eles em uma voz confiante que não reconheceu como sua própria. — Eu tinha um frasco dele comigo. Dan estava prestes a morrer. Eu tinha que salvá-lo. Então... eu bebi.
— Você o tinha com você? — Dan perguntou. Suas feições estavam congeladas em estado de choque. — Esse tempo todo? — Ela assentiu. — E você... o bebeu. — Ele olhou para baixo agora como se a gravidade do que tinha acontecido estivesse começando a pesar sobre ele. — O soro com potência máxima.
Ela assentiu novamente. Seus olhos examinaram o rosto dela como se estivesse procurando por algo – ou alguém – que ele tinha perdido há muito tempo.
Amy recuou do olhar em seu rosto como se fosse um golpe, sua confiança se esvaindo tão rapidamente como tinha aparecido. O que foi que eu fiz?
— Eu não entendo — Jake falou.
Ela olhou para Dan, e seus olhos se encheram de lágrimas. Ele caiu contra ela em um longo e profundo abraço. Ela o segurou, nunca querendo soltá-lo.
Seu irmãozinho, seguro em seus braços.
Atticus deu um passo para frente e envolveu um braço pequeno envolta de cada um deles.
— O quê, pessoal? O que foi?
Dan só balançou a cabeça como se não pudesse falar.
— Eu tomei o soro Cahill — Amy explicou gravemente. — Isso significa que eu vou ser a pessoa mais forte, mais inteligente e mais poderosa na terra. Por uma semana.
— E depois? — Jake perguntou.
Dan começou a soluçar, encharcando sua camiseta.
— E depois — ela falou lentamente, a gravidade de tudo finalmente a atingindo como um golpe no plexo solar — eu vou morrer.

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