18 de novembro de 2016

Capítulo 10

Isso nunca vai funcionar, Nellie pensou enquanto estava no estacionamento da Trilon Laboratories. Centenas de seus futuros colegas de trabalho saíam de seus carros e se dirigiam para o prédio. Havia tantos deles! E todos pareciam tão cheios de energia e propósito. Cada trecho de conversa que Nellie ouvia era incompreensível, cheios de palavras como entropiametaloides protonação.
Nellie esperou a multidão passar, em seguida, se firmou respirando fundo e marchou até as escadas. Uma vez lá dentro, viu que o edifício era surpreendentemente pequeno. Fico imaginando, como é possível caber todas essas pessoas aqui?
Quando Nellie atravessou a porta de entrada, notou as câmeras negras de segurança que pairavam em todos os cantos, tais como uma ninhada de morcegos. Havia seguranças também, homens em uniformes cinza portando armas nos quadris e rádios com fone de ouvido. A segurança era pesada para uma pequena instalação farmacêutica. O lugar estava ficando mais suspeito a cada segundo.
Nellie chegou a um portão de segurança que levava de volta para os laboratórios. Próximo do leitor de cartão estava um grande D azul que combinava com a letra no cartão de identificação de Nellie. Nellie passou seu cartão e atravessou um labirinto de corredores brancos, procurando pelo laboratório 237.
Cada laboratório que ela passava zumbia com as pequenas equipes de cientistas. Ela se manteve atenta na busca por Sammy, mas sabia que não havia como encontrá-lo tão facilmente.
O estômago de Nellie se revirou quando ela finalmente achou o laboratório 237. Um grupo de cinco cientistas discutia de costas para ela, jorrando mais baboseiras cientificas.
— ... mas, Doutor, a Lei de Avogadro afirma claramente que...
— Alguém me traga o tubo Eppendorf!!
— ... grande Scott, cara! Pense nos neutrinos!
Cada molécula no corpo de Nellie queria bater em retirada; ela nunca conseguiria se misturar com essas pessoas. Não importava que tivesse trocado de roupa e pintado seu cabelo. Ela era Nellie Gomez, não...
— Dra. Gormey!
Os cinco cientistas estavam olhando para ela. Um deles, um homem mais velho de cabelos brancos, atravessou a sala com a mão estendida.
— Eu sou o Dr. Wentworth! É tão bom tê-la aqui. Não ouvimos nada além de coisas maravilhosas sobre a senhorita! Será um prazer ter alguém que realmente sabe o que está fazendo liderando o laboratório!
O coração de Nellie pulou uma batida.
— Liderando?
— Sim! — o Dr. Wentworth riu. — Todos ouvimos que você veio para uma posição de assistente, mas George Takahashi sabe o que é talento quando o vê. Ele demitiu o Dr. Carstairs e decidiu lhe dar o trabalho!
— Bem, isso...  isso é... isso é incrível — Nellie gaguejou, sentindo sua cabeça girar. — Mas certamente há pessoas que seriam mais adequadas para...
— Tolice! — o Dr. Wentworth trouxe Nellie para dentro e a levou para uma mesa na frente da sala. — Com as suas credenciais, você será perfeita. Uma lufada de ar fresco. Agora, há algo que deseje antes de começar? Café? Dr. Assad! Café para a Dra. Gormey.
— Sim, senhor! — Um dos outros cientistas correu para fora da sala.
— Todos aqui estamos ansiosos para começar — o Dr. Wentworth continuou.
Nellie aproveitou a oportunidade.
— Isso! Você deveria fazer isso! Apenas vá em frente e comece. Ótima ideia!
O Dr. Wentworth olhou para ela inexpressivo e então se virou para a mulher ao lado dele.
— Começar a fazer...  o quê? — a mulher perguntou.
Nellie gaguejou. Um enorme quadro-negro estava pendurado na outra ponta da sala, coberto por equações e símbolos estranhos.
— Continuar o ótimo trabalho que estão fazendo!
O Dr. Wentworth deu sua risada alegre.
— Oh, todos os projetos do Dr. Carstairs foram cancelados quando ele foi demitido. A melhor coisa que poderia ter acontecido, mesmo; sua abordagem não nos estava levando a lugar algum.
A mulher entrou na conversa.
— O Sr. Takahashi disse agora que você está aqui, podemos esperar uma nova abordagem radical na criação de proteínas benzo fosfatos di-hidratada complexa.
— Ele disse!? — Nellie guinchou.
— Ah, sim! Já que foi o tema de sua tese de doutorado.
Nellie se fortaleceu com as palmas das mãos sobre a mesa, lutando contra a tontura que se espalhava rapidamente. A porta do laboratório estava aberta a menos de três metros de distância. Os elevadores a menos de quatro pelo corredor. Ela podia estar de volta em seu carro e na estrada em poucos minutos.
Não! O mundo está contando com você, Gomez. Tudo o que você tem de fazer é se livrar dessas pessoas por tempo suficiente para dar uma espionada. Faça alguma coisa!
Mas o quê? A última vez que ela tivera uma aula de química foi na oitava série, e ela não prestara nem um pouco de atenção. Tinha acabado de descobrir a arte da culinária e não conseguia passar mais de um minuto sem tirar o nariz do livro Dominando a Arte da Culinária Francesa de Julia Child.
Mas espere, Nellie pensou. Cozinhar não é simplesmente química? Em vez de uma fórmula, você tinha uma receita. Em vez de produtos químicos, você misturava ingredientes juntos em proporções precisas até que se combinassem e se tornassem algo mais. Não tinha diferença alguma. Então qual é o segredo para a ótima culinária? Pense, Gomez, pense!
— Hã...  Dra. Gormey?
Nellie bateu a palma da mão sobre a mesa.
— Sal! — Ela olhou para o mar de rostos inexpressivos. Eu acabei de dizer isso em voz alta?
O Dr. Wentworth deu um passo para frente.
— Hã... o que você quer dizer com sal?
Nellie decidiu apostar tudo. Ela caminhou até a lousa e pegou um apagador. Limpou todas as equações e as substituiu por SAL em letras enormes.
— Esta é a nossa nova abordagem radical, senhoras e senhores! — ela declarou. — Sal! Sódio!
— Você está dizendo para misturar sódio na fórmula?
— Sim! — Nellie confirmou. — Isso é exatamente o que eu estou dizendo!
— Mas isso não faz sentindo algum! — um dos cientistas interrompeu.
— Ele está certo! — exclamou outro. — Se nós simplesmente adicionarmos sódio na mistura, vai destruir a coisa toda!
— E seria altamente perigoso!
Em segundos, os cientistas tinham-na cercado completamente, gritando sobre sal e sódio e as práticas aceitas na química moderna. A única coisa a fazer era correr. Nellie deu passo na direção da porta na hora em que o jovem Dr. Assad apareceu com seu café, a aparência atordoada pelo caos na sala.
Foi quando ela teve a ideia. Ian!
Nellie tirou a caneca de café das mãos do Dr. Assad, tomou um gole depois a atirou do outro lado da sala. A caneca bateu na parede e explodiu, mandando café e cacos de cerâmica voando.
  — VOCÊ CHAMA ISSO DE CAFÉ!?
O burburinho raivoso cessou imediatamente, como se alguém tivesse chegado e desligado o som da sala. Os doutores se viraram para ela, boquiabertos.
— Você está tentando me envenenar? — Nellie gritou. — É instantâneo? E creme em pó? O que você acha que eu sou, um animal?
Dr. Wentworth deu um passo para frente.
— Dra. Gormey, eu...
Nellie rodeou Wentworth.
— E você! Todo mundo em meu laboratório de Harvard disse que os cientistas da Trilon eram um bando macacos sem cérebro! Eu disse não, tudo que eles precisam é de algumas ideias novas e o céu é o limite, mas aqui estou, sendo inteiramente genial, e é assim que vocês reagem!? Vocês são cegos? São idiotas!?
— Mas, Dra. Gormey...
— Não venha com “Dra. Gormey” para cima de mim, Dr. Wayneworth.
— É Wentworth na verdade, mas...
— Eu não tenho tempo para conduzi-los pela mão! Já dei a vocês a resposta! Querem que eu faça todo o trabalho de vocês?
— N-não — Dr. Wentworth gaguejou. — É claro que não! É só que sal...
— Sem desculpas! Eu quero relatórios até o fim da semana. Nós estamos tentando salvar vidas aqui, pessoal!
— É claro, Dra. Gormey!
— E você — Nellie falou, gritando para um trêmulo Dr. Assad. — Quero ver um mochaccino duplo desnatado com caramelo e creme batido na minha mesa em dez minutos ou você está demitido.
— Sim, senhora!
O Dr. Assad correu para fora da sala. Nellie cruzou os braços e se encostou na parede dos fundos enquanto o grupo se espalhava para fazer seu trabalho, inclinando-se sobre bicos de Bunsen. Eles não ficariam desocupados por horas.
Ser a Dra. Nadine Gormey era incrível.

Um comentário:

  1. Finalmente alguém percebeu o que o Ian realmente faz

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