18 de novembro de 2016

Capítulo 1

Londres

J. Rutherford Pierce sorriu quando os seis mercenários entraram em seu escritório em Londres. Cada um tinha sido escolhido a dedo. Os melhores dos melhores. Soldados endurecidos que moviam suas vidas livres dos medos e das incertezas que os outros homens tinham. E, mesmo assim, cada um deles estava apavorado. Pierce saboreou isso. Algumas pessoas gostavam de vinho. Algumas pessoas gostavam de comida. Pierce gostava do medo.
Assim que os mercenários se sentaram, Pierce apertou um botão debaixo de sua vasta mesa e as portas duplas atrás deles se fecharam.
— Senhor — o líder começou. — Nós...
— Doces?
Pierce empurrou uma grande tigela de cristal em direção à borda da mesa. Ela estava cheia até a borda com pequenas esferas vermelhas, brancas e azuis. Ameridoce. Sua mais nova criação e, atualmente, o doce mais vendido nos Estados Unidos. Os homens olharam para ele, incertos, confusos, exatamente como ele queria. Pierce sorriu enquanto pegava uma bala vermelha e comia.
— O vermelho é meu favorito — ele disse. — Torta de cereja. A azul é torta de blueberry e a branca é torta de maçã. Tive que falsificar a cor um pouco, é claro. Vamos lá.
Ele empurrou a tigela para frente mais uma vez e cada homem pegou um confeito. É claro que pegariam. O mundo era uma sinfonia e Pierce era seu maestro.
  Pierce abriu o relatório de ação.
— Por que Turquia? — ele perguntou.
— Senhor, os guias que eles contrataram indicaram que as crianças foram à procura de leopardos.
— Leopardos de Anatólia — Pierce corrigiu.
— S-sim, senhor — gaguejou o mercenário. — Leopardos de Anatólia. Que estão extintos.
— E para onde eles estão indo agora?
— Eles estão em um avião particular, senhor, mas fomos capazes de acessar os planos de voo. Roma primeiro e depois para Túnis, Tunísia.
— Por quê?
— Nós, hã, não sabemos, senhor.
Pierce virou a página de mapa simples em preto-e-branco. Turquia e, depois, Tunísia. Turquia era o local da antiga Troia enquanto Túnis um dia já foi Cartago, um dos maiores impérios que o mundo já conheceu. Coincidência? Pierce achava que não. Mas o que isso significava? Animais extintos. Impérios desaparecidos.
Eles estão atrás de quê?
— Então, você pode me dizer em que parte você e seus homens não falharam em sua missão?
O líder hesitou. Pierce bateu o relatório contra a mesa e os homens uma vez destemidos pularam de susto em seus assentos.
— Crianças! — Pierce trovejou. — Um grupo de crianças que deveria estar em casa jogando videogame e evitando o dever de matemática pegaram vocês e venceram. Eles venceram vocês. Agora, eu sei que vieram aqui esperando punição, punição severa, mas eu não os castigarei. Na verdade, darei a cada um de vocês dois presentes.
Os homens, que estavam encarando o tapete felpudo debaixo de seus pés, olharam para ele, tentados, mas todos respirando com mais calma.
— O primeiro presente — Pierce falou — é a oportunidade de se redimir. Gostariam de saber qual é o segundo?
Os homens assentiram como idiotas. Sinceramente, era como se o mundo inteiro estivesse se movendo em câmera lenta exceto por ele. Pierce sorriu.
— O segundo presente é motivação.
— Senhor? — o líder deles perguntou.
Pierce tirou uma pílula branca de uma gaveta da sua mesa e mostrou a eles.
— O doce que vocês comeram estava cheio de um veneno de ação lenta. Completem sua missão e voltem aqui para receberem o antídoto. Se não conseguirem completá-la, bem, imagino que vocês receberão de bom grado uma morte de pura agonia depois de serem vencidos duas vezes por um grupo de crianças, não é?
As portas duplas atrás deles se abriram como se pela de vontade de Pierce.
— Bom, considerem-se motivados. Agora vão!
Assim que eles saíram, Pierce colocou o antídoto em sua boca e voltou para seu relatório. Os Cahill.
Individualmente, nenhum deles seria problema, mas juntos...
Pierce sorriu quando a solução apareceu para ele.
Ele pegou seu telefone.
— Contate os chefes de todas as nossas unidades de mídia na Europa — ele ordenou ao seu assistente. — Qualquer um que não estiver aqui em uma hora está despedido.
Pierce desligou e recostou-se em sua cadeira. Ele observou o povo de Londres lá embaixo.
Era uma cidade com uma história rica e extensa. Shakespeare. Churchill. Isaac Newton.
E eu serei aquele que os apagará da história.

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