16 de outubro de 2016

Trinta e seis - Resolvendo problemas com muito estilo

EM UM MOMENTO como aquele, a maioria das pessoas se jogaria no chão e perderia as esperanças. E quando digo a maioria das pessoas, quero dizer eu.
Eu me sentei na neve e olhei para o penhasco enorme da montanha Bolsa de Boliche. PERUS DO BOLICHE DO MIÚDO estava bordado no couro marrom com letras pretas tão apagadas que pareciam falhas aleatórias.
— É impossível — declarei.
A testa de Alex tinha parado de sangrar, mas a pele ao redor do corte tinha ficado tão verde quanto seu cabelo, o que não era um bom sinal.
— Odeio concordar com você, Maggie, mas é. É impossível.
— Por favor, não me chame de Maggie — falei. — Até Zé-Ninguém é melhor.
Alex pareceu estar arquivando mentalmente essa informação para usar mais tarde.
— Quer apostar que tem uma bola de boliche dentro da bolsa? Deve pesar o mesmo que um porta-aviões.
— Faz diferença? — perguntei. — Mesmo vazia, a bolsa é grande demais para ser movida.
Só Blitzen não pareceu derrotado. Ele andou ao redor da bolsa, passando os dedos pelo couro, murmurando baixinho como se fizesse cálculos.
— Só pode ser uma ilusão — disse ele. — Nenhuma bolsa de boliche pode ser tão grande. Nenhum gigante é tão grande.
— Eles são gigantes — observei. — Talvez, se tivéssemos Hearthstone aqui, ele poderia fazer alguma magia de runa, mas...
— Garoto, pense comigo — disse Blitz. — Estou tentando resolver um problema. Isso é um acessório de moda. É uma bolsa. É a minha especialidade.
Eu queria argumentar que bolsas de boliche estavam tão longe da moda quanto os Estados Unidos estavam da China. Eu não via como um anão, por mais talentoso que fosse, poderia resolver esse problema de proporções gigantescas com algumas escolhas de estilo inteligentes. Mas não queria parecer negativo.
— Em que você está pensando? — perguntei.
— Bom, não podemos dissipar a ilusão — murmurou Blitz. — Vamos ter que trabalhar com o que temos, não contra. Eu me pergunto...
Ele encostou o ouvido na bolsa de couro. E sorriu.
— Hã, Blitz? Você me deixa nervoso quando sorri assim.
— Essa bolsa não foi terminada. Não tem nome.
— Nome? — disse Alex. — Tipo “Oi, Bolsa. Meu nome é Alex. Qual é o seu”?
Blitzen assentiu.
— Exatamente. Os anões sempre dão nome para as suas criações. Nenhum objeto está pronto enquanto não tiver nome.
— É, mas Blitz... Essa bolsa é de um gigante. Não de um anão — falei.
— Ah, mas poderia ser. Você não vê? Eu poderia terminar de fazê-la.
Alex e eu apenas o encaramos.
Ele suspirou.
— Olhem, enquanto eu estava com Hearthstone no esconderijo, fiquei entediado. Comecei a pensar em novos projetos. Um deles... bom, você sabe qual é a runa pessoal de Hearthstone, não sabe, Magnus? Perthro?
— O cálice vazio. Sim, eu lembro.
— O quê? — perguntou Alex.
Eu desenhei a runa na terra.


— Quer dizer um cálice esperando para ser preenchido — expliquei. — Ou uma pessoa que foi esvaziada e está esperando que alguma coisa dê sentido à sua vida.
Alex franziu a testa.
— Deuses, que deprimente.
— A questão — disse Blitz — é que andei pensando em uma bolsa perthro, uma bolsa que nunca fica cheia. A bolsa sempre pareceria vazia e leve. E, o mais importante, seria do tamanho que você quisesse.
Eu olhei para a montanha Bolsa de Boliche. A lateral era tão alta que pássaros a contornavam, irritados. Ou talvez só estivessem admirando o belo trabalho de costura.
— Blitz, gosto do seu otimismo. Mas tenho que dizer que essa bolsa é aproximadamente do tamanho de Nantucket.
— Sim, sim. Não é ideal. Eu planejava fazer um protótipo primeiro. Mas, se conseguir finalizar o trabalho na bolsa de boliche e dar um nome a ela, costurando um bordado estiloso no couro e usando uma palavra de comando, posso conseguir canalizar a magia. — Ele bateu nos bolsos até encontrar seu kit de costura. — Hum, vou precisar de material melhor.
— É — disse Alex. — O couro deve ter um metro e meio de espessura.
— Ah — retrucou Blitz —, mas nós temos a melhor agulha de costura do mundo!
— Jacques — arrisquei.
Os olhos de Blitz brilharam. Eu não o via tão empolgado desde que criara a faixa de smoking de cota de malha.
— Também vou precisar de alguns ingredientes mágicos — continuou ele. — Vocês vão ter que ajudar. Vou precisar tecer fios de filamentos especiais, uma coisa com poder, resistência e propriedades de crescimento mágico. Por exemplo, o cabelo de um filho de Frey!
Senti como se ele tivesse acertado minha cara com um cadarço.
— Como é?
Alex riu.
— Adorei esse plano. O cabelo dele precisa de um bom corte. Afinal, a gente não está em 1993.
— Esperem aí — protestei.
— Além do mais... — Blitz olhou para Alex. — A bolsa precisa mudar de formato, o que significa que vou precisar tingir o fio com o sangue de uma metamorfa.
O sorriso de Alex sumiu.
— De quanto sangue estamos falando exatamente?
— Só um pouquinho.
Ela hesitou, talvez se perguntando se devia pegar o garrote e substituir por sangue de anão e de einherji.
Por fim, Alex suspirou e enrolou a manga da camisa de flanela.
— Tudo bem, anão. Vamos fazer uma bolsa de boliche mágica.


4 comentários:

  1. Respostas
    1. Hahahhaha pensei a msm coisa

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  2. Gente quero uma bouça dessa pra mim, tá não precisa ser uma de boliche, apenas que faça o que ele diz que vei fazer.

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  3. NÃO O CABELO DO MAGNUS NÃO
    "Maggie" 🌚💚

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