16 de outubro de 2016

Trinta - Além do arco-íris há coisas esquisitas acontecendo

TROPEÇAMOS POR ALGUNS degraus até um patamar de concreto. Nós três caímos amontoados, ofegantes e atordoados. Parecíamos estar em uma escada de emergência: paredes de tijolo exposto, corrimão verde industrial, extintores de incêndio e placas iluminadas indicando a saída. Acima de nós, a porta de metal mais próxima estava marcada com as palavras 6º ANDAR.
Levei a mão à cintura, mas a pedra Skofnung ainda estava presa em segurança, sem danos. Jacques tinha voltado à forma de pingente. Estava pendurado confortavelmente no cordão enquanto toda a energia que ele tinha gastado lutando contra os nixes era retirada da minha alma. Meus ossos pareciam de chumbo. Minha visão oscilou. Quem poderia imaginar que cortar violinos e fazer cair as calças de policiais exigia tanto esforço?
Hearthstone não estava em melhores condições. Ele agarrou o corrimão para se levantar, mas as pernas não pareciam estar funcionando. Eu poderia achar que ele estava bêbado, mas não o vi consumir nada mais forte do que refrigerante diet em Nídavellir.
Blitzen tirou a burca de toalhas de banho.
— Estamos em Midgard — anunciou ele. — Eu reconheceria esse cheiro em qualquer lugar.
Para mim, a escada apenas cheirava a elfo, anão e Magnus molhados, mas confiei na palavra de Blitz.
Hearth cambaleou, uma mancha vermelha aparecendo na camisa.
— Amigão! — Blitz correu para perto dele. — O que aconteceu?
— Opa, Hearth. — Eu o fiz se sentar e examinei o ferimento. — Tiro de revólver. Nossos amigos da polícia élfica deram um presente de despedida.
Blitz tirou o chapéu de Frank Sinatra e deu um soco nele.
— Podemos, por favor, passar vinte e quatro horas sem que um de nós seja mortalmente ferido?
— Relaxa — respondi. — Foi só de raspão nas costelas. Segura ele.
Eu sinalizei para Hearth: Não foi grave. Posso curar.
Apertei a mão no ferimento. Calor se irradiou pelo peito de Hearth. Ele inspirou fundo e começou a respirar com mais facilidade. A abertura na pele se fechou.
Até afastar a mão, eu não tinha percebido quanto estava preocupado. Meu corpo todo tremia. Eu não usava meus poderes de cura desde que Blitzen fora ferido, e acho que temia não funcionassem mais.
— Está vendo? — Tentei dar um sorriso confiante, mas achei que parecia que eu estava tendo um derrame. — Está melhor.
Obrigado, sinalizou Hearth.
— Você ainda está mais fraco do que eu gostaria — comentei. — Vamos descansar aqui um minuto. Esta noite você vai precisar de uma boa refeição, muito líquido e sono.
— Falou o dr. Chase. — Blitz olhou de cara feia para o elfo. — E chega de correr para cima de balas perdidas, está ouvindo?
O canto da boca de Hearth tremeu. Não consigo ouvir. Sou surdo.
— Humor — falei. — É um bom sinal.
Nós nos sentamos juntos e apreciamos a novidade de não estarmos sendo caçados, feridos e nem aterrorizados.
Bom, eu ainda estava bem aterrorizado, mas um de três até que não era ruim.
A desgraça total das nossas últimas trinta e poucas horas em Álfaheim começou a ficar clara. Eu queria acreditar que tínhamos deixado aquele lugar maluco para trás para sempre: os policiais loucos para puxarem as armas, as propriedades bem-cuidadas e o sol ofuscante. O sr. Alderman. Mas não consegui me esquecer do que Andvari nos disse: em pouco tempo, pagaríamos o preço dos bens roubados, e Hearthstone estava destinado a voltar para casa.
Você só adiou um acerto de contas bem mais perigoso.
A runa othala ainda estava em cima das pedras onde Andiron tinha morrido. Eu tinha a sensação de que um dia Hearthstone teria que buscar a letra que faltava no alfabeto cósmico dele, independentemente de sua vontade.
Olhei para Hearth sacudindo a camisa, tentando limpar o sangue que havia nela. Quando ele olhou nos meus olhos, eu sinalizei: Sinto muito pelo seu pai.
Ele meio assentiu, meio deu de ombros.
— A maldição de Fafnir — falei. — Posso perguntar...?
Blitzen limpou a garganta.
— Talvez devêssemos esperar até ele estar recuperado.
Tudo bem, sinalizou Hearth. Ele se recostou na parede para se firmar e poder usar as duas mãos para sinalizar. Fafnir era um anão. O anel de Andvari o levou à loucura. Ele matou o pai e roubou o ouro dele. Guardou o tesouro em uma caverna. Acabou virando um dragão.
Eu engoli em seco.
— O anel pode fazer isso?
Blitzen puxou a barba.
— O anel desperta o pior nas pessoas, garoto. Talvez o sr. Alderman não tenha tanto mal dentro de si. Talvez só... fique sendo um elfo desagradável e ganhe na loteria.
Eu me lembrei do pai de Hearth rindo enquanto expulsava os convidados, dançando enquanto os nixes atacavam as pessoas. O que quer que o sr. Alderman tivesse dentro de si, eu duvidava que fosse um gatinho fofinho.
Olhei para o alto da escadaria, onde uma placa dizia ACESSO AO TELHADO.
— Nós devíamos procurar por Sam — anunciei. — Temos que falar com o deus Heimdall e pegar instruções para chegar a algum lugar em Jötunheim...
— Ah, garoto? — O olho de Blitzen tremeu. — Acho que Hearth talvez precise de mais um pouco de sossego antes de irmos encontrar Samirah e sairmos correndo para lutar com gigantes. Eu também preciso descansar.
— Certo. — Eu me senti mal por falar na nossa lista de coisas a fazer. Eram pessoas demais para encontrar e mundos perigosos demais para visitar. Tínhamos três dias para achar o martelo de Thor. Até o momento, tínhamos encontrado uma espada gata e uma pedra azul, mal tínhamos sobrevivido, e havíamos deixado o pai de Hearthstone criminalmente insano. Nada além do esperado.
— Querem passar a noite em Valhala? — perguntei.
Blitzen grunhiu.
— Os lordes não gostam de mortais se misturando com os honoráveis mortos. Pode ir. Eu levo Hearth para Nídavellir e deixo que descanse na minha casa. A câmara de bronzeamento dele está pronta.
— Mas... como vocês vão chegar lá?
Blitz deu de ombros.
— Como já disse, tem um monte de entradas para o mundo dos anões debaixo de Midgard. Deve existir uma no porão deste prédio. Se não tiver, vamos encontrar o esgoto mais próximo.
Sim, sinalizou Hearth. Nós amamos esgotos.
— Não comece com o sarcasmo — disse Blitz. — Garoto, que tal a gente se encontrar amanhã de manhã no antigo local de sempre?
Não consegui evitar um sorriso com as lembranças dos velhos tempos, andando com Hearth e Blitz sem saber quando faríamos a próxima refeição e quando seríamos roubados. Os velhos tempos eram horríveis, mas eram horríveis de um jeito bem menos complicado do que a atualidade maluca.
— No antigo local de sempre, então. — Abracei os dois. Eu não queria que Hearth e Blitz fossem embora, mas nenhum deles estava em condição de encarar mais perigos naquela noite, e eu não sabia o que encontraria no telhado. Soltei a pedra Skofnung do cinto e entreguei a Blitz. — Guarde isto. Mantenha em segurança.
— Pode deixar — prometeu Blitz. — E, garoto... obrigado.
Eles cambalearam escada abaixo de braços dados, apoiados um no outro.
— Pare de pisar nos meus dedos — resmungou Blitz. — Você engordou? Não, vá com o pé esquerdo primeiro, elfo bobo. Assim.
Subi até o alto da escada, me perguntando em que parte de Midgard eu tinha ido parar.

* * *

Um fato irritante sobre viajar entre os mundos: é comum que você saia exatamente onde precisa estar, quer você queira estar lá ou não.
Quatro pessoas que eu conhecia se encontravam no telhado, embora eu não tivesse ideia do motivo. Sam e Amir estavam discutindo em voz baixa na base de um enorme outdoor iluminado. E não era um outdoor qualquer, eu percebi. Acima de nós estava a famosa propaganda do Boston Citgo, seis metros quadrados de LEDs que banhavam o telhado de branco, laranja e azul.
Sentados na beirada do telhado, com cara de tédio, estavam Mestiço Gunderson e Alex Fierro. Sam e Amir estavam ocupados demais discutindo para reparar em mim, mas Mestiço assentiu em cumprimento. Ele não pareceu surpreso.
Andei até meus colegas einherjar.
— Hã... e aí?
Alex jogou uma pedra de cascalho, que saiu quicando pelo telhado.
— Ah, está tudo tão divertido. Samirah queria trazer Amir para ver a placa do Citgo. Tem alguma coisa a ver com arco-íris. Ela precisava de um parente homem tomando conta.
Eu pisquei.
— Então você...?
Alex fez uma reverência exagerada de ao seu dispor.
— Eu sou o parente homem.
Tive um momento de vertigem ao me dar conta de que, sim, Alex Fierro no momento era ele. Não sei como eu percebi, além do fato de ele ter me contado. As roupas não eram específicas de gênero. Ele estava usando os All Star de cano alto de sempre, com calça skinny verde e uma camiseta rosa de manga comprida. O cabelo parecia um pouco mais longo, ainda verde com raízes pretas, agora penteado para um lado formando uma onda.
— Meus pronomes são ele dele — confirmou Alex. — E pode parar de encarar.
— Eu não estava... — Tive que me controlar. Discutir não faria sentido. — Mestiço, o que você está fazendo aqui?
O berserker sorriu. Ele tinha colocado uma camiseta do Bruins e uma calça jeans, talvez para se misturar com os mortais, apesar de o machado preso às costas ainda ser meio revelador.
— Ah, eu? Estou tomando conta de quem veio tomar conta. E meu gênero não mudou, obrigado por perguntar.
Alex deu um tapa nele, o que deixaria Mallory Keen orgulhosa.
— Ai! — reclamou Mestiço. — Você bate forte para um argr.
— O que eu falei sobre o termo? — disse Alex. — Eu decido o que é masculino, não masculino, feminino ou não feminino para mim. Não me faça matar você de novo.
Mestiço revirou os olhos.
— Você me matou uma vez. E nem foi uma luta justa. Eu me vinguei no almoço.
— Não importa.
Olhei para os dois. Percebi que, no último dia e meio, eles tinham se tornado amigos... uma amizade cheia de xingamentos e assassinatos, aparentemente.
Alex tirou o garrote dos passadores da calça.
— Magnus, você conseguiu curar seu anão?
— Hã, consegui. Você soube disso?
— Sam nos contou. — Ele começou a fazer uma cama de gato com o fio, conseguindo, não sei como, não cortar os dedos no processo.
Eu me perguntei se era um bom sinal Samirah ter compartilhado informações com Alex. Talvez tivessem começado a confiar um no outro. Ou talvez o desespero de Sam para impedir Loki a tivesse feito deixar a cautela de lado. Eu queria perguntar a Alex sobre o sonho que tive com Loki na suíte dele, fazendo um pedido tão simples enquanto Alex jogava vasos no pai. Concluí que talvez não fosse o melhor momento, principalmente com o garrote de Fierro tão perto do meu pescoço.
Alex apontou para Sam e Amir com o queixo.
— Você devia ir até lá. Eles estão te esperando.
O casal feliz ainda estava discutindo. Sam fazia gestos suplicantes com as palmas das mãos para cima; Amir puxava o cabelo como se quisesse arrancar o próprio cérebro.
Franzi a testa para Mestiço.
— Como eles sabiam que eu viria para cá? Nem eu sabia.
— Os corvos de Odin — respondeu o berserker, como se fosse uma explicação perfeitamente lógica. — Faça o favor de ir até lá e interromper. Eles não vão chegar a lugar algum com essa discussão, e eu estou morrendo de tédio.
A definição de Mestiço para tédio era: Não estou matando ninguém no momento e não estou vendo ninguém ser morto de maneira interessante. Portanto, não fiquei ansioso para deixá-lo animado. Mesmo assim, me aproximei de Sam e Amir.
Felizmente, Samirah não me empalou com o machado. Ela até pareceu aliviada em me ver.
— Magnus, que bom. — A luz da placa do Citgo a estava iluminando, deixando o hijab da cor de um tronco de árvore. — Blitzen está bem?
— Está melhor. — Contei o que aconteceu, embora ela tenha parecido distraída. Os olhos ficavam se desviando para Amir, que ainda tentava arrancar o cérebro.
— E então — encerrei a história —, o que vocês andaram fazendo?
Amir deu uma gargalhada.
— Ah, você sabe. O de sempre.
O pobre sujeito não parecia estar fazendo magia com um conjunto completo de runas. Olhei para a mão dele, para ter certeza de que não estava usando um novo anel amaldiçoado.
Sam uniu os dedos na frente da boca. Eu esperava que ela não planejasse pilotar aviões hoje, porque parecia exausta.
— Magnus... Amir e eu estamos conversando desde que você foi embora. Eu o trouxe aqui com esperanças de lhe dar uma prova.
— Prova de quê? — perguntei.
Amir abriu os braços.
— Dos deuses, ao que parece! Dos nove mundos! Prova de que nossa vida toda é uma mentira!
— Amir, nossa vida não é uma mentira. — A voz de Sam tremeu. — É só... é só mais complicada do que você imaginava.
Ele balançou a cabeça, o cabelo agora espetado como a crista de um galo furioso.
— Sam, gerenciar restaurantes é complicado. Agradar ao meu pai e aos meus e aos seus avós é complicado. Esperar mais dois anos para nos casarmos quando só quero estar com você... isso é complicado. Mas valquírias? Deuses? Einher... Não consigo nem pronunciar essa palavra!
Samirah talvez estivesse vermelha. Era difícil saber por causa das luzes.
— Eu também quero estar com você. — A voz dela estava baixa, mas cheia de convicção. — E estou tentando mostrar.
Ficar no meio da conversa deles me fez sentir tão constrangido quanto um elfo de sunga. Também me senti culpado, porque encorajei Sam a ser sincera com Amir. Eu disse que ele era forte o bastante para encarar a verdade. E não queria ver que estava errado.
Meu instinto foi de recuar e deixá-los em paz, mas tive a sensação de que Sam e Amir só estavam falando tão abertamente um com o outro por terem três acompanhantes. Eu nunca vou entender os adolescentes noivos de atualmente.
— Sam — comecei —, se você só quer mostrar para ele uma prova de coisa esquisita, pegue sua lança iluminada. Voe ao redor do telhado. Você pode fazer um milhão de coisas...
— E nenhuma delas deve ser vista por mortais — observou ela com amargura. — É um paradoxo, Magnus. Eu não devo revelar meus poderes para um mortal, então, se eu tentar fazer de propósito, meus poderes não vão funcionar. Se eu disser “Ei, vou voar!”, de repente, não vou conseguir voar.
— Isso não faz sentido.
— Obrigado — concordou Amir.
Sam bateu o pé.
— Tente, Magnus. Mostre a Amir que é um einherji. Pule para o alto da placa do Citgo.
Olhei para cima. Dezoito metros... difícil, mas era possível. Porém, só de pensar, meus músculos ficaram frouxos. Minha força me abandonou. Desconfiei que, se tentasse, pularia quinze centímetros e faria papel de trouxa, o que sem dúvida seria muito divertido para Mestiço e Alex.
— Entendi o que você quis dizer — admiti. — Mas e quanto a mim e Hearth desaparecendo do avião? — Eu me virei para Amir. — Você reparou, não é?
Amir pareceu perdido.
— Eu... eu acho que sim. Sam fica me lembrando disso, mas estou cada vez mais confuso. Vocês estavam naquele voo?
Sam suspirou.
— A mente dele está tentando compensar. Amir é mais flexível que Barry, que se esqueceu de vocês assim que pousamos. Mesmo assim...
Olhei nos olhos da valquíria e percebi por que ela estava tão preocupada. Ao explicar sua vida para Amir, ela estava fazendo mais do que ser sincera. Estava tentando reconfigurar a mente do namorado. Se conseguisse, ela talvez ampliasse a percepção dele. Amir veria os nove mundos como nós os víamos. Se fracassasse... na melhor perspectiva, ele talvez acabasse esquecendo tudo. A mente dele embotaria tudo o que aconteceu. Na pior perspectiva, a experiência deixaria cicatrizes permanentes. Ele talvez nunca se recuperasse. De qualquer modo, como Amir poderia olhar para Samirah do mesmo modo novamente? Ele sempre teria uma dúvida persistente de que havia alguma coisa errada, meio fora do padrão.
— Tudo bem — falei —, então por que você o trouxe aqui?
— Porque — começou Sam, como se já tivesse explicado isso vinte vezes naquele dia — a coisa sobrenatural mais fácil de mortais conseguirem ver é a ponte Bifrost. Precisamos encontrar Heimdall, não é? Pensei que, se eu conseguisse ensinar Amir a ver Bifrost, isso poderia expandir permanentemente os sentidos dele.
— Bifrost — repeti. — A ponte arco-íris que vai até Asgard.
— É.
Olhei para a placa do Citgo, o maior outdoor iluminado da Nova Inglaterra, que anunciava gasolina na praça Kenmore havia quase um século.
— Você está me dizendo...
— É o ponto estacionário mais claro de Boston — disse Sam. — A ponte arco-íris nem sempre se ancora aqui, mas, na maioria das vezes...
— Pessoal — interrompeu Amir. — Vocês não precisam provar nada para mim. Eu só... vou acreditar na palavra de vocês! — Ele soltou uma gargalhada nervosa. — Eu te amo, Sam. Acredite em mim. Posso estar tendo um colapso nervoso, mas tudo bem! Tudo bem. Vamos fazer outra coisa!
Eu entendia por que Amir queria ir embora. Já tinha visto muitas coisas malucas: espadas falantes, zumbis que tricotavam, a garoupa de água doce mais rica do mundo. Mas até eu tinha dificuldade de acreditar que a placa do Citgo era o portal para Asgard.
— Escute, cara. — Eu segurei os ombros dele. Achei que o contato físico seria minha maior vantagem. Samirah era proibida de tocar nele até estarem casados, mas não havia nada tão convincente quanto sacudir um amigo até ele criar bom senso. — Você tem que tentar, tá? Sei que você é muçulmano e não acredita em deuses politeístas.
— Eles não são deuses — disse Sam. — São só entidades poderosas.
— Não importa — respondi. — Cara, eu sou ateu. Não acredito em nada. Mas... essas coisas são reais. São coisas bem malucas, mas são reais.
Amir mordeu o lábio.
— Eu... não sei, Magnus. Isso me deixa nervoso.
— Eu sei, cara. — Deu para perceber que ele estava tentando ouvir, mas senti como se estivesse gritando com Amir enquanto ele usava fones de ouvido com cancelamento de ruído. — Isso também me deixa nervoso. Algumas das coisas que aprendi... — Eu parei. Decidi que não era hora de falar da minha prima Annabeth e dos deuses gregos. Eu não queria que Amir tivesse um aneurisma. — Se concentre em mim — ordenei. — Olhe nos meus olhos. Você consegue?
Uma gota de suor escorreu pela lateral do rosto dele. Com o esforço de alguém levantando cento e quarenta quilos, ele conseguiu me olhar nos olhos.
— Tudo bem, agora escute. Repita comigo: nós vamos olhar juntos.
— Nós v-vamos olhar juntos.
— Nós vamos ver a ponte arco-íris.
— Nós vamos — a voz dele falhou — ver a ponte arco-íris.
— E nossos cérebros não vão explodir.
— ... não vão explodir.
— Um, dois, três.
Nós olhamos.
E, caramba... ali estava ela.
O eixo do mundo pareceu mudar. Agora, estávamos olhando para a placa do Citgo de um ângulo de quarenta e cinco graus em vez de perpendicular. Do alto do outdoor, uma lâmina ardente de cores subia pelo céu noturno.
— Amir, você está vendo isso?
— Não acredito — murmurou ele, com um tom que deixou claro que ele estava vendo.
— Graças a Alá — disse Sam, sorrindo mais do que eu já tinha visto em qualquer outra ocasião —, o misericordioso, o compassivo.
Nesse momento, uma voz falou no céu, ao mesmo tempo aguda e nada divina.
— OI, PESSOAL! SUBAM!


4 comentários:

  1. Já que vou ter que desistir do meu ship inicial, Alex podia pelo menos me fazer o fazer o favor de se decidir pq meu cérebro tá bugando pq eu imagino Alex👗 e Alex👖 diferentes mas iguais, com vozes distintas, ingredientes pfts para a bugação eterna

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  2. será que essa ponte seria tão incrível como descrevem!!!

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