16 de dezembro de 2016

Fanfic: Alvo Potter e a Sala de Espelhos


Sinopse:
Alvo Severo Potter não é uma criança normal. Todos sabem quem ele é a não ser ele mesmo. Apesar de renegar a sombra da família, parece estar fadado a um futuro longe de suas vontades. Contando os minutos para o seu décimo primeiro aniversário, envolve-se em uma tremenda desventura que coloca o seu ano em xeque.
Ao embarcar pela primeira vez no trem que o levará para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, sente um clima tenso pairando no castelo. Rumores sobre o paradeiro de bruxos extremamente perigosos aumentam, fenômenos inexplicáveis acontecem e o pequeno Alvo parece se encabeçar nesta trama mais do que imaginava. 
Assim que um mistério ronda o sexto andar da escola, Alvo prova que estar no lugar errado na hora errada colocará sua vida de cabeça para baixo, inexoravelmente. Disposto a desvendar a recôndita Sala de Espelhos, precisará revelar sua verdadeira natureza. Mas o garoto está pronto para assumir a maldição de ser um Potter?

Categorias: ação, aventura, fantasia, Harry Potter
Autor: Tiago Pereira
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— CAPÍTULO UM —
Nem tudo estava bem


ALVO CHECOU O RELÓGIO de madeira na parede. Ainda restavam agonizantes dez minutos para o dia 9 de agosto.
Tique-taque, tique-taque, tique-taque. O menino já não aguentava mais esperar tanto tempo. Virou de um lado para o outro, mas não encontrava aconchego algum. Atirou o cobertor para o lado e se dirigiu à janela.
Relançou mais uma vez os olhos para o relógio, decepcionando-se com os sete minutos restantes. Sete minutos! Faltavam sete minutos para Alvo Severo Potter completar onze anos de idade. Seu pai, o Sr. Potter, havia partido há horas e o garoto imaginou inúmeras possibilidades da sua ausência. Ele poderia aparecer com uma vassoura nova, talvez, ele pensou.
O Sr. Potter era Chefe do Esquadrão de Aurores, logo, passava a maior parte do tempo trabalhando para o Ministério da Magia e nunca se sabia quando poderia ser convocado para uma missão especial. Entrementes, por que ele não poderia comprar um presente para seu filho?
Alvo Severo Potter era um menino incomum, com um nome incomum e de aspecto incomum. Era franzino, magricelo e pequeno. Possuía cabelos pretos e arrepiados, além de brilhantes olhos verdes e sardas claras pelo rosto.
Os Potter viviam em um chalé de dois andares no vilarejo de Godric’s Hollow, Gales. Embora fossem uma família rica e famosa entre os bruxos, os Potter viviam misturados aos trouxas, assim como outras famílias bruxas. Godric’s Hollow era um lugar historicamente conhecido por ser o antigo lar de Godric Gryffindor, mas Alvo não sabia disso, já que preferia jogar Quadribol em vez de ler livros de história. Ninguém sabia o endereço dos Potter.
Seu coração disparou quando notou que os ponteiros denunciavam três minutos para o seu aniversário. Ele estava ansiosíssimo, afinal, não se fazia onze anos todo dia e sua carta de admissão em Hogwarts poderia chegar a qualquer instante.
Alvo evitava pensar no tempo, mas a tentação de mover o pescoço era quase incontrolável. Não queria incontáveis presentes ou festa, apenas aquela carta que, possivelmente, estaria nas mãos de seu pai prorrompendo em chamas verde-esmeralda da lareira da sala em instantes.
Cruzou os dedos e ficou contando os últimos trinta segundos... agora vinte... Fechou os olhos e pensou em chamar os irmãos para repartirem uma caixa de crocante de nozes... Três... Dois... Um...
Um ronco repentino e estrondoso reverberou pelas ruas do vilarejo. Seria o seu pai? Meteu a cabeça para fora da janela e um farol quase o cegou. Alvo se atirou para trás e caiu de costas no assoalho, causando um estrondo no quarto e uma terrível dor na lombar. Sua visão turvou e a imagem foi se tornando cada vez mais nítida aos seus olhos. Era... era... uma moto?
— Feliz aniversário, Al — desejou o elemento de capacete e óculos. — Que é? Parece que viu um fantasma...!
Alvo discerniu a figura quase que imediatamente. Era Tiago Sirius, seu irmão de treze anos.
— O que está fazendo aí? — Massageou as costas.
— Fale baixo, cabeção! — protestou o garoto, olhando de um lado a outro. — Vista um casaco e sobe no sidecar, rápido, é urgente! Sem mas, faz o que eu disse.  Tem algo a ver com a sua carta... Aliás, pega!
Tiago atirou um pacote quadrado e de estampa ziguezagueada. Alvo rasgou a embalagem e tirou uma camisa da banda Os Curingas. Era a banda preferida... de Tiago. Somente agora notou que o irmão flutuava diante de sua janela. Que seja um sonho, desejou Alvo.
— Hã... obrigado — disse apenas.
Cedeu à tentação.
Alvo estava terminando de se agasalhar quando a porta gemeu lentamente. Era o fim. Os dois estavam brancos como cal, os corações em disparate, um suor frio escorreu pela têmpora de Tiago no instante que a pequena menina entrou no quarto. A garota ruiva de cabelos curtos segurava um hipogrifo de pelúcia e limpava as pestanas. Seus olhos estavam inchados e só se via uma nesga do seu rosto, iluminada pelo farol. A supressão de luz salientou suas sardas. Lílian Luna falou durante o bocejo:
— Para onde é que vocês vão? Por que o Tiago está na moto do papai... Peraí, ele está voando?
Alvo abaixou o tom, um pouco aliviado por não ser a mãe.
— Lílian, eh... temos que fazer algo importante.
Ele não tinha ideia do que dizer, afinal, nem mesmo ele sabia para onde iria.
— Por favor, não conte à mamãe — suplicou Tiago. — Prometo te dar quinze galeões. E o Alvo também!
Alvo tentou protestar, mas Tiago o censurou.
— Eu não ia contar, mas aceito a proposta de encobertá-los. — Lílian sorriu de deboche.
A garotinha caminhou até o irmão do meio e lhe selou um abraço.
— Feliz aniversário — desejou. — Voltam que horas?
— Antes do sol raiar — atropelou Tiago. — Entra logo, Al!
O garoto retribuiu o abraço da irmã e embarcou no sidecar preto através da janela com extrema cautela para não cair. De perto, notou que a moto era absurdamente maior do que Tiago. Estava metros abaixo do irmão, que ria dele. O sidecar vibrava fervorosamente e Alvo tentou dar um aceno para Lílian, porém a moto avançou assustadoramente com um estrondo.
Alvo sentiu os olhos lacrimejarem e se questionou mais uma vez o porquê estava lá.
— Para onde vamos? — perguntou o menino, se agarrando nas bordas do sidecar.
— Estamos em uma missão, Al — disse Tiago. — Você é a única pessoa que pode me ajudar.
O seu tom era estoico.
— Eu? Por que não chamou seus amigos?
Suas madeixas esvoaçavam conforme o vento batia no seu rosto, obrigando-o a inclinar a cabeça para tentar falar. Deu uma olhada ríspida para baixo, todavia percebeu que não era a melhor opção possível. A visão panorâmica mostrava um vilarejo distante, com luzes brancas iluminando as estradas desertas. Os chalés eram pontos embaçados pelo anuviado noturno.
— Um deles mora em Appleby e outro em Montrose, esperava o quê? — respondeu Tiago, impaciente. — E outra, você é meu irmão, deve estar do meu lado sempre. Essa missão envolve o seu presente... Mas, se não quiser ir, eu não vou te obrigara a nada.
Alvo odiava isso. Odiava as chantagens emocionais que Tiago fazia com ele para conseguir algo; pensou na sua carta, no sorriso da mãe... Poderiam comemorar o seu aniversário com um bolo de frutas vermelhas, discutindo quando iriam no Beco Diagonal, com seus primos em volta da mesa cantando a “Canção do Chapéu Coco” do Vovô Weasley.
Vovô Weasley! O que ele pensaria se visse seus dois netos montados em uma motocicleta ilegal? A Triumph Bonneville T120, modelo de 1959, tinha aspectos comuns, como uma moto trouxa. Contudo, diferente do automóvel trouxa, esta era o seu dobro, podendo acomodar até mesmo um meio-gigante. Alvo pensou em Hagrid por um momento e como a moto cairia extremamente bem em seu corpo titânico.
Tiago adejava pelas ruas do vilarejo por longos minutos, ao passo que Alvo já estava recostado no console do sidecar, os olhos fechando mansamente. O ronco do motor, as crepitações do sidecar e os tapas que o irmão lhe sapecava impediam o garoto de descansar.
— É, Alvo, parece que seu presente não chegará hoje — boquejou Tiago. — Molly me paga!
— Como assim? — perguntou Alvo. — Molly já sabia disso?
Sob os óculos de proteção, Alvo Potter notou as maçãs de Tiago corarem vigorosamente.
— Al, preciso te contar uma coisa... Jure que não vai me matar, hein? Escute. É uma longa história. — Tiago já apresentava gotículas de suor na testa. — No último ano, o nosso professor de Voo, o Sr. Abelardo, retirou cinquenta pontos da Grifinória porque o verme — fez questão de frisar — do Hunter Gibbon utilizou uma Azaração Coachante na Hilda Withby. Ele a acusou de falso testemunho, já que ela não é tão boa com esse tipo de feitiço. Como um bom membro da Grifinória, fui tentar resolver do meu jeito, mas o Prof. Abelardo não é tão preparado assim. Enquanto ele tomava seu lanche da noite... Silêncio, deixe-me terminar. Enquanto ele tomava seu lanche da noite, Becca Maritain havia nos fornecido uma Poção do Sono extremamente forte que o sedou por um bom tempo.
“Utilizando o meu map... digo, minha cabeça brilhante, presumi a hora exata que ele iria comer seus waffles com a poção e elaborei um plano com meus amigos onde levamos ele depois do Toque de Recolher para fora do castelo. Não me pergunte como e porquê, apenas ouça. Assim que ele foi devidamente carregado para o armário de vassouras, atiramos uma capa vermelha em cima dele. — Naquele ponto, Tiago já estava gargalhando, com lágrimas brotando nos olhos. — Em seguida, retiramos a sua varinha e lançamos uma Azaração da Cara de Vampiro nele, deixando-o pendurado para que assustasse o primeiro a tentar salvá-lo.
Claro que foi em nossa última noite em Hogwarts, apenas uma vingançazinha. Infelizmente, não tivemos tempo de arquitetar um plano para fazer o mesmo ou pior com o Gibbon, uma vez que voltamos para Londres quase em sequência. Que é? Parece que viu um fantasma, de novo! Não me venha com lições de moral.”
Alvo piscou três, quatro, cinco vezes, esperando que Tiago negasse a história toda. Erro previsível e Alvo permaneceu com a mesma expressão estupefata, perplexo com o que o irmão contara. Como alguém teria coragem?
— Bom, Molly me informou que encontraram o Prof. Abelardo meio grogue, por sinal — prosseguiu Tiago. — E que a Profa. McGonagall assinou a minha carta de expulsão que será entregue a qualquer instante. Estou em vigília há mais ou menos três semanas, mas aposto que hoje é o dia que ela chegará... No dia em que você vai receber a sua carta de admissão...
 As lágrimas que estavam suspensas nas pestanas de Tiago deslizaram pela sua bochecha. Entretanto, o garoto não estava rindo, mas aos prantos, gemendo baixo.
 — Alvo, eu não quero ser expulso... Fiz tantas coisas erradas...
Alvo se manteve estático durante alguns instantes, tentando entender quais eram as intenções de Tiago. Questionou-se por um momento se ele estaria fazendo-o de peão em seu jogo, novamente, ou se realmente estava arrependido. Resolveu largar as diferenças e deu tapinhas na espalda do irmão. Tiago fungava e contava outras histórias suas em Hogwarts — algumas cômicas, teve de admitir —, como a vez que transformou o cabelo de Winston Dickens em uma cenoura. Entretanto, outras histórias chocaram o garoto, como a vez que encheu as roupas íntimas de Alfredo Livingstone com bichos-de-conta.
 — Al — disse Tiago choroso —, me desculpe.
— Não se preocupe, Tiago — disse Alvo, sorrindo para o irmão. — Vamos voltar para casa e falar com nossos pais.
Tiago removeu os óculos de proteção, revelando uma camada de fuligem impregnada no objeto, salientadas pelas lágrimas, em volta de seus olhos. Pelo ângulo de Alvo, Tiago lembrava a figura tosca de um guaxinim desamparado. Um riso debochado entrecruzou a face do garoto.
Após uma onda de soluções, lamentos e consolos, Alvo argumentava da melhor forma possível para que o irmão se sentisse melhor. Em ocasiões corriqueiras, estaria rubro e extremamente envergonhado e contrafeito em dizer que Tiago era uma boa pessoa, um bom irmão e um grande amigo. No fundo, havia uma pontinha de verdade, mas não queria admitir.
— Obrigado por tentar me animar, mas agora já era! — Bufou. — Estou expulso!
Frustrado, Tiago girou o tronco e jogou os braços sobre o velocímetro.
Péssima opção.
Houve um clarão vermelho e, com a corpulência esguia, Tiago pressionou um botão roxo. Instantaneamente, houve um uma língua de fogo azul e cálida borbotou do escape da moto, que disparou como um balaço desgovernado sobre os chalés. Alvo havia sido lançado para trás, os nós dos dedos brancos, as veias ressaltadas de tanto fazer força para se segurar no sidecar. A moto descia como um inseto depois de dar de cara com uma lâmpada, helicoidalmente, em direção de charnecas. Uma trilha fulminante de chamas carbonizara uma roseira de um dos chalés e outras centelhas chamuscavam na grama, ousando pulverizar todo o campo. Uma olhada de soslaio e Alvo encontrou seu irmão deitado no guidão da moto, inconsciente, seu corpo molenga, como se um títere o controlasse.
Um ruído metálico encheu os ouvidos de Alvo e o sidecar começou a sacudir terrificantemente. As ligas que o prendiam à moto começaram a partir devido ao ímpeto. Era o fim, pensou o garoto, enquanto seu corpo balançava em espiral. Só iriam parar quando batessem em algo — no caso, uma colina espectral.
Fechou os olhos e lembrou-se de toda a sua família, esperando pelo pior. Hipotetizou a chance de chegar ao guidão, mas sua altura não propiciava a situação. Talvez não houvesse mais chance mesmo. A colina já estava a alguns metros da motocicleta, pronta para rachar os dois garotos.
Mas o impacto não aconteceu.
A moto começou a desacelerar lentamente, subitamente, magicamente. Alvo despencou do sidecar, colando o queixo na grama rala. Inalou o ar em sua volta, aspirando o cheiro das cinzas, achou que iria desmaiar.
Passos reverberaram pelo local, afofados pela grama. Alvo olhou para cima, se deparando com uma bota de couro de dragão. Seus olhos subiram mais um pouco e o corpo de um homem de meia-idade se revelou com rugas na testa. Trajava um conjunto azul e uma capa cor-de-ameixa. Apontou a varinha para Alvo, ordenando:
 — Levante-se — disse, ríspido. Alvo não se moveu. — Levante-se! Imperio!
Alvo paralisou. Os pensamentos estavam esvaindo de sua mente aos poucos... era uma sensação boa, não pensar, esquecer as preocupações que estavam assolando-o naquela eterna noite de verão. Imaginou que estava sonhando, flutuando em uma nuvem, quando os pensamentos voltaram.
 Inexplicavelmente, estava de pé. O corpo de Tiago do seu lado, inanimado como uma pedra. As cinzas caíam lentamente como uma pluma, mas não haviam mais resquícios de chama, nem roseiras, apenas o borralho.
 O homem aparatou na sua frente, de novo, acompanhado de uma mulher que aparentava estar no auge dos trinta anos. Alvo não entendia nada e não havia ninguém para quem entreolhar. Manteve-se inerte, sem dizer nada.
 A mulher, que também trajava as mesmas vestes que o homem, criou um lume na ponta de sua varinha e iluminou o rosto de Alvo, que apertou os olhos devido à claridade. Conseguiu ver na faixa iluminada os seus olhos âmbar, o cabelo escuro amarrado em um coque. Moveu a varinha descensionalmente e apagou a luz.
 — Identificação — disse o homem.
 A mulher entrou na frente e apontou a varinha para Alvo. Antes que pudesse demonstrar alguma reação, já havia murmurado palavras incompreensíveis ao menino. Em uma caligrafia elegante e prata, “ALVO SEVERO POTTER” surgiu sobre os fios espetados do garoto.
 — Sim, ele é o filho do Potter — sussurrou. — O que faz aqui à esta hora da noite em pleno toque de recolher?
Alvo continuou petrificado e calado. Tinha de formular alguma resposta decente que enganasse as figuras que já sabiam quem Alvo era.  Afinal, que toque de recolher era este? Notou o símbolo do Ministério da Magia na lapela de suas vestes e o triângulo com duas fênix cruzadas na manga. Alvo engoliu a seco.
— Não importa — antecipou-se a mulher. — Sou a Auror-Sênior Flora Nightingale e este é o Auror Otto Yancey, trabalhamos para o Ministério no Esquadrão Delta. Não sabiam que um prisioneiro de alta periculosidade fugiu?... Imaginei que não.
“Proponho que vocês subam neste veículo, que aparentemente é ilícito, e voltem para as suas casas. Soube que estão enviando uma carta para a residência dos Potter. Foi assinada pela própria Mafalda Hopkirk. No entanto, não iremos acionar a Seção de Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas, que, por sinal, é chefiada pelo próprio Perkins, amigo de Arthur Weasley. Tem muita sorte, os dois.”
Flora Nightingale cutucou o traseiro de Tiago com a bota.
— Yancey, prepare um relatório para mandar ao QG. Faça uma rápida perícia pelo local e trate de contatar a Central de Obliviação. É melhor garantir que nenhum desses trouxas saiba o que está realmente acontecendo. — E virou-se para Alvo. — Mas, diga-me, Potter, o que houve com seu irmão?
— Eu não sei... — respondeu Alvo. — Ele estava hã... meio distraído e, eh... bateu a mão em um botão ao lado do velocímetro e um fogo de dragão jorrou. Depois disso eu vi que ele estava desmaiado. Deve ter batido a cabeça.
— Anotou tudo, Yancey? Ótimo.
Ela circundou a moto, com as mãos ocultas atrás do tronco. Flexionou os joelhos e apontou a varinha para o escape. Ergueu-se novamente e ordenou:
 Reparo! — E a ligação entre a moto e o sidecar se reestabeleceram. — Está melhor assim.
Alvo subsistiu quieto enquanto a mulher cingia o corpo de Tiago, apalpando sua bochecha, colando o ouvido no seu tórax, verificando os batimentos e procurando algum ferimento. Nenhum dano encontrado.
— O que houve com ele? — perguntou Alvo, curioso.
 Flora balançava a cabeça negativamente, incrédula. Ergueu-se em um salto e chamou por Yancey.
 — O menino não bateu a cabeça bosta nenhuma! — exclamou, suando frio.  — Foi estuporado. Eles estão por aqui. Inicie por buscas e, assim que possível, chame reforços do Esquadrão Gama. Rápido!
— Você. — Flora apontou a varinha para Alvo. — Vá para o lado do seu irmão.
 Não houveram objeções; Alvo correu para o lado de Tiago, esperando as próximas instruções. Se a Auror era funcionária de seu pai, deveria obedecê-la. Flora começou a andar em um pequeno círculo em torno de Alvo e Tiago, com a varinha içada, rumorejando encantamentos que o garoto sequer conhecia. Em torno da colina, Flora lançava algo como uma névoa de calor.
 Abaffiato... Repello Inimigotum... Repello Trouxatum... Salvio Hexia... Protego Totallum... Cuidado com seu irmão. Rennervate!
 Houve um intenso feixe de luz vermelha sobre Tiago, derrubando Alvo na grama. O garoto ficou de quatro, boquiaberto, enquanto as pálpebras do irmão ondeavam, trazendo-o de volta à realidade.
 — Explique tudo a ele — ordenou Flora. — Eu já volto.
 Fez um sinal para que os garotos ficassem onde estavam e correu na mesma direção que indicou a Yancey. Alvo chacoalhou o irmão, que piscava os olhos dementemente.
 — Tiago, está me ouvindo? — questionou o garoto. — Se sim, saiba que fomos salvos pelos Aurores. Alguma coisa aconteceu, eles estavam fazendo ronda em Godric’s Hollow e descobriram que você foi estuporado.
 Tiago bocejou.
 — Eu senti algo acertar as minhas costas depois que deitei no velocímetro.
— É, é o que parece. Mandaram-nos ficar esperando. — E bocejou também. — Vou ficar de guarda.
Tiago puxou do cós do jeans a sua varinha e recostou a espalda na lataria do sidecar.
— Eu também.
Alvo ficou em vigília durante alguns minutos, mas acabou pegando no sono. Queria ter sonhado, só que um raio verde-esmeralda o acordou. Seria a chuva?
A metros da moto estava um homem de vestes escarlate, munido com a varinha. Seu rosto coberto por uma máscara de ferro corvídea, expondo apenas os lábios pálidos e a pele alva. Seus cabelos negros lembravam tentáculos saindo da cabeça. À sua direita, um corpo. Era Yancey. Morto.
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9 comentários:

  1. Já quero A Criança Amaldiçoada aqui no Site.. #ansioso

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  2. Uau! Só neste primeiro capítulo eu já achei melhor do que Cursed Child, rs... Você vai postar mais dessa fanfic aqui, Karina?

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    1. Né! Hueaheahu
      Infelizmente não... Só o primeiro capítulo para divulgação mesmo. Mas o link pra continuação está ali em cima, é só clicar e ler: )

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  3. Simplesmente apaixonada por esta fanfic!!! *-* Sensacional em cada uma das palavras! MDS J.K. ROWLING, PQ VOCÊ DEIXOU QUE FIZESSEM AQUILO COM A CRIANÇA AMALDIÇOADA? #chateada
    COMPREM OS DIREITOS DA FANFICTION DO TIAGO PEREIRA, PLS!

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  4. Escrita sensacional! A fanfic também é postada no Spirit fanfics?

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    1. Acho que só no Nyah mesmo. Mas dá uma conferida :)

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    2. Poxa,não tem no spirit. Mas tem como entrar em contato com o autor?

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    3. Oi, tudo bem? Eu sou o autor da fanfic!
      Fico feliz por você ter gostado. Enfim, como poderia ajudá-la?

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  5. Ola Tiago, eu não sou a pessoa do comentário acima, mas você tem algum meio de contato, além do Nyah?

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