31 de outubro de 2016

Capítulo 8

Em algum lugar no interior australiano

A habitação pré-fabricada fora projetada para ser levada em poucos minutos. Dentro da lona flexível esticada sobre barras de alumínio havia quartos de dormir rudimentares, mas de tecnologia ultramoderna. Telefones equipados com satélite, computadores, tablets. Geradores de emergência. E uma caixa de dispositivos termonucleares.
A poeira se erguia em torno de três homens enquanto eles caminhavam de um helicóptero militar para a primeira construção. O calor era uma força cega, saltando da habitação, seguindo pela terra arrasada e atingindo a pele exposta.
O homem baixo, musculoso e de barba vermelha era ladeado pelos dois homens mais altos. Um deles usava óculos de sol e um coldre de ombro com uma arma automática. O outro era magro, e empurrava nervosamente os óculos para cima com um dedo suado.
O homem de cabelos grisalhos com a aparência de um ator hollywoodiano já estava na tela.
— Vocês estão atrasados — ele falou quando os três homens entraram na linha de visão da câmera.
— Nós acabamos de explodir um dispositivo termonuclear, Sr. Pierce — o homem com a barba ruiva disse. — Penso que temos autorização para uma pequena margem para manobra.
— Eu não dou margem para manobra, Sr. Atlas. Especialmente quando se trata de dispositivos termonucleares. Resultados?
O homem de aparência nervosa empurrou os óculos para cima.
— Eu enviei todos os dados. Atividade sísmica, níveis de radiação, cálculos de impacto, modelos de especificação...
— Alguma reação local?
— Vários relatos de um brilho no céu, terremoto... isso faz o papel em Perth...
— Nós cuidaremos disso — Atlas interrompeu. — Na medida em que o público sabe, foi a queda de um meteorito.
— Investigação do governo?
— Nós cuidaremos disso também. É para isso que você nos paga — Atlas sorriu sem humor.
De volta a seu escritório em Boston, Pierce escondeu sua alegria. O plano estava funcionando! Ele encontrou o grupo e investigou-os bem. Atlas era um ex-mercenário. Tinha desenvolvido um negócio global de testar e vender armas nucleares. Ele havia comprado vários locais de teste em todo o mundo – cerca de meio milhão de hectares no interior, um par de ilhas desabitadas do Pacífico e, provavelmente, alguns lugares desconhecidos a Pierce – e fornecia um serviço especializado para os governos desonestos, terroristas e visionários como Pierce.
— Então você fica com as armas até que eu solicite — continuou Pierce. — E as envia para onde eu precisar delas?
— Em qualquer lugar do mundo.
— A evidência...
— Será plantada. Relaxe, Sr. Pierce. Nós estamos aqui para servi-lo.
— Entrarei em contato.
Pierce cortou a ligação e foi até a janela. Ele estava quase lá. A última peça estava no local. Anos de planejamento culminaram nisto, e agora as coisas se moveriam rapidamente.
O ponto era que era muito fácil começar uma guerra mundial. A história lhe ensinara isso. Precisava-se apenas de estratégia e coragem suficientes para encomendar várias explosões nucleares simultâneas nas principais cidades ao redor do globo. Plante algumas provas, e o próximo passo será os governos começando a se acusar. Começando a se mobilizar.
Como presidente, ele poderia intensificar a guerra. E quando a invasão parecesse ameaçar tudo e as pessoas olhassem para ele em busca de salvação, ele assumiria o controle total. O mundo lhe pediria que tivesse poder absoluto, o que ele aceitaria com gratidão. E, em seguida, ele dominaria o mundo, o limparia e o reconstruiria. Logo, apenas aqueles com lealdade absoluta seriam capazes de apreciar as coisas boas da vida. Habitação, transporte, informação. Os seguidores de Pierce seriam os poderosos, e todas as riquezas do mundo iriam para eles. Os mais dignos.
Só um problema permanecia. Ninguém poderia saber sobre o soro. Ninguém poderia descobrir a fonte de seu poder.
Uma vez, o fato de que os dois Cahill conseguiram ser mais espertos que seus seguranças teria lhe desagradado. Não mais.
Usar o seu império da mídia para desacreditá-los tinha sido um golpe brilhante. Agora, o público pensava que eram riquinhos tolos. Aventureiros irresponsáveis. Mortes acidentais não seriam mais investigadas. Algumas manchetes, e tudo estaria terminado.
Ele voltou o pensamento e pôde ver a garota mais de perto. Seu cabelo tinha o tom castanho avermelhado de uma folha de outono... tão perto da cor que a mãe dela tivera. Ela tinha a mesma curva do lábio superior.
Quando a viu pessoalmente, foi como ver um fantasma. Um fantasma em um pesadelo de vergonha. Só lembrar de Hope Cahill fazia o seu sangue subir. A garota não apenas se parecia com ela, ela era uma cópia do que Hope tinha sido. Vê-la o fez querer esmagar alguma coisa, matar alguma coisa...
Sim, a garota parecia tanto com a mãe dela.
Ele sorriu. Logo elas estariam descansando lado a lado...

5 comentários:

  1. Q Piercezinho mais nojento e abominável!!!
    Mexe com a Amy e com o Dan pra vc ver só o q acontece!!!!

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  2. P.: Terceira Guerra? Sem chance, a escritora roubou minha ideia
    Halloween aqui! Nem vem xará, esse vilão roubou meu plano (sem o fator anticristo)
    Órion diz: SAIAM DO MEU BLACKBERRY PASPALHOS!

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  3. Isso tem uma cara de gente que foi rejeitada e não seguiu em frente...

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    Respostas
    1. Realmente!Aposto que ele gostava da Hope e ela o rejeitou.Mas isto é muito batido...

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  4. Eu quero Amyan!!!! E ele nem apareceu ainda! Mas ta mt legal a historia

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