31 de outubro de 2016

Capítulo 7

O que acontece quando seu pior pesadelo acaba de se tornar realidade?
Amy não conseguiu pensar por um minuto. Não conseguiu respirar. O pensamento de que o soro poderia estar lá fora era muito aterrorizante.
Um soro que poderia fazer de alguém o todo-poderoso. J. Rutherford Pierce. Alguém sem escrúpulos algum...
... poderia se tornar a pessoa mais poderosa do mundo.
Os olhos de Amy se arregalaram de horror.
Ele já está no caminho.
É por isso que ele nos tomou como alvo.
Porque nós somos os únicos que podemos expô-lo.
Que podem detê-lo...
— Amy? — Nellie agarrou a borda da mesa. — Você está nos assustando. Pierce não poderia ter tomado o soro. É imposs...
— Não! — Amy bateu com a mão em cima da mesa. Foi um gesto tão inesperado que Dan e Nellie pularam. — Basta ouvir. Há quatro clãs dos Cahill além dos Madrigal. Quatro conjuntos separados de habilidades. Dan, lembra como Pierce saiu da construção e desceu naquela ponte de pedestres? Como é que um homem da meia-idade faz isso? O que ele te lembra?
— Um Tomas — respondeu Dan. O clã, eles sabiam, que tinha acelerado habilidades físicas. Ele negou com a cabeça. — Mas...
Amy balançou a cabeça, impaciente, não querendo ouvir. Ela tinha que fazê-los ver.
— E, Nellie – lembre-se do que dissemos – que sua ascensão à fama simplesmente desafiava qualquer senso de lógica? Era uma falha depois da outra, e, em seguida, em menos de um ano, sobe ao topo. Ele aproveitou todas essas aquisições, englobou tantas empresas tão rapidamente... e entrou no ramo de políticos e agentes do poder...
— Como um estrategista. Um Lucian — completou Nellie. — Ok, mas...
— E cada artigo menciona seu pensamento fora da caixa, e como ele é charmoso – ele consegue encantar milhões de pessoas, sem nunca permitir que alguém o ultrapasse! Como um Janus! E agora Pony nos diz que o nosso sistema de computadores absolutamente impenetrável foi violada.
— Ekat — disse Dan. — Mas nós vimos o que o soro faz. Quando Isabel Kabra o tomou, ela não parecia com um ser humano normal. Ela meio que... brilhava.
— Dan, pense nisso. Pierce não era brilhante, mas ele parecia... eu não sei... reforçado. Você percebeu como a pele dele tinha um tom de ouro?
— Bronzeado artificial — apontou Nellie.
— Não — Amy balançou a cabeça com firmeza. — Lembro-me de perceber como as luzes refletiram nele quando ele subiu no púlpito. Mas não havia luzes acesas. E se é verdade, o restante faz sentido – por que ele nos tomou como alvo em primeiro lugar. Por que ele está fazendo todos nos olharem como... socialites, como idiotas. Porque quem iria nos escutar se tentássemos expô-lo? Mas agora talvez ele vá mais longe ainda – ele quer nos assustar. Ou nos matar — Amy se virou para Dan. — Quando aqueles seguranças nos disseram para descer pelas vigas... acho que eles estavam falando sério. Você não acha?
Dan engoliu em seco e assentiu com a cabeça.
— Acho.
— Amy, posso ver por que está desconfiada, mas você está esquecendo um detalhe — disse Nellie. — Não há soro. Em qualquer lugar do mundo. Nós nos certificamos absolutamente disso. E a única pessoa que conhece a fórmula é Dan.
— Eu sei.
Dan deu um passo para trás. Ela viu o pânico nos olhos dele.
— Eu não contei a ninguém!
— Eu sei disso — respondeu Amy. — Mas você chegou a fazê-lo. Seis meses atrás. Quando pensou que era a única maneira de salvar o mundo.
Amy respirou fundo. Ela não queria que fosse verdade. Ela não queria rastrear o soro de volta para Dan. Se ele fosse o responsável pela descoberta do soro, a culpa poderia esmagá-lo. Ela podia ver as reveladoras manchas vermelhas nas bochechas que significavam que ele estava ficando chateado.
— Eu sei que não é culpa sua, Dan — Amy acrescentou rapidamente. — Eu sei disso. Mas se o impossível aconteceu – se a fórmula do soro foi descoberta de alguma forma – temos que descobrir como. Poderia haver algum Cahill aleatório por aí que encontrou...
— Pouco provável — apontou Nellie.
De repente, Dan desabou no chão, a cabeça entre as mãos.
— Não — ele disse, a voz abafada. — Deve ser culpa minha. De alguma forma — ele olhou para elas, lágrimas em seus olhos. — Façam as contas. Eu fabriquei o soro secretamente cerca de seis meses atrás. Na mesma época em que Pierce começou sua escalada ao poder.
— Coincidência — devolveu Nellie, mas sua voz soou trêmula.
Amy abaixou-se ao lado de Dan. Ela colocou a mão sobre o braço do irmão.
— Conte-me o que aconteceu naquele laboratório — disse ela. Ela nunca lhe pedira detalhes. Sabia que ele lamentava profundamente o que tinha feito.
A voz de Dan tremia.
— Procurei todos os ingredientes sozinho. E eu tinha ouvido falar sobre o nosso primo Sammy Mourad – uma espécie de gênio bioquímico estudante de pós-doutorado na Universidade de Columbia. E-eu entrei em contato com ele e pedi-lhe para me fazer uma mistura — ele secou suas bochechas. — Mas tomei todas as precauções! Não sou estúpido. Dei a Sammy alguns dos ingredientes, mas não todos. Apenas o material que tinha que ser feito em laboratório. Então levei o meu próprio frasco e fiz eu mesmo a versão final.
— Onde? — perguntou Amy.
— No laboratório de Sammy. Mas eu trouxe o resultado final comigo! Sobrou um pouco, que joguei na pia. Não havia como qualquer um descobrir a fórmula! Nem mesmo Sammy.
Amy balançou a cabeça.
— Não há outra possibilidade. Sammy tem de ser a chave. Você fez tudo certo, Dan, mas de alguma forma...
— Mas, mesmo que de alguma forma, de algum jeito Sammy tenha descoberto a fórmula, o que eu não acredito, por que ele passaria fórmula adiante? — perguntou Dan. — Ele é um Cahill.
— Sim, e já vimos que poços de integridade os Cahill são — Amy devolveu, com uma sobrancelha levantada.
Nellie saiu de sua cadeira e sentou-se no chão ao lado deles. 
— Se é realmente o soro lá fora... — ela sussurrou. Ela não conseguiu terminar a frase. Os três se entreolharam. O horror que sentiam era refletido nos olhos de cada um. Nellie engoliu. — Temos que enviar um alerta Cahill. Precisamos de ajuda.
— Ainda não — Amy insistiu. — Nós ainda não sabemos com o que estamos lidando. Primeiro temos de falar com Sammy. Pessoalmente — ela olhou para o relógio. — Se sairmos agora, estaremos lá por volta das onze horas.
Nellie levantou-se.
— Nós estamos no alerta nível cinco, lembram-se? Se sairmos de casa, será Endgame. Peguem suas coisas.
Eles tinham estabelecido a estratégia Endgame logo depois de voltarem para casa após da batalha contra os Vesper. Se alguma vez se sentissem em perigo de verdade, tinham que estar preparados para se esconder. Suas mochilas já estavam guardadas com o essencial, e eles tinham maços de dinheiro e passaportes presos em cintos e fitas para usar sob a camiseta.
— É provável que voltemos. Mas é melhor prevenir do que remediar — apontou Nellie.
Ela foi para a despensa, onde tudo estava guardado. Ela trouxe as mochilas e os cintos e lhes entregou. Silenciosamente, eles os vestiram. A palavra Endgame ecoava na cabeça de Amy. Isto era o pior. Tudo o que eles temiam. Pierce estava disposto a matá-los para conseguir o que queria.
E o que seria isso? Amy se perguntou. Se ele tivesse todo o poder do mundo, o que faria?

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