8 de outubro de 2016

Capítulo 6

Kylie correu diretamente para o escritório de Holiday. A mãe dela estava na frente da escrivaninha da líder do acampamento, fazendo alguma declaração. Holiday estava sentada atrás da mesa, só ouvindo. Burnett, com uma aparência de firme resignação, observava a senhora sem falar nada. Kylie mal lhe lançou um olhar. Ela se concentrou na mãe, que se virou e...
Kylie se viu envolvida num abraço rápido e desesperado. Por sobre o ombro da mãe, o olhar de Kylie questionou Holiday, que se levantou. A mãe recuou.
Kylie continuou a olhar para Holiday. Uma breve lembrança do espírito apertou o coração de Kylie. Como elas podiam ser tão iguais e não ser a mesma pessoa? Kylie disse a si mesma para lidar com uma coisa de cada vez. Então voltou a se concentrar na mãe. O olhar no rosto dela encheu Kylie de medo. Era o mesmo olhar que ela tinha quando a avó de Kylie morrera.
— O que há de errado? — a mente de Kylie buscou possibilidades enquanto ela prendia a respiração. — Papai está bem?
Kylie ainda podia estar com raiva do padrasto, podia não tê-lo perdoado por sua infidelidade com a jovem estagiária, mas o amava. Ela nunca se sentira mais segura desse fato. Agora, ela imaginava o pior – imaginava a mãe lhe dizendo que tinha acontecido um acidente. Que Kylie nunca mais receberia outro abraço do homem que a criara ou que nunca mais fariam uma viagem só de pai e filha.
— Seu pai está bem. É você que não está. — A mãe olhou por sobre o ombro de Kylie e depois para a filha. — Por que não me disse que estava doente?
— Eu não estou doente.
— Você teve dores de cabeça. E aqueles pesadelos, lembra? — Holiday falou num tom que Kylie não entendeu muito bem.
O olhar da mãe voou do rosto de Kylie para algo sobre o ombro dela novamente e por algum motivo isso a fez se virar. Sentado no sofá estava um homem que ela não conhecia.
— Eu... não entendo — Kylie disse, e olhou para a mãe.
— Estava nos meus registros — esclareceu Holiday, novamente num tom que parecia significar alguma coisa. — Eu coloquei essa informação nos meus arquivos e os administradores acharam que talvez a sua mãe precisasse ser comunicada. Para ver se talvez fosse melhor você passar por alguns exames.
Kylie continuou a olhar para Holiday.
— Eles me ligaram e perguntaram se eu daria a minha permissão para que fizessem alguns exames em você. Querida, você está bem?
Exames? Administradores?
Ah, droga, ela começou a ligar os fatos. Não eram administradores. Era a UPF. Eles estavam tentando obter a permissão de sua mãe para testá-la.
— Eu estou bem — disse Kylie. — Não preciso fazer exame nenhum.
O medo tomou conta de Kylie. Seu olhar saltou para Burnett. Ele olhou para ela, sem desviar os olhos. Sem culpa. E ela sentiu que ele não tinha tomado parte naquilo. Lembrou-se do telefonema e suspeitou que era disso que se tratava. Seu olhar se voltou para o homem no sofá. Ele seria da UPF? Será que aquele cretino queria usá-la como uma cobaia, da mesma forma que tinham feito com a sua avó?
— Quem é você? — ela perguntou antes que pudesse se conter. Então, apertou os olhos e verificou o seu padrão. Ela piscou e fez isso de novo quando viu que o sujeito era humano.
— Este é John — a mãe respondeu. — Estávamos jantando quando eu recebi a mensagem do senhor Edwards de que você estava tendo desmaios.
— John? — Quem diabos era John? Kylie olhou para a mãe e o olhar dela se encheu de culpa.
— Ele é o cliente com quem almocei outro dia, lembra? Eu contei a você sobre ele.
Kylie se lembrava. Ele era o cara que ia estragar todas as chances de a mãe e o padrasto se reconciliarem.
— Como eu já expliquei — Holiday continuou. — Kylie, na verdade, não desmaiou. Eu acho que só fiz as coisas parecerem piores do que pretendia, em meus relatórios. E quando alguém os leu, interpretou errado.
As emoções se agitavam no peito de Kylie como pássaros pegos numa armadilha. Holiday olhou para ela e Kylie teve a sensação de que a líder do acampamento estava tentando lhe comunicar algo. Mas, caramba, Kylie não conseguia ler pensamentos. Ela não conseguia nem ler emoções!
— Kylie tinha terrores noturnos em casa? — Holiday perguntou.
Kylie de repente achou que tinha entendido o que Holiday queria lhe dizer.
— Sim. Eram só terrores noturnos, mãe. Eu não desmaiei. Você se lembra de como eu ficava quando tinha isso. Eu não estou doente. Não preciso fazer nenhum exame. Além disso, você já me levou para fazer exames, lembra?
— Mas eu não achei que você ainda tivesse terrores noturnos.
— Só tive umas duas vezes. E estou bem. Olhe para mim, eu estou bem. — Ela estendeu os braços, procurando mentalmente uma maneira de provar isso. — Eu posso tocar os dedos dos pés; posso tocar com a língua o meu nariz. — Aqueles eram versinhos que ela e a mãe recitavam quando alguém perguntava se estava tudo bem.
— Mas por que o senhor Edwards queria fazer exames em você?
Holiday se inclinou para a frente na cadeira.
— Ah, esqueça isso. Ele é apenas cauteloso demais. — Ela sorriu, fazendo o melhor para parecer convincente. — Mas se você quiser agendar alguns exames para Kylie com o seu próprio médico para ficar mais sossegada, eu entendo perfeitamente. Quer dizer, nada contra os médicos daqui, mas imagino que confie mais no seu.
— Você acha que eu deveria fazer isso? — A mãe perguntou com seu olhar maternal cheio de preocupação.
— Na verdade, não, eu não acho. E acho que Kylie está bem. Com apenas duas ocorrências de terrores noturnos, acho que ela está se saindo muito bem.
— Eu estou bem — Kylie repetiu. — Estou ótima. Eu juro. Por favor, mãe. Não quero fazer esses exames novamente.
A mãe de Kylie correu a palma da mão pela bochecha da filha.
— Você não sabe como eu fiquei preocupada. Ah, Deus! — A mãe olhou para Holiday. — Você deveria pensar em ter uma conversa séria com o senhor Edwards. Eu posso jurar que, se ouvisse a mensagem dele, você também pensaria que Kylie estava com problemas graves.
— Lamento que ele a tenha assustado. — Kylie olhou para John sobre o ombro da mãe.
O homem levantou-se, deu alguns passos para a frente e descansou a mão no ombro da mãe da garota. Kylie teve a estranha vontade de afastar a mão dele e dizer que ele não tinha o direito de tocar sua mãe.
— Olá, Kylie — disse John.
Kylie observou seu sorriso suave, os olhos castanhos e os cabelos cor de chocolate bem penteados. Ela queria ter encontrado algo feio nele, mas não conseguiu. Ele não era feio. Não tinha todo o charme de Burnett, talvez porque fosse mais velho, mas tinha uma aparência distinta.
— Eu gostaria que fôssemos apresentados em circunstâncias diferentes — continuou ele. — Mas espero encontrá-la outras vezes. Sua mãe fala muito de você.
Engraçado, Kylie pensou, sua mãe não tinha falado muito sobre ele. Bem, ela havia contado que almoçaram juntos e que ele dissera que poderia lhe telefonar novamente, mas se esqueceu de dizer que ele tinha de fato telefonado. Provavelmente porque sabia dos sentimentos confusos de Kylie com relação aos seus encontros. Ah, mas agora eles não estavam tão confusos...
Kylie não gostava dele. No entanto, como não tinha razão para não gostar, exceto pelo fato de que sua intuição lhe alertava contra ele e talvez por querer que a mãe e o padrasto ficassem juntos novamente, ela iria ter que engoli-lo. Ser agradável. O que Miranda tinha dito mesmo? “Finja até que seja verdade.” Ela poderia aprender a gostar desse cara?
— Foi bom conhecer você. — Kylie simulou uma expressão calorosa. Mas ficou preocupada com a possibilidade de ele perceber que era falsa.
— O prazer foi todo meu — disse ele.
Kylie apenas sorriu. Quanto a isso ele tinha razão.
Durante a meia hora seguinte, Kylie sentou-se na sala de reuniões do escritório, conversou com a mãe e um John bajulador, e fingiu que tudo em sua vida eram flores. Flores e bajulação. Palavras que Nana, a avó que falecera cerca de três meses antes, teria usado.
Estranho como Kylie parecia estar canalizando-a agora. Ela adoraria se Nana aparecesse para uma visita. É você, Nana? Kylie perguntou mentalmente, enquanto John se gabava dos anos em que vivera na Inglaterra.
Nana não respondeu. Mas Kylie tinha a estranha sensação de que ela estava por perto.
— Eu sempre quis conhecer a Inglaterra — disse sua mãe, prestando atenção em cada palavra que o homem dizia.
— Podemos dar um jeito nisso — acrescentou John, com entusiasmo. — Eu tenho uma viagem marcada para o mês que vem. Por que você não tira alguns dias de folga e me acompanha?
— Sério? — a mãe perguntou. E Kylie estava pensando a mesma coisa. Sério? O homem queria que a sua mãe fosse para a Inglaterra com ele! Ela nem sequer o conhecia direito! E será que ele também esperava que sua mãe dividisse o quarto de hotel com ele? De jeito nenhum!
— A agenda de trabalho da mamãe é muito apertada. Ela não vai conseguir tirar uns dias de folga. — disse Kylie, recusando o convite pela mãe, antes de perceber que deveria ter ficado de boca fechada.
A mãe a encarou boquiaberta diante de sua declaração e lhe lançou um olhar que deixava bem claro quanto a filha fora rude.
— Bem, a minha agenda de fato é bem cheia, mas eu poderia conseguir alguns dias de folga. — Ela voltou a olhar para Kylie, advertindo-a para não abrir a boca.
— Ótimo! — comemorou John, como se não notasse a tensão no ar.
— Ótimo — Kylie repetiu, o sorriso tão rígido que seus lábios nem se moveram.
— Falando em agenda apertada — a mãe de Kylie consultou o relógio, — nós precisamos ir para casa. É uma viagem de quase duas horas até lá. E eu tenho que trabalhar amanhã.
A mãe deu um rápido abraço em Kylie. E para alguém que não estava acostumada a dar abraços, foi muito bom. Quando Kylie se afastou, murmurou um “sinto muito” em voz baixa. E ela estava mesmo arrependida. Não queria ferir os sentimentos da mãe, mesmo não gostando do sujeito.
O olhar da mãe lhe deu a certeza de que ela entendia perfeitamente. O que só fez Kylie se sentir um pouco pior.
Inclinando-se novamente, a mãe dela sussurrou:
— Eu te amo.
— Eu também te amo. — Kylie se aproximou para dar outro abraço, e dessa vez ele foi mais apertado e durou um segundo a mais.
Quando ela os levava em direção à porta e passava pelo escritório de Burnett, viu sua figura imponente sentada à escrivaninha. Ele fingiu estar trabalhando, mas sem dúvida a sua superaudição tinha ficado sintonizada o tempo todo. E aquilo era bom, ela não tinha nada a esconder. No entanto, tão logo a mãe e o cara assustador fossem embora, era melhor que Burnett fizesse muito mais do que apenas ouvir. Ele tinha muito que explicar.
Ela sabia que a UPF queria testá-la, mas não podia acreditar que eles tinham ido tão longe a ponto de entrar em contato com sua mãe. E, se tinham se atrevido a ir tão longe, o que fariam agora? Será que a recusa da mãe em permitir que Kylie fosse testada colocaria um ponto final naquilo tudo? Por alguma razão, Kylie não acreditava nisso.
Quando Kylie voltou alguns minutos depois, Holiday e Burnett estavam esperando na varanda da cabana.
— O que vai acontecer agora? — Kylie perguntou.
Burnett franziu a testa e levou-as para o escritório de Holiday.
— Eu não sei. Estou chocado que tenham feito isso. Eles me ligaram para pedir que eu interferisse e convencesse você a mudar de ideia. Eu disse a eles que você já tinha se recusado a ir. Alguém disse, então, que você era menor de idade e sugeriu que procurassem a sua mãe. Eu ressaltei que a sua mãe não era sobrenatural e que isso poderia levá-la a fazer muitas perguntas. Pensei que os tinha convencido de que não era o melhor caminho. Mas quando cheguei aqui, Holiday estava ao telefone com sua mãe. Eles devem ter ligado para ela na hora em que eu saí de lá.
Holiday sentou-se no sofá. Kylie se juntou a ela. Quando Holiday estendeu a mão para alisar o cabelo e torceu-o como uma corda, Kylie se lembrou da razão que a levara ao escritório. Seu olhar se desviou para o pescoço de Holiday e ela se lembrou dos feios hematomas do espírito. O medo pela amiga oprimiu seu coração.
— Para a nossa sorte, a sua mãe ignorou a UPF e veio direto nos procurar — disse Holiday. Ela encontrou os olhos de Kylie. — Vai ficar tudo bem — assegurou a líder, obviamente captando a preocupação de Kylie.
— Eu espero que sim. — Kylie se reclinou no sofá.
— Você ainda está chateada com o que aconteceu? — Holiday perguntou.
— O que aconteceu? — Burnett deu um passo mais para perto.
— Eu não tive chance de contar a você... — Holiday explicou a Burnett que o pai de Kylie havia dito que a filha era um camaleão.
Kylie esperou ver descrença no rosto do vampiro ou a resposta que todo mundo já havia dado a ela: você é um lagarto! Quando Burnett não fez nenhuma das duas coisas, a suspeita se instalou dentro dela.
— O que você sabe sobre isso? — ela exigiu saber.
As sobrancelhas dele se franziram.
— A palavra “camaleão” foi mencionada nos documentos que encontrei sobre o teste que ocasionou a morte da sua avó.
— O que diziam? Será que explicam como eu posso ter um padrão humano e ainda ser sobrenatural? — Kylie perguntou, irritada por ele ter escondido isso dela. Kylie viu Holiday fazer uma cara feia também.
O olhar de Burnett passou de Kylie para Holiday e a preocupação deixou sua expressão carregada.
— Eles não explicam nada. Um dos médicos usou a palavra “camaleão” em suas anotações. Não fazia sentido; na verdade, perguntei se era um erro de digitação. Eu não tinha os documentos originais. Apenas anotações de um médico ao se referir ao outro documento.
— Mas pelo menos isso é uma prova — disse Kylie.
— Uma prova do quê? — Burnett perguntou.
Kylie olhou de Burnett para Holiday.
— De que é isso que significa ser um camaleão. Ter um padrão que mostra que você é uma coisa quando na verdade não é. Quer dizer, nós sabemos que eu não sou totalmente humana. — Ela apontou para a testa. — E ainda assim o meu padrão diz que eu sou. É claro que o meu padrão não diz coisa nenhuma do que eu sou de verdade.
— Eu ainda não acho que provamos alguma coisa — disse Burnett. — Sim, acho que de certa forma essas duas coisas significam a mesma coisa. Só não acho que provamos o que elas significam.
A expressão de Holiday indicava que ela concordava com ele.
— Eu estive pensando — ela disse. — Talvez o seu... padrão mutante esteja de alguma forma ligado ao fato de você ser uma protetora. Eu não acho que já tenha existido um protetor que fosse metade humano para podermos comparar com você.
— Eu não tinha pensado nisso — disse Burnett. — Mas é possível.
— Mas e toda a questão de ser um camaleão? — Kylie perguntou.
— Eu não sei — Holiday disse. — Eu só estou dizendo que isso poderia explicar a mudança no seu padrão.
A mente de Kylie dava voltas, tentando entender tudo o que tinham dito. Quanto mais ela pensava, menos sentido fazia.
— Eu quero ler esses registros.
— Tenho certeza de que os poucos arquivos a que eu consegui acesso já foram ocultados.
— Eles mataram a minha avó e se safaram impunes, e agora estão tentando fazer o mesmo comigo.
— As pessoas que fizeram isso ou foram embora ou se aposentaram. — Seu ar de preocupação se intensificou. — Eu sei o que parece e concordo que você se negue a fazer os testes, mas não acredito que eles queiram intencionalmente pôr a sua vida em risco.
— Nós não sabemos. — A firmeza do tom de Holiday lembrava a Kylie a voz da sua mãe quando estava preocupada com ela.
— É exatamente por isso que eu fiz o que fiz — disse ele. — Por que fui praticamente contra o meu juramento à UPF. Eu estou do seu lado. O que mais posso fazer para provar isso?
— Por favor — disse Kylie. — Eu não quero que vocês dois briguem por minha causa.
— Você não tem que provar nada. — Holiday corou com a culpa. — Eu sinto muito. Fico tão furiosa por causa de Kylie.
— Eu sei. Eu fico também. — Burnett olhou para Kylie. — E nós não estamos brigando. — Ele se virou e fitou Holiday por um segundo. — Dessa vez estamos apenas discutindo o assunto. Certo?
— Certo. — A sombra de um sorriso apareceu nos lábios de Holiday, quando ela encontrou o olhar de Burnett.
Kylie sorriu também, mesmo com o peito transbordando de emoção. Ela tinha muita sorte de ter essas pessoas ao seu lado. Mas seu sorriso só durou um segundo.
— Qual vai ser o próximo passo?
Burnett expirou.
— Provavelmente, eles ainda vão tentar fazer você mudar de ideia. Convencê-la de que os testes são por um bem maior. Acho que esse era o plano deles quando saí de lá.
— E é quando eu devo dizer a eles que sei sobre a minha avó? Ameaço expô-los se eles não desistirem? — Kylie perguntou.
Burnett tinha decidido mudar o corpo da avó de Kylie de lugar apenas para o caso de alguém da UPF decidir esconder a prova do que tinha acontecido. Em suas próprias palavras, isso daria a Kylie algumas “cartas na manga” para usar contra a UPF se tentassem forçá-la a fazer algo contra a vontade.
— No seu lugar, eu apenas diria “não” e, então, se eles pressionassem, mencionaria os restos mortais da sua avó. — Sua expressão ficou mais tensa e a preocupação cintilou em seus olhos. A mesma emoção se refletiu nos olhos de Holiday.
— O que vai acontecer se eles descobrirem que você está por trás do desaparecimento do corpo? — Kylie perguntou.
— Não vão descobrir. Eu encobri todas as pistas — disse Burnett com firmeza. Talvez com firmeza demais, como se fazer essa afirmação com convicção a tornasse mais verdadeira.
— Eles vão suspeitar de você, porque trabalha aqui. Porque você está perto de mim — concluiu Kylie.
— Podem suspeitar, mas vão ter que provar primeiro. E eu não deixei nenhuma prova para que descubram.
Kylie esperava que ele estivesse certo. Ela olhou de novo para Holiday e lembrou-se do fantasma.
Holiday se aproximou e colocou a mão sobre a de Kylie.
— Alguma coisa errada?
— Não. Só isso.
— Tem certeza?
— Eu preciso de mais? — O olhar de Kylie deslocou-se para a janela. O céu estava escurecendo, mas ela ainda podia ver o topo das árvores balançando suavemente. Seu olhar disparou de volta para Holiday e de repente ela sentiu a necessidade de se abrir. — Eu sinto como se algo me chamasse. Ela fez sinal para a janela. — Algo lá fora está me chamando. Mas eu não tenho certeza do que é.
Holiday pareceu confusa.
— Como o chamado da cachoeira?
— Sim — concordou Kylie. Só que era algo muito mais forte.
— Então podemos combinar de ir até lá. — Holiday se inclinou para a frente. — Pode ser amanhã?
Kylie começou a explicar que ela não tinha certeza se era a cachoeira que a chamava, mas não sabia o que dizer. Então apenas balançou a cabeça.
— Eu vou com vocês — disse Burnett.
— Vai entrar na cachoeira? — Holiday olhou para o vampiro.
— Se você acha que eu devo entrar, eu entro.
— A ideia de ir à cachoeira não o perturba?
Ele deu de ombros.
— Eu já estive lá antes.
Holiday olhou para Kylie e depois de volta para ele.
— Eu sei. E fiquei surpresa. A maioria dos sobrenaturais não tem coragem de entrar lá.
Um pequeno sorriso fez aparecer sinais de expressão nos cantos dos olhos de Burnett.
— Como sempre digo, eu sou especial.
Holiday suspirou.
— Mas a cachoeira...
— ... não é problema. — Ele a interrompeu e olhou para Kylie. — Por que eu não a levo de volta para a sua cabana? Della é a sua sombra, mas eu disse a ela que levaria você. — A abrupta mudança de assunto pareceu uma manobra deliberada para evitar a conversa sobre a cachoeira. O que Burnett estava escondendo? A mesma pergunta parecia estar nos olhos de Holiday.
— Ela perdeu o jantar — Holiday disse.
— Tudo que eu quero é um sanduíche, e posso fazer um na cabana.
Kylie deu um longo abraço em Holiday e sentiu seu toque caloroso e calmante.
Os efeitos do abraço perduraram até que ela e Burnett pegaram a trilha escura e ele perguntou:
— Você gostaria de explicar por que mentiu para Holiday?

Um comentário:

  1. A Kylie amadurece a medida que a série vai desenvolvendo...
    mas parece que ela tá pegando a maturidade de outras pessoas..Sla...

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