31 de outubro de 2016

Capítulo 6

Os agentes foram educados, mas eficientes. Invadiram a casa, dando atenção especial para o centro de comando. Ficou claro que os dois estavam impressionados e desconfiados pela complexidade do sistema de computador. Eles empacotaram e levaram tudo. O Sr. Smood apresentou-se e se sentou com Dan e Amy na mesa da cozinha, enquanto os agentes levavam arquivos e computadores da casa. Nellie fez chá e trouxe os rolinhos de canela que assara naquela manhã. Ninguém queria comer.
Uma chuva fria e forte começou a cair. Finalmente, os agentes foram embora. Enquanto isso, a presença dos veículos federais negros inflamaram os paparazzi. Eles se atreveram a subir ao longo do muro de pedra e estavam no gramado, ocupados filmando e tirando fotografias.
— Somos prisioneiros — disse Amy, espiando detrás de uma cortina quando os fotógrafos clicavam os agentes que carregavam caixas e equipamentos para fora.
Os agentes federais entraram em seus carros e foram embora. O Sr. Smood saiu, prometendo chegar ao fundo da questão. Logo, mesmo os paparazzi obstinados desistiram e correram para os seus carros. Um por um, os carros foram embora.
Amy pegou um rolinho, quebrando em pedaços com os dedos. Ela não conseguia se lembrar de uma época em que se sentiu tão impotente. Sem seus computadores, eles não poderiam seguir o seu esguio boicotador. Alguém deu três batidas rítmicas na porta dos fundos. Eles mal ouviram por sobre o som da chuva. Cautelosamente, Nellie abriu a porta.
Um rapaz de cerca de dezenove anos cambaleou para dentro, a capa de chuva escorrendo água por seus tornozelos e pelo chão da cozinha. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo úmido, e seus óculos de armação preta estavam embaçados. Ele parecia um cruzamento de texugo afogado com o monstro de Lago Ness. Estendeu os braços como Frankenstein, cego por seus óculos embaçados.
— Uh, Nellie?
Nellie esticou o braço e tirou seus óculos. Ela limpou-os em sua camisa.
— Você deve ser Pony.
— Como você sabe?
— Eu sou um gênio — disse ela, entregando-os de volta para ele. — Vamos lá, sente-se. Eu vou pegar uma toalha. Esta é Amy e ele é Dan. Gente, esse é Pony, nosso conselheiro tecnológico.
— Eu prefiro cowboy digital — disse Pony.
— Vocês dois nunca se encontraram? — perguntou Amy.
— Somente online — explicou Pony, dando de ombros. — Eu não sou uma pessoa analógica.
— Sente-se, parceiro — Nellie convidou-o, repassando-lhe vários panos de prato. Enquanto ele se secava, ela voltou-se para Amy e Dan. — Ele criou nosso sistema e o vem mantendo desde então. E, aparentemente, nós temos um problema.
— Um problemão — disse Pony. Seu rosto longo e triste dava-lhe a aparência de um cão de caça, e quando ele lambeu os lábios enquanto olhava para os rolinhos de canela, a semelhança se tornou completa.
Amy empurrou o prato para ele.
— Sirva-se.
Ele pegou um rolo e terminou-o em duas mordidas.
— Ok. Suas informações perdidas estão fora do mapa, mas há esperança. Eu posso construir o sistema novamente – só vai levar um tempo. Por isso eu trouxe isso para você — ele abriu a capa de chuva, revelando um grande bolso interno — este bebê — ele falou, deslizando para fora um pequeno netbook. — Está limpo. E — ele colocou a mão dentro do grande bolso interno mais uma vez — eu programei novos smartphones. Estes já estão criptografados, para que possam enviar mensagens, mas ainda não posso garantir total segurança. Não deixem passar nada realmente crucial até que eu obtenha uma pista de quem está perseguindo vocês — ele enfiou outro rolinho na boca. — Quem quer que seja o hacker, é alguém bem furtivo. Megapotente. Assim como esses bolinhos, por sinal.
— O que você pode dizer sobre ele? — perguntou Nellie.
— Ele foi capaz de invadir um sistema projetado por mim. Isso restringe as possibilidades para talvez umas dez pessoas no planeta.
— Modesto, não? — comentou Dan.
— Cara, não há nenhuma modéstia em hackear. Você vai comer o seu rolinho? — Dan empurrou sobre a mesa. Pony enfiou metade para dentro da boca e o restante ficou pendurado. — Agora, deixem-me ver o sistema.
— Não tem como. Os agentes federais o levaram uma hora atrás.
— Oh, nossa. Sério? — Pony caiu para trás em sua cadeira. — Isso é tão horrível! — ele estremeceu. — Ok, reinicialização... me entreguem seus telefones antigos. Eu poderia – poderia, estou dizendo – ser capaz de rastrear a invasão através deles. Na minha linha de trabalho, se você pensa que algo é impossível, é. Até que você decide que é possível e você faz.
Amy, Dan e Nellie entregaram seus telefones. Ele jogou-os no bolso interno. Então guardou os rolinhos restantes no bolso de fora e se levantou.
— Adiós, amigos — ele despediu-se. Ele mancou até a porta, abriu-a e desapareceu na chuva espessa.
Dan ficou observando Pony.
— Nosso destino está nas mãos daquele cara?
— Ele é o mais esperto das paradas — respondeu Nellie, mas mesmo ela parecia incerta.
Amy sentou-se, pensando muito.
— Se você pensa que algo é impossível, é — repetiu ela. — Até que você decide que é possível. Então é possível. Não foi isso o que ele disse?
— Soou como isso — concordou Dan. — Se você adicionar meio rolinho de canela ao discurso.
A sensação de desconforto que fora torturante para ela de repente se transformou em puro horror. Informações acenderam. Conexões foram feitas. Uma conexão impossível após a outra.
— Amy? — Nellie tocou em seu braço. — Você está bem? Parece prestes a vai desmaiar. — Ela levantou-se e colocou a mão no pescoço de Amy. — Coloque a cabeça entre os joelhos. Respire, garota.
— Não — a voz de Amy estava abafada porque sua cabeça estava agora entre os joelhos. A terrível verdade a encarava nos olhos. Algo que ela não queria nem vislumbrar, muito menos confrontar. Ela afastou a mão de Nellie e se levantou. — Não pode ser! Apenas não pode ser, mas... — sua voz foi sumindo. — ... acho que ele o fez. De alguma forma. .
— O quê? — perguntou Dan. — Você está nos assustando, cara.
Amy respirou fundo e olhou para eles.
— Pierce tomou o soro!

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