31 de outubro de 2016

Capítulo 5

— Aquilo foi bem — Nellie disse, girando o volante ferozmente enquanto pegava a rodovia para Attleboro. — Só uma observação: supõe-se que as pessoas devam viajar dentro do elevador. Vocês estão malucos?
— Nós só estávamos tentando fugir! — Dan protestou. — Você tinha que ver aqueles caras! Eles iam nos matar!
— Ou nos assustar — Amy acrescentou.
— Nos matar de susto — Dan observou. — Nós poderíamos ter virado panqueca no pavimento!
Amy balançou a cabeça em frustração. 
 — Por que esse Pierce nos escolheu como alvo? Não é só para vender jornais.
— Ele nos reconheceu, Amy — Dan lembrou. — De alguma maneira, ele conhece a gente. Você viu o jeito como ele olhou para você?
Amy estremeceu ao se lembrar daquele olhar, cinza gelado e implacável.
— Ele me odeia. E eu nunca o encontrei antes de hoje!
— Uou, se abaixem! — Nellie gritou de repente. — Os abutres ainda estão circulando.
Uma fileira de carros ainda esperava do lado de fora dos portões dos Cahill. Nellie forçou o motor enquanto os portões se abriram e se voltaram para dentro. Assim que eles estavam fora de vista, Amy e Dan ergueram-se novamente.
Dan estendeu o telefone para Amy com um gemido. Havia uma foto no site da Exploiter de Dan e Amy se equilibrando em cima da gaiola do elevador. Eles estavam fazendo uma careta pelo esforço de se segurar, mas pareciam sorrir. A manchete era CAHILL COLOCAM PEDESTRES DE BOSTON EM PERIGO POR DIRVESÃO.
Amy apertou a cabeça com as mãos.
— Isso é um pesadelo. E nem sequer temos uma pista. Esse homem apareceu do nada.
— Todo mundo tem uma história — Dan lembrou. Ele caçou algo em seu bolso. — E um dos seguranças deixou isso cair. — Ele ergueu um pedaço de papel.
— É uma nota fiscal de um pedágio de Nova Jersey — Amy falou, examinando-o. — Isso não nos diz muita coisa.
— Bem, podemos colocá-los na estrada em uma determinada data e hora — Dan respondeu. — Talvez Pierce tenha estado em algum lugar ao sul de Nova Jersey nesse dia, e quem sabe possamos ir até lá e descobrir alguma coisa.
— Vale a tentativa — Amy concordou.
O telefone de Nellie apitou enquanto ela destravava a porta de trás. 
— Espero que seja Pony — ela disse.
— Ela falou alguma coisa sobre um pônei? — Dan perguntou a Amy enquanto eles tiravam seus casacos.
— Nosso cara da tecnologia — Nellie murmurou enquanto lia a mensagem. — Ele está reportando sobre o meu celular ter sido hackeado. O Pony é rápido.
— Ela disse que tem um pônei rápido? — Dan perguntou. — Por que sempre somos os últimos a saber das coisas?
Enquanto Nellie digitava um número, Dan e Amy subiram as escadas de volta para o centro da comunicação. Quando eles ligaram os computadores, um alerta vermelho apareceu. Ao mesmo tempo, eles ouviram o som de passos apressados e Nellie irrompeu na sala.
— Desligue o sistema! — ela gritou. — Vão ao Nível Cinco!
Rapidamente Dan digitou no teclado. O sistema fora projetado para desligar e reiniciar, como se tivesse havido um surto de energia. Mas todas as informações sobre as unidades do disco rígido seriam limpas e substituídas – nomes dos contatos dos Cahill, endereços, casas seguras – tudo seria falso, com partes verdadeiras o suficiente para enganar até mesmo o hacker mais astuto. Quem violasse a rede não saberia que os Cahill estavam preparados.
Nellie inclinou-se por sobre o ombro de Dan enquanto a tela ficava preta, em seguida, reiniciava imediatamente.
— Eu não sei o que está acontecendo, mas o Pony disse para desligar.
Só então o telefone de Amy tocou, e ela checou o número. Ela lançou um olhar questionador a Dan.
— É o Sr. Smood — ela revelou, falando do advogado e sócio de McIntyre.
— Está tudo bem, você pode falar no celular, só não use o e-mail. — Nellie respondeu.
— Amy, é você? — O tom usual calmo de Henry Smood era agitado. — Tenho uma notícia inquietante para você. Parece que você está sob investigação federal por peculato. Eles têm um mandado de busca. Você tem que deixá-los entrar, mas não responda a nenhuma pergunta até eu chegar aí. Nenhuma, está me ouvindo?
— Mas nós não fizemos nada errado! Não temos nada a esconder.
O Sr. Smood limpou a garganta. 
— Ah. E pessoas inocentes nunca vão para a cadeia.
— Ok, entendi o que quer dizer — ela respondeu. — Vamos manter nossa boca fechada.
— Tudo bem, segure a fortaleza. Estou chegando.
— Mas você acabou de sair de uma cirurgia.
— Eu me dei alta. Não preciso do meu apêndice. Mas você precisa de um advogado.
Amy ouviu o clique afiado do receptor. Ela nunca tinha ouvido o Sr. Smood parecer tão enervado.
Dalí de cima, as batidas na porta não foram muito altas, mas eram insistentes.
Dan correu para a janela.
— Eles estão aqui — anunciou.

Um comentário:

  1. Pare pra respirar, esse livro trouxe o ritmo frenético com mais força ainda

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