8 de outubro de 2016

Capítulo 37

A mensagem não era para Hayden. Era dele.

Você está respondendo as minhas mensagens? Hayden.

Kylie digitou de volta.

Só porque eu achava que podia ser você ou meu... Ela fez uma pausa.

Ela deveria deixá-lo saber que presumia que ele estava em contato com seu avô? Ela não via vantagem em bancar a idiota...

meu avô.

Tamborilou os dedos no aparelho, enquanto esperava uma resposta.

O telefone bipou.

O que você disse aos outros?

Ela decidiu ser franca.

Só que você ajudou a salvar a vida de Holiday. Você pode voltar.

Ela esperou pela resposta. Ao ver que ela não chegava, Kylie escreveu:

Desculpe por suspeitar de você.

Ele respondeu:

Se você fizer a coisa certa e for viver no lugar a que pertence, eu não precisarei voltar.

Ela pensou no que responderia.

Meu lugar é em Shadow Falls.

Ela mal acabara de digitar a mensagem quando seu reflexo no espelho da penteadeira chamou a sua atenção. Ela ainda estava brilhando. Até quando iria acreditar que pertencia a Shadow Falls, se tudo indicava que ela era diferente? Diferente até de todos os outros sobrenaturais.
Seu peito se apertou novamente ao pensar em deixar o acampamento. Afastou a ideia. Mas o que aconteceria em duas semanas, quando a mãe viesse para o dia dos pais? Como ela explicaria o fato de que estava brilhando como uma lâmpada de 50 watts?
O telefone bipou outra vez. Não é seguro você ficar aí.

Holiday e Burnett não vão deixar a UPF fazer nada.

Não é só a UPF. Você estava certa sobre o que disse ao seu avô. Uma gangue do submundo está atrás de você.

Kylie sentiu um nó na garganta enquanto digitava:

O número do meu avô está na lista de contatos do seu telefone?

Levou alguns minutos para ele responder. Mas respondeu.

Sim.

Ela digitou:

Obrigada.

E enviou. Então se lembrou de mandar outra mensagem.

Ligue para a sua namorada. Posso tê-la deixado aborrecida.

O avô de Kylie atendeu quando ela ligou para o número seguinte da lista de contatos. Ele nem se incomodou com as formalidades. Hayden obviamente tinha avisado que ela iria telefonar.
— Eu o enviei porque estava preocupado com a sua segurança — disse o avô, a voz só um pouco mais grave do que a de seu pai.
— Não estou chateada — explicou Kylie. — Embora preferisse que alguém tivesse me contado.
— Você precisa vir conosco, Kylie. Não é seguro. Você estava certa sobre a gangue do submundo. Eu não confio que a UPF não vá fazer mal a você. Como você pode ter certeza de que vão mantê-la a salvo dos outros?
— Por favor — disse Kylie. — O senhor não entende o que está pedindo. — Lágrimas toldaram a visão de Kylie. — Eu... Esta é a minha casa. Burnett não é como a UPF de que você se lembra. E Holiday... ela me aceitou. Os dois têm me protegido. — O nó na garganta ficou mais apertado. — Pessoas morreram aqui para me salvar. Essas pessoas em quem você não confia são a minha família. — A voz de Kylie fraquejou e ela limpou as lágrimas do rosto.
— Nós somos a sua família.
— Eu não posso ir embora daqui — disse Kylie.
Houve uma longa pausa.
— Eu mando Hayden de volta se você me der a sua palavra de que não contou nada aos outros.
— Eu não contei nada a ninguém. — Silêncio outra vez. Então ela não se conteve: — Eu estou brilhando! Como faço isso parar?
— Brilhando? — o avô perguntou, e depois fez uma pausa como se estivesse pensando. — Você tem o dom da cura?
— Sim — ela respondeu.
— Presumo que o tenha usado.
— Eu... trouxe uma pessoa de volta à vida.
Ele não falou por alguns segundos.
— Os seus dons são de fato impressionantes.
— Mas como eu paro de brilhar? — Ela não estava esperando elogios.
— Você precisa liberar a energia que acumulou dentro de você para empreender a cura.
— Como?
— Medite.
— Eu não sou boa em meditação. — Ela mordeu o lábio.
— Então é melhor aprender. E rápido. — Ele suspirou. — Kylie, se outras gangues souberem quanto você é talentosa, vai valer seu peso em ouro. Eles vão querer que você trabalhe para eles ou vão querer matá-la. Não será uma gangue apenas atrás de você.
O aviso do avô bateu fundo dentro dela. Maravilha! Isso é tudo de que ela precisava.
— Vou mandar Hayden de volta — ele acrescentou. — Mas pense bem nisso, filha. Eu mereço conhecer melhor a minha única neta.


Na manhã de segunda-feira, Kylie se sentou no refeitório enquanto todo mundo olhava para ela. Não estava mais brilhando. Sua lâmpada interna, em algum momento da noite, se apagara.
Ela tinha permanecido em seu quarto durante todo o final de semana meditando, e dormindo.
Obviamente, trazer alguém de volta à vida era um tanto exaustivo. Holiday e Burnett tinham aparecido com comida, doses e doses de carinho e a notícia de que os corpos das garotas tinham sido encaminhados para as respectivas famílias. Burnett e Holiday estavam, ambos, brilhando, mas era um brilho natural. Eles estavam apaixonados.
Isso só fez com que Kylie sentisse mais saudade de Lucas.
Derek tinha ligado duas vezes só para dizer que estava pensando nela. Lucas, não. Ela não sabia nem se ele estava a par do que havia acontecido. Mesmo assim, era difícil aceitar seu silêncio.
Helen e Jonathon tinham feito uma visita. E Miranda, Perry e Della vinham checar, quase de hora em hora, como ela se sentia. Até durante a noite eles abriam uma fresta na porta e davam uma espiada em Kylie. Evidentemente, isso só era possível por causa da “encantadora” luminescência que a circundava na escuridão do quarto. Droga! Podiam ter vendido ingressos aos outros campistas por um dólar a espiada. Não que eles fariam isso. Eram seus amigos.
Kylie fixou os olhos nos seus ovos mexidos e fechou a cara, como se sentisse todos os olhos à sua volta, no refeitório, pregados nela.
Não, neste momento, brilhar não era o problema. Problema maior era o seu padrão. Ele tinha mudado outra vez. Agora ela era finalmente um lobisomem e Lucas não estava ali para apreciar. E nem Socks. Seu gato tinha passado a manhã toda debaixo da cama. Ele fez questão de deixar bem claro o seu preconceito. Assim como todos os outros lobisomens do acampamento. Nenhum tinha se aproximado para dizer “olá” ou “vá para o inferno!”.
— E aí? Segurando as pontas?
— Pode apostar — Kylie respondeu e olhou para cima ao ver Hayden Yates entrando no refeitório. Seu coração deu um salto. Ele estava de volta. Sentiu um alívio profundo ao saber que não estava completamente sozinha.
Nós somos a sua família. As palavras do avô voltaram à sua mente.
— Você ainda não sabe mentir — disse Della.
Kylie desviou os olhos de Hayden antes que alguém percebesse que compartilhavam segredos.
Della estava certa. Ela tinha mentido. Não estava segurando as pontas coisa nenhuma. Estava em frangalhos. Confusa, assustada e preocupada. Podia ter parado de brilhar, mas o que mais havia pela frente? Que outra esquisitice a faria telefonar para o avô ou correr para Hayden em busca de ajuda? E se ela realmente pertencia a Shadow Falls, por que a presença de Hayden lhe trazia tanto conforto?


— Vamos começar a festa! — anunciou Chris, o líder da Hora do Encontro, depois do café da manhã. Kylie estava de pé ao lado de Della. E lutava para reprimir a vontade de se abanar. Ainda estranhava a elevação súbita da sua temperatura corporal.
— E o primeiro nome da lista não é ninguém mais que a nossa mais recente loba! — O olhar de Chris se voltou para Kylie.
A garota segurou o fôlego. As primeiras pessoas anunciadas eram geralmente aquelas cujo parceiro tinha armado o encontro pagando com o próprio sangue. Engolindo em seco, seu olhar voou para Derek. Mas o fae encarava Chris com preocupação.
— Kylie, você vai ter o prazer de passar a sua Hora do Encontro com Fredericka.
Ah, mas que ótimo... A loba tinha salvado a sua vida só para matá-la depois.
— Eu posso seguir vocês se quiser — sussurrou Della, com os olhos brilhantes.
Kylie balançou a cabeça, cansada de estar sempre sob a proteção de outra pessoa.
— Não.
Fredericka aproximou-se de Kylie.
— Quer dar uma volta até o lago?
— Claro! — respondeu Kylie. Por que não? O lago é um belo lugar para se morrer.
— Vejo você depois. — O tom de Della veio carregado de todo tipo de aviso para Fredericka.
Quando começaram a caminhar, nem Kylie nem Fredericka abriram a boca. Kylie mal ouvia seus passos. A capacidade de se mover em silêncio devia fazer parte da natureza dos lobisomens. Mentalmente, ela se perguntava o que Fredericka realmente queria.
Pelo menos até que a gralha azul aparecesse e dançasse e cantasse na frente delas.
Fredericka fez uma cara de quem não estava entendendo nada. Kylie tentou afugentar o pássaro.
— Xô!
Enquanto caminhavam, Kylie se deixou perder em pensamentos. Ela não acreditava que a loba de fato quisesse matá-la. Mas ela já não havia tentado uma vez? Colocar um leão no quarto de Kylie, alguns meses antes, não era exatamente um gesto de gentileza. Mas se a garota realmente planejava um assassinato, ela deixaria todo o acampamento saber que estavam juntas?
Então outro pensamento lhe ocorreu. Será que Fredericka se sentia ofendida por Kylie não ter agradecido por ela ter salvado a sua vida?
Ela tinha intenção de agradecer. Realmente tinha. Mas havia gasto toda a sua energia, no final de semana, tentando parar de brilhar. No entanto, devia ter feito isso logo que acordou, pela manhã. Seria tarde demais?
Antes tarde do que nunca.
— Burnett me disse que você salvou a minha vida — começou Kylie. — Eu quero te agradecer.
O cabelo preto de Fredericka estava solto sobre os ombros. Ela era pelo menos sete centímetros mais alta do que Kylie, e provavelmente pesava uns dez quilos a mais. Não que Kylie estivesse com medo dela.
— Eu provavelmente fiz aquilo mais por Holiday do que por você — ela disse com sinceridade.
Provavelmente?
— Eu imaginei — respondeu Kylie. — Mas obrigada mesmo assim.
Fredericka assentiu e continuou calada por alguns minutos. Kylie detestou o silêncio carregado de tensão.
— Você doou sangue para Chris nos colocar juntas na Hora do Encontro?
Ela confirmou com a cabeça.
— Um litro e meio. Ele disse que, como podia se meter em encrenca colocando duas inimigas juntas, eu teria que pagar um pouco mais.
— Isso é um bocado de sangue! — comentou Kylie, quando não conseguiu pensar em mais nada para dizer. Pensar em sangue então a fez se lembrar de como se sentiu ao achar que tinha matado Collin Warren. Fredericka devia ter sentido o mesmo, não é? A gratidão de Kylie de repente ficou maior ainda.
— Eu lamento que... você tenha sido obrigada a... matar... fazer aquilo.
— Não foi nada. — A garota olhou para Kylie. — Já matei antes.
Kylie não podia jurar, mas algo dizia que, se ela fosse capaz de ouvir os batimentos cardíacos de Fredericka, eles contariam uma história bem diferente.
— Mesmo assim, não deve ser fácil — disse Kylie.
— Já superei isso — ela disse, com rispidez, embora o tom de voz revelasse o contrário.
Mesmo assim eu lamento.
Mais alguns momentos de silêncio pairaram no ar. Fredericka finalmente voltou a falar.
— Você não devia ter jogado o seu gambá em cima de mim.
— Eu não joguei meu gambá em cima de você! — disse Kylie, com franqueza. — Você o atacou.
— Mesmo assim não foi nada gentil — ela disse, com um rosnado.
— Digo o mesmo sobre colocar um leão no meu quarto. — Pronto, Kylie tinha colocado para fora o que estava entalado em sua garganta.
— Pode ser — Fredericka desviou o olhar, mas não rápido o suficiente.
Kylie viu a verdade.
— Não foi você quem fez aquilo. — Ela balançou a cabeça. — Por que você mentiu e disse que foi você?
Ela ficou um longo tempo sem responder.
— Eu ouvi boatos de que você pensava que tinha sido eu. Então pensei, por que não deixá-la acreditar nisso? Eu não gostava de você.
— E agora? — Kylie perguntou, ainda imaginando por que ela tinha doado mais de um litro de sangue para passar uma hora com Kylie.
— Ainda não gosto de você — ela disse, sem rodeios. — Mas depois que eu vi o que fez por Holiday, passei a não te odiar tanto assim.
— Bem, aí está um elogio de que eu vou me lembrar... — disse Kylie, imprimindo certo humor na voz.
Fredericka não respondeu.
Elas chegaram ao lago, e a garota ficou parada ali, contemplando o espelho d’água.
— Eu amo Lucas — ela confessou.
Kylie respirou fundo e tentou descobrir a melhor maneira de agir. A honestidade parecia a única saída.
— Eu também.
A loba olhou para Kylie com a angústia estampada nos olhos.
— Eu sei. É por isso que eu queria falar com você. Embora eu não goste de você, eu gosto dela menos ainda. E pelo menos eu sei que ele gosta de você. Mesmo antes de você aparecer por aqui, ele já falava de você. Desde aquela época eu sentia ciúme.
Kylie balançou a cabeça, tentando acompanhar o raciocínio de Fredericka.
— Não estou entendo aonde quer chegar.
— Estou falando de Monique. Eu sei que ele te disse que vai conseguir cair fora dessa. Mas eu não tenho tanta certeza assim. Eu não acho que você deva deixá-lo fazer isso.
— Eu ainda não estou entendendo — disse Kylie, embora ela não estivesse gostando nada do que Fredericka estava dizendo.
A loba se limitou a olhar para ela.
— Merda! Ele não contou a você? Ele disse que contou e que você entendia. Aquele vira-lata de uma figa mentiu pra mim.
Um sentimento de frustração começou a crescer dentro de Kylie.
— Mentiu sobre o quê?
— A cerimônia de noivado de Lucas é hoje à noite.
As palavras de Fredericka fizeram a cabeça de Kylie rodar.
— A cerimônia de quê? Ele... vai se casar?
— Está comprometido, mas entre os lobos o noivado não tem volta. Ele acha que vai conseguir escapar, mas eu não acho. A pessoa não pode simplesmente mudar de ideia. E ela é uma vadia. Se ele concordar com isso, vai ficar preso a ela pelo resto da vida.
— Não! — Negando-se a acreditar que aquilo fosse verdade, a raiva cresceu no peito de Kylie. — Você está mentindo! Você só quer arranjar confusão! Faria qualquer coisa para eu romper com Lucas!
— Sua cretina! — rosnou Fredericka. — Estou tentando ajudar e é assim que você retribui? Tudo bem, tentei fazer tudo para vocês terminarem. Mas não funcionou. Mas eu não estou mentindo. — Fredericka tirou um envelope do bolso. Um envelope pequeno, como um convite. — Se não acredita em mim, veja por si mesma. — Ela se afastou e depois voltou a olhar para Kylie. — Só procure manter o seu padrão de lobisomem ou alguém vai arrancar seu coração antes de começar a fazer perguntas.


Kylie não queria acreditar em Fredericka. Mais do que tudo no mundo, ela queria que isso fosse só mais uma das armadilhas da loba para atrapalhar o seu relacionamento com Lucas. No entanto, numa coisa a garota tinha razão: Kylie precisava ver por si mesma.
A cerimônia seria em outro parque estadual, a aproximadamente quinze quilômetros dali. Como lobisomem, Kylie podia percorrer essa distância rapidamente. O dia todo ela pensou se deveria ou não contar tudo a Holiday e Burnett, mas concluiu que seria melhor pedir perdão do que permissão. E falando em perdão... Ela jurou que, se Fredericka estivesse mentindo, ela nunca a perdoaria, nunca confiaria nela outra vez.
Mas, se não estivesse... Kylie não sabia se um dia seria capaz de perdoar Lucas.
A cerimônia supostamente aconteceria à meia-noite. O que tornava sua escapada ainda mais fácil.
Kylie saiu do quarto na ponta dos pés. No mesmo instante Della escancarou a porta do seu quarto.
Mais fácil, mas não exatamente fácil.
— Aonde vai? — Della perguntou, o olhar examinando Kylie de cima a baixo. — E por que está tão arrumada?
Kylie não sabia muito bem o que usar numa cerimônia de noivado, mas seu vestido preto e as sandálias de salto baixo também pretas tinham que servir.
— Eu preciso ir a um lugar — ela respondeu, sendo propositalmente vaga. Ela não contaria a Della ou a Miranda sobre isso. A princípio, Kylie achou que era porque doeria demais. Depois achou que era porque elas tentariam convencê-la a não ir. Nesse momento, percebeu que era porque estava com receio de que as amigas dissessem: “Nós bem que avisamos”.
Ultimamente, elas não tinham se mostrado muito a favor do namoro.
Não que Kylie acreditasse completamente nessa história de noivado. Mas acreditava o suficiente para se esgueirar de Shadow Falls, tarde da noite, para descobrir. Mas como era possível não suspeitar? Lucas nunca lhe contava nada. E aquilo a magoava demais.
— Você vai se encontrar com o seu avô? — Della perguntou, analisando Kylie com um ar de suspeita.
— Não — disse Kylie.
Della franziu as sobrancelhas.
— Você anda esquisita desde que se encontrou com Fredericka.
— Eu preciso ir — disse Kylie.
— Vou com você.
— Não — Kylie implorou. Ela precisava fazer aquilo sozinha.
Della estufou o peito.
— Então me diga aonde vai.
— Você não é mais minha sombra — Kylie insistiu.
— Não, mas sou sua amiga — Della grunhiu.
A sinceridade na voz de Della tocou o coração de Kylie.
— Vou tentar me encontrar com Lucas. — Era verdade... ou pelo menos uma versão dela.
— Eu pensei que você não tinha recebido nenhuma notícia dele — disse Della.
— Fredericka me disse onde ele está.
Della fez uma careta.
— E você confia naquela loba?
— Na verdade, não — concordou Kylie. — Mas eu vou mesmo assim e, como sua amiga, vou pedir que você não me impeça.
— Não estou gostando nem um pouco disso — disse Della.
Kylie fez uma pausa para pensar, tentando descobrir um jeito de fazer Della entender.
— Eu também não gosto que você trabalhe para a UPF, mas respeito a sua vontade.
Della franziu a testa.
— Mas eu não vou sozinha.
Sim, Della ia com Steve; não que a companhia a agradasse muito, mas isso não era o mais importante. O mais importante era convencer Della a deixá-la ir. Certo ou errado, descobrir a verdade sobre Lucas de uma vez por todas era crucial. Ela tinha admitido que o amava; agora precisava saber se entregar o seu coração a ele não tinha sido uma tolice.
Levou algum tempo, mas Della finalmente cedeu.
E, dez minutos depois, quando Kylie pulou a cerca e deixou para trás a propriedade de Shadow Falls, ela se lembrou de que Burnett poderia vir correndo até ali investigar.
Era um risco que ela teria que correr. No entanto, como suspeitava que vários lobisomens iriam assistir à cerimônia – se realmente houvesse uma cerimônia – ela esperava que Burnett concluísse que ela era um deles. Mas, de fato, ela era um deles, lembrou-se.
Enquanto Kylie corria, sentiu um estranho poder fluir através dela. Era diferente da força que sentira quando era uma vampira. O jeito como seus membros se moviam parecia menos humano. O poder de um lobo, ela supôs.
Seu peito ficou apertado, quando se lembrou de como Lucas queria correr com ela na forma de lobo. Por favor, por favor, que Fredericka esteja errada.
Tentando não quebrar todas as promessas que fizera a Burnett, Kylie evitou ao máximo correr pelos bosques. Mas, quando se aproximou do parque, não teve outra opção. Enquanto corria com movimentos suaves, ela manteve os olhos na lua. Sentia que o astro a atraía, como a água atrai quem passou muito tempo ao sol.
Quando penetrou nos bosques, a escuridão ficou mais espessa. A lua não era mais visível através da densa folhagem. O ar da noite era quente, quase insuportavelmente quente. Ela sentia o perigo espicaçando a sua pele.
Ignorando o medo, continuou correndo. E não parou. Nem mesmo quando percebeu que não estava sozinha.

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