8 de outubro de 2016

Capítulo 35

Um pouco antes de Kylie sair do quarto, ela consultou o relógio ao lado da cama. Cinco da manhã. Holiday já deveria estar no escritório.
Kylie disparou para o quarto de Della, mas a garota não estava lá. Provavelmente estava em alguma cerimônia matinal de vampiros. Kylie não esperou mais nem um segundo; irrompeu para fora da cabana e voou como o vento na direção do escritório. O único peso que sentia era no coração, como se ele soubesse que a situação de Holiday era grave. Realmente grave.
Quando Kylie chegou à cabana, deparou-se com a porta escancarada. Não era um bom sinal. O pior era que havia vidro estilhaçado no assoalho úmido da entrada. A alça quebrada do bule de café estava no canto do cômodo, outro sinal de que havia ocorrido uma luta ali.
— Onde você está, Holiday? — A voz dela tremia. Lágrimas toldaram seus olhos e ela tentou pensar.
Burnett. Ela precisava entrar em contato com ele.
Estendeu a mão para pegar o celular no bolso, quando percebeu que o aparelho não estava ali. Correu para a sala de Holiday. O cômodo parecia intacto. A pessoa que levara a líder do acampamento a tinha surpreendido na entrada. Ele provavelmente esperara até ela chegar pela manhã, ou talvez tivesse entrado na cabana enquanto Holiday fazia café.
Com as mãos tremendo, Kylie pegou o telefone do escritório. Ela não se lembrava do número de Burnett. Seria mais rápido ir até a cabana dele do que procurar seu número.
Ela disparou na direção da cabana de Burnett, os pés mal tocando o chão. Não sabia se tinha se transformado em vampiro ou se tinha mais força quando seu lado protetora entrava em ação.
Não importava. Só havia uma coisa importante, um pensamento ecoou na sua mente. Salvar Holiday. Ela tinha que salvar Holiday.
Ao chegar à cabana de Burnett, nem bateu na porta. Gritou o nome dele quando entrou, mas não obteve nenhuma resposta. Nada.
Ela o procurou no quarto. A cama estava vazia.
Lembrando-se do ritual dos vampiros, ela disparou para fora da cabana. Della havia comentado uma vez onde eles realizavam o ritual. Ela correu pelos bosques, sem se importar com a promessa de nunca interferir num ritual de vampiros. Se ela arranjasse problemas, enquanto estava no modo protetora, podia chutar alguns traseiros e fazer perguntas depois.
Kylie atravessou uma fileira de árvores e entrou numa clareira. O vento uivava enquanto ela corria. Fazendo uma parada abrupta, ela se viu rodeada por cerca de meia dúzia de vampiros zangados, os olhos brilhando ao ver um intruso em seu ritual.
Para sorte dela, os vampiros de Shadow Falls provavelmente não a atacariam. Isso era bom, pois mesmo no modo protetor ela não tinha certeza se conseguiria dar conta de seis deles ao mesmo tempo.
— Onde está Burnett? — perguntou Kylie. — Ou Della?
— O que aconteceu? — Burnett apareceu ao lado dela.
Kylie não respondeu. Não precisava. Ele viu nos olhos dela.
— Holiday? — O som da voz dele fez Kylie sentir uma dor no peito. Seu sangue bombeou mais rápido.
Kylie prendeu a respiração.
— Ele a levou.
— Quem? — ele perguntou, autoritário, enquanto Della parava ao seu lado.
— Eu ainda não sei — Kylie respondeu, os olhos ardendo por causa das lágrimas. Mas era bom que descobrissem, e rápido, antes que fosse tarde demais.
Três minutos depois, assim que Kylie explicou tudo, Burnett distribuiu ordens a todos os vampiros, e a Kylie também, para que procurassem Holiday por toda a propriedade de Shadow Falls. Se ela ainda estivesse ali, eles a encontrariam. Burnett seguiu direto para o escritório, para ver se conseguia encontrar pistas e ver se o alarme estava funcionando.
Kylie seguiu para o leste do acampamento. Mas, quando passou pela trilha que levava à cabana de Hayden Yates, ela deu meia-volta.
Entrou na varanda a toda velocidade. Ouviu o professor andando lá dentro. Ouviu-o conversando com alguém.
Ela invadiu a cabana sem bater na porta e, opa!, esqueceu-se de abri-la primeiro. A porta desabou no chão com um estrondo. Hayden estava de pé ao lado do sofá, o moletom com capuz numa mão, como se ele tivesse acabado de tirá-lo, e o celular na outra. Seu cabelo preto estava ainda mais preto, molhado de suor. Sua pele estava corada, como se ele tivesse corrido. Mas do quê?
Ou melhor, de onde?
— Onde ela está? — O tom de voz de Kylie era profundo, cheio de fúria e ameaça.
Ele tirou o telefone do ouvido.
— Onde está quem? — ele perguntou, inocente.
— Não venha com essa conversa pra cima de mim. — O sangue de Kylie agora borbulhava nas veias. Sua paciência, se tivesse alguma, já tinha se esgotado.
Ele atirou o moletom e o telefone no sofá, onde havia também um relógio. Um relógio de pulseira preta.
— Você é uma vampira agora. Tente ouvir o meu coração para comprovar que estou dizendo a verdade.
Kylie já tinha ouvido o seu batimento cardíaco, mas não fazia diferença. Também não fazia diferença que o relógio do professor não fosse igual ao que ela vislumbrara na visão. Ele podia ter dois relógios.
— Isso só funciona com pessoas que têm consciência.
— E você está presumindo que eu não tenha.
— Você está escondendo alguma coisa desde que chegou aqui. — Ela deu um passo na direção dele. Sua intenção era obter respostas, e como as conseguiria, para ela tanto fazia.
Ele aparentemente captou o ânimo de Kylie, porque ergueu as mãos, com as palmas para cima.
— Talvez, mas não é o que você pensa. Eu não fiz nenhum mal à sua querida amiga.
— Eu não disse isso! Então, como, afinal...
— Eu não sou idiota. Burnett vigia a cabana dela quase todas as noites.
— Se você a feriu, eu mato você. — Ela não recuou ao ouvir as próprias palavras. Era verdade. Por Holiday, Kylie mataria.
Mas e se ela tivesse falhado com Holiday e já fosse tarde demais? Raiva, medo e amor queimavam em seu peito. Suas mãos tremiam.
— Eu não tenho dúvida de que você poderia me matar — disse Hayden, mantendo uma postura submissa. — A sua força neste momento é quase... palpável. — Ele inspirou e ela podia jurar que ele parecia sincero, até respeitoso. — Não cabe a mim — ele hesitou novamente — falar nada. — Ele correu a mão pelo cabelo. — Provavelmente eu ganharia mais ficando calado. Mas, infelizmente, ao contrário do que você pensa, eu tenho uma consciência.
Ele fechou os olhos e, quando os abriu, ela viu neles total sinceridade. E viu outra coisa, mas não tinha certeza do que era. Algo sobre ele que parecia... familiar de um jeito estranho.
— Eu vi Collin Warren perambulando por aí esta manhã. E algo me diz que não estava fazendo coisa boa.
Kylie ouviu o coração de Hayden falar a verdade. Ela continuou a estudar os olhos dele, que não pareciam esconder nenhuma desonestidade.
— Quem é você? — ela perguntou.
Ele levantou as duas mãos e tirou o cabelo da testa.
— Veja você mesma.
Kylie de fato viu. Seu padrão era o mesmo do pai dela. Hayden era... um camaleão.
Ela perdeu o fôlego. Ele tinha todas as informações de que ela precisava, mas não podia perguntar agora. Porque mais importante do que obter essas respostas era zelar pela vida de Holiday. Então os olhos dela se desviaram para o sofá e ela percebeu que ele de fato tinha uma coisa de que ela precisava.
Kylie pegou o celular do professor e saiu da cabana enquanto o ouvia protestar.


Kylie saiu voando da varanda. O nascer do sol tingia o horizonte de cores vívidas, embora ela não tivesse tempo para apreciar a paisagem. Colocou o telefone no ouvido e percebeu que tinha um problema. Não conseguia se lembrar do número de Burnett. Então ligou para Della.
A amiga não atendia, droga!
Kylie deixou uma mensagem, contando sobre as suas suspeitas: Collin Warren estava com Holiday e Kylie estava procurando por ele agora. Ela não diminuiu o ritmo, não parou até estar na frente da cabana de Collin. Apurou os ouvidos. Nenhum som vinha dali de dentro. Mas ela tinha que ver com os próprios olhos. Começou a subir os degraus da varanda quando ouviu passos suaves atrás dela.
Com o coração na boca, Kylie se virou, esperando dar de cara com Collin, mas se deparou com Fredericka.
— Por que você está aqui, andando de fininho desse jeito? — a loba perguntou.
Kylie não tinha tempo para explicações, por isso se virou para a cabana novamente. A porta estava trancada, então a garota simplesmente quebrou a porta e entrou. Já tinha feito isso na cabana de Hayden, por que não faria de novo?
Fredericka ofegou atrás dela. Kylie ignorou.
Ela entrou no quarto de Collin, procurando qualquer coisa que a ajudasse a encontrar Holiday.
— O que está acontecendo? — perguntou Fredericka, seguindo Kylie até o interior do quarto.
— Vá embora. Não tenho tempo para bobagens. — Kylie abriu uma gaveta e tirou de dentro tudo o que havia ali.
— O que está acontecendo?! — insistiu Fredericka.
Kylie suspirou.
— Holiday está desaparecida e eu acho que este maluco a levou.
— Merda! — xingou Fredericka. — Eu sabia que ele era estranho.
Kylie fez menção de sair.
— Espere! — pediu a loba. — Eu segui Collin alguns dias atrás. Ele foi até uma velha cabana no parque selvagem, aqui perto.
— Onde? — Kylie perguntou, rispidamente; todos os seus instintos pareciam estar em alerta.
— Eu... eu mostro onde é. — Fredericka ergueu as mãos, mostrando as palmas, como se temesse Kylie.
Elas correram pela floresta. Ter de diminuir o ritmo por causa de Fredericka estava tirando a paciência de Kylie, mas ela segurou a língua. Normalmente, não confiaria na garota, mas algo lhe dizia que a outra não estava armando nenhum truque nesse momento. Sem dúvida Fredericka sabia que Holiday tinha se desdobrado para que ela viesse a Shadow Falls e permanecesse ali.
Chegaram aos portões do acampamento. Kylie saltou sobre ele sem dificuldade. Fredericka só conseguiu por um triz e aterrissou com tudo no chão do outro lado.
Kylie hesitou e olhou para trás.
— Estou bem — a garota rosnou, pondo-se de pé.
Eu não perguntei. Kylie mordeu a língua. Elas começaram a correr novamente, mas o celular de Hayden tocou. Kylie tirou-o do bolso e viu o nome de Burnett. Obviamente, Della tinha lhe dado o número do professor.
— Onde diabos você está? — Burnett grunhiu. — E por que está com o telefone de Hayden Yates?
Kylie e Fredericka chegaram à cabana antes de Burnett. Mas ele dissera que estava a caminho, o que significava que logo chegaria. O mato crescia em torno da cabana, como se estivesse abandonada. Os sons da noite de repente silenciaram. Burnett devia estar por perto.
Ele tinha mandado que elas esperassem por ele antes de entrar. Mas Kylie ouviu algo ali dentro. Apurou os ouvidos. Deus do céu! Ela só ouvia uma pessoa respirando ali dentro. O medo lhe tirou o fôlego. Seu sangue borbulhou com tanta intensidade que quase a incendiou.
Proteger Holiday. Proteger Holiday. As palavras ecoavam em sua mente como uma litania.
Ela fez um gesto para que Fredericka ficasse ali. Os olhos da garota brilharam com um lampejo de rebeldia. Kylie não tinha tempo para discussões. Disparou para a cabana; a porta foi estraçalhada, as paredes sacudiram.
Collin Warren saltou assustado. Aos seus pés jazia Holiday. Imóvel e sem vida.

4 comentários:

  1. Jesus!_como_assim_imovel_e_sem_vidaaaaaaaa?Nao_creioooooooooooooo

    ResponderExcluir
  2. Eu não estou acreditando que mesmo depois de tanta suspeita ele conseguiu pegar Holiday....=(

    ResponderExcluir
  3. Eu suspeitava dele desde sempre.. So n imaginava q o Hayde era camaleão tbm.by kelthy lima

    ResponderExcluir
  4. Sabiiiiiia!
    Sabia que ele próximo de Holliday ia dar merda!
    Morta?! Como assim, gente?!

    ResponderExcluir

• Não dê SPOILER!
• Para comentar sem conta, escolha a opção Nome/URL. Escreva seu nome/apelido e deixe URL em branco

Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!