4 de outubro de 2016

Capítulo 35

— Não faz sentido — Burnett rosnou uma hora mais tarde, enquanto andava de um lado para o outro no escritório de Holiday.
Kylie concordou. Nada mais fazia sentido.
Eles tinham capturado o sujeito contratado para matá-la. Mas as informações que dera não ajudaram em nada a descobrir a identidade de quem o contratara.
Eles não estavam mais perto de descobrir o verdadeiro culpado agora do que estavam antes.
Kylie, no entanto, sentia-se mais perto do que nunca de encontrar respostas. Não, ela não sabia o que era, mas pelo menos sabia que havia outros como ela. A pergunta era: eles eram todos do mal? Ela seria a única que tinha nascido à meia-noite?
— Se ele queria levá-la, porque não fez isso? — Burnett parou na frente de Holiday e Kylie, sentadas no sofá.
— Ele não disse... exatamente — explicou Kylie. — Disse que acabaria por convencê-los de que eu não sou um perigo para eles. Como se achasse que poderia me fazer mudar de ideia e ir com ele.
— Isso é estupidez! — disse Burnett.
Kylie decidiu fazer a pergunta que a incomodava há um tempo.
— Como ele congelou Miranda e Della e os outros dois?
Holiday respondeu:
— Existem alguns magos, bruxas e feiticeiros muito fortes que podem parar o tempo.
— Você acha que é isso o que ele é? O que eu sou?
Holiday encolheu os ombros.
— Eu nunca ouvi falar de uma bruxa ou um bruxo capaz de mudar os padrões cerebrais.
— Porque é impossível — Burnett afirmou.
— Na verdade, não. — Kylie apontou para si mesma.
Burnett fechou os olhos e respirou fundo.
— Essa coisa toda é inacreditável!
Holiday levantou-se.
— É por isso que você não pode comunicar esse fato à UPF.
Burnett olhou-a como se ela tivesse perdido o juízo.
— Eles têm que saber.
— Por quê? Eles sabem que alguém está tentando matá-la. Nós contamos a eles sobre o que aconteceu, e não falamos nada sobre os padrões cerebrais.
— Por que esconder isso deles?
Holiday cruzou os braços.
— Porque isso vai lhes dar mais uma razão para levarem Kylie e a usarem como cobaia.
Kylie olhou para Holiday e depois para Burnett.
— Eles disseram se permitiriam que o doutor Pearson fizesse os testes?
A expressão de Burnett ficou mais séria.
— Disseram que os hospitais comuns não têm o equipamento necessário.
— Foi exatamente o que eu pensei — Holiday criticou. — Não sabemos se esses testes são seguros.
— Eles dizem que são. — Mas o tom de Burnett já não era tão convicto, e Kylie se perguntou se ele continuava acreditando nisso.
— Eles mataram o espírito que eu estou ajudando — disse Kylie.
— Você não tem certeza.
— Sim, eu tenho. E se você precisa de provas, cave a sepultura. O corpo dela está lá dentro.
Burnett soltou um palavrão.
— A UPF não é o inimigo, Kylie. Eu admito que tenham cometido erros no passado, mas não cometem mais.
— Certo — Holiday disse com sarcasmo, demonstrando sua descrença. — Mas eles não hesitariam em sacrificar alguém se achassem que seria em benefício de todos. — Ela apontou para Kylie. — Um dos meus adolescentes não vai ser sacrificado. E se você não pode aceitar isso, então saia daqui agora. Porque nós não podemos trabalhar juntos.
O olhar de Burnett desviou-se para Kylie, em seguida, voltou para Holiday.
— Você percebe o que está me pedindo para fazer? Para trair meu juramento e esconder informações da UPF?
— A escolha é sua — Holiday disse.
Burnett fechou os olhos, balançou a cabeça e saiu do escritório. Kylie não sabia se essa era a sua resposta, mas pela expressão de dor no rosto de Holiday, ela certamente acreditava que sim.
Quando Kylie deixou o escritório de Holiday depois da reunião, Lucas estava esperando do lado de fora. Ele tinha atribuído a si mesmo a tarefa de ser sua sombra. Ele a levou até o riacho, onde eles se deitaram na grama quente e tentaram ver formas nas nuvens. Depois de encontrarem quase tudo, desde George Washington até dinossauros no céu, Kylie contou-lhe sobre o desentendimento entre Burnett e Holiday.
— Burnett quer contar à UPF, e Holiday acha que isso vai lhes dar mais um motivo para me levarem para fazer os testes.
Apoiando-se no cotovelo, ele olhou para ela.
— O que você acha de ser testada?
— Eu não sei. Parte de mim faria esses testes se eles realmente achassem que fossem me trazer respostas, mas Holiday está inflexível e insiste que pode ser perigoso. E eu sempre confiei nela. — E também há o que aconteceu com o fantasma.
— Mais do que confia em Burnett? — Lucas perguntou.
— Talvez um pouco mais. — Kylie olhou em seus olhos azuis. — Você acha que estou errada?
— Não. Eu provavelmente confio mais em Holiday também. — Ele passou o dedo sobre os lábios dela.
— Eu simplesmente não consigo suportar ver os dois brigando — disse ela, adorando a sensação do toque de Lucas, embora seu coração não conseguisse se desligar dos problemas.
— Isso diz respeito a eles — disse Lucas.
— Mas é por minha causa que estão brigando. E eu sei que eles se gostam. Eu não quero que desistam por minha causa.
— Você não sabe se eles estão desistindo. Ouvi dizer que Burnett voltou para o escritório da UPF para interrogar novamente o cara capturado. Mas ele vai voltar.
— Espero que sim. — Mas seu coração não tinha muita certeza.
Ele se inclinou e gentilmente apertou os lábios contra os dela. Foi um beijo suave e quente. Quando se afastou, os olhos de Lucas tinham um toque de âmbar e ela sabia que o que quer que tivesse passado pela cabeça dele havia despertado a sua raiva.
— Você sabe, eu não vou deixar aquele cretino ter você. Você é minha.
— Eu sei — Kylie disse a ele. O que ela não disse é que estava preocupada com a possibilidade de ninguém ser capaz de impedir Ruivo de cumprir sua promessa. Até agora, nada o detivera. Claro, se ele estava dizendo a verdade sobre eles serem do mesmo tipo de sobrenatural, e ela acreditava nele... não entendia por que, mas acreditava..., então Kylie era igualmente poderosa. Mas, se Holiday estivesse certa e ela fosse uma protetora, então ela seria capaz de usar seus poderes apenas para proteger os outros. Isso significava que estava completamente vulnerável aos caprichos dele.
Esse não era um sentimento bom. Mas ela se recusou a reconhecer a derrota. E tinha falado sério. Morreria antes de fazer parte de uma gangue de marginais.
Mas ela não estava morta agora. E a prova era o modo como Lucas a fazia se sentir viva.
— Me beije outra vez — ela pediu.
Ele sorriu.
— Isso é um pedido ou uma ordem?
— As duas coisas.
— Bem, nesse caso...


No dia seguinte, Burnett ainda não tinha retornado. Holiday estava mal-humorada, e Kylie, com uma dor de cabeça fenomenal. Lucas tinha falado com ela mais cedo e contado que sua avó estava doente e ele estava indo vê-la. Por volta das quatro da tarde, Kylie desistiu e pediu permissão para ir se deitar um pouco. Della, no posto de sombra, seguiu-a de volta à cabana.
Ela não sabia quanto tempo fazia que estava dormindo quando o frio a atingiu. Abriu os olhos, sentindo a névoa gelada em sua respiração. Jane estava ali.
— Graças a Deus, você está acordada — disse uma voz feminina. Mas não era a voz de Jane.
Kylie abriu os olhos. Através da cortina de cabelos, ela viu Ellie de pé ao lado de sua cama.
— Como você chegou aqui? — perguntou.
Ellie encolheu os ombros. Kylie olhou para a janela que tinha deixado aberta.
Puxou o cobertor até o peito e olhou em volta à procura de Jane. Ela não tinha se materializado ainda, mas estava ali. Calafrios arrepiavam os pelos dos braços de Kylie. O fantasma não tinha aparecido nos últimos dias, e Kylie esperava que ele estivesse finalmente pronto para falar.
— Sabe o que é, Ellie? Essa realmente não é uma boa hora. Eu tenho alguns assuntos para tratar.
— Mas eu preciso de você para ajudar Derek — disse Ellie. — Ele não está bem.
Kylie estudou-a mais de perto.
Ellie franziu a testa.
— Você tem que ajudá-lo. — Ela balançou a cabeça. — Ele pode estar ferido.
Kylie empurrou as cobertas para o lado.
— Ferido? Onde ele está?
— No parque, há cerca de três quilômetros rio abaixo, onde estão as pegadas de dinossauros.
— Por que ele está lá? — Kylie perguntou.
— Eu não sei, mas ele precisa de você.
— Por que ele precisa de mim? — Kylie calçou o tênis. — Aconteceu alguma coisa?
— Eu não sei — disse Ellie. — Estou confusa.
— Ele se feriu? — O coração de Kylie se contraiu de medo por Derek.
— Não. Acho que não.
Ellie não estava dizendo coisa com coisa. Kylie ficou preocupada porque poderia ser um truque para que ela e Derek ficassem juntos. Mas alguma coisa de pânico na voz de Ellie dizia outra coisa.
— Vamos. — Ellie aproximou-se da janela.
— Eu tenho que avisar Della. Ela é minha sombra, lembra?
— Rápido.
Kylie andou em direção à porta e olhou para trás novamente à procura de Jane. Ela não tinha se manifestado, mas seu frio mortal ainda deixava o quarto gelado. Eu vou voltar logo, disse ao espírito mentalmente. Por favor, não vá embora. Precisamos conversar.
Jane não respondeu. Nenhuma surpresa. Kylie saiu do quarto e Della levantou os olhos do computador.
— Você está meio distraída — disse Kylie.
— Por que diz isso?— Della perguntou.
— Ellie está aqui.
— Merda! Estou mesmo distraída. — Ela entrou no quarto de Kylie, como se pronta para mandar Ellie para o inferno. Não que Kylie estivesse muito preocupada. Della e Ellie tinham ficado amigas desde que Della a convidara para fazer parte do seu círculo de vampiros.
Della saiu novamente do quarto.
— Será que ela foi embora?
— De jeito nenhum!
Kylie voltou correndo para o quarto. Mas Della estava errada. Ellie estava no mesmo lugar em que a deixara.
— Você tem que se apressar.
— Talvez você tenha sonhado — disse Della, entrando no quarto.
O frio no cômodo arrepiou a pele de Kylie novamente. Ela olhou para Ellie. Seu coração se apertou e lágrimas formaram um bolo em sua garganta.
Não!
— O que aconteceu, Ellie? — Lágrimas escorriam pelo rosto de Kylie. — Derek está bem?
— Eu não me lembro. — Ellie parecia confusa.
— Kylie? Isso é um sonho? — Della perguntou.
Mais do que qualquer outra coisa, Kylie desejava que fosse. Ela olhou para Ellie outra vez.
— O que aconteceu? — perguntou de novo.
— Você tem que se apressar. Estou preocupada com Derek.
O medo de repente a dominou. Medo por Derek. Medo de que pudesse ser tarde demais para salvar Ellie e Derek. Não importava o quanto tivesse que dar da sua alma para salvá-los. Ela daria.
— O que está acontecendo? — Miranda entrou no quarto.
— Ela está pirando outra vez — explicou Della.
Kylie, com lágrimas nos olhos, olhou para Miranda.
— Eu preciso que você chame Holiday. Diga a ela que Della e eu vamos até o parque, perto das pegadas de dinossauros. Derek está lá e ele pode estar ferido. Vamos, Della — disse Kylie, e começou a correr.
Della pegou Kylie pelo braço.
— O que está acontecendo?
Kylie respirou ofegante.
— Ellie está morta em algum lugar do parque perto daqui. E Derek estava com ela. Temos que ir antes que seja tarde demais!
Miranda deixou escapar um soluço.
— O quê? Como aconteceu? — Os olhos de Della se arregalaram de emoção.
Kylie não tinha tempo para explicar. Ellie saiu porta afora e Kylie foi atrás dela. Os passos de Della batiam contra a terra atrás dela.
Kylie não desacelerou o passo. Nem Ellie nem Della. Quando chegaram às pegadas de dinossauros, atravessaram o riacho e pularam a cerca que marcava a divisa com o parque. Do outro lado o terreno se tornava íngreme, mas Kylie manteve o ritmo sem dificuldade. Seu sangue borbulhava com o estranho tipo de energia que sentia quando estava protegendo alguém que amava. Ela só rezava para não ser tarde demais.
— É logo depois da curva — disse Ellie. Ela não tinha falado nada durante o trajeto. Então parou de repente. O pânico se refletiu em seus olhos. — Ah, meu Deus. Agora eu lembro!
— O quê? — Kylie parou ao lado de Ellie.
— O quê? O quê? — Quando Della encontrou o olhar de Kylie, deve ter percebido que a pergunta não era para ela, e simplesmente balançou a cabeça.
— Eu segui alguém até aqui — disse Ellie. — Eu o vi correndo do acampamento. Estava quase chegando aqui quando ouvi alguém atrás de mim. Era Derek. Foi quando a pessoa que eu seguia atacou.
— Quem era? — Kylie logo pensou em Ruivo. — Era um cara jovem, de cabelo vermelho ou castanho?
— Não, era um velho. Um vampiro.
Mario. Eles nunca teriam chance!
O peito de Kylie se encheu de dor. E de culpa. Era tudo culpa dela.
— Onde está Derek? Onde está o seu corpo? — Ela tinha que salvá-los.
Ellie apontou para a encosta da montanha. A impressão era a de que uma explosão tinha acontecido ali. Havia pedras soltas por todo lugar.
— Derek fez a curva e um raio caiu. Ele bateu contra as rochas. Sua cabeça estava sangrando, mas ele estava respirando. Mas então, mais raios caíram. Eu o peguei do chão, coloquei-o numa pequena caverna e empilhei algumas pedras na frente dele. Estava fazendo isso quando... tudo ficou branco.
Kylie correu para a beirada do despenhadeiro e começou a revirar as pedras.
Della se aproximou.
— O que nós vamos fazer? — Sua expressão mostrava preocupação.
— Ele está aqui atrás — disse Kylie.
Elas moveram as pedras para o lado. Pedras que bem poderiam pesar cem ou duzentos quilos. A força de Kylie nem mesmo a surpreendia, ela só pensava em Derek e Ellie.
— Ah, meu Deus! — Della deu um passo para trás.
Kylie viu o corpo mutilado de Ellie deitado entre as rochas. Kylie prendeu a respiração e as lágrimas começaram a cair mais rápido. Ela pegou Ellie no colo e depositou seu corpo sobre a trilha pedregosa.
— Ela está morta — disse Della.
— Continue tirando as pedras — Kylie ordenou a Della, e com todas as suas forças rezou para que Derek ainda estivesse vivo. Rezou também para que pudesse trazer Ellie de volta.
Kylie colocou as mãos sobre o corpo de Ellie e rezou para que aquilo funcionasse. Fechou os olhos, concentrada, e moveu as palmas das mãos sobre os ferimentos, assim como tinha feito com Lucas e Sara. Sangue, o sangue de Ellie, cobriu as mãos de Kylie. Ela chorou mais e tentou com mais afinco, mas, não importa o quanto se concentrasse, suas mãos não esquentavam.
De repente, o espírito de Ellie estava sentado ao lado do seu corpo.
— É tarde demais. Olhe. — Ellie apontou para o céu. O sol era uma grande bola laranja. — Estou vendo minha mãe lá em cima. Ela está esperando por mim.
— Não — disse Kylie. — Não vá. Estou tentando trazer você de volta.
— Mas eu quero ir com ela. Sinto saudade.
— Não! — Kylie gritou novamente.
O espírito de Ellie ficou de pé.
— Derek está vivo! — Ela apontou para Della enquanto tirava as pedras. — Mas eu tenho que ir. Obrigada, Kylie Galen. Obrigada por ser minha amiga. Obrigada por me ensinar a pensar além de mim mesma. Obrigada por tudo.
— Por favor, não! — Kylie implorou. Mas era tarde demais. O espírito de Ellie começou a flutuar em direção ao pôr do Sol e Kylie sabia que não havia mais esperança.
— Achei! — gritou Della. — Achei Derek!
Kylie correu até ele. Estava inconsciente, mas respirando. Ela viu os ferimentos em sua cabeça e apertou a mão contra eles. Mais sangue escorreu por entre seus dedos, mas ela não se importou. Suas mãos ficaram cada vez mais quentes e ela sentiu o calor de suas palmas penetrar no couro cabeludo de Derek.
— Você conseguiu salvar Ellie? — Della perguntou.
— Não, me desculpe — Kylie disse, e olhou para Derek.
— Holiday e os outros estão chegando — disse Della, e quando Kylie olhou para cima, viu que Della chorava.
— Eu tentei salvá-la — disse Kylie. — Realmente tentei.
Derek de repente abriu os olhos.
— O que aconteceu?
Kylie ficou de pé. Derek olhou para ela e então a dor se estampou em seus olhos.
— Ellie?
Kylie colocou a mão sobre a boca e mais lágrimas inundaram seus olhos.
Derek se levantou e viu o corpo de Ellie. Ele se ajoelhou ao lado dela. Kylie viu lágrimas de raiva em seus olhos.
— Quem fez isso?
A culpa cresceu dentro de Kylie.
— Foi o velho vampiro, o que veio atrás de mim.
Holiday e cerca de uma dúzia de outros campistas apareceram na curva que levava à borda do despenhadeiro. Kylie procurou por Lucas, desejando que ele estivesse ali para abraçá-la, mas depois se lembrou de que ele tinha ido visitar a avó.
Ela se virou e fitou o despenhadeiro, as emoções à flor da pele. Então ouviu vários campistas ofegando e alguns chorando. Sem dúvida, tinham visto o corpo de Ellie.
Holiday se aproximou e pôs a mão no ombro de Kylie.
Com lágrimas escorrendo pelo rosto, ela contemplou as mãos cheias de sangue e olhou para a líder do acampamento.
— Para que serve esse dom, se não posso salvar quem eu quero?
Holiday não tentou responder, apenas acolheu Kylie em seus braços e abraçou-a.
— Precisamos ir antes que escureça — Holiday disse, finalmente.
Derek pegou no colo o corpo de Ellie, como se ela fosse uma boneca de pano. Em seguida, Kylie o viu estender a mão e pegar do chão o boné com a inscrição LITLLE VAMP. Ele enfiou o boné debaixo do braço e carregou o corpo de Ellie pelo caminho íngreme.
Caminharam por cerca de cinco minutos, calados. Então Derek deixou cair o boné de Ellie, e o vento o soprou até Kylie. Ela ouviu Derek pedir a alguém para buscá-lo. Por último na fila indiana que se formara e sentindo-se entorpecida, Kylie se virou para pegar o boné. Então viu que ele estava a apenas alguns metros de distância. Andou até ele e estava quase a ponto de alcançá-lo, quando uma grande rajada de vento o levantou no ar e o fez cair mais perto da borda do precipício.
Kylie deu mais alguns passos em direção ao boné. O vento tornou a levantá-lo no ar, fazendo-o cair bem na borda. Ele ficou ali, suspenso, prestes a cair no despenhadeiro.
Só então Kylie sentiu que a brisa parecia bem pouco natural.
Ela não estava sozinha.
O estalo de um galho seco se quebrando nunca pareceu mais assustador. Alguém estava parado atrás dela. E a menos de dois metros à frente estava... a morte. Kylie não tinha ideia da profundidade do despenhadeiro, mas suspeitava que a queda fosse fatal.
Com a respiração presa, pensando que a qualquer momento iria sentir alguém lhe dando um empurrão fatal, ela se virou. O velho vampiro Mario e outros dois sobrenaturais mais velhos estavam ali olhando para ela com um olhar frio e calculista. Todos os três estavam vestidos como monges, as vestes escuras esvoaçando ao vento.
— Kylie Galen — cumprimentou-a Mario. A voz soou tão envelhecida quanto a aparência dele, mas a sensação de poder era inegável. Seria isso o que Kylie era? Ela estudou Mario; mais de perto, seus olhos pareciam negros como carvão. Ela viu apenas o mal ali, e a ideia de que tinha algo em comum com essas pessoas a enojou. — Então nos encontramos novamente.
Ela deu um passo para trás e chegou mais perto da borda.
— Para o meu azar... — murmurou Kylie, sentindo a sola do tênis sobre a borda do despenhadeiro.
— Isso é verdade, minha querida — disse ele. — Mas, se está tão decidida a se salvar, pode se juntar a nós agora. Prometendo-nos lealdade você vai viver. Meu neto vai ser um bom marido.
— O que você é? — Ela apertou as sobrancelhas e viu os padrões da gangue.
Mario era vampiro, o barbudo era bruxo e o outro tinha o padrão de um lobisomem. Mas todos os três padrões eram sombrios e sinistros.
— Junte-se a nós e você terá suas respostas.
Kylie engoliu em seco e fez uma pequena oração. Ela orou pedindo ajuda. Então orou pedindo perdão por tudo e qualquer coisa que tivesse feito errado. Então rezou para ter coragem. E em seguida deu outro passo para trás, até não sentir mais o chão sob os pés.

11 comentários:

  1. Comecei a gostar dela por não ser uma piranha e...agora com quem o Derek vai ficar? Sou Team Lucas mas ele é tão legal.

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  2. Estava lendo o capítulo seguinte voltei para fazer uma suposição antes de ler todo. Mas acho que sei quem é o bebê da Jane.

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  3. Lucas nuca esta lá quando ela ´´realmente prrecisa´´#TeamLucas #Meninobobo #SaldadesEllie #Mariofilhada*@@#
    Te Adoro Karina

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  4. cara odeio triangulos amorosos affffffff, amo o DERECK ,mais ainda prefiro o Lucas

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