31 de outubro de 2016

Capítulo 33

Istambul, Turquia

Hamilton Holt caminhou rapidamente através do terminal do Aeroporto de Ataturk. Seu voo tinha sido adiado, e ele tinha apenas alguns minutos para pegar um táxi até o terminal do avião particular. O aeroporto estava lotado de pessoas se acotovelando para recuperar sua bagagem, pegar comida, saborear um café. Perto das portas de saída, homens andavam, oferecendo transporte. Hamilton os observou, procurando o que parecia mais honesto.
Transporte, senhor? Transporte? Táxi mais limpo da Turquia! Motorista de segurança! Transporte, senhor? Eu cobro mais barato! Eles se aglomeravam ao redor dele. 
Era o seu rosto, Hamilton sabia. Seu rosto grande e idiota de adolescente americano. Era seu cabelo loiro e seu sorriso largo. Todos pensavam que ele era um alvo, um adolescente de mochila pronto para eles tirarem vantagem. Normalmente, eles estavam certos. Ele era um Cahill, mas não tinha herdado muito das ideias sagazes dos Lucian, ou o charme dos Janus. Ele era um Tomas, nascido e criado. Se você quisesse escalar uma montanha ou escalar um penhasco, ele era o cara. Se quisesse que ele abrisse uma porta com uma cabeçada, ele podia lidar com isso. Mas teria que lhe apontar a porta.
Um dos homens chegou mais perto e agarrou sua manga.
— Precisa de umas rodas, bróder?
Hamilton se virou. Atrás dos óculos escuros, ele viu seu amigo Jonah Wizard.
— Cara!
— Bróder!
Eles bateram os punhos, depois as palmas.
— O que você está fazendo aqui? — Hamilton perguntou. — Nellie me disse para encontrá-lo no terminal privado.
— Nós chegamos cedo. Eu tô com a galera em uma van, à espera de sua ilustre presença. Estamos decolando para Antália, na costa. Depois vamos para as montanhas caçar um leopardo.
Hamilton não pareceu abatido. 
— Bora nessa, cara.
O resto dos motoristas se afastou, sabendo que tinham perdido uma corrida. Jonah levou Hamilton em direção às portas. Nenhum deles notou que um homem musculoso de óculos de sol vestido de preto os seguiu.

* * *

O motorista, Adil, explicou a eles que a cidade de Antália era parte da chamado “Costa Turquesa”, e Dan soube o motivo do nome quando vislumbrou o cintilante mar azul-esverdeado e a areia dourada enquanto dirigiam. Palmeiras eram balançadas por brisas leves, quentinhas e eles abriram as janelas para sentir o cheiro do mar.
Adil virou em uma rua de mão dupla em Antália. De um lado, Dan podia ver a baía curva azul-turquesa e ao fundo os picos gloriosos e sombrios das Montanhas Taurus. Eles passaram zunindo por palmeiras e vans de turismo como a deles enquanto se dirigiam para o porto. Na luz da noite, a baía estava cintilada em rosa, e o céu tinha manchas roxas. As pessoas passeavam, verificavam os diferentes menus dos restaurantes ou simplesmente sentavam-se do lado de fora tomando café. Perigo e leopardos pareciam uma realidade distante.
Por que estou sempre em lugares como este, sem nunca realmente vê-los?, Dan pensou. Pela primeira vez ele gostaria de ir para um lugar incrível sem ter que olhar por cima do ombro. Ele gostaria de viajar o mundo de novo, desta vez sem ser perseguido ou ser alvo de tiros.
Se restar um mundo quando Pierce pôr as mãos nele.
Quando eles perguntaram a Adil o melhor lugar para encontrar guias de montanha que fossem confiáveis e pudessem manter a boca fechada, ele os indicou um café em Antália e lhes disse para perguntarem por Sadik. Eles fizeram o check-in no hotel com vista para a praia, que estava repleto de turistas felizes. Em seguida, saíram.
O sol se pôs no momento em que se dirigiam para a cidade antiga, chamada de Kaleiçi, uma área de ruas sinuosas e becos. Eles fizeram várias curvas erradas, apesar de estarem usando o GPS dos seus celulares. Finalmente, localizaram o beco.
Não havia nenhuma placa do lado de fora, mas várias mesas ocupavam a calçada, onde gente se sentava tomando café e comendo doces. O grupo adentrou no estabelecimento. Fumaça ondulava no ar, e o zumbido de conversa era energizante. O café era principalmente repleto de homens sentados ao redor de pequenas mesas, tomando café preto em copos delicados. Havia várias poltronas posicionadas frente a frente, e as lâmpadas de vidro em forma de globos com cores semelhantes a gemas pendiam do teto. Tapeçarias enfeitavam as paredes e espelhos refletiam a fumaça.
Eles pararam por um momento enquanto todos se viraram para encarar os recém-chegados, em seguida, viraram-se de volta, e o burburinho das conversas retornou.
Os Cahill se sentaram em uma mesa no canto.
— Vocês acham que posso pedir um duplo mocha grande descafeinado sem creme com um pouco de avelã aqui? — Dan perguntou.
— Tente — sugeriu Jake. — Eu gostaria de ver o quão longe você seria chutado para fora da porta.
Eles pediram café, que chegou alguns minutos depois em pequenos copos elegantemente estampados. O café era espesso e escuro, com espuma flutuando em cima. Copos de água também foram colocados em cima da mesa, juntamente com uma pequena tigela de cubos de açúcar.
Jake perguntou ao garçom se Sadik estava ali. O garçom apontou para o canto oposto. Um homem de meia-idade, sentado sozinho, às vezes tomando um pequeno gole de café. Havia algo assustador sobre ele. Ele parecia mais áspero do que os homens urbanos e sofisticados ao seu redor. Vestia calças de veludo dentro de pesadas botas e uma camisa branca, aberta no pescoço.
— Ele tem a aparência de quem pode capturar um leopardo com uma mão e arrancar os bigodes com os dentes — Dan sussurrou.
— Você pode dizer a ele que Adil nos enviou? — Jake perguntou.
O garçom se dirigiu até a outra mesa. Ele se inclinou e falou. O homem desviou seu olhar para a mesa deles. Levou um longo momento estudando-os.
Sadik foi para lá, levando o seu café. Ele colocou o copo na mesa com cuidado, então se sentou.
— Adil contou à vocês sobre mim?
— Ele disse que você era um guia de montanha — Jake respondeu. — Precisamos de um para nos conduzir através das Montanhas Taurus. Somos estudantes de zoologia. Estamos à procura de um leopardo.
Ele deu de ombros. 
— Não há mais leopardos.
— Nós temos razões para acreditar que há um.
Ele balançou a cabeça. 
— Impossível.  Eu estive em todo canto naquelas montanhas e nunca vi provas disso. Apenas histórias que evaporam como contos de fadas.
— Nós não pensamos assim. E estamos dispostos a pagar bem pelo seu tempo. Precisamos de alguém para nos levar para um determinado ponto e vamos ver se podemos rastrear o leopardo.
— Se vocês tem tanta certeza, caçar leopardos é um jogo perigoso. O que fariam se vissem um?
— Atiraríamos nele com um dardo paralisante para podermos fotografá-lo.
Ele olhou para Jake com os olhos castanhos impassíveis.
— Estou vendo.
— Nós pagaríamos o dobro pelo seu serviço.
Ele inclinou a cabeça para o lado.
— Com uma gorjeta de cinquenta por cento, se localizarmos o leopardo.
Ele tomou um gole de café.
— Você pode conseguir rifles com dardos tranquilizantes? — Jake perguntou.
— Eu construo com minhas próprias mãos o que for necessário, se o preço for justo.
Jake esperou. Todos eles esperaram. Dan deu um gole no café forte e precisou de toda a sua força para não se engasgar. Ele tomou um gole de água, observando o rosto do homem enquanto ele considerava. Dan tentou parecer maduro e pronto para qualquer coisa.
— Nós saímos ao amanhecer — disse Sadik.

Um comentário:

  1. Pony, Atticus, Jake, Dan, Amy, Ian, Hamilton e Jonah, acho que até o escritor já se perdeu com tantos membros no grupo

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