4 de outubro de 2016

Capítulo 33

Não! Kylie gritou em sua cabeça, assim que Jane Doe deitou-se novamente na cama e se resignou a ver seu ventre ser cortado sem nada para entorpecer a dor.
— Kylie?! Acorde!
Kylie sentiu que alguém a sacudia. Ainda gritando, ela abriu os olhos e viu Della e Miranda debruçadas sobre ela. Conseguiu parar de gritar, mas não de tremer.
— Será que é melhor chamar Holiday? — Miranda perguntou, parecendo preocupada.
Kylie balançou a cabeça negativamente.
— Eu estou bem. — Ela se virou e secou as lágrimas no cobertor. — Voltem a dormir — murmurou. Seu coração ainda estava em pânico por causa da visão, e ela podia sentir o frio. Jane estava ali.
Della e Miranda se entreolharam como se não soubessem o que fazer.
— Podem ir — ela repetiu.
Assim que elas saíram, Kylie se sentou. Jane se acomodou na beirada da cama. Seu abdome tinha um corte escancarado de onde o sangue vertia sobre as suas coxas nuas.
— Eu não matei o meu bebê. Eu o amava.
— Eu sei. Eu vi. — Kylie odiava ter que perguntar, mas era justamente para encontrar respostas que Jane a tinha procurado. — O bebê morreu? Foi isso que aconteceu? O bebê morreu durante o parto?
Jane olhou para Kylie novamente.
— Não. — Ela sorriu, e instantaneamente o sangue em suas mãos desapareceu. Agora ela vestia um bonito vestido de verão, estampado com grandes girassóis amarelos — Ele sobreviveu. Meu bebê sobreviveu. Eu me certifiquei de que ele estava bem. E então voltei para casa.
— Onde era a casa? — Kylie perguntou. — De quem era a casa?
Jane piscou e depois olhou para Kylie.
— Eu não sei. Não me lembro.
— Eu estou um pouco confusa — disse Kylie. — Você morreu durante o parto?
— Não, eu já te mostrei como morri. Eles me mataram. — E então ela se desvaneceu.
Demorou uma eternidade para Kylie voltar a dormir e, quando isso aconteceu, outro sonho a arrebatou. Imediatamente, ela percebeu o que estava acontecendo. Não tinha começado a entrar dentro do sonho de alguém, desta vez alguém havia entrado no sonho dela.
Ela esperou apenas uma fração de segundo para se certificar de que não era Derek, e então o viu. Ruivo. Ele estava junto ao lago.
— Eu não estou tentando enganá-la desta vez — explicou ele.
— Me deixe em paz! — ela gritou.
— Eu preciso te dizer...
Kylie acordou em pânico em sua cama. Ruivo tinha desaparecido.
— E não volte! — ela gritou, esfregando os braços com as mãos, orgulhosa ao ver que tinha conseguido acordar rapidamente.


Os quatro ou cinco dias seguintes, em Shadow Falls, foram dedicados à tarefa de preparar o acampamento para se tornar uma escola em tempo integral, e aquilo foi muito bom para Kylie. Holiday estava ocupada entrevistando mais alguns candidatos a professores, enquanto um grupo de operários, todos sobrenaturais, construía cabanas grandes para abrigar as salas de aula. Outra equipe de sobrenaturais instalava aquecedores nas cabanas dos campistas.
Kylie ainda estava sendo acompanhada pela sombra. Como mais nada tinha acontecido, ela começava a se sentir culpada por sobrecarregar os horários dos amigos, já tão sobrecarregados. Na manhã de sexta-feira, ela foi ao escritório de Burnett para sugerir que dispensassem a sombra. Ele não concordou.
— É agora que temos que ter mais cuidado — ele explicou.
— Por quê? — Kylie perguntou.
Ele franziu a testa.
— Para começar, que tal porque este lugar agora está num entra e sai o dia todo. E eu não gosto de estranhos por aqui
Kylie sentiu um arrepio percorrer a sua espinha.
— Você acha que alguém que está trabalhando aqui pode estar a serviço de Mario?
Se isso fosse possível, explicaria o pressentimento crescente de Miranda de que alguém estava à espreita em torno da sua cabana. A amiga tinha começado a lançar feitiços de proteção na porta todos os dias e até procurado Holiday e Burnett para contar suas preocupações. Os líderes do acampamento ouviram as preocupações de Miranda, mas não acharam que se tratasse de uma grande ameaça. Ou pelo menos era isso o que Kylie presumira até agora.
Burnett, com todos os seus noventa quilos de puro músculo, recostou-se na cadeira do seu escritório.
— Eu verifiquei as credenciais de todos, dezenas de vezes.
Ele pegou uma bola de borracha em forma de coração com as palavras Doe Sangue e apertou-a.
— Talvez Holiday esteja certa e eu esteja sendo excessivamente cauteloso, mas não vou correr riscos.
Burnett virou a cabeça para o lado, como se estivesse ouvindo algo do lado de fora da cabana, e franziu a testa.
— Outro lobisomem arranjando encrenca. Vou ficar muito feliz amanhã, quando a Lua cheia já tiver passado. Com licença.
Ele disparou para fora da sala.
Kylie foi atrás dele, com receio de que Lucas estivesse envolvido na briga. Embora normalmente ela não se preocupasse com a possibilidade de Lucas se meter em encrencas, nestes últimos dias ele estava muito mais tenso. Na noite anterior, quando foi à cabana dela para dizer boa-noite, mal a beijara.
Quando ela perguntou se havia algo errado, ele a lembrou de que, quanto mais perto estava a Lua cheia, mais ele era dominado pelos instintos em vez da lógica. Então Lucas tinha estendido a mão e passado um dedo suavemente pelos lábios dela.
— Você é a tentação na forma mais pura, Kylie Galen.
Havia uma parte de Kylie que queria ceder a essa tentação, mas outra parte que ainda resistia. E embora ela desejasse que não fosse verdade, sabia que parte da razão dessa resistência tinha a ver com a avó de Lucas.
No momento em que Kylie chegou aos degraus da varanda, Della apareceu.
— Ellie e Fredericka estão brigando.
— Por quê? — Kylie perguntou.
— Pelo que sei, Ellie ouviu Fredericka falando mal de você e quis dar uma lição nela. Você sabe, eu odeio admitir, mas Ellie está subindo no meu conceito.
— Ah, droga! Onde elas estão?
— Perto da cabana de Ellie.
Kylie disparou pela trilha. No momento em que chegou à cabana da amiga, Burnett segurava Fredericka e Lucas tentava conter Ellie. A vampira sangrava, e pelo brilho nos olhos dela, não desistira de lutar.
— Me larga! — ela rosnou para Lucas. — Eu vou ensinar uma lição a essa cadela!
— Calma aí! — disse Lucas. Seus próprios olhos estavam da cor laranja brilhante. — Ela vai rasgar a sua garganta. Você não pode vencer uma briga com um lobisomem um dia antes da Lua cheia.
— Ah, é? Então fica olhando! — Ellie tentou novamente se soltar, mostrando as presas.
— Pare! Ou eu vou ter que te dar uma lição eu mesmo — resmungou Lucas, o corpo cada vez mais tenso e os olhos brilhantes. Obviamente, com o seu próprio corpo sentindo os efeitos da Lua cheia, ele não devia estar tentando apartar uma briga.
— Por quê? — Ellie contestou. — Por que você protege essa loba? Você devia estar me ajudando a chutar a bunda dela. E eu pensei que Kylie era sua namorada. A quem você é leal? A essa garota ou a Kylie?
Lucas ficou paralisado. A pergunta parecia tê-lo pego desprevenido.
— Eu estou tentando salvar a sua vida, mas não sei se vale muito a pena.
— Porque não sou um lobisomem? — Ellie cuspiu de volta.
— Chega! — Burnett rugiu.
Lucas soltou Ellie. A vampira, contrariada, recuou, mas os seus olhos continuaram brilhantes. Então seu olhar zangado encontrou o de Kylie.
— Você definitivamente escolheu o cara errado. Derek jamais defenderia alguém que falou mal de você daquele jeito. Nunca!
O olhar de Kylie encontrou o de Lucas por um momento, e então ela se virou e foi embora.
Aquela noite, Kylie acordou com o cheiro de rosas. Antes de abrir os olhos, reparou na temperatura para se certificar de que não era Jane.
Ou pior, outra visão. Mas não. Nada de frio. Apenas o doce aroma floral.
— Oi, linda! — disse uma voz familiar masculina. Ela abriu os olhos.
Lucas estava ajoelhado ao lado da cama, segurando um buquê de rosas na mão. Ela se sentou e viu mais rosas por todo o quarto.
— O que você fez? Assaltou uma floricultura?
Ele lhe lançou um sorriso de bad boy, e Kylie sentiu o coração derreter apenas um pouco.
— Não, mas garanto que minha avó vai ficar bem chateada quando ver seu jardim amanhã.
Ela sorriu e, em seguida, lembrou-se de que estava ressentida com ele. E, sim, talvez isso não fosse justo, visto que tudo o que ele tinha feito era a coisa certa, apartando a briga, mas as palavras de Ellie tinham calado fundo. E Kylie estava magoada.
Não ajudava muito saber que, depois que se transformasse em lobo, ele iria fugir para a floresta com Fredericka em seu encalço. Por isso, quando ele tinha aparecido mais cedo naquele dia para vê-la, ela tinha dito que estava com dor de cabeça e ido para a cama.
Mas agora ele estava de volta. E desta vez, não tinha pedido permissão para entrar em seu quarto.
— Chega pra lá! — disse ele.
Kylie arqueou uma sobrancelha, lembrando-se da cautela dele à medida que a transformação se aproximava.
— É uma boa ideia?
— Eu vou me comportar. Pode ter certeza. Só quero abraçar você e me desculpar.
— Pelo quê?
Ele pegou uma rosa e passou-a pelo nariz e pelos lábios dela. Sua textura era macia contra a sua pele... um pouco como veludo.
— Lamento que Fredericka esteja sendo tão idiota. Desculpe pelo jeito como tudo pareceu. Eu não estava defendendo Fredericka. Estava tentando evitar que Ellie se machucasse.
Ele estava fazendo aquilo novamente. Fazendo a coisa certa. E ela sabia que ele falava a verdade.
— No entanto... — Ele colocou a rosa ao lado do travesseiro dela. — Comecei a pensar sobre como eu me sentiria se fosse você defendendo Derek. Eu realmente não ia gostar. — Ele a envolveu em seus braços, empurrou-a para o canto da cama e em seguida se deitou ao seu lado.
Ela sentiu o calor do corpo dele ao seu lado e os lábios dele roçando na sua bochecha.
— Você é o que há de mais importante pra mim, Kylie. Não existe nada em você que não me fascine. O jeito como os seus olhos se iluminam quando você sorri. O som da sua risada. — Ele pegou a rosa e correu pela sua boca novamente. — O formato dos seus lábios. O jeito como se encaixam aos meus.
Ele moveu a rosa mais para cima.
— O seu nariz. Arrebitado na ponta.
— Não é tão arrebitado assim. — Ela sempre detestara seu nariz.
— Talvez só um pouquinho. — Ele sorriu. — Mas é uma graça. E adoro o jeito como você espirra.
— Agora você está indo longe demais. — Ela riu.
— Sério, adoro o barulho que você faz quando espirra. Parece mais com um filhotinho do que com um ser humano. Um filhotinho de cachorro muito bonito e sexy.
Seu sorriso sumiu e seus olhos azuis fitaram os dela.
— Pela primeira vez em toda a minha vida, não estou ansioso pra me transformar. Porque.... aí não vou poder beijar você assim. — Seus lábios comprimiram os dela, mas ele terminou o beijo rápido demais. — Eu vou estar lá fora. E você vai estar aqui. E, em vez de sentir a emoção de estar livre deste corpo, vou estar sentindo a sua falta.
Ele a beijou de leve nos lábios novamente.
— Então, por favor, por favor, não fique com raiva de mim. Eu não queria fazer você se sentir mal, ou pensar que existe alguém mais importante pra mim do que você. Porque não existe. Eu mataria por você, Kylie Galen. Mas, mais do que isso, eu morreria por você.
Ela sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto.
— É melhor você não morrer por mim, Lucas Parker.
Ele pôs o dedo sobre a lágrima e secou-a.
— Estou perdoado?
— Sim. Está perdoado. — Ela estendeu a mão e a colocou atrás do pescoço dele, então puxou-o para um beijo. Sua boca devorou a dela, sua língua varreu seus lábios. Depois de longos e deliciosos instantes, ele a beijou no pescoço. Fez cócegas, depois fez sua pele formigar e, em pouco tempo, ela ouviu o zumbido suave que emanava dele. Ela gostava de ouvir aquele som. Gostava de saber que ela o provocava. Gostava de sentir suas inibições se desvanecendo quando o ouvia.
A mão dele deslizou por baixo da blusa dela, tocando a pele nua. Tocaram as laterais dos seios e depois começaram a subir. Elas estavam quentes como o sol contra sua pele. Kylie fechou os olhos, adorando a sensação. Ela queria aquilo.
Ele interrompeu o beijo e afastou as mãos.
— Ok, é hora de ir.
Ele saltou da cama e franziu a testa.
— Sinto muito.
Ela mordeu o lábio para não dizer que estava tudo bem. Para não pedir que ele voltasse para a cama. Em vez disso, sussurrou:
— Eu não sinto.
Ele olhou para ela.
— Você é tão linda... E se eu não for agora... — Ele se virou para ir embora.
— Lucas?
Ele se virou.
— Sim?
— Obrigada pelas rosas.
— De nada. — Ele olhou para a porta. — Preciso ir antes que meu tempo acabe.
— Seu tempo? — ela perguntou.
Ele encolheu os ombros.
— Eu disse para Della chutar a minha bunda se eu ficasse mais de vinte minutos. — Ele olhou para o relógio. — E conhecendo essa vampira...
— O tempo acabou! — Della bateu na porta com tanta força que Kylie ficou surpresa de não vê-la se despedaçar.
Lucas sorriu.
— Eu sabia que podia contar com ela.
Kylie riu.
Depois que Lucas se foi, ela se recostou na cama, olhou para o teto e apenas inspirou o perfume de rosas, tentando se lembrar de cada palavra que ele dissera. Ela queria se lembrar dessa noite para sempre.


Vários dias depois, com o estômago roncando e Jonathon, a sombra do dia, em seus calcanhares, Kylie foi para o refeitório tomar seu café da manhã.
A vida tinha ficado mais tranquila. Pelo menos um pouco. Com o fim da Lua cheia, Lucas estava de volta ao seu estado normal e mais paciente. E estava incrivelmente atencioso, também. Mas, para ser franca, Kylie sentia falta de ouvir o zumbido no peito dele.
Não que ela não gostasse do seu lado doce. Ele tinha até trazido mais rosas na noite anterior. Se a senhora Parker ainda não tivesse motivo suficiente para não gostar dela, Kylie achava que ver seu roseiral dizimado logo garantiria que ela passasse a não gostar.
Até o fantasma de Kylie estava mais calmo. Jane Doe ainda fazia visitas regulares, mas voltou a ficar em silêncio. O que não a desagradava nem um pouco.
Kylie abaixou para se desviar de um galho baixo no meio da trilha e acelerou o passo.
— Não! Eu não posso acreditar que você sugeriu isso!
A voz de Holiday soou nos ouvidos de Kylie vinda de uma distância de quase um quilômetro do escritório. Kylie parou e olhou em volta para se certificar de que a líder do acampamento não estava por perto.
Não estava.
Devia ser a sua audição supersensível de novo. Ela tinha aparecido de modo intermitente desde a conversa entre sua mãe e Holiday no Dia dos Pais. Curiosa, Kylie fitou Jonathon para ver se ele tinha ouvido também.
— O que foi? — perguntou ele.
— Eu achei que tinha ouvido alguma coisa. Você ouviu?
— Ouvi o quê? — Ele começou a olhar ao redor. — A maldita da gralha azul não está de volta, né? Estou te dizendo, esse pássaro não é normal.
O pássaro tinha voltado mais três vezes. E Jonathon estivera presente em dois desses encontros.
— Não, não é isso. Eu acho que ouvi Holiday.
Jonathon inclinou a cabeça para o lado como se para testar sua própria audição supersensível.
— Não ouvi nada.
Então, será que sua audição era mais sensível do que a de um vampiro? O que isso queria dizer? Especialmente quando ela ainda tinha o padrão cerebral de um ser humano.
— Eu não tenho escolha — disse Burnett.
Que ótimo. Eles estavam brigando novamente. Sobre o que desta vez? Kylie se perguntou, enquanto seguia para o refeitório. Se fosse para dar sua opinião, ela diria que Holiday estava apenas dando outra desculpa para tentar colocar alguma distância entre ela e Burnett. Desde que Kylie tinha entrado na cabana e encontrado os dois se beijando, não os tinha visto a menos de um metro um do outro.
— Você tem escolhasim — contestou Holiday. — Você vai voltar e dizer que eu disse não.
— São só alguns testes. Não iam demorar muito e poderiam esclarecer tudo.
— Eu disse, não!
— Agora eu estou ouvindo Holiday — disse Jonathan. — Ela não parece muito feliz.
— Você não acha que é Kylie quem devia decidir?
— O que eu devo decidir? — Kylie murmurou, e mudou de direção, começando a caminhar na direção do escritório.
— Não! — Holiday insistiu.
— Ela quer respostas. E os testes poderiam dar isso a ela.
Kylie acelerou o passo. Que respostas? Não importava, ela percebeu.
Ela queria qualquer resposta que pudesse obter.
— Eu não vou permitir!
— Não vai permitir o quê? — perguntou Kylie, entrando impetuosamente no escritório e deixando Jonathon para trás.
Holiday e Burnett se viraram. Ela apontou para a porta.
— Saia! — disse a Burnett.
— Não! — Kylie entrou na frente dele. — Ele fica. Isso é sobre mim e eu preciso saber.
Holiday olhou para Burnett com raiva, então fitou Kylie.
— Você não iria entender.
— Por que não experimenta me contar? — Ela se voltou para Burnett. — Comece a falar.
O vampiro olhou para Holiday.
— A UPF quer fazer alguns testes em você — esclareceu Holiday. — Para ver se descobrem o que você é.
A esperança cresceu no peito de Kylie.
— Pensei que não existisse nenhum teste que esclarecesse isso. — Ela se lembrou de já ter perguntado sobre isso a Holiday.
— E não existe mesmo! — ela insistiu. — Eles só querem brincar com o seu cérebro...
— Eu vou fazer — disse Kylie.
— Não! — Holiday olhou para ela horrorizada. — Eu me recuso a deixar que usem você como um rato de laboratório. Não há garantias de que esses testes sejam seguros, e eles podem nem funcionar.
Kylie olhou para Burnett.
— Eles são seguros?
Burnett encarou Holiday, com os olhos cor de âmbar indicando que estava contrariado.
— Eu não iria deixá-los fazer nada que não fosse seguro — ele rosnou. — Você não confia nem um pouco em mim?
— Eu não confio nem um pouco na UPF. Histórias se repetem.
— Que tipo de testes seria? — Kylie perguntou.
— Apenas algumas tomografias — disse Burnett.
— Não! — Holiday voltou-se para Kylie. — Eles vão usar você como cobaia!
— Não vão machucá-la — insistiu Burnett.
— Eu sei. Porque ela não vai fazer os testes! — Holiday exclamou.
O ar gelado invadiu o quarto tão rápido que a respiração de Kylie fez pequenos flocos de gelo se acumularem nos seus lábios. Jane materializou-se e, ao mesmo tempo, três lâmpadas no teto estouraram. Fragmentos de vidro se espalharam pelo cômodo.
— Que diabos é isso? — Burnett olhou para cima e deu um passo na direção de Kylie.
Os móbiles de cristal de Holiday, pendurados por todo o escritório, começaram a balançar, provocando espirais das cores do arco-íris em torno deles.
O laptop sobre a mesa de Holiday começou a apitar, fazendo ruídos de mau funcionamento.
— Você fique longe dela! — Jane cruzou o cômodo e ficou entre Kylie e Burnett. — Corra, Kylie! — Jane gritou no mesmo tom que usou para avisar Kylie do sumidouro.
— Qual o problema? — Kylie perguntou.
— Ele está errado! — Jane gritou.
Holiday olhou ao redor da sala.
— O que está acontecendo, Kylie?
— Acho que ela pensa que Burnett está tentando me ferir.
— Diga a ela para sair — Holiday insistiu.
— Jane, você vai ter que ir.
Mas Jane não estava escutando.
Burnett deu mais um passo para perto de Kylie. Jane gritou e em seguida estendeu o braço, fincando a mão dentro do peito de Burnett. Kylie não só podia ver a mão de Jane, como também o interior do peito do vampiro. E ela viu com horror quando a mão de Jane se fechou em torno do coração de Burnett.
— Não! — Kylie gritou.
Burnett olhou para Holiday e colocou a mão no peito.
— Pare! — ela exigiu.
Burnett caiu no chão com um baque surdo.

5 comentários:

  1. Acho q a Jane é a mãe do Daniel e avó da Kylie e que ela morreu em um desses testes

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  2. — Sério, adoro o barulho que você faz quando espirra. Parece mais com um filhotinho do que com um ser humano. Um filhotinho de cachorro muito bonito e sexy.
    Mdsssss gente oq ta acontecendo ?Por favor mais partes quentes!!!!!!

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  3. Também acho que a Jane possa ser avó de Kylie.

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  4. Comentários sobre a Jane ser a avó de Kylie... Pq eu to com uma pulga atrás da orelha envolvendo a Jane e o Ruivo??

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