8 de outubro de 2016

Capítulo 32

— Aonde você vai? — Della perguntou quando Kylie saiu do quarto uma hora depois, com o cabelo penteado, os dentes escovados e – graças a Deus – nenhum brilho irradiando do seu corpo.
Ela quase disse a Della que não tinha mais que dar relatórios sobre onde ia ou deixava de ir, mas concluiu que ela própria faria a mesma pergunta, caso Della estivesse saindo da cabana.
— Vou me encontrar com Lucas — disse Kylie.
Della inclinou a cabeça para ouvir o coração da amiga.
— Não estou mentindo — afirmou Kylie.
— Eu sei. Eu ouvi — confirmou Della. — Divirta-se. E não faça nada que eu não faria...
— Bem... — brincou Kylie, tentando não parecer irritada. — Isso me deixa com muitas opções...
Della deu uma risadinha.
— Mas se você voltar brilhando, vou saber o que você fez.
— Não tem graça — protestou Kylie, com sinceridade. Então deixou a cabana.
Felizmente, ela tinha parado de brilhar uns dez minutos depois de ter curado Helen. Para o seu mais completo desespero, quando perguntou a Holiday por que aquilo estava acontecendo, a amiga respondeu que não sabia, pois nunca tinha acontecido quando ela curava alguém.
Kylie não ficou surpresa quando Holiday deu de ombros e disse que não sabia. Mas aquilo contribuiu para que pensasse no aviso do avô com mais seriedade. E se não parassem de acontecer coisas estranhas? Nesse momento, eram só os sobrenaturais que a consideravam uma aberração da natureza. Mas o que aconteceria se algo assim acontecesse na frente de algum ser humano normal?
Kylie disparou pela trilha, na esperança de que a sensação do vento em seus cabelos amenizasse a sua ansiedade, e chegou ao escritório em pouquíssimo tempo. As vozes de algumas pessoas que ainda se demoravam um pouco mais no refeitório ecoavam pela noite. Antes que alguém a visse, ela contornou a cabana do escritório. No segundo em que viu Lucas esperando por ela ao lado de uma árvore, sua frustração se desvaneceu.
Ela correu na direção dele e Lucas a tomou nos braços, puxando-a de encontro a ele. Seus braços envolveram sua cintura, os polegares deslizando por debaixo da blusa e tocando sua pele nua. O beijo foi terno e carinhoso. Quando ele se afastou e sorriu, ela sabia o que ele estava pensando.
— Nem toque no assunto! — ela avisou, sentindo que estava prestes a ouvir mais uma piadinha sobre a sua “luminescência”.
— Só estou com ciúme.
— Ciúme? — perguntou ela, achando que tinha entendido errado. — Do quê?
— Eu quero ser a única coisa que faz você brilhar.
Ela deu um tapa de leve no peito largo do namorado.
— Vou repetir o que eu já disse para Della e Miranda. Não tem graça nenhuma.
— Você estava linda. — Ela sentiu que o comentário era sincero. — Parecia um anjo.
Ela franziu a testa.
— Eu não quero ser um anjo. Quero ser uma sobrenatural normal.
— Tudo bem, não vamos mais falar sobre isso. Só vou beijar você.
E que beijo delicioso! Mais ardente, mais carinhoso e mais inebriante do que todos os outros. Quando se afastou, ela ouvir o mesmo zumbido familiar, um mecanismo natural de sedução entre os lobos, que funcionava às mil maravilhas com ela. Kylie se deixou levar por aquele som.
— A lua cheia deve estar próxima outra vez. — Ela sorriu ao ver o ardor no olhar de Lucas, sabendo que os seus próprios olhos deviam expressar a mesma emoção.
— Isso mesmo. — Ele inspirou, como se tentasse clarear os pensamentos. — Você está me deixando louco. Às vezes, eu só quero... — Ele deu um passo para trás. — Vamos conversar um pouco.
Ela sorriu.
— Eu gosto de levá-lo à loucura...
— Verdade — disse ele num tom bem-humorado, apontando um dedo para o rosto dela.
Não era bem verdade, Kylie pensou. Não era como se ela planejasse deixar que qualquer coisa acontecesse aquela noite... Mas se deixasse... Nesse momento, ela se lembrou das sábias palavras de Holiday sobre os garotos, ou melhor, sobre sexo. Quando você tomar essa decisão, que ela seja tomada racionalmente e não apenas por impulso. Entende a diferença?
Kylie entendia muito bem. O problema é que era mais fácil agir por impulso do que agir racionalmente. Agir racionalmente significava conversar a respeito. E isso seria embaraçoso.
Ela ofegou ao perceber algo de repente. Se não conseguia falar sobre uma coisa, era sinal de que ainda não estava pronta para praticá-la – porque, a menos que ela quisesse sentir o mesmo pânico da amiga Sara com a possibilidade de uma gravidez indesejada, era essencial que conversassem a respeito.
— O que foi? — perguntou Lucas.
Ela abriu a boca para responder – para falar sobe o que estava pensando – mas seus lábios se fecharam com a mesma rapidez. Eles poderiam conversar sobre o assunto mais tarde. Mais tarde, mas, certamente, antes que algo acontecesse.
— Nada. — A voz dela soou como um sapo prestes a coaxar.
Ele estudou o rosto dela.
— Você está quase brilhando de novo.
— Ah, não! — Ela olhou para os braços e observou-os em pânico.
Ele riu.
— Não, só quis dizer que você está vermelha. Onde estava esta cabecinha? — Ele deu uma batidinha na testa dela e, com seus dons de fae, ela sentiu a paixão irradiando dele.
— Em lugar nenhum — mentiu. — Vamos só... conversar. — Mas não sobre sexo. Porque, obviamente, ela não estava pronta para ter essa conversa.
Ele a encarou como se não acreditasse nela, depois pegou sua mão e entrelaçou os dedos nos dela. Sua palma estava quente, mas nem perto do que costumava estar quando ela era vampira.
— Tudo bem. Então vamos conversar. — Eles se sentaram na grama macia, sob a copa da árvore. — Por que você não me conta como conseguiu se livrar da história da sombra? Não acredito que Burnett tenha desistido de uma coisa dessas com tanta facilidade.
— Ele não queria. Mas eu... — Ela se lembrou da estranha sensação que teve quando enfrentou Burnett e Holiday. Como se o poder da persuasão fosse... um poder de verdade. Talvez fosse de fato. — Eu o convenci.
— Como? Ele não é alguém que se deixe convencer facilmente.
— Eu... ameacei deixar Shadow Falls.
— Deixar Shadow Falls? — A preocupação se estampou nos olhos dele. — Foi só pra convencê-lo, não é?
Em grande parte, sim, mas estou começando a me preocupar. Ela quase disse isso a ele, mas decidiu que não queria travar essa conversa em particular com Lucas, não quando tinham tão pouco tempo juntos, por isso ela só concordou com a cabeça.
— Eu concordei em não entrar nos bosques e avisá-los antes de ir ver o meu avô.
— O quê? — Seu acentuado instinto de proteção de lobisomem entrou em ação. — Burnett vai deixar você ver o seu avô outra vez? Sozinha?
Ela fez que sim.
— Contanto que não pareça muito perigoso.
— Como você vai saber se é perigoso? — Ele balançou a cabeça, o cabelo preto caído sobre a testa. — Você não vai fazer isso até eu voltar. — Ele segurou o queixo de Kylie com uma mão. — Me prometa.
— Voltar de onde? — ela perguntou.
Sua expressão se fechou.
— Meu pai de novo. Dessa vez eu vou ter que ficar algum tempo por lá. Uma semana ou mais.
Ela tentou entender o que aquilo significava.
— Mas as aulas começam amanhã.
— Eu sei. — Suas palavras estavam carregadas de sarcasmo. — Mas meu pai não dá muito valor à educação.
— Você não pode simplesmente dizer isso a ele? Que você vai vê-lo no final de semana dos pais?
— Eu gostaria muito.
— Mas por que tanto tempo? — De repente ela não conseguiu deixar de se perguntar se Fredericka iria com ele.
Ele tocou a bochecha dela.
— Ele está insistindo, Kylie. Quando põe uma coisa na cabeça, ninguém a tira. Eu lamento.
A sinceridade em sua voz comoveu Kylie. Sinceridade e... culpa. Pelo quê?
Ele colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
— Você sabe que eu tenho que fazer isso para entrar para o conselho. Eu não faria nada disso se não fosse preciso. E... quando tudo acabar, estou fora.
— Quando o que acabar? O que ele quer que você faça?
— Ele é só... Ele é louco e eu tenho que concordar com ele por ora. Por favor... só tenha um pouco mais de paciência. Em menos de um mês, o conselho vai fazer a sua escolha. Um mês é tudo de que preciso e depois eu não tenho mais que concordar com os planos dele.
— Que planos são esses? — Ela sentiu o ressentimento crescer dentro de si. — Eu detesto os seus segredos.
— Eu sei — ele disse. — Eu também detesto. Mas você tem que confiar em mim.
Por alguma razão insana, quando ele disse “confiar”, ela sentiu que ele queria dizer... algo mais. Algo como...
— Fredericka vai com você?
— Não — respondeu. — Vou sozinho.
— Nem Clara irá? — ela perguntou, ainda confusa com as emoções que captava dele.
— Não. Ela pode até ir também, mas não vai ficar lá. — Lucas a puxou de encontro a ele e os dois ficaram ali sentados em silêncio por um longo tempo. Ela sofria por ele, porque sentia quanto o namorado de fato não queria ir, nem estava disposto a fazer o que o pai planejava.
No entanto, ele iria e provavelmente faria – qualquer coisa que fosse. E se sentia culpado por isso. Por quê?
— Você vai me ligar? — ela finalmente perguntou.
— Vou tentar, mas, se ele estiver monitorando as minhas ligações, não posso me arriscar...
— ... que ele o veja falando comigo... — Kylie terminou a frase por ele.
Lucas suspirou e ela soube a verdade antes mesmo que ele a dissesse.
— Não gosto disso.
Tampouco ela gostava. Nem um pouquinho.
Um segundo se passou e então ele disse.
— Você ainda não prometeu que não vai ver seu avô antes de eu voltar.
— Não posso prometer — Kylie explicou, irritada porque Lucas queria que ela fizesse promessas e as cumprisse, enquanto ele ainda guardava tantos segredos. — Eu vou fazer o que for preciso. — E ele teria que simplesmente aceitar, como ela estava tentando aceitar o que Lucas lhe dissera, ou o que não dissera...


Na manhã de segunda-feira, a agitação do primeiro dia de aula em Shadow Falls não era diferente da de todas as outras que Kylie tinha vivido antes. Ela estava ao mesmo tempo ansiosa e preocupada por ser obrigada a ficar numa sala cheia de gente que parecia saber algum segredo da vida que ela própria desconhecia.
Apesar de saber de que espécie ela era, e de estar cercada de outros sobrenaturais, ela ainda se sentia uma intrusa – uma desgarrada que passava de grupo em grupo, mas não pertencia a nenhum.
Não tinha dúvida de que seguiria Della e Miranda para onde fossem e socializaria com quem quer que elas convivessem e os amigos delas não a rejeitariam, mas ela não se sentiria parte de nenhum grupo. Seria como sempre fora em sua antiga escola. A única diferença era que antes ela estava com Sara, outra desgarrada.
Enquanto se maquiava, Kylie pensou em Sara. Fazia semanas que não se falavam, mas Kylie mudaria isso mais tarde. Embora ela aceitasse que ambas tinham mudado e provavelmente nunca mais teriam tanto em comum como um dia tiveram, Sara ainda era... Sara. E hoje Kylie sentia mais falta dela do que nunca.
O ar da manhã já trazia com ele um toque outonal. A decisão do que vestir e como pentear o cabelo tinha tomado mais tempo do que deveria. Ela não deveria nem se importar com isso, visto que Lucas não estaria presente, mas provavelmente foi contagiada pelo mesmo vírus que Della e Miranda, que se esmeravam para parecerem perfeitas.
Kylie não tinha se arrumado para ninguém. No entanto, quando Derek a procurou com os olhos da mesa onde estavam os faes, seu olhar foi a prova de que ela estava bonita. Quando menos esperava, ela estava sorrindo, mas o sorriso, no entanto, logo se desvaneceu quando ela começou a sentir falta de Lucas.
Depois do café, era a Hora do Encontro com os colegas do acampamento. Kylie tirou o nome de Nikki, a nova metamorfa, a garota que Miranda acusava de estar dando em cima de Perry. Kylie estava preocupada com a possibilidade de ser bombardeada com perguntas sobre a o episódio da sua “luminescência”, mas se enganou. Nikki só queria conversar sobre Perry. Miranda tinha razão. A garota estava caída por Perry. Mas Kylie não achava que Nikki fosse correspondida. Mesmo assim, antes de a Hora do Encontro acabar, Kylie tinha sutilmente mencionado que Perry estava comprometido.
E a garota também tinha sutilmente ignorado essa informação.
A Hora não tinha acabado ainda e Kylie ainda não sabia se deveria ou não contar alguma coisa a Miranda. O ciúme não era um sentimento bonito. Kylie tinha sorte por Fredericka não ter ido com Lucas para a casa do pai dele, do contrário ela também estaria se atracando com o “monstro de olhos verdes”, como costumavam chamar o ciúme.
A primeira aula de Kylie era inglês, com Della, Miranda e Derek. Embora ausente aquele dia, Lucas estava na mesma turma que eles. Ava Kane, a nova professora, tinha um estilo fácil de ensinar, embora os garotos só prestassem atenção ao corpo dela. Não havia um único aluno do sexo masculino que não estivesse praticamente babando. Derek não era exceção. Era provável que, se estivesse lá, Lucas também estaria tão fascinado quanto os outros.
Embora os garotos só tivessem olhos para a professora, a professora só tinha olhos para o padrão de Kylie. Será que ele tinha mudado? Ela resolveu se virar para Della e perguntar. A amiga assegurou-a de que ela ainda não passava de uma “fae enfadonha”.
Quando a aula acabou, a senhorita Kane ficou parada na porta. E, quando Kylie passou, ela se inclinou e sussurrou:
— Desculpe, eu não devia ter ficado olhando, mas é que estou tão fascinada por... você!
Kylie sentiu sua sinceridade.
— Tudo bem — respondeu Kylie, embora ela preferisse não chamar tanta atenção. Pelo menos a professora tinha se desculpado, o que mais de noventa por cento dos campistas não faziam.
A aula de história – em seguida – foi mais difícil de enfrentar. Embora o professor Collin Warren tivesse tentado esconder seu nervosismo, ele era evidente. Sua ansiedade impregnava a sala como fumaça, no entanto, ao contrário da senhorita Kane, o professor não olhou Kylie nos olhos nem uma só vez. Francamente, ela não tinha certeza se ele tinha fitado alguém ali nos olhos.
No entanto, como Holiday pedira a Kylie para dar uma mãozinha ao tímido professor quando a aula acabasse, Kylie demorou-se na sala enquanto os outros campistas saíam, para lhe oferecer apoio. Todos os alunos deixaram a sala, exceto Kylie. Ela esperou que o homem reparasse nela, mas ele ficou sentado em sua mesa, a cabeça baixa, os olhos pregados em seus papéis.
Ela se aproximou da mesa dele até ficar à sua frente. Mesmo assim ele não olhou para cima. Tudo bem... era estranho. Ela também era tímida, mas aquilo já era demais! Era o tipo de timidez que exigia medicação!
— Olá! — cumprimentou Kylie.
Ele suspirou como se estivesse contrariado, mas olhou para ela.
— Posso ajudá-la?
Emoções fluíam dele – era muito mais do que uma simples timidez. Era quase medo, mesclado com frustração.
— Eu queria lhe dar as boas-vindas a Shadow Falls. Pode ser difícil...
— Eu... eu preciso de prática. — Ele desviou os olhos. — Vou melhorar.
— Eu não ia fazer nenhuma crítica. — Ela compreendia como ele se sentia, sabendo que não achava que tinha ido muito bem no seu primeiro dia de aula. — A prática faz a perfeição, minha avó sempre dizia.
Ele olhou para ela.
— Você a vê?
— Quem? — Kylie perguntou.
— A sua avó. Ela não morreu? Eu ouvi dizer que você tem o dom de falar com os mortos.
A pergunta pegou Kylie de surpresa.
— Sim. Quer dizer, ela morreu faz quatro meses, mas eu não falei com ela.
— Mas você fala com os outros, não fala? Os mortos?
Kylie assentiu.
— Sim. — Sem conseguir decifrar suas emoções no momento, ela acrescentou: — Eu sei que isso parece bizarro.
— Nem um pouco. Eu adoraria fazer algumas perguntas aos mortos.
Kylie tentou digerir o que o professor tinha dito.
Ele desviou os olhos.
— Quero dizer... por causa do meu gosto pela história. Não seria incrível poder conversar com aqueles que viveram antes de nós?
— Isso faz sentido — concordou Kylie. E de fato fazia, mas ainda assim era estranho. A maioria dos sobrenaturais não apreciaria falar com os mortos, nem mesmo por amor à história. Ela olhou para a porta. — Preciso ir, não posso me atrasar.
Enquanto Kylie saía da sala, ela sentiu o olhar do professor sobre ela. Tudo bem, Collin Warren era ainda mais estranho do que imaginara. Ela realmente esperava que Holiday soubesse o que estava fazendo quando o contratou.
Kylie tinha acabado de deixar a cabana e se posto a caminho da próxima aula quando o telefone tocou. Ao verificar o número, uma onda de nostalgia a percorreu.
— Eu ia te ligar — disse Kylie, com um suspiro.
— O primeiro dia de aula parece estranho sem você aqui — lamentou Sara.
— Eu sei — Kylie mordeu o lábio.
— Como vão as coisas? — perguntou Sara. — Ainda tem dois carinhas muito gatos atrás de você?
— Eu praticamente me decidi por um deles.
— Derek!
— Não — Kylie corrigiu. — Lucas.
— Humm, por alguma razão, eu achei que fosse Derek, mas Lucas é gostosão também.
Por que ela pensou que fosse Derek?
— Como você vai? — perguntou Kylie, concluindo que era melhor nem saber a resposta de Sara para a pergunta que ela fizera mentalmente.
— Ainda sem câncer — disse Sara, com praticidade. — Como você deve saber.
Kylie ignorou o comentário.
— Fico feliz.
— Quando você vai voltar pra casa?
— Acho que daqui a umas duas ou três semanas, no fim de semana com os pais. — Se ela ainda não estivesse exibindo proezas, como brilhar e ficar invisível, ela iria.
— Ótimo, porque eu preciso de um tratamento estilo Kylie. Ai, não... a campainha! Tenho que correr. Ligo pra você daqui uma semana, mais ou menos.
Uma semana? Não muito tempo antes elas não passava nem um dia sem se falar.
Kylie tentou afastar a melancolia que se abateu sobre ela ao pensar em quanto a sua vida tinha mudado. Então, colocando o celular no bolso, correu para a aula. Pensar que ela estaria com Hayden Yates fez com que um calafrio de pavor percorresse a sua espinha.
No segundo em que entrou pela porta da sala de Hayden Yates, Kylie constatou que as vibrações esquisitíssimas de Collin Warren não eram nem de longe tão perturbadoras quanto as de Yates.
O homem nem sequer olhou para Kylie, mas de algum modo ela percebeu que ele estava de olho nela – que ele não só sabia que a garota estava parada na porta como esperava por ela.
A pergunta que dava voltas na sua cabeça ficou mais premente ainda. Ele estava por trás da morte de Hannah e das outras garotas? Se estava, ele sabia que Kylie suspeitava dele?
Ao percorrer a sala, Kylie notou que todo mundo já estava em seus lugares. Só restava uma carteira vazia. Ela sentiu o estômago revirar.
Fredericka estava sentada bem atrás da carteira vazia. A garota sorriu, ou melhor, abriu um sorrisinho sarcástico.
Não tinha ocorrido a Kylie que ela teria que enfrentar a loba em suas aulas. Tentando não olhar para Fredericka, Kylie foi até a carteira e se sentou.
Quando se acomodou, ela ouviu a loba dizer:
— Ah, cara, temos iluminação extra agora que o pirilampo chegou!
Kylie cerrou os dentes e olhou para o livro sobre a carteira.
— Vaca! — Della murmurou do outro lado da sala.
Kylie, de repente zangada consigo mesmo por deixar que Della enfrentasse a outra, virou-se na carteira e encarou a rival.
— Além de brilhar, descobri que tenho outros talentos. Um deles você vai adorar: provoco sarna em lobas que bancam a engraçadinha. Especialmente aquelas que ainda fedem a gambá.
Risadinhas escaparam dos lábios de vários alunos ao redor delas. Fredericka levantou-se da carteira numa atitude defensiva, os olhos adquirindo um tom alaranjado de irritação.
Ao ver a fúria nos olhos intimidadores da loba, Kylie se perguntou se não teria sido melhor ficar de boca fechada. Sem dúvida alguma ela iria ser espicaçada pela outra. E no primeiro dia de aula. Seria ou não um dia memorável?

4 comentários:

  1. Na_boa_a_autora_deixa_bem_explicito_sobre_o_professor_Collin_ser_timido_e_meio_esquisito_por_isso_meio_que_desconfio_dele_o_Yates_ta_obvio_demais_pra_ser_um_vilao_mas_talvez_a_autora_so_fez_isso_pra_confundir

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    1. Também penso isso.
      Essas autoras gostam de brincar com a gente

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  2. Warren muito suspeito mesmo! O Yates é óbvio demais, então a gente até descarta...

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  3. Mas isso de óbvio demais... e menos óbvio confunde a gnt demais!

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Os comentários estão demorando alguns dias para serem aprovados... a situação será normalizada assim que possível. Boa leitura!