14 de outubro de 2016

Capítulo 32

— Vamos ver... — disse Kylie, sem perder tempo. — Comecemos pelo fato de você ter começado uma briga com o meu padrasto na frente de toda a minha escola.
John endireitou os ombros, quase defensivamente.
— Foi ele quem me bateu.
— Depois que você me insultou e o acusou. E você também enfiou a língua na boca da minha mãe na frente de todos os alunos e seus pais. Quer que eu continue? Acho que eu poderia me lembrar de mais alguma coisa rapidinho.
A raiva encheu os olhos do homem, mas ele pareceu estar lutando para contê-la.
— Você não consegue se conter, não é?
Ela abriu para ele seu sorriso mais falso.
— Mas eu estou me contendo!
— Não é nada fácil conversar com você — reclamou ele. — No entanto, o problema é que a sua mãe realmente gosta de mim e eu dela. E não acho que estaria falando bobagem se dissesse que seria muito melhor se pudéssemos nos dar bem.
Kylie se inclinou mais para perto.
— Eu não acho que estaria falando bobagem se dissesse que você nem conhece minha mãe direito para estar me dizendo isso.
Kylie poderia jurar que os olhos dele faiscaram. Com uma espécie de brilho não humano. Ela apertou as sobrancelhas para verificar o padrão do homem.
O que era esse homem?
Seu padrão humano aparecia claramente. Não que ele não pudesse ser um camaleão, mas...
A raiva encheu os olhos cinzentos de John.
— Isso pode acabar ferindo a sua mãe.
As palavras dele saíram tão frias, tão... ameaçadoras, que o instinto protetor de Kylie entrou imediatamente em ação.
— O que você quer dizer com isso? — Ela fechou as mãos em punhos.
Ele desviou o olhar, como se para se acalmar. Quando voltou a olhar para ela, seus olhos tinham voltado ao normal.
— Apenas que os problemas entre nós podem magoar a sua mãe.
Ela o fitou bem dentro dos olhos. E que Deus a ajudasse, porque ela sentiu que ele estava mentindo, que as palavras dele tinham de fato sido uma ameaça. Ela tentou acalmar o sangue que borbulhava em suas veias, mas não conseguiu. Sobre o ombro de John, viu a mãe saindo do banheiro.
Ela se inclinou sobre a mesa e sussurrou para John:
— Se alguém ousar encostar um dedo em minha mãe, essa pessoa vai morrer se arrependendo do que fez.
Nesse mesmo instante, Kylie se deu conta de duas coisas: ela de fato era capaz de se tornar uma guerreira santa. Porque, se John fizesse algum mal à mãe dela, ela poderia, e iria, matá-lo sem nenhum arrependimento. E, em segundo lugar, ela simplesmente não podia morrer, não naquele momento. Não se isso significasse deixar a mãe com aquele crápula.
— Está tudo bem? — A mãe se aproximou da mesa, obviamente percebendo a tensão.
Kylie esperou para ver como John ia se sair.
— Está tudo bem — disse ele. — Estávamos apenas conversando. — Ele se levantou. — Acho que está na hora de irmos embora. — Eles começaram a caminhar, mas o medo pela mãe ficava maior a cada passo. Kylie não poderia deixar que ela fosse embora com aquele homem, não sem avisá-la.
Ela pegou o braço da mãe.
— Quero que você conheça uma pessoa.
John se virou.
— Você pode nos dar um minuto? — Kylie enviou a John um olhar que o desafiava a se opor.
Ele hesitou, mas depois cedeu:
— Vou esperar no carro.
Kylie observou-o sair, desejando que ele continuasse andando, se afastando também da vida delas.
A mãe olhou ao redor.
— Quem você quer que eu conheça?
— Mãe, eu sei que você não vai gostar do que tenho a dizer, mas John me assusta. Estou preocupada com a sua segurança.
— Assusta? — perguntou a mãe. — Não estou entendendo. O que ele fez?
— Eu não confio nele. Ele me dá arrepios. E eu sou muito boa em julgar o caráter das pessoas.
O ressentimento brilhou nos olhos da mãe.
— E eu também, mocinha. Lamento que você não goste dele, mas eu gosto.
A mágoa nos olhos da mãe vibrou no peito de Kylie.
— Eu só quero que você seja cuidadosa e não deixe esse relacionamento evoluir muito rápido.
A mãe fez uma careta.
— Isso é porque você quer que eu e seu pai voltemos a ficar juntos.
— Em primeiro lugar — Kylie disse, agora se sentindo incomodada — Tom é meu padrasto. Em segundo lugar, sim, eu quero que vocês voltem a ficar juntos, mas isso não tem nada a ver com esta história.
— Tem sim, mocinha, porque John é o homem mais carinhoso que eu já conheci. — Ela se inclinou e beijou Kylie no rosto. — Agora, por favor, aceite o fato de que seu padrasto e eu não vamos voltar a ficar juntos. — Ela se virou para ir embora. Kylie ficou ali, temendo o que ela poderia dizer a John se tivesse que enfrentá-lo novamente no carro.
— Você está bem? — A voz masculina soou perto da orelha dela.
A princípio ela pensou que fosse Derek. Ele sempre sabia quando ela estava passando por algum trauma emocional. Mas ela rapidamente reconheceu a voz profunda e sexy. A voz da pessoa com quem tinha passado a última semana tentando quebrar em pedacinhos uma espada de madeira.
Ela se virou.
— Sim. — Então a raiva reprimida transbordou em seu peito e ela soube o que poderia fazer para extravasá-la. — Que tal treinarmos um pouco?
— Agora? — perguntou Lucas.
— Preciso descarregar a raiva.
— Em mim? — Ele deu um sorriso com o canto da boca.
— Não... Quer treinar ou não? — ela retrucou, com pouca disposição para tiradas de humor.
Precisava admitir, alguém tinha lhe enviado uma espada para que ela aprendesse a lutar e, se esperavam que ela lutasse, então obviamente isso significava que era para se manter viva. E ela planejava permanecer viva para proteger a mãe de aberrações como John.
Sim, manter-se viva parecia uma boa ideia.
— Claro! — Os olhos azuis de Lucas se encheram de preocupação. — Vou falar com Burnett. — O olhar dele não se desviou do rosto dela. — O que aconteceu?
— Eu não quero falar — disse ela. — Quero lutar.


Trinta minutos depois, Kylie já havia quebrado uma espada sem que Lucas tivesse dito nada sobre amá-la, sobre como ela era bonita ou sobre eles se beijando na grama.
Ele insistiu para que ela fizesse alguns exercícios de alongamento, dizendo que podia ver a tensão irradiando dela. Ela não estava irradiando nada, estava fervendo por dentro. O medo pela segurança da mãe estava tirando sua sanidade mental, o medo por Lucas e pelo que aconteceria se toda a alcateia se voltasse contra ele acabava com a sua paz de espírito.
— Você ainda não quer falar? — ele perguntou, enquanto duelavam.
Sim, mas simplesmente não sei o que dizer.
— Não — ela mentiu, mudando de posição e conseguindo que sua espada passasse pela dele e, em seguida, espetasse o peito do rapaz.
— Você está ficando muito boa. — Ele olhou para a espada na altura do coração.
Kylie se afastou para deixá-lo recuperar o equilíbrio. Em poucos segundos, estavam lutando novamente, quando ela sentiu o frio se derramando sobre ela.
— Bom demais! A discípula está superando o mestre. Você precisa de um novo professor.
Kylie olhou para o fantasma parado ali com sua própria espada em punho.
Quem mais poderia me ensinar?, Kylie pensou.
Eu, é claro! Mas nada dessa história de lutar com espadas de madeira. Você precisa aprender a lutar com uma arma de verdade.
O coração de Kylie acelerou, quando ela se lembrou do seu principal medo.
Eu vou morrer?
O fantasma soltou um suspiro.
— Isso depende de você.
Como ela podia confiar mais na palavra de um espírito assassino do que na de seu pai? Mas o fato é que ela queria viver.
— Preparada? — perguntou Lucas.
Kylie olhou para ele.
— Um segundo. — Ela olhou de volta para o espírito. Você conhece o meu pai?
Ela fez mentalmente a pergunta ao mesmo tempo em que o espírito se desvaneceu no ar.
Olhando Lucas novamente, Kylie ergueu a espada e a disputa recomeçou.
— Eu preciso dar uma lição nele? — Lucas perguntou enquanto suas espadas se enfrentavam novamente.
— Em quem? — ela perguntou.
— No namorado da sua mãe. — disse Lucas, bloqueando a espada dela.
— Não, eu preciso detê-lo — disse ela. Se ela não morresse primeiro.
Então, ela sentiu um fogo queimar em seu estômago. Ela não ia morrer. Iria lutar e vencer. E Lucas tinha que fazer o mesmo, ela percebeu.
— Você está ficando corajosa! — elogiou Lucas, mas de repente ela perdeu o foco e a espada dele contornou a dela e tocou seu ombro.
Kylie olhou para a ponta da espada.
— Esse não foi um golpe fatal. Não pode contar isso como uma vitória.
— Não, mas você estaria sangrando tanto que não iria durar muito tempo.
— Tudo bem. Conte, então. — Ela deu um passo para trás e se preparou para começar de novo.
Desta vez, ela foi mais cuidadosa, bloqueando golpe a golpe. O suor escorria da sua testa. Seus músculos doíam, seu coração também. Ela abriu a boca para falar alguma coisa sobre os novos movimentos dele, mas acabou dizendo algo totalmente diferente.
— Você devia ter me contado sobre Monique — ela disse, sem saber com que intenção. O barulho de madeira batendo contra madeira enchia o ar com estrondo. — Se eu soubesse... — O que ela teria feito? Haveria alguma chance de ela ter dito que não se importava? Provavelmente não, mas talvez não estivesse agora se sentindo tão traída. Talvez ela não tivesse vinculado esse fato a todas as outras traições que sofrera no passado.
— ... você não teria aceitado — ele terminou por ela. Era verdade. Ele começou os movimentos complicados dos pés ao redor dela novamente. — E você teria todo o direito de não aceitar. Foi um mau julgamento da minha parte.
— Mau para nós, é verdade. Mas talvez fosse a escolha certa para você — disse ela. — Você tem muito a perder, Lucas.
— Eu tenho você a perder! — As espadas batiam forte uma na outra, o ruído alto estalando no ar.
Eles se afastaram um do outro.
— Eu já disse que nós dois terminamos. Fale com Monique, diga que vai se casar com ela.
— Eu não vou me casar com ela! Nunca planejei isso.
— Então volte para o seu plano original, diga que vai se casar, entre para o Conselho e depois volte atrás.
— Não. Foi um plano ruim na época e seria um plano ruim agora.
Kylie respirou, enchendo os pulmões.
— Todo mundo me culpa por arruinar seus sonhos — disse ela. E um dia você vai me culpar também, se eu viver. E aquilo era o que mais doía agora. Não morrer. Mas o fato de que perdoá-lo parecia fácil em comparação a aceitar que ele um dia ficaria ressentido com ela. Ressentido com a escolha que fizera.
Ele levantou a espada para começar a lutar novamente. Ela continuou porque só de olhar para ele já sentia seu peito apertar.
Lucas começou a falar enquanto se movia.
— Qualquer um que culpar você é um idiota. Fui eu que optei por não levar adiante o noivado. Não você. — As espadas se entrechocaram novamente.
— Sua irmã acredita que fui eu. Até a sua avó acredita. Vi nos olhos dela hoje, quando ela pensou em vir falar comigo.
— Minha irmã é uma sonsa. Eu amo minha avó — disse ele, e o som da espada dele cortando o ar provocou um calafrio nas costas de Kylie. — Mas isso não quer dizer que ela esteja certa. Ela segue muitas crenças dos mais velhos.
— A alcateia está se afastando de você. Eu vi isso. — Ela sentiu um nó na garganta novamente. — Você não pode perdê-los, Lucas. Você me disse mil vezes como eles são importantes pra você.
— Mas você é mais importante pra mim. Eu não posso te perder.
— Você já me perdeu! — ela sibilou, bloqueando a espada dele novamente. Ela não podia deixá-lo fazer aquilo. Não podia deixá-lo sacrificar tudo o que queria. Ela não suportaria vê-lo começar a odiá-la algum dia.
Lucas se afastou. Ela esperava que viesse pela esquerda, mas ele veio pela direita, e ela não conseguiu bloqueá-lo. Ele apontou a espada diretamente para o coração dela.
Esse era um golpe fatal.
— Não. — Ele deliberadamente encostou a espada no peito dela. — Seu coração pertence a mim. Nunca se esqueça disso.
Ela cambaleou para trás, a raiva vibrando através dela. Raiva, não tanto dele, mas por saber o quanto ele poderia perder. Ela baixou a espada, se virou e olhou para o lago, a garganta apertada, a visão se toldando com as lágrimas.
Ele veio por trás, sem tocá-la, como se soubesse que ela não permitiria. Em vez disso, chegou tão perto que suas palavras roçaram no rosto dela, provocando arrepios de remorsos em sua espinha.
— Fiquei cego com o que achei que precisasse fazer. Eu estava errado. Fui burro! Mas nem por um minuto deixei de te amar. E é por isso que mereço seu perdão.
De repente, ela sentiu o aperto que sentia no peito diminuir. Ele estava perdoado. Mas, como ela sabia há algum tempo, perdoá-lo não era o maior problema. Uma lágrima caiu dos seus olhos. Ela se afastou alguns metros dele.
— Já chega pra mim — ela disse. — Quero voltar para a cabana.
— Ok — ele concordou, mas parecia se sentir rejeitado e ela sentia a mesma emoção ecoando dentro dela.
Quando ele foi recolher as espadas, ela se virou para vê-lo.
Ele ergueu os olhos. E ela viu tantos sentimentos nos olhos dele... – mágoa, arrependimento, a expectativa de que ela dissesse que o perdoava.
Mas, se ela desse o que Lucas queria, ele só iria insistir mais para que ela voltasse para ele. E como ela poderia fazer isso, se sabia que um dia ele iria ficar ressentido com ela?
Depois de alguns segundos, ele disse:
— Acho que você está pronta para começar a treinar com espadas de verdade.
Ela pensou em quantas vezes sua espada havia tocado o corpo dele acidentalmente, mas depois se lembrou do que o fantasma dissera. Morrer era escolha dela. E ela escolhia viver. Ela precisava estar pronta – pronta para lutar pela vida.
— Tudo bem — ela disse, e tentou não deixar o medo transparecer em sua voz.


— Está pronta?
Kylie tinha acabado de pegar no sono aquela noite, depois de se preocupar por algumas boas horas, quando a voz e o frio a despertaram.
— Pronta pra quê? — perguntou, sem abrir os olhos.
— Para o treino. Eu te disse. Você precisa de um professor melhor.
— Ele é um ótimo professor! — disse ela, defendendo Lucas antes mesmo de se dar conta disso.
— Ele é um ótimo colírio para os olhos. E eu admito que tem algumas habilidades, mas você precisa de mais. Então saia desta cama.
Kylie abriu um olho e viu o espírito, com o rosto a centímetros de distância.
— Você sabia que os vivos precisam de oito horas de sono?
Essa regra só vale para seres humanos. Sobrenaturais podem sobreviver com muito menos. Agora se levante e vamos começar.
— Não estou com a minha espada aqui.
Ah, mas, se você se levantasse, veria que ela já está aqui!
Kylie se lembrou de Holiday dizendo que aquilo não era possível.
— Fantasmas não podem mover objetos.
Eu não disse que eu a trouxe. Eu disse que ela estava aqui.
— Então quem a trouxe? — perguntou Kylie.
Não finja que não sabe. Os mesmos que entregaram a espada a você. Os anjos da morte.
Kylie prendeu a respiração.
— Então eles querem que eu mate Mario?
— Bem, eu não falei diretamente com eles. — Ela se inclinou para mais perto. — Para ser sincera, eles me deixam meio nervosa, mas, quando se trata de matar Mario, parece que estão dando uma mãozinha agora, não parece?
— E você? — perguntou Kylie. — O que você quer? A mesma coisa?
Sabe, eu tentei descobrir isso por mim mesma. Mas toda vez que chego perto da resposta, é como se ela se afastasse mais um pouco. Por que será? — Ela parecia realmente perplexa e vulnerável.
Kylie se lembrou dela de luto pelo filho. Talvez não fosse de todo ruim. Sentou-se e consultou o relógio.
— São duas da manhã. Você realmente quer que eu me levante?
Não acho que você vá conseguir lutar deitada na cama. Eu mataria você antes mesmo que levantasse a espada.
Ok, o espírito era de fato cruel, no final das contas. No entanto, suas palavras fizeram Kylie rastejar para fora das cobertas. Ela viu a espada aos pés da cama. E também viu Socks, sua carinha de gato mal aparecendo por baixo da colcha.
— Ok... por onde começamos? — Kylie pegou sua espada.
— Coloque um vestido branco. Ou algo branco — disse o espírito.
Kylie olhou para a camisola preta que vestia.
— Por quê?
— Você não prefere morrer de branco?
O coração de Kylie quase parou.
O espírito riu.
— É tão fácil te enganar! Coloque branco porque do contrário como vai saber que foi cortada e está sangrando?
Kylie voltou a baixar a espada.
— Eu não tenho certeza se quero treinar.
O espírito riu novamente.
— Não se preocupe. Eu só vou marcar seu vestido. Não posso cortá-la de verdade. Embora a segunda opção seja um instrumento de ensino muito melhor.
Kylie cedeu e pegou uma camiseta branca e um short. Elas foram para a sala de estar. A espada de Kylie emitia um brilho amarelado e vivo.
Elas mal tinham começado a treinar quando Della saiu do quarto às pressas, olhos brilhando, e viu Kylie empunhando a espada.
— Só vou treinar um pouco — explicou Kylie.
— Mas no meio da noite?! Com uma droga de espada brilhante?
Kylie assentiu.
— Você bebe sangue, eu treino com espadas brilhantes.
Della colocou os braços em volta de si, como se estivesse com frio.
— Você tem companhia, não tem?
Sem poder mentir, Kylie assentiu.
— Ah, mas que inferno! — A vampira voltou para o quarto, batendo a porta atrás dela.
— Essa garota não regula bem!
Kylie fez uma careta.
— Não tanto quanto outras pessoas que eu conheço — disse Kylie para si mesma. — Agora vamos começar e acabar logo com isso.
Os quinze minutos seguintes foram os mais difíceis para Kylie. Ela usou todas as técnicas que tinha aprendido com Lucas, mas aquela mulher não seguia as técnicas comuns. Ela não seguia nenhuma regra ao lutar. E se orgulhava disso.
Toda vez que a espada do espírito entrava em contato com o corpo de Kylie, uma marca vermelha aparecia em sua camisa branca ou no short. Cada vez que a espada de Kylie entrava em contato com o corpo da mulher, ela exibia uma ferida aberta e sangrenta. Claro que o fantasma só tinha um arranhão no braço esquerdo. Não era muito, considerando que as roupas de Kylie estavam cobertas de marcas vermelhas.
Isso só fazia Kylie se sentir mais vulnerável e menos capaz de enfrentar uma batalha real. A batalha para a qual Kylie parecia predestinada. A batalha contra Mario. A batalha que ela podia muito bem perder.
Depois de alguns minutos, o espírito começou a despejar ordens, como Lucas fazia. Mova-se desta forma! Mantenha a espada em riste! Avance mais rápido! Nunca perca de vista sua espada!
Kylie finalmente pegou o jeito e por fim bloqueou algumas investidas do espírito. Mas o treino foi interrompido quando a porta da frente da cabana se escancarou de repente e foi arrancada das dobradiças.
O painel de madeira caiu com um grande baque no chão.
Antes que Kylie conseguisse dar uma boa olhada no intruso, a porta de Della bateu no chão com o mesmo estrondo.
A vampira correu para fora do quarto, com os olhos faiscando num tom verde brilhante e as presas totalmente à mostra.

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