31 de outubro de 2016

Capítulo 30

Isso nunca tinha acontecido antes. Nunca, jamais, nenhuma vez. Ninguém nunca tinha feito isso e muitos estavam tentando.
Impossível. April May encarou sua tela de computador. Ela passara as duas últimas horas checando e conferindo e olhando mais uma vez, e continuava chegando à mesma conclusão. Ela teve que encarar o fato de que só porque pensava que algo era impossível de acontecer, não queria dizer que não era possível.
April May tinha sido hackeada.
Não só hackeada, mas belamente hackeada.
O programa era elegante e simples. Se ela não sentisse vontade de pegar seu computador e quebrar na cabeça do criador desse código supremo, ela lhe compraria um Red Bull e o contrataria. Ou contrataria.
beleza da coisa – o hacker tinha criado um sistema completamente falso. Um cavalo de Troia, poderia-se dizer – e não era uma analogia boba, considerando o próximo destino dos Cahill – que tinha imitado um sistema real o suficiente que até ela tinha gasto todo o seu tempo monitorando-o. E então, se ela usasse informações falsas, o hacker as mandava de volta para o sistema dela. Que tinha firewalls e alertas e alarmes, mas ele ou ela conseguiu controlar por tempo suficiente para talvez descobrir alguma informação com que April May não ficou totalmente feliz.
Como, por exemplo, que WALDO teve acesso à rede CCTV das grandes capitais europeias.
Tinha sido um golpe de sorte ela ter conseguido passar a informação de que Amy e Dan estavam na estação de King’s Cross.
Ela fora capaz de entregar as informações a J. Rutherford Pierce, que manteve seu exigente cliente feliz por um nanossegundo antes ele começar a bafejar novamente em seu pescoço.
Seu alerta de e-mail apitou. April clicou nele. Outro e-mail de Pierce, este apenas com três frases:

Cahill em movimento novamente. Visto pela última vez na Livraria Britânica. ENCONTRE-OS OU VOCÊ ESTÁ DESPEDIDA.

O que aconteceu com esses garotos e ameaças? Ele vivia por eles. April respondeu furiosamente.

Istambul.

April sentiu raiva e ressentimento inundando-a, duas emoções que ela não permitia na vida ou no trabalho. Sentou-se calmamente, deixando as emoções aumentarem de intensidade, em seguida, equilibrando-as. Imaginou uma onda quebrando, em seguida, um mar tranquilo. J. Rutherford Pierce tinha um jeito de mexer com seus nervos.
As crianças Cahill foram descobertas a oeste da Irlanda. Ela pesquisara novas contas. Nenhum paparazzi aparecera para fotografar os Cahill malucos fazendo algo arriscado. Não existiam fotos ou menções. Não era por isso que Pierce queria encontrá-los? Assim poderia entregar uma de suas “notícias”?
Mas enquanto ela procurava, encontrou uma bala perdida nas falésias de Moher. Uma jovem tinha saído de barco quando, de repente, uma bala acertou o painel de instrumentos do seu barco. A embarcação afundara e ela foi resgatada por um Jet Ski.
Alguns pescadores reclamaram dos barcos correndo através de um porto...
April se inclinou para frente e clicou no circuito da CCTV. Várias janelas apareceram, e ela pôde acompanhar cada cena com cuidado. Quando descobriu a câmera que estava procurando, ela congelou a imagem. Então ampliou-a.
Não havia paparazzi na Biblioteca Britânica. Havia um homem musculoso, e um brilho prateado em seus dedos. Ele estava segurando o pescoço de Amy Cahill com uma mão, impedindo-a de se mover pela multidão. E aquele brilho prateado era...
Uma agulha hipodérmica.
Ela ampliou os rostos de Amy e Dan Cahill. Medo. Desespero. Fúria. Tudo ali para ver nos músculos tensos de seus rostos, seus olhos arregalados.
Ela deixou a fita rodar. E viu como Dan e Amy mantiveram contato visual o tempo todo. Viu como Dan estava nas pontas dos pés, pronto para atacar aquele homem imenso. Aqueles dois eram mais do que próximos. Dan estava pronto para morrer ela.
A batida do hit de Jonah Wizard começou. A boca de April contraiu. Ela assistiu a performance do flash mob. Percebeu alegria e movimento, mas seus olhos se fixaram em Dan e Amy e... ali estavam eles e seus amigos. Ela isolou a imagem e selecionou os quadros, até que eles foram carregados em seu software.
O e-mail apitou novamente.

Istambul? Descubra por que.

— Isto não está na descrição do meu trabalho — disse April em voz alta. Ela hesitou, os dedos sobre as teclas. Estava começando a perceber que este trabalho não era o que parecia. Seu cliente estava mentindo para ela. Por quê? O que ele queria?
Ele estava tentando matar Amy e Dan Cahill?
A sensação de mal-estar cresceu dentro dela. April se sentou calmamente, repassando a fita da CCTV de novo e de novo. A agulha hipodérmica prata. Os bandidos musculosos que se deslocavam através da multidão.
April sentiu muito frio. Descobriu que tremia.
— Isto não está na descrição do meu trabalho — ela sussurrou.
Pierce estava envolvido nisso? Será que ele sabia?
Ela tinha que descobrir. Isso significava que ela teria que quebrar o precedente e fazer algo que nunca tinha feito antes: trabalho de campo.

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