14 de outubro de 2016

Capítulo 30

Ela passou os trinta minutos seguintes seguindo os movimentos de Lucas. De novo e de novo.
Golpeando com a espada de uma certa forma e, depois, de outra. Ele gritava os comandos. Na verdade, não de uma maneira rude, mas como se fosse do jeito como ele tinha sido ensinado. Ela não podia deixar de imaginar Lucas, bem mais jovem, recebendo as instruções severas do avô.
— Não é assim — disse ele. — Mantenha a espada apontada para o lugar onde o adversário vai estar. E não olhe para baixo. Agora veja onde você está apoiando seu peso. Coloque o seu peso nos seus movimentos.
Kylie perdeu a conta de quantas vezes fizeram isso.
Foi realmente extenuante. O sol aquecia sua pele, o ar estava espesso. Os músculos das pernas de Kylie queimavam depois de todos os agachamentos parciais e estocadas. Ela não reclamou. Nem uma vez. Ela aguentava tudo para sentir o toque dele.
— Assim está ótimo! — exclamou ele, fazendo os mesmos movimentos ao lado dela. — Você está pegando o jeito.
— Ah, meu Deus. Você tem um talento nato!
A céu aberto, ela realmente ouviu a voz antes de sentir o frio do espírito. O espírito ficou à esquerda de Kylie, segurando sua própria espada, seguindo as orientações de Lucas com precisão.
— O que você está fazendo? — perguntou Lucas. — Desloque o peso do corpo para trás e depois para a frente.
Kylie ignorou Lucas, mas continuou a se mover – a atenção dela agora estava na arma do espírito e não em seguir as instruções de Lucas.
Comparando as espadas, ela percebeu que a espada do espírito na verdade não era como a que brilhava nas mãos dela. A lâmina do fantasma era mais fina e cônica. E o punho, como Lucas chamava o cabo, era maior.
Que tipo de espada você tem? Kylie perguntou mentalmente ao espírito, pensando que talvez ela conseguisse levá-la a se abrir, talvez dando a Kylie algo que a ajudasse a mandá-la embora.
— Uma espada bastarda. Eu a roubei de um bastardo. — Ela riu, mas não perdeu o ritmo dos movimentos. Parecia já ter prática.
Quem quer que fosse, as suas habilidades com a espada comparavam-se, se não superavam, as de Lucas.
Estou falando sério. Kylie perdeu um passo.
— Você está bem? — Lucas perguntou, e ela sentiu que ele a observava.
— Sim — Kylie respondeu, mas continuou a se concentrar no espírito. Ela precisava descobrir isso. Quanto mais cedo o fantasma desaparecesse, mais cedo ela poderia se dedicar às suas outras missões.
Quem você quer que eu mate?, perguntou Kylie mentalmente, continuando a se mover, mas obviamente não tão bem quanto antes, porque Lucas tinha parado de treinar e agora estava apenas olhando para ela.
— Você quer fazer uma pausa? — ele perguntou.
Quem é?, Kylie exigiu, e parou de se mover.
O espírito parou seus movimentos e olhou para Lucas.
— Ouça esse cara. Ele é um bom professor. Com um pouco de prática, você estará pronta. Você vai matar o meu inimigo, e então vou deixar você em paz e assumir o meu lugar no inferno.
Inferno? A respiração de Kylie parou. Ela nunca tinha lidado com um espírito que ia para o inferno. Ela só esperava que o fantasma estivesse errado. Mas sabendo o que sabia, todas as pessoas que o espírito dizia ter matado, ele poderia muito bem estar destinado a ir para o inferno.
O espírito desapareceu.
Kylie soltou um suspiro frustrado e, em seguida, limpou o suor da testa com as costas da mão esquerda. Mais uma vez ela teve a nítida sensação de que esse espírito estava de alguma forma ligado ao fato de ela receber a espada. Mas o que aquilo significava? Kylie realmente deveria obedecer às ordens do fantasma e matar alguém por ela?
A ideia de tirar a vida de uma pessoa causou um arrepio na espinha de Kylie. Mais uma razão para ela questionar sua capacidade como guerreira santa.
— Quer um pouco de água? — perguntou Lucas.
Ela olhou para ele. Sua pele bronzeada brilhava com o calor. A frente da camiseta dele agora estava agarrada ao tronco, delineando ainda mais seu peitoral. O suor sempre caía bem em Lucas.
Ela olhou para a espada.
— Existe algo como uma espada bastarda? — ela perguntou, com o foco no fantasma e sem querer pensar em como Lucas estava atraente.
— Sim, por quê? — Ele andou até o saco de pano e tirou dali duas garrafas de água. Então entregou uma a ela. A mão dele roçou na dela. Ela puxou a mão para trás, e ele deve ter notado sua rapidez, porque franziu a testa.
— Nada — disse ela, sabendo que ele não iria querer saber. Ele não gostava de fantasmas. Mas ele foi até o cemitério por mim, para me ajudar. Mesmo que na época eu fosse um vampiro.
Ela baixou a espada e a observou enquanto ela perdia o tom dourado.
— Isso é muito estranho — disse ele.
— Pode apostar. — A garrafa que ele lhe entregou gelou a palma da mão dela. Ela tirou a tampa e tomou um longo gole.
Eles beberam sem falar; a mente dela no fantasma e, um segundo depois, em quanto Lucas estava bonito.
— Está pronta para lutar? — ele perguntou.
Kylie olhou para sua espada e para a outra pousada sobre a toalha. Armas reais que poderiam matar. Uma escorregadela do pulso e alguém poderia ficar gravemente ferido.
— Eu acho que não.
— Não com estas. Você não está pronta para isso. — Ele apontou para a toalha e as espadas de madeira. — Com aquelas.
Ela queria dizer que não, mas então percebeu que, quanto mais cedo aprendesse a lutar, mais cedo deixaria de se encontrar com Lucas e de se lembrar de tudo que perdera. Recolocando a tampa no lugar, ela deixou a garrafa d’água no chão, ao lado da sua espada, e depois pegou uma das espadas de madeira.
— Vamos nessa.
Vinte minutos depois, eles tinham finalmente conseguido. Estavam lutando. Kylie por fim começou a entender como fazer aquilo. Usando os movimentos que ele tinha lhe ensinado, ela conseguiu bloquear a maioria dos ataques. A maioria, mas não todos.
Por três vezes ele conseguiu se desviar da espada dela e tocá-la no peito com a espada de madeira.
— Dois pontos para o professor — ele disse a cada uma das vezes. Então eles continuaram se movendo para os lados, atacando, recuando, avançando e às vezes se movendo em círculos. O som das lâminas de madeira se chocando ecoava em seus ouvidos. O suor recomeçou a escorrer da sua testa, mas ela o ignorou, determinada a ganhar alguns pontos na disputa.
Observando-o, analisando-o, Kylie começou a reparar nos padrões dos movimentos dele. Usando contra ele o que tinha aprendido, ela esperou por uma oportunidade e então atacou. Ela tocou no peito dele com sua própria lâmina de madeira. Ofegando pesadamente, sentiu o suor escorrendo por entre os seios.
— Dois pontos para a aluna — disse, animada com seu momento de sucesso. Por mais incrível que parecesse, ela estava gostando daquilo.
Ele parou e baixou a espada. Os olhos azuis fixos nos dela. Ele respirou fundo.
— Você não sabe o quanto eu senti falta desse sorriso.
Voltando à razão, percebendo o que ela tinha oferecido a ele, ela bateu a lâmina de madeira na de Lucas.
— Nós viemos aqui para lutar.
Ele ergueu a espada e, em seguida, voltou à disputa.
— Eu sinto sua falta — disse ele, logo depois de conter a lâmina dela.
Ela se afastou e brandiu a espada com mais força para a esquerda. A lâmina de madeira de Lucas a bloqueou. Ela se afastou e voltou a avançar.
— Você é minha alma gêmea — disse ele, bloqueando-a em cada golpe.
A emoção encheu o peito dela. Um pouco por causa da lembrança de ouvi-lo dizer aquelas mesmas palavras para Monique, mas principalmente por saber tudo o que ele tinha a perder. Ela arremeteu com mais força, e sua espada bateu na dele com um baque forte. O impacto fez a espada voar da mão dele e a dela se partir ao meio.
— Você deve fazer o que seu pai quer. Voltar para Monique, concordar em se casar com ela. Entrar para o Conselho como o planejado.
— Eu não estou concordando em me casar com Monique! — disse ele numa voz severa. — Eu nunca deveria ter concordado com isso!
— Eu acho que já acabamos — disse ela, com o coração disparado e um mundo de dor se instalando no peito.
Uma expressão de tristeza encheu os olhos dele.
— A aula de hoje, acabamos. Mas não o que existe entre nós. — Ele pegou a espada e, em seguida, começou a guardar suas coisas, enquanto ela ficou ali parada, tentando controlar a respiração. Ele encontrou a outra metade da espada de Kylie e a pegou.
Ela se perguntou se essas não seriam as mesmas espadas que ele e o avô usavam. E se fossem, provavelmente significavam algo para ele. A culpa encheu o peito dela.
— Não tive a intenção de quebrá-la.
— Eu sei. Tudo bem. Isso acontece muito. — Ele fez uma pausa e, pelo jeito como a fitou, ele estava prestes a dizer algo que ela não queria ouvir.
O telefone de Kylie tocou. Ela o puxou para fora do bolso.
Lucas fez uma careta.
— Se for Della diga que eu falei que ia acompanhá-la até a sua cabana.
— É minha mãe — disse Kylie, enquanto se afastava alguns metros de Lucas. Ela colocou o telefone na orelha, um pouco preocupada ao ver que a mãe estava ligando durante o expediente de trabalho.
— Oi, mãe — cumprimentou Kylie, ouvindo ainda o coração bater nos ouvidos por causa do esforço da luta. Ou por causa do que Lucas havia dito.
— Oi? É só isso que você vai me dizer? — perguntou a mãe, com rispidez.
— O que mais eu devo dizer a você? — perguntou Kylie.
— Como você se atreve a fazer isso comigo, Kylie Galen? — O tom da mãe a fez recordar da época em que elas não se davam bem – dos dias em que Kylie chamava a mãe de “Princesa de Gelo”.
Ela respirou fundo e disse a si mesma para não entrar em pânico, mas não era justamente com isso que ela estava preocupada? Que, agora, com John se intrometendo entre as duas, a frágil relação que tinham passasse a correr perigo?
— Mãe, o que foi que eu fiz? — Kylie se afastou mais alguns metros, sem querer que Lucas ouvisse a discussão.
— Você sabe o que você fez, não banque a inocente comigo.
— Eu não estou bancando nada — disse Kylie, ficando um pouco mais preocupada e, quando ela olhou para a frente, viu Lucas observando-a com um ar solidário.
— Você se encontrou com os Brightens, não foi? — A mãe falou tão alto que feriu seus ouvidos e ela teve certeza de que Lucas também pôde ouvir.
Kylie se afastou mais alguns metros. Ela tinha planejado contar à mãe, logo que ela tinha voltado de viagem, mas, depois do mal-entendido da gravidez, simplesmente não achou que fosse uma boa hora. E na manhã do dia anterior, com todos os pedidos de desculpas e elogios a John, ela também não achou que fosse o momento certo. Além disso, aquilo era algo que ela precisava contar pessoalmente.
— Sim, e eu ia te dizer.
— Você iaIa me dizer? Você não acha que era algo que você deveria me contar antes de fazer?
— Eu te disse. Quer dizer, eu disse que queria encontrá-los. Falamos sobre isso há alguns meses, lembra?
— Você deveria ter discutido isso comigo primeiro.
E você deveria ter discutido isso comigo anos atrás. Kylie encontrou algum alívio na sua própria raiva, mas sabia que não podia extravasá-la agora. A mãe nunca era razoável quando estava chateada e, naquela situação, pôr mais lenha na fogueira não seria uma atitude inteligente.
— Eles ligaram para você? Estavam aborrecidos? — Kylie tinha pensado que os Brightens haviam concordado em esperar e se encontrar com a mãe dela mais tarde. Por que tinham se precipitado e ligado para ela? Mas, mesmo contrariada com a atitude deles, ela não podia imaginar os Brightens sendo rudes com a mãe.
— Sim, eles me ligaram! E você faz ideia do quanto essa conversa foi estranha?
— Sinto muito. Mas você estava na Inglaterra — Kylie acrescentou.
— Há quanto tempo isso está agendado, mocinha?
— Eles estavam fora do país e eu nem achei que tivessem ouvido a minha mensagem. Eles ligaram e quiseram vir aqui logo que chegaram.
— Você deveria ter me contado primeiro, senhorita Galen.
Ah, que inferno, sempre que a mãe se referia a ela como senhorita Galen, Kylie sabia que lá vinha bronca. E, como tantas vezes no passado, ela não achava que a merecesse.
— Eu deveria ter tido tempo para me preparar antes de falar com eles. Em vez disso, recebo esse telefonema de repente.
— Sinto muito — disse Kylie.
— John estava comigo quando eles telefonaram. Você faz alguma ideia de como isso foi estranho?
Lágrimas encheram os olhos de Kylie e ela não conseguiu mais segurar a raiva.
— É por isso que você está chateada? Por causa de John?
— Eu não tinha dito a ele que Tom não era seu pai. Foi totalmente constrangedor.
— Você tem vergonha de mim? — perguntou Kylie, e balançou a cabeça.
— Não vire esse jogo — disse a mãe.
— Virar o jogo? — Ela balançou a cabeça. — Sinto muito, mãe, mas você está totalmente errada.
— Eu não fiquei envergonhada por causa de você. Eu fiquei... Fiquei envergonhada por ter engravidado de alguém que eu mal conhecia!
Kylie enxugou as lágrimas.
— Você disse que o amava.
A mãe suspirou.
— É claro que eu amava, mas...
— Mas o quê? — perguntou Kylie. — Mas você estava com medo de que o seu precioso John visse a sua omissão da verdade como uma mentira?
— Kylie, não seja...
— E isso não seria bom, não é? — ela continuou. — Espere, você não precisa responder a essa pergunta, porque eu posso dizer como é. Como é quando alguém que você achava que conhecia esconde algo de você, algo que poderia ser muito importante! Eu não posso acreditar que você esteja com raiva de mim por não ter contado que entrei em contato com os Brigthens quando você não me disse uma palavra sobre o meu próprio pai ou sobre os meus avós durante todos esses anos!
O jeito como a mãe engoliu o ar já revelava muita coisa.
— Eu... Eu pensei que já tinha explicado isso.
— Sim, você explicou que estava perdidamente apaixonada pelo meu pai, e agora diz que mal o conhecia.
— Eu... Eu não acho que isso seja algo que devamos discutir pelo telefone.
— Sério? Pois foi mais ou menos assim que eu me senti quanto a te contar sobre os Brightens. — Mais lágrimas escorreram pelo seu rosto.
Ela desligou tão zangada que quase quis jogar o telefone longe. Ela não fez isso, mas desligou o aparelho só para o caso de a mãe tentar ligar de volta.
— Sinto muito. — As palavras de Lucas soaram atrás dela.
Ela enxugou as lágrimas novamente e se virou. Ela não sabia que ele estava tão perto e sem querer correu direto para ele. Seu rosto pousou no peito mais que perfeito de Lucas. Seus braços quentes e suaves a envolveram e a abraçaram por dois, talvez três segundos antes de ela se afastar.
Tempo suficiente para ela se lembrar de como era bom se aconchegar a ele, para recordar o quanto era bom poder contar com ele. Apenas por tempo suficiente para ela recuperar o bom senso e lembrar-se de que ela não devia se aconchegar a ele ou contar com ele novamente.


Na sexta-feira seguinte, quase meia-noite, Kylie estava deitada na cama olhando para o teto, remoendo seus problemas. Eles davam voltas e mais voltas na sua cabeça e com qual deles se preocupar mais, nem ela nem ninguém sabia.
Sua mãe, com quem Kylie estivera falando, embora a raiva ainda não tivesse passado, e sua missão aparentemente impossível de salvar os camaleões adolescentes.
Seu fantasma completamente impossível e o impossível e irritante Lucas.
E uma vontade incontrolável de falar com Daniel mais uma vez, de quem ela não tivera mais notícias desde a visita dos Brightens.
E por último, mas certamente não menos importante, um patife impossível, cuja ameaça ainda ressoava nos ouvidos de Kylie. Você vai vir até mim, Kylie Galen, vai vir até mim disposta a morrer, a sofrer em minhas mãos, para minha alegria, porque o preço será muito alto! Sua fraqueza será sua ruína.
Nesse exato momento, a fraqueza de Kylie parecia ser sua incapacidade de descobrir alguma coisa. Tudo em sua vida estava como num limbo.
A única questão que lhe parecera produtiva naquela última semana fora a sua habilidade ao usar a espada. Às vezes ela se perguntava se a sensação boa que tinha com relação a isso não era apenas por causa de Lucas. Estar com ele por uma hora ou duas por dia.
Ah, e ela não tinha sucumbido a nenhum dos seus avanços. Coisas sutis, como andar tão perto que seu ombro roçava no dela, sua tática de lhe mostrar um movimento ficando de pé atrás dela e conduzindo-a para que ficasse numa certa posição ou fizesse um movimento. E então havia os avanços não tão sutis. Enquanto brigavam com as espadas de madeira, ele às vezes vinha com um “Eu ainda te amo” ou “Você sabe que é linda?” ou “Você se lembra daquela noite em que estávamos voltando do cemitério e quase fizemos amor?”
Ela havia quebrado mais três espadas de madeira por causa daquelas coisas que ele dizia. Alguém poderia pensar que isso serviria para fazê-lo ficar de boca fechada. Mas não. Lucas tinha até rido da segunda vez em que ela fizera isso. Ele não parecia se importar que seus comentários acabassem obrigando-o a arranjar outra espada. E ela teve certeza disso quando, no dia seguinte, ele disse algo que a fez quebrar a terceira espada. Não que ela estivesse fazendo aquilo de propósito; era simplesmente difícil para ela não extravasar a emoção com seus golpes.
Naquele dia, quando eles foram embora, ela chamou o que estavam fazendo de “esgrima”, e Lucas a corrigiu. Ele disse que ela não estava aprendendo a esgrimir. Pois aquilo envolvia um conjunto completamente diferente de habilidades. Ela estava aprendendo a lutar. Ele não disse isso, mas ela leu os pensamentos dele. Ela estava treinando para matar.
Mas quem?
E como? Ah, ela sabia que aquilo iria acontecer com uma espada, só não sabia como seria capaz de matar. De realmente tirar uma vida.
Soltando um profundo suspiro, Kylie rolou na cama, deu um soco no travesseiro e lembrou-se de Collin Warren, quando ela o atirou através do cômodo. A intenção dela não tinha sido matar, mas proteger. Ela não o matara, mas poderia ter feito isso.
E talvez fosse desse jeito que a “coisa” toda ia acontecer, fosse lá o que fosse. Talvez se seu instinto de proteção estivesse ativado, ela fosse capaz de fazer isso e não pensar. Mas quando pensou a respeito depois, se perguntou se seria capaz de conviver com isso.
Talvez se fosse para salvar alguém que ela amava.
— Ou matar alguém que você detesta.
O frio tomou conta dela. Kylie se sentou e o fantasma se sentou nos pés da cama, segurando sua espada. Kylie o tinha visto todos os dias durante os treinos com Lucas. Ela aparecia e fazia os exercícios com eles, mas, não importava o quanto Kylie tivesse tentado, o fantasma não tinha falado uma única vez.
— Quem é que eu detesto tanto assim? — Kylie perguntou.
— Você sabe — disse o fantasma.
— Diga, droga! Estou cansada dos seus jogos!
Della, como se estivesse meio dormindo, invadiu o quarto de Kylie.
— Está tudo bem?
— Sim! — respondeu Kylie. — Vá embora! — Ao ver que a amiga ainda estava parada ali, Kylie completou — É um problema com um fantasma.
Della disparou para fora. Mas, quando Kylie olhou em volta, o fantasma tinha sumido.
— Quem é que eu detesto tanto assim? — ela repetiu. O fantasma não voltou, mas de repente Kylie percebeu. Percebeu com clareza.
Mario.
Ela deveria matar Mario.
No fundo, Kylie sabia que isso ia acontecer. Sabia que eles se enfrentariam novamente. O que ela não sabia era como, pelo amor de Deus, iria vencê-lo. Ele tivera anos para acumular seus poderes.
Como ela poderia estar à altura dele?
Em seguida, outra pergunta lhe ocorreu. Será que isso significava que Mario era a pessoa que o fantasma queria que ela matasse? Mas qual seria a ligação entre ele e o fantasma?

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