31 de outubro de 2016

Capítulo 29

Estavam todos entrando nos elevadores a caminho do saguão. O primeiro elevador estava lotado e, de alguma forma, no meio da confusão, Amy encontrou-se sozinha em um elevador com Jake. Eles ficaram em um silêncio desconfortável. Era agora ou nunca. Amy estava criando coragem. Ela não podia continuar assim, com Jake evitando o olhar dela.
Ela deu um passo para frente e apertou os botões para fazer o elevador parar a cada andar no caminho para baixo.
— O que você está fazendo? — Jake perguntou.
— Quero falar com você a sós, e sinto que esta é a minha única chance — Amy fez uma pausa. As portas do elevador se abriram em um corredor vazio, então se fecharam. — Eu sinto muito. Sinto muito por tê-lo envolvido em tudo isso.
— Certo — Jake disse, olhando para o chão. — Eu lembro. Nós não somos uma família.
— Bem, sim. Por que você deveria sacrificar tudo por nós?
— Se você não sabe a resposta para isso, esqueça.
As portas se abriram para um casal de turistas.
— Desculpe! — Amy exclamou, e apertou o botão FECHAR do painel.
— Você não entende — começou a Amy.
Jake interrompeu furiosamente.
— Eu acho que entendo. No último outono estávamos sob uma situação de pressão, nós ficamos muito próximos, e agora estamos de volta à realidade. Você se sente de forma diferente agora.
— Eu apenas acho que — Amy falou cuidadosamente — que se nós pudéssemos ser amigos... seria ótimo. Porque nós temos um monte de trabalho a fazer, e se você não puder nem mesmo me olhar nos olhos, isso pode comprometer a nossa missão.
As portas se abriram para um corredor vazio, então fecharam.
— Ah, então agora eu sou um risco à segurança — Jake falou amargamente.
— Não foi isso que eu quis dizer! Eu não quero Atticus esteja em perigo. Você ainda tem a chance de sair. Se você voltar a Roma...
— Eles nos viram, Amy! Por tudo o que sei, a essa hora eles têm um dossiê completo por agora. Estamos juntos nisso, quer você goste ou não. Minha única esperança para proteger o meu irmão é impedir Pierce. Da mesma forma que é a sua única forma de proteger Dan.
As portas se abriram para um homem de negócios. Ele começou a avançar, viu seus rostos tempestuosos, e disse:
— Eu vou esperar o próximo.
— De qualquer forma, você está certa — Jake falou quando a porta se fechou novamente. — A missão é mais importante. Eu entendo agora. Se você tem algum documento antigo para decodificar, eu sou a pessoa. Mas quando se trata de precisar de alguém... bem, você prefere me ignorar.
— O que eu sinto não tem importância agora. Sentimentos não ajudam. De fato, só fazem o oposto. — As palavras não ditas “eles machucam” pareciam tê-lo atingido como um soco. Ela viu um lampejo de dor nos olhos dele. — Jake...
— Já entendi, Amy!
As portas abriram. Quarto andar.
— Se nós pudermos apenas ser amigos...
Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans.
— Sim, os sentimentos apenas atrapalham, não? Então vamos ignorá-los. Vá em frente, encontre alguém menos... exigente. Como o Sr. Smooth.
Ele queria dizer Ian, é claro. Ela estava prestes a protestar, mas as portas se abriram novamente. Isso deu-lhe tempo para pensar. Ian? Jake estava com ciúmes.
Talvez seja melhor desta forma, ela pensou. Assim, ele vai se afastar.
As portas se abriram no segundo andar. Dois dos capangas de Pierce estavam no corredor.
Por um momento o tempo parou e eles se fitaram, igualmente surpresos.
Em seguida, eles se moveram rapidamente. Amy mergulhou para o botão FECHAR da porta. Os capangas saltaram para frente. A porta começou a fechar quando um deles tentou entrar. Ele ficou com a metade do corpo para dentro. Seu rosto estava amassado contra a porta enquanto Amy continuava apertando o botão.
Jake se jogou do fundo do elevador, chutando diretamente na barriga do homem. Uma fração de segundo depois, Amy seguiu Jake e chutou a garganta do bandido. Jake o empurrou e o capanga caiu de volta no carpete do corredor. As portas se fecharam, e o elevador desceu.
— Eles vão descer pelas escadas — disse Jake.
Amy mandou uma mensagem freneticamente para Dan.

Eles estão aqui. Saiam agora.

Quando as portas se abriram, ela e Jake se viram no mezanino. Mais ao fundo do corredor, eles podiam ver a porta de entrada e as escadas de emergência. Esta última se abriu, e os dois homens apareceram de repente.
Amy e Jake correram pelo amplo mezanino. Um grupo de turistas tinha parado perto do restaurante, suas bagagens empilhadas em torno deles. Amy saltou por cima da pilha, e Jake em seguida. Ela arriscou um olhar para baixo, então viu Dan verificando seu telefone. Ele olhou para eles, em seguida, para a saída. Mas ele e os outros não se mexeram.
Não poderia haver outra razão. Eles estavam cercados.
Ela desceu a vasta escadaria rapidamente, em seguida, saltou por cima do corrimão e desceu os metros abaixo.
— Eles estão do lado de fora, também — Dan avisou.
— Saída lateral — disse Amy.
O grupo se aglomerava no saguão e bloqueava a entrada.
Eles correram para a estrada da Euston Road. Atrás eles, os homens saíram da portaria do hotel e vieram andando rapidamente, mantendo todos à vista. Havia seis deles.
— O que devemos fazer? — Dan murmurou.
— Ficaremos na Euston por enquanto — disse Amy. — É lotada. Eles não querem causar alvoroço.
— Eu tenho uma ideia — disse Jake. — Estamos perto da Biblioteca Britânica. Podemos ser capazes de despistá-los lá. Então, podemos voltar para a estação de metrô.
— Vale a pena tentar — Ian concordou.
— Agora é com você, cara — disse Jonah.
Pony respirava com dificuldades.
— Espero que eles tenham bancos.
Com uma sensação arrepiante de pavor, Amy reconheceu o homem que quase a jogou da ponte. Lembrou-se da força de suas mãos, como algemas de ferro em seus pulsos, de ser colocada contra uma parede contra a qual não podia lutar.
A praça em frente à biblioteca estava cheia de estudantes e suas mochilas. Seria fácil se misturar à multidão.
Eles passaram apressadamente por uma escultura e rumaram para as portas da frente. Amy olhou furtivamente por sobre o ombro. Para seu espanto, viu os seis homens espalhando-se na frente da praça.
Eles entraram no edifício. O hall da recepção tinha cinco andares de altura e estava lotada de gente se aglomerando na área de exibição, ou de pé perto do balcão de informações. Um grupo estava reunido em torno de um professor que falava sobre a arquitetura do edifício.
— Há três saídas — disse Dan. — E há um homem em cada uma delas.
— Três deles estão se deslocando através da multidão — notou Ian.
— Vamos tentar uma coisa — sugeriu Jake. — Usarei as credenciais do meu pai para nos levar em uma área privada. Então poderemos usar a saída dos funcionários. Há sempre uma saída separada.
— Vou com você — concordou Ian. — Meu pai doou alguns manuscritos indianos raros para a biblioteca. Eu poderia ter alguma influência, também.
O grupo se aproximou do balcão e Jake se inclinou para falar com o jovem atrás dele. Amy olhou para trás. Ela deu de cara com os olhos do homem que a atirou pra fora ponte. Ele sorriu.
— Dan — sua voz estava sem fôlego. — Nós temos que...
— Eu o vi. Relaxe — Dan murmurou para ela enquanto ele e Amy tentavam afastar o homem dos outros. — O que ele pode fazer conosco? Estamos em um lugar público.
— Basta perguntar Sammy Mourad — respondeu Amy. — Nós não podemos deixá-los chegar muito perto de Atticus.
Ela havia perdido o homem de vista. Seus olhos examinaram a multidão. De repente, sentiu algo contra suas costas. Uma mão fechada em torno de sua nuca.
— Agulha hipodérmica — disse o homem.
Seus olhos se arregalaram. Dan congelou.
— É isso mesmo, amiguinho. Tenho uma agulha apontada direto para o pescoço dela. E quando eu usá-la, ela não vai sentir as pernas. Vai parar de falar e vai cair, ok? E junto às portas estão três homens da EMT. Bem, eles parecem seguranças da EMT. Eles entrarão com os paramédicos em um segundo. A levarão daqui com uma maca. E você virá junto porque se importa com ela, certo?
— Ou então eu posso gritar agora — Dan disse.
— É? Bem, então posso aplicar duas doses nela. O resutlado não vai ser bonito. Entendeu?
Dan não disse nada. Seus olhos estavam cheios de fúria.
— E então, tenho a sua colaboração? Bom. Em seguida, todos os seus amiguinhos farão o mesmo, iremos para algum lugar isolado e agradável — a mão apertava o pescoço de Amy. — Podemos terminar o que começamos, querida?
Jake e Atticus ainda estavam no balcão de recepção com Ian. Amy viu um borrão de movimento. Um sobretudo comprido esvoaçando quando um garoto de rabo de cavalo se afastava. Foi apenas um vislumbre com o canto dos olhos. Uma mão se esgueirando para dentro do bolso...
O homem que a prendia usava um fone de ouvido. Sem dúvida, esperava o sinal de que seus comparsas estavam no local. Amy sabia que, se ela se mexesse, ele injetaria o líquido nela. Ela podia ver que Dan procurava por estratégias desesperadas. Seu olhar correu ao redor do saguão.
— Continue pensando, amigo. Não vai chegar a lugar algum, mas é divertido assistir o seu pequeno cérebro em movimento — o homem riu.
Pony colocou dois pequenos itens no chão. Amy não saberia dizer o que ele fazia. Ela podia ver o medo em seu rosto, mas determinação, também.
Uma batida explodiu nos alto-falantes.

DadaDAdadada, dadaDAdadadada, DadaDA...

Pony mexeu um braço, depois o outro. Em seguida, moveu-se para o lado. Ele estava perfeitamente no ritmo da batida. Em seguida, deslizou para o outro lado.
Ele balançou a cabeça.
Deu um passo para frente.
A batida contagiou todos ao redor. Era um hit mundial, o “Faça-me feliz ou então ficarei triste”, de Jonah Wizard. As pessoas começaram a se virar.
Ele deu um passo para trás.
Se movimentou como um robô.
Amy arregalou os olhos para Dan. Ela conhecia a dança. Metade da população do mundo deveria conhecê-la. O vídeo de Jonah tinha viralizado.
Um pequeno espaço se abriu em torno Pony.
E de repente a multidão se afastava, e Jonah Wizard deslizava de joelhos na direção de Pony pelo piso polido. Era a marca do movimento Wizard.
As pessoas ficavam o mais próximo que podiam e aplaudiam. As meninas gritaram. Os garotos assobiaram. Jonah levantou-se e começou a dançar ao lado de Pony.
— JONAH WIZARD! — alguém gritou.
Dan deu um passo adiante. Ele atirou um braço para frente, em seguida, o outro.
Deu mais um passo.
E voltou outro.
Ele fez a dança do robô.
— Que diabos... — o bandido atrás de Amy murmurou.
— Isso está sendo filmado? — perguntou uma menina.
Amy procurou por Jake na multidão. Ele tinha parado e estava assistindo Dan e Pony, o rosto enrugado em uma carranca.
Oh, não. Ele não conhece a dança. Ele não balança os quadris o suficiente. Ele é apenas... Jake. Ele pode nomear cada ópera de Mozart, mas não sabe dançar hip-hop.
Jake mexeu o quadril. Ele balançou um braço.
A multidão se moveu novamente.
Jake foi incrível.
Atticus se juntou a ele. Os dois estavam em perfeita em sincronia quando a voz de Jonah trovejou.

Tristeza em meu coração, só faz ECOAR
Varre toda a minha vontade de VOAR...

— É UM FLASH MOB! — Amy gritou, e a sala explodiu.
O hall foi à loucura. Todo mundo no salão entrou na batida e cantou com uma só voz. Eles dançaram, rindo e cantando, gritando a letra. A canção era um megahit, e todos no salão conheciam o vídeo. Se eles adoravam a música ou não, não importava – era um sucesso global. Eles conheciam a letra, e conheciam a dança.
— Vamos esperar — o homem atrás dela falou, e ela sabia que ele falava o que pensava.
Amy se atreveu a erguer um braço. Um jovem ao lado dela sorriu, pegou a mão dela e a puxou para longe. Ela voou para frente, direto para a multidão que surgia. Ela era agora parte da multidão, imitando os movimentos, gritando as palavras. Amy tentou se aproximar de Dan e dos outros.

Porque tudo o que quero é ser fe-liz
E não chorar como um chafariz
Faça o meu dia, acena e diz...

Era hora de ir, enquanto o local ainda estava em euforia. Pony estava de olhos arregalados, tentando dançar com uma jovem estudante loira. Amy sinalizou para ele, e ele se inclinou para pegar seu equipamento. Jonah piscou para ela e a seguiu. Jake, Atticus e Ian começaram dançavam na direção das portas, Ian estava rígido, mas tentando se soltar, e Jake se movia com graça surpreendente.
Eu nunca soube que ele dançava...
Ela viu sobre as cabeças que os capangas os procuravam pela multidão dançante e cantante, furiosos porque ela tinha escapado.
Ela viu os outros comparsas, agora vestidos com o uniforme verde escuro dos paramédicos da EMT. Eles tentavam atravessar pelo mar de gente. Um deles foi esbofeteado por uma mão que balançava.
Ainda imitando a dança, o grupo serpenteou seu caminho para a frente. Enquanto a multidão irrompia em aplausos, eles fugiram.

5 comentários:

  1. Queria que esse capitulo estivesse mais legível... Cara eu to rindo

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  2. Amy viu um borrão de movimento. Um sobretudo comprido voando quando um garoto com um rabo de cavalo se afastou. Foi apenas uma visão com o canto dos olhos. A mão que alcança em um interior bolso. . .



    Esse foi o Pony?

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  3. essa vai para o hall de melhores fugas em livros!
    -Ariel

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