14 de outubro de 2016

Capítulo 28

No momento em que a palma da mão de Kylie envolveu a espada, a arma começou a brilhar novamente. O calor dela se transmitiu para a mão de Kylie e começou a subir pelo braço.
— Você está bem? — Holiday perguntou, como se sentisse o desconforto de Kylie.
Kylie lutou contra a vontade de soltar a arma e deu um suspiro. Em vez disso, ela agarrou o cabo com mais força, tentando não deixar que o peso fizesse seu braço balançar. Não era tão pesada, provavelmente pesava apenas uns dois quilos, mas causava uma sensação estranha. Kylie se sentia esquisita ao segurá-la.
— Sim, eu estou bem — disse ela. — É apenas quente.
— Não deixe que ela queime você — avisou Holiday.
— Não é tão quente assim. Apenas morna — disse Kylie. A espada continuou a ficar cada vez mais brilhante, mas não a ponto de ofuscar os olhos. Era como uma luz filtrada. Ela inspirou mais uma vez desde que pegara a arma e de repente não estava mais com medo. Não era nem mesmo um pouquinho assustador. Era como... pegar algo conhecido. Um cristal ou uma foto emoldurada que ela tinha segurado e observado por um longo período. E, no entanto, até poucos dias atrás ela nunca havia tocado a espada. Como a arma podia parecer tão confortável na sua mão?
Como se o seu sentimento de calma tivesse se irradiado pelo ambiente, Burnett e Hayden deram um passo para mais perto. Derek seguiu-os e depois Holiday.
— Não vejo nenhuma marcação nova sobre ela — disse Hayden.
— Nem eu — disse Burnett.
Kylie olhou para a espada e percebeu que ela nem sequer parecia pesada. A sensação estranha tinha desaparecido. Seu controle sobre a espada era sólido, o objeto em sua mão tornou-se quase uma parte de si mesma. Ela virou o pulso e viu uma inscrição na parte superior da alça.
— Aqui. Há uma inscrição. — Kylie acenou com a cabeça, depois apontou com a mão esquerda.
Todos os quatro se aproximaram.
— É latim — disse Holiday. — Diz guerreiro santo.
— Sabe, eu posso verificar na Internet e ver o que posso encontrar, mas... — Derek olhou para ela como se estivesse pedindo desculpas, como se soubesse que o que estava prestes a dizer ia contrariá-la. — Mas existe alguém aqui que sabe muito sobre espadas.
Burnett assentiu.
— Só agora me lembrei disso. — O vampiro olhou para Kylie com o mesmo olhar de desculpas de Derek.
Ah, merda! Ela sabia quem era, sem que precisassem dizer nada.
Burnett pegou o telefone.
— Vou ligar para Lucas.
Kylie balançou a cabeça.
— Como assim? O que um lobisomem pode saber sobre espadas?
Burnett arqueou uma sobrancelha.
— A ascendência de Lucas remonta aos escandinavos.
História não era o forte de Kylie.
— E o que isso quer dizer?
— A luta com espadas é algo presente em sua família há mil anos. Ele foi treinado quando criança.
Um gemido escapou da boca de Kylie. Ela tivera a esperança de manter a maior distância possível de Lucas.
— Tudo bem, ligue para Lucas. Mostre a ele a espada. Mas posso ir agora? — Kylie começou a baixar a espada.
Burnett fez uma careta.
— Na verdade, eu gostaria que ele a visse brilhando. Lucas — disse Burnett no celular. — Você pode vir até o escritório? Tem algo aqui que eu quero que você veja. — Burnett olhou para Kylie. — Sim. — Pausa. — Sim. Não, ela está bem. — Pausa. — Você vai ver quando chegar aqui. — Pausa. — Ótimo. — Burnett desligou. — Na verdade, ele está aqui no refeitório — disse Burnett.
Kylie sabia que ele provavelmente os seguira até o escritório e estava esperando para ver se havia algo errado. O fato de ele se importar com ela fez seu coração bater mais forte outra vez. Ela fechou os olhos por um segundo e se preparou para vê-lo.
O som de passos apressados na varanda do escritório encheu o silêncio. A porta do escritório se abriu. Uma batida soou na porta de Holiday.
— Entre — Burnett e Holiday disseram ao mesmo tempo.
Lucas entrou apressado, o olhar fixando-se nela. Seus olhos, cheios de preocupação, encontraram os dela com um toque de pânico. Ela sentiu que o olhar de preocupação dele mexia com seus nervos.
Nervos já a flor da pele.
Uma dor física real se agitou no peito de Kylie.
— O que há de... errado? — Seu olhar desviou-se para a espada brilhante, que Kylie agora segurava ao seu lado, e ele segurou o fôlego. — Caramba!
— Você sabe alguma coisa sobre este tipo de espada? — perguntou Burnett.
Lucas se aproximou. Estendeu a mão para o pulso dela, suavemente, mas seu toque provocou minúsculos pontinhos de dor dentro dela. Sua atenção desviou-se da espada e se dirigiu ao toque do lobisomem.
Ele levantou a mão dela e a espada. Ela o ouviu respirar rapidamente, como se estivesse emocionado. Sentiu que a mente dele não estava apenas na espada também. Ela mordeu o lábio para impedir que um suspiro deixasse seus lábios.
— E então? — perguntou Burnett.
Lucas respirou fundo.
— É do século XII. — Ele virou a mão dela um pouco para dar uma boa olhada em ambos os lados. — É mais do que provável que seja a espada de um cruzado.
— Eu sabia — exclamou Burnett. — Você saberia explicar por que ela está brilhante?
Lucas olhou para ela.
— Tem que ser por causa de Kylie.
O polegar de Lucas roçou na parte inferior do pulso dela. Seu toque era doce e amargo ao mesmo tempo. Ela queria chorar. Engoliu em seco novamente, rezando para conter as lágrimas. Mas que droga! Mesmo com raiva dele, mesmo tendo certeza de que sua relação estava condenada, ela o amava muito. O desejo de se aconchegar a ele, de pedir que ele a abraçasse, era forte, mas ela se obrigou a não ceder.
— Sim, nós sabemos disso, também — disse Burnett. — Mas por quê?
O olhar de Lucas continuou a acariciá-la.
— Isso eu não sei. Quer dizer, eu posso imaginar.
— Então, diga — disse Burnett, sem paciência.
Lucas olhou para Burnett.
— Ela é uma guerreira santa.
— Não, eu sou apenas uma protetora. — Kylie afastou os problemas com Lucas para se concentrar na questão da espada novamente. — Eu não sou uma guerreira. Nem gosto de guerra!
— Mas isso é exatamente o que a espada revela — disse Burnett. — Guerreiro santo.
Lucas olhou para ela.
— Onde? — Ele olhou para a espada novamente.
Kylie virou o pulso e mostrou a inscrição.
— Santo Deus! Você realmente é uma guerreira santa. — Ele parecia admirado. Impressionado.
Houve um tempo em que ela ficaria emocionada ao ver aquele olhar. Mas não agora. E sim, ela não estava tão impressionada assim. Ela não queria pensar em si mesma como Joana d’Arc ou algum tipo de guerreira.
— Você não pode acreditar em tudo o que lê — disse ela.
Lucas pareceu intrigado com a reação dela.
— É quase a mesma coisa que ser uma protetora, mas, para mim, é ainda mais surpreendente. Há lendas escritas sobre isso. Não me lembro de todas elas, mas a minha avó tem um livro sobre o assunto.
— Mas você realmente nunca encontrou uma guerreira santa, não é? — perguntou Kylie.
— Você — ele disse, com um sentimento de orgulho.
— Antes de mim — ela retrucou.
— Não — Lucas admitiu.
Kylie se virou para os outros na sala.
— Algum de vocês já conheceu um guerreiro santo?
Todos eles negaram com a cabeça.
— Então, essa é a prova — disse ela, inflexível. — Eles são apenas lendas. Na verdade não existem. — Era preciso admitir, ela não queria pensar em si mesma como uma guerreira. Ela ainda estava lutando com a ideia de ser uma protetora.
Holiday se aproximou e descansou a mão no braço de Kylie.
— Nós não sabíamos que camaleões existiam até algumas semanas atrás.
— Ela tem razão — Derek disse a Kylie.
Bem, diabos, isso fazia sentido, Kylie pensou, tentando não entrar em pânico.
Lucas, que ainda segurava o pulso dela, apertou sua mão de leve.
— Não é... uma coisa ruim. Ser um protetor é praticamente a mesma coisa. Você tem que lutar para proteger alguém.
Ela olhou para a espada brilhante e percebeu que o toque de Lucas era mais quente do que a espada.
— Ok, então estamos supondo que ela seja uma guerreira santa, mas o que isso de fato significa? — perguntou Burnett. — Por que a espada apareceu só agora? Seria um tipo de rito de passagem? Seria agora o momento certo? Ou... será outra coisa?
A maneira como ele disse “outra coisa” soou estranha. E Kylie podia adivinhar a que ele se referia. E não gostou.
Nem um pouco.
Lucas olhou para ela com simpatia.
— Acho que ela está sendo apresentada a uma arma com um objetivo. Sim, pode ser que ela não esteja preparada para recebê-la ainda. Mas eu acho que é mais que isso... — Um olhar protetor atravessou o rosto dele. Ela sabia que eles estavam pensando a mesma coisa.
— Mais o quê? — Burnett e Holiday perguntaram ao mesmo tempo.
— Pode ser que ela vá precisar. A espada aparece quando é hora de se preparar para a batalha.
— Isso é exatamente o que os anciãos disseram — Hayden falou. — Se ela recebeu uma espada, é porque vai precisar dela.
— Existe uma maneira de ter certeza disso? — perguntou Burnett.
Lucas balançou a cabeça.
— Eu não sei. Mas... — Ele respirou fundo e encontrou o olhar de Kylie. — Você sabe como usar uma espada dessas?
— Por que eu saberia como usar isso? Eu não sei usar nem um descascador de batatas. E é por isso que essa coisa toda não faz sentido. Eu não sou uma guerreira.
— Eu vi você lutar — disse Derek. — Você é incrível.
— Ele tem razão — disse Lucas. — Você também tem um coração de guerreiro santo. — Ele olhou para Burnett. — Mas ela precisa aprender a usar uma espada.
E, obviamente, Kylie não ia ter direito de opinar sobre o assunto. Ela franziu a testa.
— Você pode ensiná-la? — perguntou Burnett.
O olhar de Lucas encontrou o dela novamente.
Não, Kylie pensou, e ela finalmente retirou a mão da dele.
Essa não era uma boa ideia.
— Se ela permitir — disse Lucas.
— Kylie? — perguntou Burnett.
Será que ela tinha escolha? Poderia dizer não e a espada desapareceria?
Ela achava que não. Não poderia escapar dessa.
Ela sabia disso. Sabia com certeza – se não por outro motivo, pelo modo como a espada se encaixava na sua mão – que a arma lhe pertencia.
Ela assentiu, sabendo que era a coisa certa a fazer, mas detestou a ideia do mesmo jeito.
— Ótimo! — disse Burnett. — Primeiro, eu quero que você me traga aqueles livros de lendas da sua avó e, então, a sua tarefa é ensinar Kylie a usar a espada.
Lucas se virou e olhou para Kylie.
— Estou ansioso para começar.
E eu não, pensou ela, mas manteve as palavras para si mesma.


Dez minutos depois, Kylie voltava para sua cabana com Derek, sua sombra oficial até Della voltar do encontro com suas irmãs vampiras. Lucas estava providenciando o necessário e as aulas começariam no dia seguinte.
— Eu sei que você não está feliz com isso — disse Derek.
— Você é minha sombra, eu não estou chateada.
— Não me refiro a isso. Quero dizer as aulas com o Lucas.
Kylie suspirou.
— Não tive muita escolha.
— Você poderia ter insistido com Burnett para encontrar outro professor.
— Não pensei nisso. — Mas por que não pensei? Estou querendo ficar com ele?
Derek olhou para ela.
— Acho que provavelmente é melhor assim.
— Por quê? — perguntou Kylie, sentindo que havia algo que ele não estava dizendo.
Ele sorriu, mas o sorriso veio com um pequeno toque de tristeza.
— Você o ama. Senti isso com toda clareza ali. E também senti a sua raiva.
— Eu tenho o direito de estar com raiva — ela murmurou, mesmo sabendo que a raiva não era o maior problema. Embora tampouco fosse um problema insignificante.
— Sim, você tem — concordou Derek; então ele parou de andar e olhou para ela. — Mas o que você estava sentindo era maior do que isso.
Ela pensou que ele se referia ao fato de ela saber que Lucas acabaria ressentido com ela, mas então Derek continuou.
Ele fez uma cara de quem estava envergonhado.
— Eu senti. A mesma angústia que você costumava sentir quando nos conhecemos. Quando você foi magoada por aquele seu namorado. Depois, a dor que sentiu em relação ao seu padrasto, você sabe, por enganar a sua mãe. Então, veio o sentimento de que eu a traí.
Ela queria negar, mas não conseguiu.
— Então, eu acho que isso apenas significa que nenhum homem presta! — O coração dela se contraiu e ela engoliu em seco para conter as lágrimas.
Ele suspirou, estendeu a mão e tocou o ombro dela como se quisesse consolá-la.
— O que Lucas fez foi errado, Kylie. Droga, o que todos nós fizemos foi errado. E eu não estou dizendo que Lucas não mereça a sua raiva, mas ele não merece pagar pelos erros de todo mundo.
Apesar dos seus esforços, as lágrimas turvaram seus olhos. Droga! Derek estava certo! A raiva que sentia por ter sido traída pelos outros se misturava com a raiva de Lucas.
O toque quente de Derek acalmou suas emoções, mas não consertou as coisas.
Porque aquilo não era algo que se pudesse consertar.
— Mesmo que eu conseguisse superar essa raiva, o nosso relacionamento não iria funcionar.
— Por que não? — ele perguntou.
Ela balançou a cabeça.
— Eu já disse. Ele vai perder tudo. A família. A alcateia. E algo ainda mais importante, os seus sonhos. Eu me recuso a ser a razão de ele perder tudo isso. — Ela voltou a andar novamente. Rápido. Desejando que pudesse correr, fugir de tudo o que sentia. De tudo o que tinha perdido.
Ele emparelhou com ela, e ela desacelerou o passo enquanto cortavam caminho de volta para a cabana. O sol parecia vir de um ângulo diferente, em comparação há algumas semanas. Havia uma sensação de outono no ar e de que a vida estava mudando.
Mudanças eram difíceis.
Ele limpou a garganta e falou, a voz ecoando no silêncio frágil.
— Então você acabou de encontrar uma maneira de contornar isso.
Ela olhou para ele, sem saber exatamente o que ele queria dizer.
— Contornar o quê?
— Contornar a possibilidade de ele perder tudo.
— Não acho que isso seja possível — disse ela.
— Qualquer coisa é possível. Você é Kylie Galen. — Ele lhe ofereceu um sorriso sincero.
Ela balançou a cabeça.
— Você sabe, as pessoas me dão muito mais crédito do que eu mereço.
Ele sorriu.
— Você simplesmente não se vê como nós a vemos.
Ela soltou um suspiro de frustração e os fatos ocorridos mais cedo apertaram seu peito.
— Eu não sou talhada para ser uma guerreira, Derek.
— Você vai se sair muito bem — disse ele. — Além disso, lembra-se do que você me disse, quando chegamos aqui, sobre eu aceitar meus dons?
— Foi provavelmente um mau conselho — disse ela.
— Não, não foi. Você me disse que eu precisava me abrir para os meus dons. Você estava certa. Mal posso me imaginar sem eles agora. São uma parte de mim. E toda essa coisa de espada e ser uma guerreira faz parte de quem você é.
Ela negou com a cabeça.
— Já tenho tanta coisa em que pensar; não preciso de mais.
— Em que você tem que pensar? — ele perguntou.
— No meu fantasma mais recente. Eu preciso fazer com que ele faça sua passagem antes que me deixe louca. E nas minhas missões — disse ela.
— Mas você não acha que toda essa coisa de espada faz parte das suas missões? Acho que o fato de ela brilhar quando você a toca é um sinal de que ela tem a ver com você.
— Bem, não é a parte da minha busca a que eu gostaria de me dedicar agora — ela retrucou.
Depois de um segundo, ele perguntou:
— Posso ajudá-la de alguma forma?
Ela pensou um pouco.
— Acho que não.
— Conte-me sobre o seu fantasma — incentivou ele.
Ela lhe contou sobre o espírito. Sobre a cabeça e a espada.
— Uau! Isso é bizarro! — exclamou Derek. — Elas têm que estar ligadas de alguma forma. Ela tem uma espada e uma espada vive aparecendo. — Ele fez uma pausa. — Sei que Lucas vai trazer os livros da avó, mas ainda assim vou fazer algumas pesquisas na Internet. Talvez eu encontre alguma coisa.
— Obrigada — disse ela, e, em seguida, olhou para ele. — Por tudo.
— Tudo? — ele perguntou.
— Eu não mereço a sua amizade.
— Ah, você merece, sim! — Eles andaram alguns minutos em silêncio. O som de seus passos na trilha pedregosa juntou-se à melodia da natureza. Alguns pássaros piavam, insetos zumbiam. — Quer saber de uma coisa? — ele disse.
— O quê? — ela perguntou.
— Você fez a coisa certa... com a gente. Eu precisava que você me dissesse aquilo. Por mais louco que pareça, eu de fato me sinto melhor.
— Você está apenas tentando garantir que eu não me sinta culpada? — ela perguntou.
— Não. Estou falando sério. Foi a coisa certa.
Ela olhou para Derek e percebeu que ele estava sendo totalmente sincero.
— Nós vamos ficar bem, não é? — ela perguntou.
— Sim, eu acho que vamos. Mas eu também estou falando sério sobre ser seu amigo.
— Eu também — disse ela.
Eles caminharam um pouco em silêncio novamente.
— Quais são as suas outras missões? — ele perguntou.
Ela não quis explicar tudo sobre sair do armário para Derek, então explicou a outra metade.
— Quero ajudar os outros camaleões adolescentes. Os anciãos os mantêm isolados de tudo. Essa não é uma boa maneira de crescer.
— Como aquela menina, a Jenny? — ele perguntou. — Ela me pareceu... bem normal.
— Sim, estou falando dela e ela é normal, ela é só... muito isolada do mundo. — Kylie contou a Derek que eles não tinham telefones celulares ou amigos fora do complexo.
— Isso é triste. Jenny me pareceu... bem simpática.
— Sim, ela é — Kylie disse, e se lembrou de ter visto Jenny agarrada às costas de Derek enquanto ele corria em círculos tentando se livrar dela. Kylie quase sorriu.
— Eu sei no que você está pensando — disse ele.
— Foi engraçado — ela admitiu.
— Não foi. Eu poderia tê-la machucado.
— Você não teria feito isso — disse Kylie.
— Não de propósito, mas ela pulou em mim de repente. Eu não tinha ideia de que era uma garota bonita agarrada a mim.
— Então. — Kylie apontou o dedo para ele. — Você a achou bonita. Eu sabia. Vi a maneira como vocês dois se olharam.
Ele deu de ombros.
— Eu não olhei para ela de um jeito especial.
— Olhou, sim. Você a estava analisando. E ela estava analisando você.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Ela estava mesmo?
Kylie riu.
— Sim, ela estava.
— Então vou ter que procurá-la, porque parece que tenho uma queda por garotas camaleões.
— Vai precisar de muita sorte — disse Kylie. — Ouvi dizer que essa espécie pode ser difícil.
— Isso é verdade! — ele disse, rindo. Andaram alguns metros em silêncio. — A vida dos camaleões adolescentes é muito ruim? — perguntou Derek.
— Eles basicamente não têm permissão para aparecer em público até que sejam capazes de alterar seus padrões. E isso só acontece no final da adolescência ou com vinte e poucos anos.
— Você consegue mudar o seu padrão.
— Sim, eu sou diferente por algum motivo. — Ela fez uma careta. — Parece que essa é a história da minha vida.
— Isso deve ser um saco para eles — comentou Derek. — Por que você não tenta trazê-los para cá? Aposto que Holiday iria deixar.
— Acredite ou não, eu pensei nisso, mas não vai ser assim tão fácil. — Primeiro Kylie tinha que descobrir como convencer os camaleões a sair do armário.
— Bem, se eu puder ajudar, você sabe que estou à disposição.
— Vou me lembrar disso.
Quando chegaram à cabana, Della já estava lá. Assim como Miranda. Estavam sentadas à mesa da cozinha, cada uma com um refrigerante na mão e expressões de preocupação no rosto.
— Que bom que você chegou! — disse Miranda, como se estivessem esperando por ela para realizar uma mesa redonda importante. Então, as duas companheiras de alojamento olharam para Derek como se aquilo fosse uma festa e ele não tivesse sido convidado.
Derek olhou para Kylie e riu.
— A última vez que eu vi esse olhar de uma garota, havia um aviso escrito à mão na casa na árvore da minha vizinha que dizia “Meninos não entram”. Vejo você depois. E se conseguir qualquer coisa nas minhas pesquisas na internet, eu aviso.
Kylie observou-o se afastar. Então virou-se para Miranda e Della e convocou sua própria mesa redonda, para discutir a questão.
— Por que o meu coração não podia ter escolhido Derek? A vida teria sido muito mais fácil.
— Porque os corações são pestinhas sorrateiras e irracionais, feitas para causar sofrimento. Eles querem o que querem, e não dão a mínima para o que tornaria a vida da gente mais fácil ou mais difícil — Della concluiu. — Mas que tormento! — ela gritou, batendo na mesa com tanta força que Kylie não ficaria surpresa se ela a tivesse rachado ao meio. — Acho que devemos começar a beber chocolate novamente. Você acha que conseguiria outro frasco de calda de chocolate com Holiday?
Kylie olhou para Miranda com uma pergunta nos olhos: O que diabos está acontecendo?
Miranda deu de ombros e, obviamente, captou a pergunta silenciosa de Kylie, porque respondeu.
— Steve está ligando para ela de meia em meia hora e ela nem sequer atende ao telefone.

8 comentários:

  1. Eu Acho Que O Fantasma É A Mãe Do Ruivo
    Acho Que Ela Quer Que Kaylie Mate O Mario Pq Ele Matou O Filho Dela .Outro Dia Ela Apareceu Chorando Dizendo Que O Filho Tinha Morrido.Kaylie Recebeu A Espada Pra Lutar Com Mario...E Cá Pra Nóis Acho Q Ela Vai Vencer...Porem Acho que Ela Vai Fazer Compania A Seu Pai A Avó E A Ellie..
    Sóh Acho...Espero Que Eu Esteja Errada...

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  2. Pena.....eu ainda prefiro o Derek.

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  3. Eu amoooo o Derek.
    No início eu não ia com a cara dele por nada. Ele é um amor... e eu só percebi isso quando o Lusca precisou viajar... e depois voltou.
    Aí o Lusca pareceu mudado, passei a torcer para o Derek... e tô até agora...
    Mas como acho que já temos um rumo para Derek... e para Kylie também... Fazer o que?!

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  4. Não entendo a Kylie ! ele é uma garota especial e sabe disso, so que não aceita que ela é diferente dos outros sobrenaturais .....se eu fosse ela eu ia achar uma máximo ser um camaleão e além de tudo ser uma protetora algo que é raríssimo...e agora descobrir que é uma guerreira santa ? ela devia ficar feliz por ser concebida por estes dons e não ficar reclamando por ser diferente....antes diferente do que igual.

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