8 de outubro de 2016

Capítulo 27

Kylie, surpresa com a atitude agressiva de Della, ficou parada no lugar por um segundo antes de perceber que a amiga podia estar em perigo. Com a vampira a poucos metros do homem, Kylie disparou para fora da floresta e parou a menos de um metro dele, às suas costas.
Della deu um passo defensivo na direção do homem. Ele deu um salto para trás e se chocou com Kylie. Depois se virou para ela, um grunhido escapando dos lábios, mas o capuz ainda encobria o seu rosto, impedindo Kylie de identificá-lo e saber quem estava enfrentando.
— Quem é você? — Kylie perguntou. Sentindo seu instinto protetor correndo nas veias, ela avançou para arrancar-lhe o capuz.
Ele se esquivou, recuando alguns passos – e se aproximando mais de Della.
— Você, pare! — Della ordenou.
Ele baixou, por fim, o capuz.
— É dessa maneira que vocês tratam os professores? — perguntou Hayden Yates.
Della, sendo quem era, não deu o braço a torcer.
— Se eles ficarem perambulando furtivamente por aí nas sombras, vestidos como delinquentes, então, sim, é desse jeito que eles serão tratados!
Kylie levantou a mão para Della, esperando acalmá-la, embora não se sentisse nem um pouco calma. Seu poder estava em alerta máximo; sua adrenalina, correndo nas veias.
— Desde quando fazer uma caminhada é “perambular furtivamente por aí”? — perguntou ele, num tom professoral.
— Desde que foi o que pareceu — rebateu Della.
A lógica combateu o surto de adrenalina em Kylie.
— Eu... nós... Você nos assustou — explicou ela.
— Eu não estava assustada! — discordou Della.
O senhor Yates franziu a testa.
— Da próxima vez, tentem dizer “olá” antes de atacarem alguém que esteja apenas caminhando.
— Isso foi um “olá” — disse Della. — Se tivéssemos atacado, você estaria sangrando... ou morto.
— A gente exagerou — interviu Kylie, e então se lembrou de que ela não sentia nenhuma simpatia por aquele professor em particular. Ele parecia esconder alguma coisa e suas roupas escuras e o rosto encoberto pareciam confirmar essa impressão. No entanto, os bons modos de Kylie e o seu respeito pelas autoridades a impediam de ser mal-educada. — Nós pedimos desculpas.
— “Nós”? — perguntou Della com sarcasmo.
Kylie fez um gesto para que a amiga continuasse andando.
Della lançou um olhar zangado ao professor antes de se virar. E quando já estava a alguns metros dele, ela cochichou:
— Eu não gosto dele.
— Nem eu — concordou Kylie, sem saber muito bem por quê.
— Você acha que ele trabalha para Mario? — Della perguntou.
— Não, eu... não sei — confessou Kylie. — Não vamos tirar conclusões precipitadas.
Elas chegaram à clareira onde ficavam o escritório e o refeitório. Kylie notou que as luzes do escritório de Holiday estavam acesas. Então percebeu o silêncio que reinava na floresta. Nem um pássaro ou uma brisa o perturbava. O fato de Della ter parado de andar e seus olhos terem adquirido um tom verde brilhante dizia a Kylie que ela não tinha imaginado a sensação de perigo. Havia alguém ali.
— Está tudo bem — falou uma voz estranha atrás delas.
As duas se viraram ao mesmo tempo. O homem, aparentemente de trinta e poucos anos, usava um terno preto. Ao verificar rapidamente seu padrão, Kylie descobriu que era um vampiro. A maneira como ele levantou as mãos, com as palmas à mostra, era um sinal de que não queria arranjar problemas. Então, mais uma vez elas se deparavam com um estranho na propriedade de Shadow Falls. Afinal, quem era ele?
— Está tudo bem. — Sua postura pacífica não ajudou a tranquilizar Kylie e muito menos Della.
— Isso quem decide sou eu. — O brilho nos olhos verdes de Della destacou as suas presas à mostra.
O homem abriu o paletó e um distintivo brilhou no seu cinto.
— Sou o agente Houston, da UPF, amigo de Burnett. — A maneira como ele disse “amigo” parecia significar alguma coisa, mas Kylie não soube dizer o quê. — Burnett me pediu para ficar de tocaia aqui enquanto ele ia atrás de um suspeito.
— Ficar de tocaia por quê? Ele suspeita de alguma coisa? — perguntou Della, num tom que exigia resposta.
O olhar do agente se desviou para Kylie, como se ele soubesse que ela entenderia. E de fato ela entendia. Burnett tinha pedido ao agente para vigiar Holiday, e obviamente ele estava procurando por Blake. Mas essa compreensão não fazia do estranho seu aliado. É lógico que ela confiava em Burnett, mas o distintivo que o agente Houston tinha exibido com tanto orgulho, aos olhos de Kylie, depunha mais contra ele do que a favor.
— Não posso entrar em detalhes — ele disse. — Mas vocês vão ter que confiar em mim. Kylie sabe.
Confiar? Sem chance, pensou Kylie, mas ao ver que o coração do homem não denunciava que estava mentindo, ela olhou para Della.
— Ele está dizendo a verdade.
— Eu sei — disse Della como se estivesse irritada, mas a cor dos seus olhos mudou, indicando que ela tinha aceitado a explicação. Pelo menos até estar sozinha com Kylie, quando colocaria a amiga contra a parede, exigindo informações. Della não gostava de ficar no escuro.
— Eu vim ver Holiday. — Kylie olhou para Della.
— Ela está recebendo muitas visitas esta manhã — disse o agente.
Kylie olhou para a janela do escritório e viu uma figura masculina.
— Quem está lá dentro?
— Um dos novos professores — respondeu ele.
Kylie ficou tensa.
— Hayden Yates? — Ela relanceou os olhos para Della. Como ele tinha conseguido chegar antes delas? A expressão de Della revelava que a vampira pensava a mesma coisa.
— Não. Um tal de Collin Warren. Ele disse que era o novo professor de história. Algum problema com ele? — A voz do agente se aprofundou, enquanto ele dava um pequeno passo na direção do escritório.
— Não — disse Kylie. — Não há nada de errado com ele. — Mas justo nesse momento, passos ecoaram na trilha.
— Estão esperando alguém? — o agente perguntou.
— Na verdade, não — disse Kylie, embora suspeitasse de quem era.
E ela estava certa.
Hayden Yates, com o capuz cobrindo a cabeça, entrou na clareira.
— Bom dia. — Ele ergueu o queixo, o olhar se fixando, de maneira defensiva, no agente da UPF.
— Vocês o conhecem? — o agente perguntou a Kylie.
O senhor Yates aprumou os ombros como se estivesse ofendido.
— Ele é um dos novos professores — explicou Della, mas o tom da garota parecia insinuar mais alguma coisa. Dizia que ela não gostava dele e o agente percebeu, dando um passo na direção do homem.
O outro não recuou. Ficou no lugar onde estava e Kylie achou que eles iam se confrontar. Então Hayden desviou o olhar, como se reconsiderasse a sua postura.
— Não quero causar nenhum mal, só estou fazendo uma caminhada — ele disse ao agente, numa voz resignada.
Kylie ainda tinha um pressentimento... de que algo não estava certo, de que o homem não estava sendo sincero.
O aviso de Hannah soou nos ouvidos de Kylie. E no dia em que eu estava em Shadow Falls senti que ele estava por perto. Eu senti e tive certeza. Fui a Shadow Falls por causa dele.
Será que Hayden Yates era o assassino de Hannah? Será que tinha se candidatado para o emprego de professor só para se aproximar de Holiday? Parecia improvável, mas Kylie não ia se arriscar. Tão logo Burnett voltasse, ela planejava contar a ele sobre as suas suspeitas.
Kylie esperou na porta do escritório até que o senhor Warren terminasse a conversa com Holiday. Em poucos minutos, os dois saíram da cabana. O professor acenou com a cabeça educadamente e desejou bom-dia num tom de voz baixo.
— Bom dia — respondeu Kylie, sentindo que ele era tão tímido e inseguro quanto ela. Talvez até mais. Uma espécie de versão masculina de Helen. E, no entanto, tinha optado por ser professor. Não havia dúvida de que seu amor pela história o levara por esse caminho. Por isso ele merecia a sua admiração.
Quando o professor se afastou, Kylie olhou para Holiday e instantaneamente lhe deu um abraço.
Elas ficaram abraçadas por um segundo a mais do que de costume.
— Você está bem? — Kylie perguntou.
— Com o tempo, vou ficar — disse Holiday.
Kylie ouviu o senhor Warren conversando com o agente, do lado de fora.
— Este é o primeiro ano que ele leciona?
Kylie acenou com a cabeça na direção da janela.
— Como você adivinhou? — Holiday suspirou. — Ele foi recomendado por um amigo de um amigo. Não é tão mal numa conversa a dois. Espero que vocês, alunos, não o massacrem.
Kylie deu uma risadinha.
— Perry talvez pense nessa possibilidade.
Holiday fez uma cara feia.
— Prometa que você não vai deixar que isso aconteça. Ele realmente parece um sujeito legal e acho que será um excelente professor. Eu apreciaria de verdade se você o deixasse sob a sua proteção.
Kylie achou graça.
— Perry também pode se encarregar disso.
Um sorriso, embora um pouco forçado, esboçou-se nos lábios de Holiday. Ela consultou o relógio na parede.
— Você acordou cedo.
— Não consegui dormir — Kylie explicou.
— Hannah apareceu? — A dor era evidente na voz de Holiday e o peito de Kylie se apertou.
— Não. Sinto muito. — Ela fez uma pausa. — Isso é cheiro de café?
— É, eu... normalmente não bebo, mas esta manhã achei que me faria bem. Pegue uma xícara e depois eu quero ouvir sobre toda essa história de se transformar em vampiro.
Ah, droga, pensou Kylie enquanto ia pegar o café. Ou ela abria o jogo ou ia ter que se enterrar em mentiras. Provavelmente inventaria uma história em que Holiday acreditaria – uma história que não incluísse sua escapada de Shadow Falls para se encontrar com o avô. Mas Holiday era a pessoa para quem mentir parecia mais errado.
— Você fez o quê?! — Holiday perguntou, colocando o café sobre a mesa, quando Kylie terminou de explicar alguns minutos depois. — Quantas vezes eu já disse que, por ser protetora, você não tem poderes para se proteger? Poder nenhum! Você nem sabia se o e-mail era realmente dele.
— Eu sabia — discordou Kylie.
— Como? — Holiday se inclinou para a frente.
Kylie mordeu o lábio.
— Ele era a neblina.
— Ele era o quê?
— O meu avô e a minha tia-avó, eles eram a neblina. De algum jeito, transformaram-se em neblina.
— Como... — Ela soltou um longo suspiro, enquanto tentava debelar a confusão em seus olhos, e depois disse: — Mesmo assim, você não pode simplesmente desobedecer às regras.
— Eu estava seguindo a regra principal. Aquela que você me disse dezenas de vezes. — Ela fez uma pausa. — Seguir o meu coração.
Holiday olhou para Kylie como se debatesse a questão interiormente.
— Você podia ter pedido para alguém ir com você.
— Eles não teriam aparecido.
— Você não pode ter certeza — contestou Holiday.
— Posso, sim. Eles foram embora quando Lucas apareceu.
— Espere, Lucas estava com você? Ele sabia sobre isso? — Havia uma reprimenda na voz dela.
— Não. Ele e Perry me seguiram, mas eu... os detive e continuei. Quando Lucas me alcançou, meu avô e minha tia desapareceram. Eles não confiam em ninguém daqui, por causa do envolvimento da UPF no acampamento. Considerando tudo o que aconteceu, você não pode culpá-los.
— Eu posso culpá-los de incentivar você a colocar sua vida em perigo. — Holiday reclinou-se na cadeira, frustrada.
— Eles nem sabiam sobre Mario. E olhe pra mim. Nada aconteceu. Eu tinha que ir. Tinha que saber a verdade.
Holiday fechou os olhos e os manteve assim. Quando suas pálpebras finalmente se abriram, Kylie viu que a frustração tinha quase desaparecido.
Seus ombros relaxaram.
— E qual é a verdade, Kylie? O que eles lhe disseram?
— Meu pai estava certo. Eu sou um camaleão.
— E o que, exatamente, é isso? — Holiday perguntou.
— Eu sou uma mistura de todos os sobrenaturais e conservo o DNA de todos eles.
Holiday discordou com a cabeça.
— Mas isso não é possível. O DNA do pai dominante é o único transmitido à criança.
— É isso que nos torna diferentes das outras espécies.
Holiday se inclinou para a frente, a expressão confusa.
— Isso é... incrível! — Ela franziu as sobrancelhas ao fitar a testa de Kylie. — Então o que determina o padrão que você manifesta no momento?
— Eu não sei... exatamente. Meu avô disse que leva anos para um camaleão aprender a controlar isso. É preciso um tempo para aprender. Mas depois ele disse algo que me fez acreditar que eu posso mudar meu padrão de acordo com os poderes de que eu preciso.
— Então ele transformou você em vampira?
— Não, eu... ele disse que eu devo ter feito isso instintivamente. Quando estava tentando fugir de Lucas e Perry, eu ficava dizendo a mim mesma que precisava correr mais rápido. Então talvez seja assim que aconteça.
— Você já tentou mudar seu padrão outra vez? — Holiday arqueou uma sobrancelha com uma expressão curiosa.
— Não. — Kylie balançou a cabeça. — A última vez que eu tentei fazer algo que não sabia direito como fazer, quase deixei Burnett estéril.
Holiday deu uma risadinha. Ver Holiday sorrir era tão bom que Kylie sorriu também.
— O que mais o seu avô disse?
O coração de Kylie se apertou. Se Holiday fosse vampira, ela ouviria a mentira se formando em seus lábios. Contar a Holiday que o avô queria que ela deixasse Shadow Falls parecia dar à líder do acampamento uma razão para não gostar dele – uma razão para insistir que Kylie ficasse longe dele. E ela não poderia fazer isso.
Respirando fundo, Kylie lutou contra a culpa que se avolumava dentro de si, pois Holiday talvez não pudesse ouvir a mentira nos seus batimentos cardíacos, mas podia detectar suas emoções. Endireitando os ombros, ela fitou Holiday nos olhos.
— Não disse muito mais do que isso. Lucas apareceu e... eles foram embora.
— Quem foi embora? — Burnett perguntou.
Kylie se encolheu ao ouvir a voz do vampiro. Ela estava tão ocupada tentando não se sentir culpada que não o ouvira se aproximando.
— Você o encontrou? — Holiday se sentou ereta, a tensão enrijecendo os seus ombros.
Kylie suspeitava que Burnett estivesse procurando Blake, mas ficou surpresa ao descobrir que ele tinha contado isso a Holiday.
— Quem? — Kylie perguntou, para ter certeza de que estava certa.
— Blake — confirmou Burnett. — E não. — Ele olhou para Holiday. — Já deixei mensagens no telefone do trabalho e no celular, dizendo que precisamos conversar.
— Será que não é melhor eu ligar para ele?
— Não — vetou Burnett. Sacudindo os ombros como se quisesse aliviar o estresse, ele olhou para Kylie. — De quem você estava falando quando eu cheguei? Quem foi embora?
Holiday olhou para Kylie e ela conseguiu ver a mensagem nos olhos da amiga. Ela deixou a cargo de Kylie decidir o que dizer a Burnett... ou o que não dizer.
Ela apreciou isso e, quando imaginou como o vampiro reagiria ao saber da sua desobediência às regras, Kylie quase preferiu não dizer nada. Mas, ao pensar na situação em que deixaria Holiday ao mentir para Burnett, Kylie reconsiderou. Ela não queria ser a causa de nenhum tipo de desentendimento entre eles. Não agora que seu objetivo era uni-los.
— Você vai se aborrecer — disse Kylie.
— Muito? — Ele franziu a testa.


De fato Burnett ficou bem contrariado. Kylie ficou aliviada quando, uma hora depois, Derek apareceu e os quatro foram ao restaurante, para tentar descobrir alguma coisa sobre Cara M.
Quando Burnett e Holiday entraram no Cookie’s Café, Derek a deteve e deixou a porta se fechar.
— Está tudo bem?
Ele obviamente tinha captado o humor “alegre” de Burnett. No entanto, Kylie não sabia se ela era a única culpada ou se o fato de não encontrar Blake também contribuíra para deixá-lo de mau humor.
Ao olhar pela porta de vidro e ver Burnett olhando para trás, à procura deles, Kylie se lembrou da conversa que tinham travado mais cedo.
— A UPF não é a inimiga — ele insistiu, quando Kylie lembrou-se de que o avô tinha razão em desconfiar de Shadow Falls.
— Você não é nosso inimigo — disse Kylie. — Mas eu ainda não tenho certeza se posso confiar na UPF. E, embora eu saiba que você não quer admitir, não teria escondido o corpo da minha avó e não teria ocultado alguns fatos da UPF se confiasse plenamente nela.
Burnett não contestou esse argumento, mas o fato de Kylie ter apontado isso não colaborou muito para melhorar o humor do vampiro. Ele obviamente estava dividido entre sua lealdade a Shadow Falls e sua lealdade à UPF. Não que Kylie estivesse preocupada. Ela confiava em Burnett. Mas fazer com que o avô e a tia confiassem nele era outra história.
Derek limpou a garganta para chamar a atenção dela. Ele usava seus jeans favoritos e uma camiseta verde musgo.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não — Kylie sussurrou para Derek, levemente perturbada pela proximidade dele, seu ombro roçando no dela. Ou será que ela estava perturbada por sentir o quanto esse toque ainda mexia com ela? Afastando esse pensamento, ela estendeu o braço para abrir a porta de vidro.
Nesse momento ela teve uma sensação inexplicável de que alguém a observava. Ela se virou, mas Derek bloqueava a visão da rua.
— Alguma coisa errada? — ele perguntou.
— Não. — Ela ainda desviou o olhar para a rua atrás dele. Mas a breve sensação tinha passado. Será que o avô e a tia estavam por perto? Ela olhou em volta, para a direita e a esquerda. As casas antigas da rua tinham sido transformadas em lojas de suvenires e um antigo vagão vermelho agora era um vagão-restaurante. Ela não conseguiu ver ninguém espionando-a. Ninguém. Nada.
Então virou-se novamente e entrou no restaurante, de onde vinha um burburinho de vozes.
O aroma de bacon impregnava o ar da antiga casa transformada em restaurante. Ela não achava aquele cheiro nem um pouco tentador. Essa era a desvantagem de ser vampira. O recinto estava repleto de mesas, lotadas com pessoas famintas que pareciam estar de férias. O som de talheres tilintando contra pratos ecoava com as vozes.
Só havia uma mesa vazia e Holiday caminhou em direção a ela. Uma garçonete veio dos fundos, carregando uma bandeja cheia que rescendia a bolinhos de canela.
— É aquele uniforme? — Derek perguntou quando se sentaram.
— É. — O coração de Kylie se alegrou com a esperança de que aquilo os levasse ao assassino.
Outra garçonete, Chris G., de acordo com o crachá, parou em frente à mesa.
— Já querem fazer o pedido? — Antes que falassem, ela acenou para a outra mesa. — Só um minuto.
— Na verdade — Burnett falou — estamos aqui na esperança de conseguir alguma informação sobre Cara M., uma garçonete que...
— Ah. — Ela se afastou.
— Ah, o quê? — Burnett franziu a testa enquanto a garçonete se distanciava. Ela enfiou a cabeça no vão de uma porta e chamou:
— Ei, Cara, alguém aqui quer falar com você.
Burnett, Holiday e Derek se voltaram, todos, para Kylie.
— Ela não pode estar viva — disse Kylie. — Podem acreditar. Ela está morta.
Então uma loira bonita, com um crachá onde estava escrito Cara M., saiu de um cômodo nos fundos.
— Ela está parecendo bem viva para mim — disse Derek. — E em plena forma... — ele disse, corando um pouco.

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