31 de outubro de 2016

Capítulo 27

Assim que eles desembarcaram e taxiavam para o terminal, o celular de Jake tocou. Um número desconhecido surgiu no identificador de chamadas.
Amy atendeu com nervosismo. Para seu grande alívio, era Nellie.
— Amy, é você? Por que está com o celular do Jake?
— Ele pegou o celular do Ian por engano. Nellie, temo que eles estejam sendo seguidos! — Amy falou freneticamente.
— Você está em Londres?
— Acabamos de pousar.
— Escuta, eu não tenho muito tempo. Mandei Pony com o Jonah – eles vão te encontrar no Hotel Greensward, na King’s Cross, às 3 da tarde. Eles entregarão novos celulares seguros. Eu vou para Delaware.
— Delaware? O que tem lá?
— Longa história. Sammy está desaparecido, e eu vou encontrá-lo. Garota, receio que esse plano seja maior do que pensamos. Você estava certa sobre os capangas. Acho que Pierce deu a eles um reforço dos Tomas. Mas acho que foram só as primeiras cobaias. Ele produzirá em massa.
Amy se sentiu enjoada.
— Produzir em massa... o soro? Você tem certeza?
— Ele comprou um laboratório farmacêutico. É para lá que estou indo.
— Sozinha? Você não pode... 
— É melhor assim.
— Não!
— Eu tenho que ir. Mantenha contato. 
Nellie desligou. Amy rapidamente contou tudo a Ian e Dan.
— Produzir o soro em massa... — Ian repetiu. — Isso não pode...
— ... acontecer.  — terminou Dan. — Isso seria...
— Inimaginável — Amy disse. — Ele pode fazer um exército desses caras.
— Uma força invencível — Ian completou. — Imparável.
— E agora eles podem estar atrás do Atticus e do Jake — Amy tentou ligar para o número de Ian novamente, rezando para que Jake atendesse.
Por favor atenda, Jake. Por favor...
Quando ouviu a voz dele, ela caiu para trás contra o assento.
— Jake, é a Amy.
— Amy, que foi? — o tom de Jake era frio.
— Ouça rápido, porque eu acho que tem um rastreador GPS no seu celular. Você está com o celular do Ian e ele está com o seu. Onde você está agora?
— Indo para o nosso hotel. Nós não conseguimos um voo até amanhã de manhã.
— Você pagou o hotel com um cartão de crédito?
— Sim...
— Não vá para lá. Eles podem estar esperando. Eles podem estar te seguindo agora. Tem um hotel perto da estação King’s Cross chamado Greensward. Fique na multidão, ande por aí, e nos encontre lá daqui a meia hora.
— Eu não estou entendendo...
— Livre-se do celular depois que nós desligarmos. Não podemos ter certeza, Pierce talvez queira eliminar nossos amigos, também. E isso quer dizer você e o Atticus. Apenas tenha certeza de não estar sendo seguido. — Amy desligou antes que Jake pudesse protestar.
Amy, Dan e Ian correram para fora do avião e entraram no terminal. Eles passaram por uma banca de jornal no caminho para a escada rolante. A manchete gritava para eles.


  Ela encimava uma foto de Amy e Dan.
— Ah, não — Amy respirava em rajadas curtas. — Aqui também não!
Outro jornal estampava:

ELES PRECISAM DE UMA BABÁ.

E, o pior deles: uma foto de Ian, parecendo gracioso vestindo blazer e gravata.

APENAS OUTRO PEGUETE, OU É FINALMENTE O VERDADEIRO AMOR DE AMY?

Amy gemeu.
— Eu odeio essa foto — Ian comentou. — Era a foto da escola. O caimento desse blazer é simplesmente horrível.
Uma mulher olhou para Amy, então sussurrou para seu acompanhante, que a encarou.
— Vamos sair daqui — Amy murmurou. — Vai ser bem mais fácil o Pierce nos achar se os paparazzi estiverem atrás da gente!
Ian olhou seu relógio.
— Odeio sucumbir aos transportes públicos, mas o trem será mais rápido. Sigam-me.
Eles correram através da estação, subiram as escadas rolantes e entraram na multidão até chegarem à plataforma. Amy olhou de um lado para o outro, seus nervos gritando.
Se algo acontecer com eles, eu vou...
Eu não sei o que fazer...
Ian tocou o braço dela.
— Sinto muito. Cometi o erro mais elementar e idiota que um Cahill poderia cometer. Eu confiei em um estranho.
Amy olhou para ele sem vê-lo. Era isso o que significava ser um Cahill? Ter medo de confiar em um estranho que os ajudasse? Sempre paranoico, sempre vigilante, nunca confiando? Sempre à procura do mal, não do bem?
Se isso é verdade, eu também não quero ser uma Cahill, ela pensou de repente, olhando para Dan. O irmão fitava o túnel e, em seguida, o relógio, batendo o pé nervosamente.
— Não, Ian — ela respondeu. — Não é culpa sua. Nós não somos super-heróis. Somos apenas crianças, Ian. Apenas crianças.

* * *

Jake olhou para o telefone de Ian. Parecia queimar os seus dedos. Ele queria atirá-lo na lata de lixo mais próxima, mas esse tipo impulso não iria ajudá-los.
— Era a Amy, Jake? Ela mudou de opinião? — Atticus pulava de um pé, para o outro.
— Não... — Jake respondeu.
Ele não queria assustar seu irmão mais novo. Eles estavam agora em uma rua comercial movimentada, com muitas lojas com vitrines de vidro laminado. Parecida com espelhos. Isso poderia ajudá-lo. Jake parou na frente de uma loja. Atrás dele, ele conseguia ver o fluxo constante de pedestres. Apenas pessoas passeando, ou apressados com um compromisso. Turistas andando devagar, à procura de lembranças para levar para casa.
— Eu peguei o celular do Ian por engano — Jake falou. — Ela só queria me avisar.
— Ah — Atticus disse em voz baixa. — Ela quer nos ver?
— Nós vamos lá encontrá-los no hotel deles.
— Uhu! — Atticus comemorou. — Talvez ela tenha mudado de opinião.
Jake estava agora hiperconsciente dos seus arredores. Toda vez que passava por uma vitrine, verificava atrás deles. Ele precisava parar e ver se isso assustava alguém.
À frente deles, várias mulheres elegantes batiam perna, segurando sacolas de compras e conversando.
Jake puxou o braço de Atticus.
— Olha, tem uma livraria ali na frente — era a única coisa que atrairia Atticus. — Vamos dar uma olhada.
Ele rapidamente foi na direção da livraria, esbarrando nas mulheres. Assim que o fez, deixou cair o telefone em uma das sacolas de compras.
— Eles têm livros antigos! — Atticus correu em direção à entrada.
Um homem de calça jeans e jaqueta preta passou por eles, então parou do lado de fora de um pub e olhou para o relógio, como se estivesse esperando por alguém.
— Podemos entrar? Nós temos tempo? — Atticus perguntou.
— Claro — Jake concordou.
Eles empurraram a porta e Atticus foi para as prateleiras que diziam LITERATURA CLÁSSICA. Jake ficou perto da janela. Desse ângulo, ele ainda conseguia ver o homem de pé na frente do pub. Ele usava um fone de ouvido, o fio desaparecendo para dentro de sua jaqueta, e Jake viu sua boca se movendo.
Poderia ser apenas uma pessoa qualquer falando ao telefone. Mas algo sobre o jeito reto e seguro como ele estava...
Jake esquadrinhou a calçada do outro lado da rua. Se sentindo afundar, ele viu outro homem lá. Um homem de roupas escuras, esperando por um ônibus. Exceto que o ônibus havia acabado de partir, e ele não entrou.
Jake foi até Atticus. 
— Att? Temos que dar no pé. Porta dos fundos. E então teremos que correr. Tem uns homens grandões estão lá fora, procurando pela gente.
Atticus arregalou os olhos.
— Estamos sendo seguidos? — Jake assentiu.
— Nós temos que despistar esses caras. Não podemos levá-los até a Amy e o Dan. Vamos.
Atticus e Jake caminharam em direção à parte traseira da loja, surpreendendo um funcionário com uma pilha de livros.
— Com licença, senhor? Essa é uma área privada...
— Meu irmão está passando mal. Essa porta leva para fora...
Atticus fez um som de engasgo convincente.
O funcionário deu passo para trás.
— O beco. Ah, nossa, sim, pode sair.
— Para onde leva?
— Dá para a rua Oxford...
Jake abriu a porta, protegendo Atticus. O beco estava vazio.
O beco seguir por algumas lojas, em seguida, dobrava à direita. Jake e Atticus correram por ele. Após a esquina eles puderam ver a rua Oxford à frente, a rua mais movimentada de Londres. Jake pensou rápido. Haveria ainda mais pessoas lá, e ônibus. Muitos ônibus.
Eles haviam quase chegado lá quando Jake ouviu o som de passos correndo. Ele se virou e viu o homem que estava do lado de fora do pub. Ele já tinha coberto a metade da distância até o beco. Ele era rápido.
— Corra — Jake falou.
Eles correram até a rua Oxford. Jake viu um ônibus parando do outro lado da rua.
— Fique comigo, amigão — ele correu para o tráfego, levantando a mão para parar os carros. Buzinas soaram. — Foi mal! — Jake gritou. — Turista americano idiota!
Ele e Atticus correram através do tráfego. 
— Segurem o ônibus! — Jake pediu.
— Vocês dois são malucos? — alguém gritou.
Eles chegaram em segurança na calçada oposta. Atrás dele, Jake podia ver os dois homens tentando atravessar o tráfego. Um saltou por cima de um carro.
Saltou um carro?
Jake não tinha tempo para pensar. O ônibus começava a andar quando ele ergueu seu irmão magro e colocou-o sobre o degrau, em seguida, pulou a bordo, agarrando o corrimão e puxando-se acima.
Atticus agarrou-se ao corrimão, ofegando, mas sorrindo de alívio. Jake olhou para trás. Os homens estavam correndo pela calçada, tentando alcançar o ônibus, mas se depararam com uma multidão de turistas e o ônibus dobrou a esquina.
Eles estavam seguros.
Não por muito tempo. Porque agora eles eram um alvo, também.

2 comentários:

  1. eles vão pra King’s Cross ?(de que casa de hogwarts será que a Amy e o Dan seriam?)
    -Ariel

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    1. Imagino que Amy seria da Corvinal, e Dan da Lufa-Lufa

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