8 de outubro de 2016

Capítulo 25

Kylie farejou o cheiro de Burnett e, quase instantaneamente, alcançou-o e se pôs a correr ao lado dele. Eles não pararam até chegar a um pequeno restaurante na Rua Principal, no centro de Fallen. O carro de Holiday estava parado na porta.
Tão logo parou de correr, ele franziu o cenho para checar o padrão de Kylie. Não disse nada, mas ela viu o choque nos olhos do vampiro antes que ele se voltasse para o restaurante.
Eles correram até a grande janela da frente.
— Lá no fundo, num dos cantos — disse Kylie, o pânico amenizando ao ver Holiday, viva, mas com uma expressão contrariada. Mas não parecia em perigo. O homem sentado na frente dela vestia jeans surrados e uma camisa azul-clara. Ele era alto, moreno e...
Kylie quase pensou “atraente”, mas se deteve antes disso.
— Como você sabia que ela estava aqui? — perguntou Kylie.
— Quando eu a vi saindo do acampamento, liguei. Ela disse que estava no café e, quando alguém se aproximou, eu a ouvi dizer o nome dele.
Kylie olhou novamente pela janela do restaurante e apurou os ouvidos para ouvir a conversa de Holiday.
— Eu só vim até aqui para perguntar se você a tem visto — disse Holiday.
— E eu vim para tentar explicar o que aconteceu — Blake continuou. — Cometi um erro. Faz mais de dois anos, mas eu não deixei de amar você.
Burnett soltou um rosnado e ameaçou entrar no restaurante. Kylie segurou-o pelo cotovelo. Vestido todo de preto, o vampiro parecia feroz.
— Espere — disse Kylie.
— Esperar pra quê? — As narinas de Burnett se inflaram.
— Precisamos de um plano.
— Eu tenho um. — Os olhos dele ficaram mais brilhantes quando Blake tocou o braço de Holiday.
— Um plano que não inclua assassinato — Kylie murmurou, e então acrescentou: — Você não pode simplesmente invadir o restaurante desse jeito como um namorado ciumento.
— Não estou com ciúme — ele protestou.
Kylie ouviu o coração dele dar um salto. Ah, isso foi legal.
— Sério? — Kylie arqueou uma sobrancelha para ele, com um olhar malicioso.
— Ele matou a irmã dela! — Burnett defendeu-se.
— Eu disse que ele poderia ter matado a irmã dela.
— Isso já basta para mim. — Ele estendeu o braço para abrir a porta, mas Kylie o deteve outra vez.
— Você quer mesmo que Holiday descubra desse jeito que a irmã está morta? Em público?
Burnett deu um passo para trás, os olhos dizendo que ela tinha razão.
— Tudo bem, qual é o seu plano?
Ela não tinha um plano, mas disse:
— Vamos esperar para ver.
Ele franziu a testa.
— Ele pode sacar uma faca e matá-la antes que eu consiga evitar.
— Em público? — Kylie perguntou.
— Não seria uma decisão inteligente, mas esse cara fez alguma besteira e perdeu Holiday. Isso prova que ele é um idiota. — Burnett não tirou os olhos da janela enquanto falava. Um grunhido baixo escapou dos seus lábios. — Ele está tocando nela de novo!
— Não foi por isso que liguei pra você, Blake. — Holiday puxou a mão, evitando o contato. O cabelo ruivo estava solto e contrastava com o vestido amarelo que ela usava. — Só quero encontrar Hannah.
— Mas ela não está deixando que ele a toque — disse Kylie. — Vamos sair daqui antes que ela nos veja.
Tarde demais.
Holiday olhou para a janela do restaurante e seus olhos se arregalaram ao ver Burnett e Kylie do outro lado do vidro.
— Você tem outro plano? — Burnett perguntou. — Porque estou sem ideias e ela parece bem contrariada.
Kylie quase sorriu ao sentir o medo na voz daquele vampiro grandalhão e com fama de mau.
— Não diga nada a ela antes de levá-la de volta ao acampamento — Kylie disse rapidamente.
A porta se abriu com ímpeto e Holiday saiu do restaurante. Olhou para Burnett, depois para Kylie.
— O que está acontecendo aqui?
— Preciso falar com você — disse Kylie, improvisando.
— Sobre o quê? — Quando nenhum dos dois respondeu, Holiday perguntou novamente: — O que aconteceu?
Burnett começou a responder. Com receio de que ele pudesse contar a verdade a Holiday, Kylie se antecipou:
— Algo a ver comigo. — Ela apontou para a própria testa.
Holiday franziu a testa e seus olhos se arregalaram.
— Ah, meu Deus!
Os sininhos da porta do restaurante badalaram atrás deles e Blake saiu, parando ao lado de Holiday.
— Está tudo bem? — Seu olhar se fixou em Burnett.
O vampiro, com um brilho incandescente nos olhos, puxou Holiday para mais perto.
— Isso depende... — disse Burnett — da rapidez com que você cair fora daqui.
Felizmente, Blake apenas se despediu de Holiday com um aceno de cabeça e foi embora sem causar nenhum tumulto.
Kylie não pôde deixar de imaginar se não foi porque ele suspeitava de que sabiam a verdade. Burnett parecia pensar a mesma coisa enquanto observava Blake se afastar. O rosnado baixo e profundo vindo do seu peito não deixava dúvida de que planejava encontrar o homem novamente. E provavelmente muito em breve.
Burnett e Kylie voltaram de carro com Holiday, que cravou Kylie de perguntas enquanto dirigia.
— Quando você se transformou em vampiro? Sentiu alguma dor? Seus poderes mudaram?
Em seguida Burnett interferiu, incluindo sua própria lista de perguntas sobre o novo padrão de Kylie.
Kylie respondeu da maneira mais evasiva possível, sem querer falar sobre o avô. Ela sabia que teria de acabar abrindo o jogo, mas, considerando as outras notícias que tinha que dar a Holiday, não queria aumentar ainda mais as preocupações da amiga.
De volta ao escritório, Holiday jogou a bolsa sobre o sofá e olhou para Burnett e Kylie com seu olhar exigente do tipo “conte tudo ou eu te mato”. Kylie imaginou se a mãe tinha ensinado esse olhar a Holiday, pois eles eram muito parecidos.
— Agora me explique o que realmente está acontecendo — Holiday exigiu. — Posso sentir que não se trata apenas do seu padrão.
Kylie mordeu o lábio inferior. Burnett deu um passo à frente. Aprumou os ombros, o olhar cheio de solidariedade. Deu um suspiro profundo e sincero e olhou para Kylie. Ela acenou para ele com a cabeça, como se lhe desse a palavra. Ele olhou novamente para Holiday e, numa voz grave, começou:
— Kylie tem algo para contar a você.
A boca de Kylie se entreabriu de surpresa, e então ela soube que era oficial: o homem tinha certa dificuldade com a comunicação verbal... principalmente quando ela envolvia emoções.
O olhar de Holiday disparou para Kylie e o coração da garota se encheu de dor. A dor que ela sabia que Holiday iria sentir. Uma emoção que Kylie pessoalmente já tinha sentido muitas vezes ultimamente. Perder Nana, perder o avô – mesmo que não fosse para a morte, era assim que ela sentia – perder o seu pai de verdade, Daniel, pois suas visitas estavam mais espaçadas. E havia Ellie. Kylie se sentia triste até por Ruivo, quer dizer, Roberto.
Respirando fundo, Kylie pediu com um gesto que Holiday se sentasse. A líder do acampamento estudou o rosto de Kylie e provavelmente detectou todas as suas emoções. Ela foi até a sua escrivaninha e se sentou. As almofadas afundaram sob o seu peso, com um som que pareceu um suspiro. Foi o único barulho na sala.
— O que foi? — Holiday perguntou novamente.
A emoção causou um nó na garganta de Kylie.
— Eu não queria contar porque você me disse... que não queria saber. Toda aquela história sobre o hoje e o amanhã... Porque a princípio eu pensei que era você.
Holiday se inclinou para a frente, apertando os braços da cadeira.
— Não estou entendendo.
— O rosto do espírito que lhe contei que reconheci. Pensei que fosse você. Mas não era... você.
Os olhos verdes de Holiday se encheram de lágrimas e Kylie soube que Holiday já tinha encaixado as peças do quebra-cabeça. Burnett, mostrando seu carinho, aproximou-se de Holiday e pressionou o ombro dela com ternura.
— Ela está morta? — Os ombros de Holiday estremeceram quando ela encheu os pulmões de ar. Lágrimas umedeceram seus olhos e escorreram pelas faces. — Por que... ela não me procurou?
Kylie secou as próprias lágrimas.
— Acho que porque tinha vergonha do que aconteceu.
— Ela contou a você sobre... aquilo?
— Contou. — A voz de Kylie era quase um sussurro. Burnett olhou para ela como se perguntasse o que ela não tinha contado a ele.
A tristeza pairava por todo o cômodo.
— O que aconteceu? — Holiday finalmente perguntou. — Ela estava escalando montanhas? Eu disse a ela que era perigoso escalar sozinha.
Kylie negou com a cabeça.
— Não foi um acidente.
A raiva endureceu a expressão de Holiday.
— Alguém tirou a vida dela? Mas quem?
— Não sabemos ao certo. — Burnett sentou-se na beirada da escrivaninha. A maneira como ele olhou para a líder do acampamento aqueceu o coração de Kylie. Ele se importava com Holiday. Ela só esperava que o problema todo com Blake não afastasse os dois.
— Mas Blake é o primeiro suspeito — disse Burnett.
— Blake? — Holiday ofegou. — Não, eu não acredito que... — Ela parou como se pensasse melhor. Ela passou a mão no rosto outra vez, para secar as lágrimas, e depois olhou para Kylie. — Tudo bem, me diga tudo o que você sabe. E não omita nada.


Naquela tarde, em sua cabana, Kylie sentou-se à mesa da cozinha.
O almoço tinha sido tão “divertido” aquele dia que Kylie tinha preferido não aparecer para o jantar. Não houve uma pessoa que não tivesse encarado Kylie com um olhar embasbacado e o queixo caído ou não tivesse feito algum comentário malicioso sobre o seu novo padrão de vampira.
Tudo bem, isso não era verdade. Suas amigas íntimas não tinham olhado para ela assim – ou pelo menos tentaram não olhar. Jonathon e Helen tiveram um sobressalto e, antes que pudessem se conter, trocaram um olhar de espanto. É claro que Jonathon tinha se recomposto e dado a ela as boas-vindas à comunidade vampírica e sugerido que se juntasse à mesa deles.
Ela recusou o convite, pois pôde perceber, pelas expressões no rosto de alguns vampiros, que ela não era nem um pouco bem-vinda.
Quando Perry entrou no refeitório, ele verificou o padrão de Kylie e depois fez um sinal de positivo para ela. Obviamente, ele tinha decidido não explodir com ela por causa de todo aquele episódio com a rede. Então Kylie notou que todos os três professores novos olhavam para ela, surpresos. Por alguma razão, ela tinha presumido que eles seriam mais educados do que os campistas, mas se enganou, pois a encaravam com o mesmo olhar de curiosidade que todos os outros ali.
No entanto, uma coisa fizera com que toda a provação que passara no refeitório valesse a pena. Quando Fredericka apontou para ela com uma risadinha no canto dos lábios, Lucas simplesmente deu de ombros e disse:
— É, eu vi. — Então ele olhou para Kylie, sem encará-la com se ela fosse uma aberração, e sorriu.
Aquele sorriso, com um brilho travesso nos olhos, estava carregado de significado também. Kylie percebeu que tinha enrubescido e ficou um pouquinho menos preocupada em ser o entretenimento de todo mundo enquanto devoravam hambúrgueres e batatas fritas. É claro que o alívio só durou alguns minutos. Logo em seguida alguém fez algum comentário maldoso sobre a mente de Kylie ser uma esquisitice sem precedentes.
Kylie muitas vezes tinha desejado que sua audição sensível estivesse sempre ativa, mas naquele momento o que ela mais queria é que esse dom desaparecesse – para sempre. Agora ela preferia não ter que ouvir todos os comentários cochichados às suas costas.
Fitando as mãos pousadas sobre a mesa, ela percebeu que parte do seu mau humor tinha sido causada pela dor que impingira a Holiday. Kylie queria ajudá-la, mas Holiday tinha insistido em ficar sozinha.
O computador emitiu um aviso sonoro quando um novo e-mail chegou à caixa de entrada. Kylie correu para verificar, rezando para que fosse do avô ou da tia-avó. Ela estava checando seus e-mails obsessivamente nos últimos dias, especialmente porque seu último e-mail tinha voltado... o que significava que o endereço eletrônico que eles haviam dado a ela não estava mais sendo usado.
Ela se sentou na cadeira em frente ao computador, com a respiração presa, quando a tela se abriu.
O e-mail não era do avô ou da tia.
Então ela ficou olhando para o endereço eletrônico do padrasto e acidentalmente clicou duas vezes nele, abrindo o e-mail. Mesmo sem querer, começou a lê-lo.

Oi, princesa. Não vejo a hora de revê-la no sábado. Estou com saudade de você. E com saudade da sua mãe.

Todas as emoções relacionadas à mãe e ao divórcio dos pais vieram à tona num rompante. Ela se afastou tão rápido da tela que a cadeira deslizou violentamente pelo chão e se partiu em quatro lugares diferentes.
— Dane-se! — ela praguejou.
Com a garganta apertada, Kylie se levantou e, pisando duro, foi até a geladeira e escancarou a porta. Ela só queria sentir o ar gelado no rosto.
Não sentiu frio, porque ela já estava fria demais por dentro. Afinal, ela era uma droga de vampira!
Limpou com um tapa uma lágrima que teimava em descer pela bochecha e voltou a olhar para a tela do computador. E se o pai começasse a fazer perguntas sobre a mãe dela? Kylie certamente não queria ser a portadora da notícia de que a mãe estava saindo com outro homem.
No entanto, ele mesmo provavelmente descobriria no sábado, pois ela já tinha recebido um e-mail da mãe, perguntando a Kylie se ela se importava que o Bajulador – o mesmo que queria levar a mãe para a Inglaterra e ter noites selvagens entre os lençóis – viesse com ela para o dia dos pais.
Kylie estava a ponto de responder, dizendo, “Claro que eu me importo!”.
Mas seria justo fazer aquilo com a mãe? Kylie não devia estar feliz com a felicidade dela? Mas ela só queria que a mãe fosse feliz novamente com o padrasto. Queria que a vida voltasse a ser como antes.
Por um segundo, Kylie se lembrou de como as coisas eram. Quando ela achava que não passava de um ser humano, quando não sabia que coisas como vampiros e lobisomens de fato existiam.
Quando ela nem conhecia Derek. Não tinha restabelecido o contato com Lucas.
Nem conhecia Della ou Miranda.
De repente, o mundo de Kylie Galen antes de Shadow Falls não lhe pareceu atraente. Bem, exceto pelo fato de a mãe e o padrasto estarem juntos.
Kylie ouviu o colchão de Della ranger e passos no chão de madeira. Ela limpou mais uma vez as lágrimas, esperando que ninguém as notasse. Vampiros não choravam.
— Atrás da caixa de leite tem uma garrafa de sangue B positivo que eu trouxe pra você — disse Della.
— Obrigada.
— Como está se sentindo?
— Bem, por quê?
Della aproximou-se um pouco mais.
— Porque normalmente, quando alguém começa a destruir a mobília, não está muito bem.
Kylie olhou para a cadeira quebrada e não disse nada.
— Na verdade, só estou surpresa que você não tenha apresentado nenhum sintoma durante o estágio de transformação. Fico feliz que não tenha, porque, pode acreditar, não é nada divertido.
Kylie pegou a garrafa de sangue.
— Sabe, isso provavelmente não vai durar.
— O sangue? — perguntou Della. — Posso conseguir mais.
— Não, minha condição de vampira. Eu não sou uma vampira de verdade. Quer dizer, sou só parte vampira.
— Você parece uma vampira puro-sangue — contestou Della. — Como muda o seu padrão? — Ela foi até a mesa da cozinha.
Kylie abriu a garrafa e de repente a ideia de beber sangue revirou o seu estômago. Será que ela já tinha se transformado em outra coisa? Ah, mas que maravilha! Se isso de fato tinha acontecido, ela mal podia esperar pelo café da manhã, quando todo mundo ia ter mais uma refeição divertida, zombando da cara dela.
Tirando o boné, na tentativa de esconder de Della sua aversão por sangue, ela explicou:
— Eu não entendo como isso funciona. Por que acontece ou por que não acontece. — Ela olhou para Della. — Ainda sou uma vampira?
Dela confirmou com a cabeça, e Kylie viu pela expressão da amiga que ela percebeu que Kylie havia chorado.
— Pode dizer — Kylie falou. — Agora que eu sou uma vampira tenho que ser mais durona, não é?
— Eu não ligo a mínima que você seja durona ou não — disse Della com sinceridade.
A frustração cresceu no peito de Kylie, porque ela era uma idiota, porque Della estava sendo muito compreensiva, mas principalmente porque dessa vez ela não podia correr para Holiday e pedir respostas.
Holiday não tinha essas respostas. E as pessoas que tinham, seu avô e sua tia, não queriam nada com Shadow Falls e não estavam acessíveis agora.
Um camaleão sozinho não sobrevive.
E, no momento, Kylie se sentia muito sozinha.
Mais lágrimas afloraram dos seus olhos e Kylie secou-as com a mão.
— Eu detesto me sentir uma aberração — Kylie desabafou. — Eu me sinto como se não tivesse controle sobre o meu próprio corpo.
Seus pensamentos se desviaram para Hannah. E para a preocupação da moça de que alguém iria ferir Holiday. E estou cansada de ver pessoas morrendo.
— O seu avô não te disse como... lidar com isso?
Kylie deixou escapar um profundo suspiro.
— Ele disse que levaria anos para me ensinar.
— Então você vai viver a vida toda mudando de espécie em espécie, sem conseguir controlar isso?
— Parece que sim. Eu não sei. — Kylie desabou na cadeira.
Depois de uma pausa carregada de significado, Della perguntou:
— O que você acha do seu avô?
— Como assim?
— Quero dizer, você gostou dele ou não? Ele é daqueles velhos caquéticos com um pé na cova?
— Não, ele não parecia... tão velho. Ele me pareceu gentil. Como o meu pai. Mas me lembrou um pouco Burnett, sério e austero.
— Mas...? — continuou Della, na expectativa.
— Mas o quê? Eu não disse “mas”.
— Não disse, mas me pareceu que estava pensando nisso.
Kylie suspirou.
— Se eu contar uma coisa a você, não vai contar nada... a ninguém?
— Juro por Deus — disse Della. — E prometo não chorar. Principalmente se eu ficar com a cara que você fica quando chora — ela disse, tentando persuadir Kylie com um sorriso.
Kylie não sorriu. Não conseguiria.
— Ele queria que eu fosse com eles.
Os olhos de Della se escancararam e o seu bom humor se desvaneceu.
— Você não vai fazer isso, vai?
— Não — disse Kylie. — Acho que não.
Nesse momento, ela ouviu novamente a voz do avô. Venha conosco. Vamos ajudar você a entender tudo. Você precisa descobrir quem é e o que é, Kylie.
— Não vai mesmo? — perguntou Della outra vez. — Pela sua cara, ainda está pensando na ideia.
— Não — disse Kylie.
E ela de fato não estava, disse a si mesma. Realmente não estava.
Embora talvez não tivesse muita escolha...

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