14 de outubro de 2016

Capítulo 23

Kylie concentrou o olhar no padrasto, tentando não prestar muita atenção à cena que se desenrolava atrás dele – ou seja, a discussão não verbal entre Holiday e Burnett. Uma discussão que rivalizava com os antigos filmes mudos, incluindo alguns movimentos de mão muito irritados e algumas expressões faciais muito infelizes e efusivas.
— Hã... — disse Kylie, uma simples tática de adiamento porque, precisava admitir, não tinha a menor ideia do que dizer.
— Claro que você deve passar algum tempo com seu pai — Holiday finalmente disse.
Burnett cerrou o maxilar com tanta força que Kylie poderia apostar que os dentes do vampiro tinham se achatado alguns milímetros.
Holiday se levantou.
— No entanto, Kylie tem uma prova na próxima aula. Que tal voltar em cerca de uma hora ou uma hora e meia e vocês dois podem ir almoçar em algum lugar? Acho que Kylie estava me dizendo outro dia que há uma lanchonete no centro de Shadow Falls aonde ela queria ir. Como se chamava? Burgers R Us?
Kylie acenou com a cabeça, mesmo sem saber a que restaurante Holiday estava se referindo.
A expressão de Burnett ficou menos tensa; ou ele estava sendo mais razoável ou já estava a par do plano de Holiday. Kylie só queria estar a par desse plano também, porque ela não fazia ideia do que estava acontecendo.
O padrasto se virou para Kylie.
— Acho que eu poderia dar uma volta de carro e voltar ali pelas onze horas. Há lugares muito bonitos por aqui.
— Seria ótimo! — disse Kylie.
— Ok! — concordou o padrasto, estendendo a mão e puxando-a para um abraço apertado. O calor de seu abraço infiltrou-se no peito de Kylie e deveria ter feito desaparecer seu pânico. E ele provavelmente teria se dissipado se, sobre o ombro dele, ela não estivesse vendo uma espada a ponto de cair de algum lugar mais acima. A arma bateu com força no chão e causou um barulho metálico ao se fincar na madeira, de pé, bem no meio da mesa de Holiday.
O coração de Kylie deu um salto e ela sentiu o padrasto se encolher ao ouvir o barulho. Um pensamento surgiu em sua cabeça. Como iria explicar isso a ele?
Burnett voou para a mesa na velocidade de vampiro. Pegou a espada, derrubando a xícara de chá de Holiday, e escondeu a arma atrás das costas num movimento rápido.
Apenas uma fração de segundo depois, o pai dela se afastou e se virou para verificar a fonte do barulho.
— Que mer... porcaria é essa? — Jonathon murmurou, e então corou quando percebeu o que quase disse.
Burnett fez uma careta para Jonathon. Holiday sorriu, merecendo ganhar um Oscar pela sua atuação.
— Caramba, juro que essa é a segunda xícara de chá que eu derrubo hoje!
O padrasto apenas olhou para Kylie, que não tinha respirado desde a aparição milagrosa da espada.
— Então eu vejo você em uma hora e meia.
Ela assentiu com a cabeça e inspirou.
— Combinado? — ele perguntou.
Ela encheu os pulmões de oxigênio e, com sorte, o cérebro também.
— Você vai me acompanhar até lá fora? — ele perguntou.
Sentindo-se um pouco como um daqueles bonequinhos com a cabeça de mola, ela balançou a cabeça novamente e acrescentou um sorriso, esperando parecer mais convincente.
O padrasto deu um passo e parou, olhando para ela.
— Você está bem? Parece que viu um fantasma.
Um fantasma que poderia ter que enfrentar, ela pensou.
— Estou bem. — As palavras saíram estridentes. Infelizmente, ela simplesmente não era uma atriz digna de um Oscar como Holiday.


— Acho que dá pra ir — disse Kylie ao padrasto, erguendo os olhos do folheto sobre uma excursão com guia através do Grand Canyon – uma viagem que ele estava planejando para os dois no verão. — Parece ótimo! — Não era realmente uma mentira, mas ela apostaria que Chris, o vampiro sentado a uma mesa de distância dela e do pai, no restaurante, já devia ter ouvido seu coração falar algo diferente.
Ela sentiu Lucas, sentado em frente a Chris, olhar para ela e seu coração deu um pequeno salto.
Burnett tinha escolhido duas pessoas – duas que ele achava que o padrasto dela provavelmente não iria reconhecer – para bancarem os guarda-costas disfarçados durante o almoço. Quando ele lhe dissera que colocaria duas pessoas para protegê-la no restaurante, ela não tinha considerado que ele escolheria Lucas.
Mal sabia Burnett que Kylie temia que o padrasto reconhecesse Lucas da época em que ele era apenas um garoto e morava numa casa vizinha à deles. O garoto que Kylie tinha acusado de matar seu gato.
Felizmente, o padrasto não tinha prestado muita atenção em Lucas até aquele momento. Nem notara o falcão seguindo o carro por todo o trajeto até a cidade. Ela apostava seu melhor sutiã que o falcão respondia pelo nome de Perry.
Kylie tinha tido tempo, antes do retorno do padrasto, para encontrar Miranda e certificar-se de que ela estava bem. A bruxinha ainda estava abalada. Ela havia feito as pazes com Perry, mas tinha um horário marcado com Holiday, para uma conversa séria. Sem dúvida, suas atitudes teriam algumas consequências. Embora Miranda não estivesse ansiosa para saber que consequências eram essas, ela concordava que tinha agido mal.
— Eu achei que você ia gostar — disse o padrasto, fazendo-a voltar a atenção para o presente. — É mais ou menos como o que fizemos em Taos, no Novo México. Haverá um trecho que teremos que percorrer de caiaque, mas nada muito perigoso.
Os olhos do pai se iluminaram com entusiasmo. Kylie se sentiu mal por não sentir a mesma emoção. Ela praticamente tinha passado os últimos 45 minutos ali rezando para que a espada não aparecesse e matasse algum cliente do restaurante. Mas agora, vendo os olhos do padrasto assumirem uma expressão de preocupação, ela se esforçou mais para fazer uma cara melhor.
— Lembra do filhote de cervo que vimos naquela viagem?— perguntou Kylie. — E aquele líder de acampamento que perdeu feio todos os jogos?
— Ah, sim. — O sorriso dele se alargou. — Fizemos algumas viagens muito legais.
— É mesmo! — Ela colocou a mão em cima da dele e ele virou a palma para cima e apertou a dela. Ela sentiu o amor irradiando da palma do padrasto.
— Você sabe o quanto eu sinto sua falta? Eu realmente gostaria que você pensasse em voltar a morar comigo.
Ela mordeu o lábio, lembrando de que isso era tudo o que ela queria quando ele saíra de casa. Sua vida naqueles três meses tinha mudado tanto!
Dando outro aperto na mão do padrasto, ela disse:
— Eu realmente gosto de Shadow Falls. Mas a gente vai fazer essa viagem no verão! — Deus!, ela esperava que Mario já tivesse sido pego até então, e ela não estivesse mentindo.
Ele assentiu.
— Eu entendo. Minha menininha está crescendo. — A emoção encheu os olhos dele e ele olhou em volta. O coração de Kylie quase parou com medo que ele reconhecesse Lucas.
— Você gostou do hambúrguer? — ela deixou escapar, para chamar a atenção dele para ela.
— Adorei. Você estava certa ao sugerir que viéssemos aqui. Mas você mal tocou na comida. — Ele apontou para o prato de Kylie, com o hambúrguer e as batatas fritas esfriando.
— Eu tomei um bom café da manhã — Kylie mentiu. — Mas estava bom. — Kylie olhou para o relógio. Era quase uma da tarde. Burnett tinha atrasado um pouco o padrasto para que chegassem ao restaurante depois da hora de maior movimento. Seu peito apertou um pouco quando ela percebeu que, em menos de uma hora, ela teria que enfrentar os Brightens, os pais adotivos de seu verdadeiro pai. Ah, droga, ela ainda não tinha um plano de como abordá-los.
Ela voltou a olhar para o padrasto.
— Você sabe, está ficando tarde.
— Eu sei, você vai se transformar em abóbora se eu não te levar de volta. — Ele assinou a fatura do cartão de crédito que Kylie já pedira para a garçonete trazer.
De repente, ela sentiu que as três cocas que bebera por puro nervosismo a tinham deixado com a bexiga estourando.
— Vou dar um pulinho ao toalete primeiro, antes de irmos embora.
— Vá, eu preciso fazer uma ligação para o trabalho, de qualquer maneira.
Quando ela começou a andar até o banheiro, Lucas fez uma cara de preocupação. Ah, pelo amor de Deus!, Kylie pensou, o que poderia acontecer a ela no banheiro?
Ok, muita coisa podia acontecer. Mario poderia acontecer. Mas ela tinha que fazer xixi.
Chris e Lucas sussurraram um para o outro sobre a mesa e, em seguida, Chris se levantou e disparou na frente de Kylie, em direção aos banheiros. Ela esperava que ele soubesse que ele não iria entrar no banheiro com ela. Ela nunca conseguiria fazer xixi com ele dentro do banheiro.
Kylie o encontrou esperando ao lado da porta do banheiro masculino. Como se ele planejasse apenas ficar ali de guarda e ouvir. E só de saber que provavelmente ele poderia ouvir o que ela estava fazendo dentro do banheiro, concluiu que fazer xixi seria impossível.
— Faça o que tem que fazer e saia — disse Chris, sério como um agente secreto.
— Tudo bem — Kylie empurrou a porta por dentro.
No momento em que a porta se fechou atrás dela, alguém dentro de um dos reservados pôs pra tocar uma estranha música cajun. Gosto não se discute, ela pensou, ao entrar no outro reservado.
Ela não estava lá nem há um minuto, finalmente começando a apreciar o ritmo frenético da música, quando ouviu um barulho mais acima. Ergueu os olhos e viu um par de mãos segurando a parte superior da porta. Em seguida, um pé apareceu enquanto alguém escalava a porta.
Merda.
Não poderia haver nada pior do que enfrentar um intruso enquanto se está fazendo xixi, ao mesmo tempo em que se tenta se equilibrar acima do assento sanitário.
Kylie ficou de pé, preparando-se para enfrentar quem quer que já estivesse prestes a entrar no reservado.
Por azar, ela não tinha conseguido parar o fluxo de xixi por completo.
Imediatamente percebeu que tinha errado a pontaria. Não poderia haver coisa pior. Ser pega em flagrante no banheiro, meio agachada, com xixi escorrendo pela perna, enquanto se enfrenta a cara da quase noiva do sujeito que você ainda ama.
— O que você está fazendo aqui?! — Kylie retrucou, sabendo que mostrar medo de um lobisomem podia ser perigoso.
— Não é óbvio? Eu estava curiosa?
— Para ver meus hábitos no banheiro? — Kylie perguntou, num tom irritado.
Ela sorriu.
— Para ver você.
Não achando que a garota iria pular na sua garganta – e ei, se ela fizesse isso, Kylie não queria morrer com xixi escorrendo pela perna! – ela arrancou alguns pedaços de papel higiênico e secou o líquido escorrendo pela coxa.
Calcinha no lugar, calça jeans abotoada, ela enfrentou Monique e decidiu apenas se livrar dela.
— Você deve saber que a qualquer segundo um vampiro vai entrar correndo aqui. Se eu fosse você, sairia correndo.
Monique arqueou uma sobrancelha.
— Então Lucas não te ensinou o truque secreto para lidar com vampiros curiosos, hein? Apenas um pouco de música da Louisiana e a superaudição deles vai para o brejo.
Kylie fez uma careta. Não, ela não conhecia esse truque, e estava um pouco ofendida por Lucas não ter lhe ensinado. Mas por que ele faria isso? Guardar segredos dela era a especialidade dele.
— O que é que você quer realmente, Monique? — perguntou Kylie.
Monique deu de ombros.
— Eu já disse. Estava curiosa. Você sabe quantos pretendentes pediram a minha mão ao meu pai? E, então... o sortudo que ele finalmente escolheu para viver comigo a vida inteira nem quer mais ouvir falar de mim.
Kylie ouviu o ressentimento na voz de Monique. Mas estranhamente ele pareceu estar mais relacionado ao fato de ser forçada a aceitar um casamento arranjado do que à falta de disposição de Lucas para levar adiante o noivado. Não que Kylie não tivesse reparado na parte sobre Lucas não querer mais nem ouvir falar de Monique. Ele tinha dito isso a Kylie, Fredericka tinha dito a mesma coisa, mas ouvir isso da outra garota fez muito bem ao seu ego.
— Então, agora, você quer descarregar toda a sua raiva em cima de mim, não é?
— Não. — Ela franziu a testa e começou a verificar o padrão de Kylie.
Kylie virou a cabeça e tentou mudar seu padrão, mas obviamente não foi rápida o suficiente.
— Uau, isso é estranho! O que exatamente você é?
— Simplesmente um mistério — disse Kylie, começando a ficar desconfiada com o fato de estar num reservado com Monique — desconfiada, porque isso era o que todos os camaleões temiam: ser notados, chamar a atenção para a sua raça.
— Você se importa de se retirar? — perguntou Kylie.
Monique retrocedeu alguns passos e estendeu o braço para trás para destrancar a porta do reservado, sem tirar os olhos de Kylie.
— Tem certeza de que você não tem um tumor no cérebro?
— Provavelmente é isso. — Kylie fez sinal para ela sair do caminho.
A menina deu um passo e depois parou.
— Mas dizem que você é uma protetora também. E, na cerimônia, me disseram que tinha um padrão de lobisomem. Como você consegue...
Kylie espremeu-se contra a parede para sair do reservado e foi lavar as mãos. E por mais que não quisesse pensar nisso, na sua mente surgiu novamente a imagem do beijo que ela tinha visto Lucas dar em Monique.
— Você ainda está brava com ele? — perguntou Monique. — Aposto que está furiosa.
Kylie bombeou a saboneteira com mais força do que o necessário. Quando ela olhou o reflexo da loba no espelho, percebeu novamente o quanto Monique era bonita. Os olhos dela eram castanhos escuros, com longos cílios que combinavam com seu cabelo preto. Os lábios eram carnudos e voluptuosos como os de algumas atrizes famosas. Sim, ela tinha um rosto lindo, acompanhado por um corpo curvilíneo e perfeito.
Esfregando as mãos, Kylie disse:
— Se você não se importa, não acho que isso seja algo que eu queira discutir com você.
— Se fosse você, eu me bombardearia de perguntas. — Ela inclinou a cabeça para o lado e observou o reflexo de Kylie como se estivesse tentando entendê-la. — Já que você não é curiosa, isso significa que acredita quando ele diz que não estávamos realmente juntos. Ou pelo menos quer acreditar — completou Monique. — Você não quer me perguntar?
Uma dor profunda envolveu o coração de Kylie.
— Você já disse que ele não quer mais ver você.
— Eu quis dizer que ele não queria se casar, mas você sabe como são os homens, eles sempre querem outras coisas.
Kylie colocou as mãos embaixo da torneira e enxaguou-as. Então olhou para o reflexo de Monique novamente.
— Você estava certa da primeira vez. Eu acredito nele. — E as palavras deslizaram de sua boca e não afetaram nem um pouco o seu batimento cardíaco. Até ela ficou um pouco surpresa.
— Então por que ainda está brava com ele? Clara me disse que você mal o cumprimenta. Que ele vive andando por aí como um filhotinho abandonado.
Kylie pegou algumas toalhas de papel.
— Deixe-me repetir: eu realmente não tenho intenção de discutir isso com você.
Monique balançou a cabeça como se estivesse confusa com o comportamento de Kylie.
— É preciso coragem para fazer o que ele fez. Para romper um noivado. Para arriscar tudo. — Ela inclinou a cabeça para o lado e estudou Kylie mais uma vez. — Você sabe tudo o que ele arriscou, não sabe?
Kylie não respondeu. Fechou os olhos por um segundo e desejou que não precisasse ouvir isso.
— A própria alcateia está pensando em bani-lo — continuou Monique. — Se ele não conseguir entrar naquele Conselho, terá perdido tudo. O pai praticamente o denunciou. Eu soube que os anciãos pediram uma reunião para discutir as atitudes dele. Meu pai ainda está pensando em contratar alguém para matá-lo!
Kylie se virou e olhou para Monique.
— E você vai deixar?
— Deixar?! Eu disse a ele que estou muito feliz por ter me livrado desse compromisso, mas o que eu digo não tem nenhuma importância para o meu pai. Como acontece com Lucas, esperam que eu siga as regras. Ainda bem que o noivado foi cancelado antes de eu começar a gostar do cara. — Monique se aproximou um pouco. — Pode me chamar de romântica, mas acho que é um pouco triste que, depois de tudo o que ele fez, você não o aceite de volta. Não que você fosse ficar com ele por muito tempo. A expectativa de vida de um lobo solitário é muito curta. Ou você pertence a uma alcateia ou é visto como uma presa por qualquer um que esteja com fome durante uma caçada.
A porta do banheiro se abriu. O lobo solitário então invadiu o banheiro parecendo preparado para matar. Quando seus olhos cruzaram com os de Monique, seus instintos assassinos diminuíram, mas sua cara feia se intensificou.
— Que diabos você está fazendo aqui?!
Monique deu de ombros.
— Se uma garota quer mijar, ela tem que entrar aqui! — Monique passou por ele sem nenhuma vergonha e saiu pela porta. — Passe bem, Lucas.
Lucas nem sequer olhou-a sair. Ele fitou Kylie, seu olhar quase uma carícia.
— Sinto muito. Ela não tinha o direito de...
— Ela não fez nada. — Kylie torceu com força as toalhas de papel, rasgou-as em duas, rasgou-as mais uma vez e, em seguida, jogou-as no lixo. Depois engoliu o nó que se formava em sua garganta. — Você deveria ir com ela. Cumprir o compromisso que assumiu.
— O quê? — Ele olhou para Kylie como se ela tivesse perdido a cabeça.
— Você me ouviu — ela insistiu.
Ele balançou a cabeça.
— Você não está falando sério.
— Sim, estou! — disse ela. E estava sendo absolutamente sincera. Como poderia não fazer nada e vê-lo perder tudo? Assistir à sua própria alcateia bani-lo, sabendo que era por causa dela?
— Você só está com raiva de mim.
— É isso aí! Pode ter certeza de que ainda estou com raiva de você. — As lágrimas encheram seus olhos, quando a honestidade ecoou em sua voz. — Você me traiu. Dói pra caramba saber que você me deixou todas aquelas vezes e foi vê-la. Mas você quer saber com quem eu estou mais furiosa? Comigo mesma. Eu sabia há muito tempo como isso iria acabar. Sabia que o fato de eu não ser um lobisomem acabaria destruindo qualquer chance que tínhamos.
— Eu não me importo com o que você é! — ele rosnou.
— Você deveria se importar. Porque o preço que tem que pagar é alto demais.
Ela viu a dor cintilando nos olhos dele.
— Mesmo que você não tivesse me traído, eu não iria deixá-lo pagar esse preço. Acabou, Lucas, aceite isso e não estrague a sua vida por minha causa.
Com a cabeça erguida, ela saiu. Infelizmente, seu coração se parecia com as toalhas que ela tinha acabado de jogar na lixeira: retorcido e esfarrapado.


Kylie observava Perry – ainda na forma de um falcão – seguir o carro do padrasto enquanto eles voltavam a Shadow Falls. Ao volante, ele falava sobre a possível viagem ao Grand Canyon. Quando diminuiu a velocidade para entrar no estacionamento de Shadow Falls, Kylie notou um Cadillac prata na frente deles, com o pisca-pisca ligado, também entrando no estacionamento. As janelas escuras do carro a impediram de ver quem dirigia, mas ela não pôde deixar de se perguntar se não seriam os Brightens – os pais adotivos do seu verdadeiro pai.
O estômago de Kylie começou a se contrair. Ela ainda não sabia o que dizer e o que não dizer. Seu coração continuava ecoando a dor que sentira ao falar com Lucas, mas precisava deixar isso de lado. Infelizmente, tinha problemas demais para poder se entregar a um só.
Ela olhou para o relógio. Eram vinte para as duas. Poderiam realmente ser eles caso gostassem de chegar mais cedo aos compromissos.
Olhando para o pai, agora falando sobre o equipamento de camping de que iriam precisar, ela percebeu o quanto seria estranho se ele tivesse que encontrar os Brightens. Isso provavelmente a obrigaria a explicar um monte de coisas que ela não sabia como explicar. E, provavelmente, acabaria magoando o padrasto, algo que ela não queria fazer.
O carro prata cruzou os portões e estacionou numa vaga de visitantes. O padrasto estacionou duas vagas mais adiante. Soltando o cinto de segurança antes que o padrasto tivesse tempo para desligar o carro, ela se inclinou e lhe deu um beijo na bochecha.
— Obrigado pelo almoço. Eu preciso entrar.
— Ei, não vá embora tão rápido, eu tenho tempo para entrar com você. Preciso aproveitar cada segundo que temos juntos.

4 comentários:

  1. Ta_bom_eu_so_falto_morrer_de_rir_em_todos_os_capitulos_principalmente_quando_a_Kylie_entra_em_apuros_mas_caramba_a_parte_do_banheiro_eu_quase_chorei_de_rir_e_depois_meio_que_me_inrritei_com_a_Kylie_ta_certo_que_da_pra_entender_o_pq_de_ela_rejeitar_o_Lucas_mas_poxa_ele_ama_demais_ela_todos_ja_admitiram_e_ele_agora_ja_ta_ferrado_mesmo_por_que_nao_aceitou_o_casamento_oque_ainda_falta_ele_fazer_pra_Kylie_entender_que_ele_nao_vai_desistir?

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  2. Respostas
    1. Exato!
      Sorry... but ta na hora de por o cão para fora!

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  3. tá que o lucas fez algumas coisas erradas... mas td mundo ja percebeu que ele ama ela e largou e largaria novamente tudo por ela ... pq ela nn perdoa ele , mds..

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