4 de outubro de 2016

Capítulo 23

Kylie mordiscava, sem apetite, o seu hambúrguer com batatas fritas no jantar daquela noite, sentada entre Della e Miranda no refeitório. Quando questionada, Miranda confessara que ainda não tinha falado com Perry sobre a questão da dança e do dragão da noite anterior. Contou que tinha recebido outro telefonema do bruxo bonitão e eles tinham combinado que ele iria pegá-la na sexta-feira à noite para irem jantar fora.
— O que vou dizer a Perry? — ela perguntou. — “Ei, eu queria falar com você pra ver se temos uma chance juntos, mas primeiro vou sair com outro cara e ver se gosto mais dele.”
Kylie e Della concordaram que seria uma conversa bem difícil. Mas sugeriram que Miranda pelo menos lhe agradecesse por defendê-la de Clark.
Na verdade, Kylie esperava que a colega de quarto conversasse com Perry e também cancelasse seu encontro de sexta-feira. Não tinha nada contra bruxos bonitões, mas o metamorfo era seu amigo.
Ela colocou uma batata frita gordurosa na boca e tentou fingir que estava com fome. Quando olhou para cima, viu Lucas sentado com seu grupo de amigos lobos. Seus olhos se encontraram em meio às fileiras de adolescentes famintos mastigando hambúrgueres. Ele sorriu e Kylie retribuiu o sorriso. Lucas perguntou, por meio de gestos, se ela queria se sentar com ele à mesa dos lobisomens. E ela teria ido, mesmo sabendo que seria bem desconfortável se sentar com um grupo que não queria vê-los juntos. Teria feito isso porque, se Lucas podia enfrentá-los, ela também podia. Mas Della era sua sombra e Kylie sabia que a vampirinha teria que segui-la se ela resolvesse se sentar com o grupo de lobisomens. Então, Kylie se conteve.
Lucas pegou uma batata frita e, quando a colocou na boca, piscou para Kylie. O pequeno gesto poderia não significar nada se tivesse partido de outro garoto, mas, para Lucas, qualquer demonstração de afeto em público era um verdadeiro acontecimento. Ela deu um grande sorriso e piscou de volta. Fez isso, mesmo quando percebeu que Fredericka, sentada a duas pessoas de distância de Lucas, rosnou como se quisesse dilacerar a garganta de Kylie.
E a loba devia ser bem capaz de fazer isso.
Alguém devia ter dito algo engraçado numa mesa ali perto, porque risos encheram o salão. O cheiro de hambúrgueres misturava-se com o leve aroma de madeira queimada. Graças a Burnett, os resquícios da grande briga do dia anterior tinham desaparecido, mas a lembrança permanecia. Todos no acampamento pareciam mais alegres aquela noite, sem dúvida celebrando a volta de Holiday. Se a líder do acampamento tinha alguma dúvida de que era querida, a quantidade de exclamações de alegria, acompanhadas de “Você está de volta!” e abraços inesperados (mesmo de alguns vampiros e lobos, o que não era comum) deviam ter feito muito bem ao seu ego.
Por um momento, Kylie preocupou-se com a possibilidade de Burnett se sentir desprezado. Mas mais de uma vez ela surpreendeu o vampiro assistindo às saudações emocionadas dos campistas com tanto orgulho nos olhos que era como assistir a uma história de amor no cinema. Kylie quase podia ouvir a música romântica tocando ao fundo. Ela queria ter uma câmera nas mãos para poder mostrar a Holiday como Burnett a contemplava sem que ela percebesse.
A porta do refeitório se abriu e Derek e Ellie entraram lado a lado, embora não estivessem de mãos dadas. Ele imediatamente começou a olhar à sua volta, e Kylie soube que o fae estava procurando por ela quando os seus olhos se encontraram. Não pôde deixar de se perguntar o que ele queria falar a Holiday, pelo telefone. Seria sobre ela novamente? E por quê? Derek não deveria estar concentrando sua atenção em Ellie?
Ele acenou com a cabeça ligeiramente. Ela acenou de volta e se forçou a dar outra mordida no hambúrguer. Tinha gosto de carne morta, o que de fato era, mas o pensamento o tornou ainda menos apetitoso.
Quando sentiu que a comida já não descia pela garganta, empurrou o prato para o lado. Não aguentava comer mais.
Olhando para o copo de chá gelado, enxugou com o dedo o vidro suado e procurou uma desculpa plausível para fugir do refeitório. Fugir antes que tivesse que assistir a Derek e Ellie sussurrando entre si e oferecendo batatas fritas na boca um do outro ou coisa assim... Não que ela se importasse, claro. Pelo menos era isso o que dizia a si mesma. E continuaria a dizer até que fosse verdade. Isso ia acontecer, um dia. Como poderia não acontecer se ela gostava tanto da companhia de Lucas? Gostava de seus beijos. Gostava de ser a garota para quem ele piscava mesmo com dezenas de pessoas por perto para testemunhar.
O telefone de Kylie tocou, dando-lhe a desculpa de que precisava para sair do refeitório. Nem mesmo verificando quem era, se inclinou e sussurrou para Della que ia sair para atender à chamada. Essa, que só tinha se interessado pela carne mal passada do hambúrguer e que já a havia devorado, pegou sua verdadeira refeição, um copo de sangue B positivo, e seguiu Kylie para fora.
Kylie não tinha aberto ainda a porta do refeitório quando ergueu o celular para ver quem estava ligando. Ai, não! Era Sara, sua antiga amiga da escola.
Sara, cujos telefonemas e mensagens Kylie não tinha respondido. E por um bom motivo. Ela sabia que a amiga queria falar sobre sua suspeita de que Kylie tinha contribuído para curar seu câncer.
O problema era que a suspeita de Sara tinha fundamento. E esse era um assunto que Kylie não tinha discutido com Holiday ainda.
Então, o que levou Kylie a atender ao telefonema, antes de verificar o identificador de chamadas?
Ah, sim, desse modo ela teve uma razão para sair do refeitório. Colocou o telefone no ouvido e apertou um botão para atender a ligação.
— Oi, Sara! — Kylie decidiu improvisar. Não que fosse muito boa ideia. Ela nunca tinha sido boa em improvisos.
— Oi — disse Sara.
— Quais as novidades? — Kylie perguntou.
— Vou te dizer quais são as novidades. Acabei de confundir todos os oncologistas do Texas. Ainda tenho que acabar minha químio e fazer a radioterapia, mas eles fizeram toneladas de tomografias computadorizadas e não encontraram nenhum tumor neste corpo! Dá pra acreditar? Eu não vou morrer, Kylie!
Havia tanta empolgação, otimismo e esperança pura na voz de Sara que a respiração de Kylie ficou presa na garganta e as lágrimas inundaram seus olhos. Kylie se lembrou da antiga Sara. Não a garota fissurada em sexo, álcool e festas que a tinha substituído, mas aquela que fora a melhor amiga de Kylie desde a escola primária.
E até o momento, Kylie não percebera o quanto ela tinha sentido falta da antiga Sara.
— Que coisa maravilhosa, Sara!
— Como se você já não soubesse! — disse ela.
Pense. Pense. Pense.
— Eu não sei o que quer dizer — Kylie respondeu, decidindo se fazer de desentendida. Como era o ditado? A ignorância faz a felicidade? Ela realmente precisava de um pouco de felicidade agora.
Della olhou para Kylie e revirou os olhos. Kylie franziu a testa, não tanto porque a amiga estava ouvindo a conversa – ela teria contado à amiga de qualquer maneira – mas por ter murmurado a palavra “mentirosa”.
— Certo — disse Sara. — Mas não importa. Podemos falar sobre isso neste domingo. — Ela fez uma longa pausa no telefone, como se o comentário significasse algo mais. — Vamos lá. Você não quer saber por que podemos falar sobre isso no domingo? — Sara finalmente perguntou.
— Porque você não vai à igreja e sim me ligar? — Kylie respondeu, dizendo a primeira coisa que lhe veio à mente, embora seu estômago tivesse se contraído com uma estranha suspeita. Mas suspeita de quê? O que conversar com Sara no domingo podia ter de ruim?
— Porque estou indo vê-la no domingo — contou Sara, parecendo realmente feliz com isso.
Ok, uma visita de Sara a Shadow Falls poderia ser realmente muito ruim. Mas talvez ela não estivesse se referindo a Shadow Falls.
— Ah, Sara, mas eu não estou em casa. Estou no acampamento — explicou Kylie. — Lembra? — Por favor, meu Deus, faça com que seja simples assim.
— Claro que me lembro, sua boba! Estou indo com a sua mãe. Acabei de falar com ela pelo telefone.
O coração de Kylie foi parar na boca, e depois deu a impressão de cair em queda livre na direção do estômago. O pensamento de que Sara iria a Shadow Falls provocou uma onda de choque em seu cérebro.
Sara pertencia à antiga vida de Kylie.
Tudo em Shadow Falls fazia parte da sua nova vida.
A vida antiga e a vida nova não combinavam. Eram como manteiga de amendoim num cachorro-quente. Ambos eram gostosos separadamente, mas nunca juntos.
Nunca.
Jamais.
— Hã, Sara. Você... Você... — Ela engoliu em seco. — Você não pode visitar Shadow Falls. Quero dizer, você tem que... Tem que ter uma permissão dos líderes do acampamento, e eles são muito rigorosos sobre...
— Dã, sua mãe me disse isso. Então eu peguei o touro pelos chifres. Liguei para o acampamento e falei com o senhor Burnett James, cerca de vinte minutos atrás. Ele disse que tudo bem se eu fosse com a sua mãe. Eu mal posso esperar para te ver, Kylie. E mal posso esperar para conhecer todos aqueles gatinhos de que você me falou. A gente vai se divertir muito. Ah, e qual era o nome daquela piranha de quem você me falou? DeAnn, não, espera, Della! Podemos dar um belo chute na bunda dela.
Della arregalou os olhos. Piranha?, disse, apenas movendo os lábios.
A mão de Kylie que segurava o telefone começou a tremer.
— Hã... Eu nunca disse que ela era piranha, eu disse que era estranha.
— Ah, tanto faz — disse Sara. — E a outra, de cabelo esquisito? Me diga, foram elas que te ensinaram a curar as pessoas?
— Sinto muito. — O coração de Kylie começou a bater na boca. — Eu tenho que ir. Alguém acabou de... alguém me chamou. — Ela socou Della de leve no braço.
— Oi, Kylie! — Della gritou, e sorriu como se tivesse gostado da ideia de enganar Sara. Ou não. — Ah, você está no telefone... Nós podemos nos falar mais tarde. Não quero parecer uma piranha ou algo assim — disse ela com cinismo.
— Eu te ligo mais tarde — Kylie disse a Sara. — É... mais tarde. Desculpe. — Ela começou a afastar o telefone da orelha para desligar e depois disse: — Mas estou feliz de você estar bem, Sara. Muito feliz.
Kylie fechou o celular e, em seguida, olhou para Della. Della, que parecia estar imensamente satisfeita com o desconforto de Kylie. Della, que parecia estar ao mesmo tempo furiosa e achando tudo muito divertido.
— Então — disse Della —, nós finalmente vamos conhecer a senhorita Sara, hein? Sua melhor e mais antiga amiga, que para mim sempre pareceu uma babaca egocêntrica, se você quer saber. Você está muito melhor agora que veio pra cá. Pessoalmente, eu teria deixado que ela morresse. Mas pensando bem... — Della exibiu suas presas. — Humm, qual o tipo sanguíneo dela? Será que eu poderia pedir para ela me doar um litro ou dois, talvez um pouco mais?... Para dar um belo chute na minha bunda!
— Pode me matar — disse Kylie, e jogou os cabelos para trás para expor a veia do pescoço. — Só me mate agora e acabe logo com isso!


— Então a gente vai conhecer Sara. Legal — Miranda disse mais tarde naquela noite, quando se sentou à mesa da cozinha.
— Não é legal — discordou Kylie, parecendo sinceramente infeliz e afagando atrás da orelha de Socks, que não parava de pedir carinho.
— Por que não é legal? — Miranda perguntou.
— Ela não quer que a gente conheça Sara — explicou Della. — Nós podemos descobrir como é a verdadeira Kylie Galen.
Kylie lançou um olhar zangado a Della, e sim, ela podia fazer muito bem uma carranca maldosa, graças à convivência com Della.
— Não é nada disso. Vocês sabem muito bem como eu sou de verdade. É só que... É muito estranho ela vir aqui.
— Por quê? — Miranda perguntou. — A gente conheceu a sua mãe.
— E o mulherengo do seu pai — Della acrescentou.
— É diferente — disse Kylie, e franziu a testa para o comentário sobre o pai “mulherengo”. Embora ela não soubesse por que estava ofendida, já que era verdade.
— Por que é diferente? — Miranda perguntou. Antes que Kylie pudesse responder, ela acrescentou: — Ei, espero que vocês duas tenham chance de conhecer Todd sexta-feira à noite. Será que podem esperar comigo no estacionamento quando ele vier me pegar?
Tanto Della quanto Kylie mostraram desagrado, mas fizeram que sim com a cabeça.
— É diferente pra você — Kylie disse a Miranda, ainda preocupada com a visita de Sara no Dia dos Pais. — Você soube que era sobrenatural durante toda a sua vida. Não teve uma vida pré-sobrenatural. — Socks, ainda sobre o tampo da mesa, pulou para o chão com uma elegância felina. — É como se eu fosse uma pessoa diferente naquela época. E, tudo bem, vocês conheceram os meus pais, mas é quase como se eles não contassem, não do mesmo modo que os amigos.
— Desculpe, mas eu não entendo — disse Miranda.
— Mas eu sim — disse Della. E ela disse aquilo como se detestasse ter que admitir. — Kylie está certa. É diferente quando você teve uma vida diferente. Tentei imaginar como seria se vocês conhecessem Lee ou uma das minhas antigas amigas. Seria bizarro. — Ela fitou Kylie nos olhos. — Sinto muito se fui dura demais com você sobre isso.
— Uau! — exclamou Miranda. — É melhor ter cuidado, Della. Acho que, nos últimos dias, você usou toda a sua cota vampirística de desculpas para os próximos dez anos.
— Então não vai me levar a mal se eu te mandar pro inferno agora! — Della despejou.


Mais tarde naquela noite, Kylie acordou com uma névoa se formando em torno dela. Ela não sabia onde estava, mas por algum motivo não estava com medo. Seu olhar fitou a névoa, macia e úmida. Ela olhou para as árvores, para as folhas que, mesmo no escuro, formavam uma sombra perfeita de um verde luxuriante. Belos raios de luar derramavam-se pelos galhos que pareciam se estender, orgulhosos, em direção ao céu. Perfeito. A perfeição de um conto de fadas. Até mesmo os sons da floresta no cenário noturno eram como uma sinfonia. Ela ouviu água corrente, como um riacho murmurante, um som belo e tranquilo ao fundo.
Imediatamente pensou em Derek e naquela coisa maluca que ele fazia quando estava perto dela. Como se ele fizesse tudo parecer uma cena de conto de fadas, feita para dar asas à imaginação e nos encher de assombro e deslumbramento, como as páginas de um livro infantil.
— Oi... — A voz dele desviou sua atenção das poucas estrelas cintilantes que ela via acima das árvores.
Ele estava sentado ao lado dela numa grande pedra. Não tão perto a ponto de fazê-la se sentir pouco à vontade, mas perto o suficiente para que a luz do luar lhe permitisse vê-lo. Então Kylie percebeu que aquela não era uma pedra qualquer, era a pedra deles. O lugar para onde ele a levara logo que haviam chegado a Shadow Falls.
Ela tinha feito de novo.
Ela o levara até ali num sonho lúcido e aquilo era muito errado.
— Sinto muito — ela deixou escapar. — Eu não queria fazer isso.
Fechou os olhos e se concentrou na tentativa de voltar, afastando-se do sonho. Ela se concentrou o máximo que pôde, esperando pela sensação de flutuar, mas ela não veio. Pelo menos Kylie não a percebera.
Ela abriu os olhos só um pouquinho, o suficiente para descobrir se estava se movendo. Não, ela ainda estava sentada na pedra. E Derek ainda estava olhando para ela. Por que não conseguia flutuar para longe do sonho? Ela abriu os olhos de uma vez.
— Sinto muito — disse novamente. — Eu não queria fazer isso. Só um instante e você já vai poder voltar a dormir.
Ela fechou os olhos de novo e tentou muito se concentrar. Volte. Volte a dormir. Agora!
— Kylie? — A voz dele acariciou os seus ouvidos enquanto ela tentava consertar o que tinha feito. — Kylie.
Ela tentou ignorá-lo e continuar concentrada.
— Kylie, não é você quem está fazendo isso. Sou eu. Eu estou tendo um sonho lúcido.
Kylie abriu os olhos e o viu ainda sentado sobre a pedra, parecendo absolutamente real! Ela se lembrou de como o sonho lúcido lhe parecera diferente quando Ruivo tinha entrado em seus sonhos. Ela não tinha conseguido flutuar para longe; precisou acordar. Então era disso que precisava. Bastava acordar. Mas não fez isso.
— Você tem sonhos lúcidos?
Ele balançou a cabeça.
— Tenho.
A primeira coisa que ela fez foi se certificar de que estava vestida. Ora... Ela conhecia suas próprias inclinações nos sonhos e, pelo que tinha ouvido falar, os garotos eram ainda piores.
Kylie estava com o seu pijama cor-de-rosa. Nada muito sexy ou chamativo. Isso era bom. Soltou um suspiro de alívio ao perceber que ele não tinha intenção de ter “aquele” tipo de sonho. Mas não pôde deixar de se perguntar se era porque ele não se sentia mais atraído por ela. Agora ele tinha Ellie...
— Por que não me contou que podia ter sonhos lúcidos? — perguntou ela, sem querer pensar muito sobre Derek e a vampira.
Ele hesitou.
— Descobri como evitá-los antes mesmo de vir para Shadow Falls. Antes disso eu ficava tentando visitar meu pai a toda hora e me comunicar, mesmo quando não queria mais nada com ele.
Kylie sabia tudo sobre sonhos lúcidos indesejados. Então se lembrou da mágoa de Derek com relação ao pai, o homem que o abandonara quando ele era pequeno.
— Você mantém contato com ele agora? — perguntou, lembrando-se de que ele lhe dissera que ia procurá-lo, ao deixar Shadow Falls. Quando Derek voltara com Ellie, ela não tinha pensado mais sobre os problemas dele, apenas se sentido traída. Uma ponta de constrangimento encheu seu peito por ter sido tão egoísta.
— Na verdade, não. Mas agora sei como funcionam os sonhos lúcidos, então eu...
— ... então você...? — Kylie perguntou.
— Comecei a usá-los novamente. Mas isso não é importante. Olhe, a outra noite, quando você veio até o meu quarto num sonho...
— Eu sinto muito por isso — disse ela. — Só estou começando a aprender a controlá-los. Mas assim que percebi o que eu tinha feito, que eu tinha ido ao seu quarto, eu fui embora.
Ele franziu a testa.
— Eu sei. Mas antes que você se fosse, no segundo em que a vi, me dei conta de que não me sinto do mesmo jeito nos sonhos.
— Como assim? — perguntou ela, obviamente ainda meio sonolenta.
— Eu não sinto o mesmo fluxo intenso de emoções vindo de você. — Ele sorriu. — Quando temos sonhos lúcidos, posso conversar com você, ficar assim perto, sem que isso me deixe com a impressão de que vou enlouquecer.
Kylie sentiu tantas emoções conflitantes enquanto estava sentada ali naquela pedra, fitando o sorriso dele! Ela respirou fundo.
— Eu não tenho certeza se isso é uma coisa boa.
— Por que não? Só quero conversar. Saber como você está. Isso é crime? Pensei que você tinha dito que também se importava comigo. Que queria ser minha amiga.
— Ok, deixe-me colocar de outra maneira. Eu não acho que Ellie vá achar uma boa ideia.
Ele franziu mais a testa.
— Eu já te disse que as coisas mudaram entre nós. Ellie e eu somos apenas amigos.
— Sério? — Kylie deixou o sarcasmo transparecer na voz. — Porque é difícil acreditar depois da foto que eu vi de vocês dois se agarrando.
Ele hesitou e depois disse:
— Ok, você está certa. Quando procurei Ellie, ela ficou superfeliz de me ver e eu estava magoado. Lucas estava de volta e você não era indiferente a ele. Eu estava tão confuso quanto Ellie. A gente se beijou e... Olha, o que importa é que nós dois percebemos que não tinha mais nada a ver.
Foi aquela pequena pausa que mais chamou a atenção dela.
— Você se beijaram e depois fizeram o quê? — Kylie perguntou. Obviamente, no mundo dos sonhos, ela era mais corajosa e capaz de fazer perguntas que não conseguia fazer na vida real. — O que aconteceu, exatamente, entre você e Ellie na Pensilvânia?

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