31 de outubro de 2016

Capítulo 22

Atticus parou de balançar as pernas. Jake sentava-se olhando para Amy. Dan estava estático no sofá. Os olhos verdes de sua irmã eram geralmente calorosos, mas agora pareciam tão duros quanto metal. O que ela estava fazendo?
— O que você disse? — perguntou Atticus.
Amy ergueu o queixo.
— Esta é a questão Cahill. Resolvê-lo é nossa responsabilidade.
— Desculpe-me? — Jake se pronunciou.  Atticus acabou de quebrar o código do espelho. Você percebe o que tem aqui neste livro? É um presente incomensurável para uma bolsa de estudos – quem sabe as informações que contém sobre Leonardo!
— Este não é um seminário de faculdade — Amy falou uniformemente.  Esta é uma batalha que não é sua. Somos gratos por sua ajuda. Mas vocês devem retornar a Roma de manhã.
— Mas...  Dan começou, mas Amy o silenciou com um olhar de fique fora disso. Dan ficou calado, mas sentiu seu sangue começando a ferver.
A boca de Jake estava aberta. Ele parecia ter levado um soco na cabeça. Ou no estômago. Algum lugar muito, muito ruim.
— É um assunto de família — Amy continuou. — Os Cahill podem assumir daqui.
Atticus parecia prestes a chorar. Atrás de seus óculos, ele piscava rapidamente.
— Ei, podemos fazer uma votação quanto a isso? — Dan sugeriu.
— Não — o tom de Amy era firme.  Eu sou a chefe
da família. Esta decisão é minha.
— Você pode ser a chefe da família — Dan respondeu furiosamente. — Mas não é uma ditadora!
Ian entrou pela porta.
— Vocês não vão acreditar no que aconteceu comigo... — ele
começou, então parou, seu olhar indo de Jake para Amy, então para Dan e Atticus. Ele atirou seu telefone sobre a mesa. 
— O que eu perdi?
O telefone caiu bem ao lado de Jake. Dan leu as palavras KEEP CALM AND CARRY ON. Como era estranho que os dois garotos, de
temperamentos tão diferentes, tivessem a mesma capa de celular.
A tão conhecida frase girava em torno em sua cabeça.
Ele não se sentia calmo. Ele não sentia como se quisesse continuar. Ele queria jogar ambos os telefones no vaso sanitário por dizer-lhe para fazer algo tão pouco convicente, quando tudo o que ele queria fazer era gritar e mudar o que estava acontecendo.
 Nada  disse Jake.  Você não perdeu coisa alguma.

* * *

— Ela não quis dizer aquilo — Atticus sussurrou para
Jake mais tarde. 
— Dava pra ver pelos seus olhos.
Jake pegou suas roupas e enfiou-as na mochila.
— Ela quis dizer cada palavra.
 Jake, se você pudesse apenas conversar com ela...
— Eu conversei com ela. Ouça, irmãozinho, paramos aqui. Esta é a última coisa que fizemos pelos Cahill — ele falou a última
palavra com amargura.
— Ela realmente não quer que a gente vá  Atticus falou miseravelmente.  E Dan definitivamente não quer também!
— Dan não é o chefe. Amy é. E ela foi bem clara  Jake fechou o zíper de sua mochila.  Arrume suas coisas. Liguei para a vila e
aluguei um carro. A primeira coisa que faremos pela manhã será ir para o aeroporto.

* * *

Primeira luz. Amy ouviu o baque fraco da porta se fechando. Ela correu para a janela. As formas escuras de Jake e Atticus indo para um carro parado na estrada. Atticus parecia esmagado pela enorme mochila que carregava nos ombros. Jake pendurara a sua num ombro só, e caminhou rapidamente na direção ao carro, como se não pudesse fugir rápido o suficiente.
Ela queria descer correndo as escadas, se arremessar e abrir a porta e implorar-lhes para ficar. Em vez disso, ela desviou o olhar.
A porta do quarto se abriu. Dan apareceu no vão da porta.
— Você está acordada — ele parou na porta. — Esta foi uma coisa realmente ruim.
Amy pressionou a testa contra o vidro frio.
— Dan, você se lembra daquela ponte? Lembra daquele terror? Como posso pedir a eles para arriscar suas vidas por nós?
— Você não está pedindo nada de ninguém — Dan observou. — Somos todos voluntários aqui. E eu sei de uma coisa. Você está errada. Jake e Atticus são família. Você está se transformando na Tia Beatrice!
— Isso não é justo! — exclamou Amy. — Eu tenho que tomar as decisões. Você é aquele de nós que quer deixar a família! Por que você
deveria ter um voto de confiança, Dan? Você optou por sair, lembra?
— Eu estou aqui agora!  Dan atirou de volta.  Vendo você ser mesquinha!
Eles se encararam, furiosos.
Ouviram uma batida insistente na porta lá de baixo. Ela e Dan mergulharam para as escadas.
Amy chegou à porta primeiro. A mão de Fiona estava erguida para bater novamente, seu cabelo escuro brilhando com gotículas da névoa da manhã.
— Há um SUV preto na — ela falou. — Eles estão à sua procura. Vocês tem que sair daqui.
A mente de Amy parou e ela mudou para o modo de sobrevivência.
— Como? 
— Barco.
— Dê-nos cinco minutos.
Amy e Dan correram para o andar superior e acordaram Ian. Eles jogaram coisas em mochilas, envolveram o livro de Olivia em um saco impermeável e em cinco minutos tinham trancado a casa e corrido até o cais.
Fiona esperava no convés de um pequeno barco a motor.
Ela estendeu a mão para ajudar Amy e Ian subirem a bordo.
— Eu vou tirar vocês daqui, não se preocupem. Conheço cada pedra e cada brisa nessa baía. Tenho alguns conhecidos na aldeia para ajudar – e alguns burros. Eles vão bloquear a estrada. Declan nos encontrará na água. Você pode jogar essa corda para mim, Danny?
Dan jogou a corda sobre o barco e saltou para dentro. Fiona dirigia habilmente através das curvas sinuosas da entrada.
— Vou para o norte e depois seguirei para Angra Runnybeg.
Não está no mapa e nós podemos chegar lá — ela explicou. — Poucas pessoas sabem chegar lá.
Antes de dobrarem a última curva, um barco escuro surgiu da névoa cinzenta, cortando a entrada em linha reta na direção deles.

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