14 de outubro de 2016

Capítulo 22

O pressentimento ruim não só estava exato, como era um eufemismo.
Não era apenas ruim, era na verdade pavoroso!
O olhar de Kylie se desviou da expressão chocada de Perry e se fixou em Miranda.
A bruxinha ficou dura como uma pedra. A única coisa que se movia nela eram os olhos, enquanto examinava a multidão, obviamente à procura de Nikki.
E, quando os olhos de Miranda pararam de se mover – o que significava que tinham encontrado a culpada – seu olhar se encheu de ciúmes. E de repente outra parte do corpo da bruxa começou a se mover: o dedo mindinho.
— Não! — Kylie deixou escapar, mas era tarde demais. A loira e bonita Nikki desapareceu e em pé, no mesmo lugar, surgiu um aturdido e furioso canguru.
Ah, mas Miranda não tinha terminado ainda. Seu mindinho continuou a se mexer. Kylie engasgou quando espinhas começaram a aparecer no pobre marsupial de um metro e meio. Kylie podia ouvir a ameaça favorita de Miranda em sua mente. Vou lhe causar o pior caso de acne que você já viu.
Miranda estava certa. Kylie nunca tinha visto espinhas tão inflamadas! Claro que ela também nunca tinha visto um canguru com espinhas...
Todos na multidão começaram a uivar de tanto rir. Embora Nikki fosse a causadora de tudo aquilo, Kylie sentiu pena dela. E, francamente, se Miranda não estivesse verde de ciúmes, ela acharia engraçado também.
Kylie agarrou o braço de Miranda, inclinou-se e sussurrou:
— Ela não devia ter feito isso, mas... transforme Nikki em gente outra vez. Traga a garota de volta agora, antes que você se esqueça de como quebrar o feitiço!
Miranda franziu a testa, mas Kylie viu a lógica prevalecer no cérebro da amiga. Ela mordeu o lábio, apontou o dedo mindinho, murmurou algumas coisas e puf, Nikki apareceu num passe de mágica, não na forma de canguru, mas de uma metamorfa morta de vergonha e de raiva.
O riso da multidão deve ter aumentado seu constrangimento. Em vez de se transformar em algo feroz e partir a bruxinha em duas, lágrimas encheram os olhos de Nikki e ela saiu correndo.
Perry olhou ao redor e encarou Miranda.
— Por que você fez isso?
Merda!, Kylie pensou, sabendo que Perry tinha dito a coisa errada.
Miranda, já com uma expressão de remorso, franziu a testa para ele.
— Você está do lado dela? Ela está tentando roubar você de mim e agora você está do lado dela!
— Não, eu não estou... Mas isso foi uma burrice e tanto! — disse ele.
Ah, merda!, Kylie pensou outra vez. Miranda não gostou nada da palavra que ele usou.
O rosto da bruxa ficou vermelho e lágrimas encheram seus olhos.
— Burrice? — perguntou rispidamente. — Tudo bem, se eu sou burra, por que você não corre atrás de Nikki e vai consolá-la? Porque ela pode ficar com você, se é o que você quer!
— O que está acontecendo? — Holiday veio correndo do refeitório.
Enquanto várias pessoas começavam a contar a Holiday o que estava acontecendo, Miranda saiu correndo.
Kylie virou-se para Perry, que ficou ali olhando Miranda se afastar, magoadíssima.
— Ei! — chamou Kylie. Quando Perry não respondeu, ela deu um bom puxão na manga dele. — Não fique aí parado. Vá atrás dela e diga que você sente muito.
— O que eu fiz? — ele perguntou.
— Primeiro você a chamou de burra. Como ela é disléxica, odeia essa palavra. Em segundo lugar, goste você ou não, parecia que você estava tomando o partido de Nikki.
— Não, eu disse que o que ela fez foi burrice. E foi mesmo. — Perry olhou para Holiday. — Ela vai levar a maior bronca de Holiday. Por que diabos Miranda tinha que fazer aquilo?
— Provavelmente, pela mesma razão que um metamorfo certa vez se transformou num grande urso e num leão gigante e tentou rasgar outro metamorfo ao meio por beijar alguém. Porque ela está com ciúmes. Você não se lembra de como é sentir ciúmes?
Perry fez uma careta.
— Sim, eu me lembro. — A culpa escureceu os olhos de Perry. — Merda. Eu arruinei tudo, não foi? — Ele passou a mão pelos cabelos loiros. — Mas eu não estava tomando o partido de Nikki. Eu só não queria que Miranda ficasse em apuros.
— Então vá dizer isso a ela. Explique o que você quis dizer. E aí faça a você mesmo e a Nikki um favor e diga a ela para desistir de você.
— Eu... não incentivei essa garota nem um pouco.
— Mas você disse a ela que está com Miranda e que simplesmente não vai rolar nada entre vocês dois? Porque, obviamente, ela ainda acha que vocês têm uma chance. E não é justo que Miranda tenha que aturar essa confusão, e não é justo que Nikki tenha esperança quando não deveria. Agora vá e conserte essa encrenca em que se meteu antes que seja tarde demais.
Logo em seguida o conselho de Kylie para Perry se virou contra ela. Porque esse era justamente o conselho que ela precisava ouvir também. Perry não era o único que tinha que consertar as coisas. Ela tinha que falar com Derek. Tinha que ser sincera com relação ao que sentia.
— Eu não posso ir — disse Perry.
— Sim, você pode, ou vai se arrepender.
— Não, eu não posso. Sou sua sombra. Burnett vai me matar se eu largar você.
Kylie gemeu. Ela se virou e viu que Derek estava andando na direção deles. Ela o agarrou pelo braço e o puxou até que ele ficasse na frente de Perry.
— Você não é mais a minha sombra. Derek é que é.
— Ótimo! — Derek sorriu e ela sabia que ele estava interpretando mal a intenção dela.
Perry balançou a cabeça.
— Mas Burnett...
— Burnett não vai ficar bravo. Vou explicar tudo a ele. Agora vá antes que seja tarde demais e Miranda decida não perdoá-lo. Vá! — Ela deu um empurrão no metamorfo.
Perry se transformou em pássaro e saiu voando. Kylie espanou algumas faíscas do seu braço, e em seguida olhou para Derek.
— Vamos — mandou Kylie.
— Aonde? — O olhar com que ele a fitou veio acompanhado de um sorriso sexy.
— Conversar — explicou ela. — Temos que conversar.
— E a Hora do Encontro? — ele perguntou.
Ela soltou um suspiro profundo.
— Esqueça a Hora do Encontro. Você vai vir comigo! — Ela o pegou pelo braço e começou a arrastá-lo.
E, é claro, foi nesse momento que Lucas se aproximou.
Seus olhos azuis encontraram os dela. Ela viu o jeito como ele a olhou. Kylie sentiu o estranho impulso de parar e explicar, mas, quando tentou pensar no que diria ou no motivo por que achava que ele merecia uma explicação, tudo pareceu muito difícil.
Então, ela simplesmente fitou os olhos dele como se pedisse desculpas e se voltou para Derek, que ela arrastava atrás de si. Mais tarde ela cuidaria de Lucas. Como iria fazer isso, não tinha a menor ideia.
— Você quer ir para a pedra? — perguntou Derek, agora andando ao seu lado.
— Não. — O olhar magoado nos olhos de Lucas continuou ecoando em seu coração. Ele a magoara, mas magoá-lo, mesmo sem intenção, deixava o peito dela apertado de arrependimento.
— Por que não? — Derek perguntou.
— Porque nós temos que conversar, e eu acho que você sabe do que se trata.
Por um segundo, ela desejou que não fosse assim. Seria tão fácil se ela simplesmente escolhesse Derek. Ele não tinha uma alcateia que tentasse afastá-los. Ele não tinha desistido de sua busca e não iria culpá-la um dia por isso. Mas, por mais que quisesse, ela não conseguia fazer seu coração tomar o rumo mais fácil.
Seu coração, obviamente, queria Lucas. Se ela daria ou não o que ele queria era outra história.
Mas ela também não podia dar a Derek o que ele queria. Simplesmente não estava certo.
Ele suspirou, frustrado.
— Por que eu tenho um pressentimento de que isso não vai acabar bem?
Ela o fitou.
— Pode não acabar do jeito que você quer, mas é a coisa certa a fazer.
— Não tenho tanta certeza — disse ele.
Ela o levou para a cabana e, em seguida, lembrando-se de que Miranda e Perry poderiam estar lá dentro resolvendo os seus próprios problemas, ela se sentou no degrau da varanda e fez um gesto para que ele fizesse o mesmo.
Dando uma rápida olhada na porta, Kylie torceu para que Perry tivesse conseguido acalmar Miranda. Droga, talvez eles estivessem lá dentro numa sessão de amassos!
Respirando fundo, ela enfrentou Derek.
— Você sabe como eu me sinto. Por que você está tentando se convencer de que não é verdade?
— O que não é verdade? Admita, Kylie. Você me ama também — disse ele.
Ela puxou uma perna até o peito e abraçou-a.
— Tá, eu não vou mentir, mas não é o tipo de amor que eu sinto por Lucas. E eu sei que você sabe disso, porque você sente o que eu sinto.
— Mas, se reatarmos o namoro, poderíamos corrigir isso.
Ela balançou a cabeça.
— Você não merece isso.
— Não merece o quê? — perguntou ele. — Eu quero você de volta. Você acha que eu não seria feliz?
— Não, de verdade — disse ela. — Não poderia ser. Você merece alguém que seja tão louco por você quanto você é por essa pessoa. Você não merece alguém... que gosta de outra pessoa.
Ela mordeu o lábio e percebeu outra razão por que tinha sentimentos tão fortes com relação a isso.
— Foi isso que aconteceu com meu pai e minha mãe. Ela amava meu verdadeiro pai. Ela gostava do meu padrasto, mas sempre soube que amava mais meu pai. Até a minha mãe admite que essa é provavelmente parte da razão por que ele acabou traindo-a. Ela não consegue perdoá-lo, mas sabe que, em parte, a culpa é dela.
Derek ficou ali sentado em silêncio e então a olhou com uma expressão séria.
— Então você vai aceitar Lucas de volta. Vai perdoá-lo por sair daqui e ficar noivo de outra pessoa.
Ela apertou mais a própria perna.
— Ele não ficou noivo de fato. Voltou atrás antes de chegar a esse ponto.
A cara feia de Derek aumentou.
— Só porque você apareceu, porque descobriu o seu segredinho sujo.
— Sei disso. E não sei o que vou fazer. Ainda não o perdoei, mas também não deixei de amá-lo.
— Mas, se você me der uma chance, talvez volte a me amar também. Acho que você estava realmente apaixonada por mim um tempo atrás. A gente poderia voltar a sentir o mesmo que sentíamos naquele tempo.
— Nós? — Ela suspirou, percebendo o que ele disse. — Veja, nem você sente mais a mesma coisa também.
— Eu não quis dizer... — Ele balançou a cabeça.
— Sim, você quis — disse ela. — Derek, eu acho que nós fomos apaixonados um pelo outro — ela admitiu. — E eu não quero te magoar, Derek. Eu realmente me preocupo com você e eu ainda te amo, só que não... dessa maneira. E acho que acontece o mesmo com você.
Ele olhou para as árvores, e ela sentiu que ele precisava de alguns segundos para colocar os sentimentos em ordem. Ela o viu engolir e sentiu sua dor.
Ele inspirou.
— Mas o que tínhamos era tão incrível...
— Eu sei e sinto muito. — Ela sentiu a voz tremer de emoção. Magoá-lo era tão difícil!
Ele olhou para Kylie e ela viu honestidade, preocupação genuína em seu olhar. E Derek não era sempre assim? Ele era um grande cara! E só por isso, merecia alguém que o adorasse, que o amasse mais do que a qualquer outra pessoa.
— Você não fez nada para ter que se desculpar — disse ele. — Não mesmo. Se alguém teve culpa nisso, fui eu quando fiquei com medo e fiz o que fiz. Ou talvez seja apenas o destino. Como as coisas devem ser.
Ela concordou com a cabeça.
— Quero uma coisa de você — disse ele. — Uma promessa.
— O quê? — ela perguntou, sabendo que faria tudo por ele, se fosse possível.
— Não deixe de ser minha amiga. Não me evite, porque acha que o clima pode ficar estranho. Quando precisar de alguma coisa, não hesite em me procurar. Consigo aceitar que não podemos ser namorados, mas não quero perdê-la como amiga e não estou dizendo isso só por dizer. Estou falando sério.
Ela assentiu.
— Prometo. — As lágrimas encheram os olhos dela.
— E quando você voltar para Lucas, faça-o entender que eu ainda gostaria de fazer parte da sua vida, como amigo.
— Eu te disse, eu não sei se vamos voltar...
Ele estendeu a mão e secou uma lágrima que escorria pelo rosto dela.
— Sim, você vai. Porque, quando você ama alguém, você perdoa.
A respiração de Kylie tremeu.
— Como você está me perdoando agora? — E outra lágrima escorreu.
— Eu já disse, você não fez nada que eu tenha que perdoar. Mas se fizesse alguma coisa, sim, eu te perdoaria.
Ela inspirou e olhou para o próprio pé.
— Mesmo que fosse por minha causa que você não conseguisse realizar a única coisa que sempre quis na vida?
— Não estou entendendo — disse Derek.
— Desculpe. Só estou pensando em voz alta.
— Está falando de Lucas? — perguntou Derek.
Kylie acenou com a cabeça e percebeu quanto estava sendo insensível.
— Me desculpe — ela repetiu.
— Não se desculpe. — Ele soltou o ar dos pulmões. — Isso é o que eu estou falando para você não fazer. Eu quero que você converse comigo. — Ele entrelaçou as mãos. — Olhe, não me agrada ter que dizer isso, mas Lucas realmente ama você. Eu posso sentir. E ele está sofrendo como o diabo agora. Não importa o que seja, se você acha que ele não vai te perdoar, bem, você está errada.
Ela passou a mão pela perna antes de falar.
— Por minha causa ele não vai entrar no Conselho dos lobisomens. Não vai conseguir mudar todas as coisas que queria mudar no seu próprio povo. Sua própria alcateia provavelmente vai destituí-lo. Mais cedo ou mais tarde...
— Mas ele te escolheu, Kylie. Ele fez essa escolha. Você não forçou a barra.
Kylie negou com a cabeça, mas olhou-o nos olhos.
— Talvez tenha sido a escolha errada.
Ele se inclinou e roçou o ombro dela com carinho.
— Aposto que ele não pensa assim.
Ela balançou a cabeça.
— Ser um lobisomem significa tudo para ele.
O telefone de Kylie apitou avisando da chegada de uma mensagem; um segundo depois, o celular de Derek fez o mesmo. Ela puxou o dela do bolso e viu o nome de Burnett na tela. Ela olhou para Derek, que olhou para ela ao mesmo tempo.
— Uma mensagem de Burnett — disse Derek.
— Ah, merda! — disse Kylie, apertando o botão para ler a mensagem.
Venha para o escritório agora!, dizia a mensagem de Burnett.
Santo Deus!, Kylie pensou. O que poderia estar acontecendo agora?
A mensagem de Burnett para Derek dizia quase a mesma coisa: Traga Kylie ao escritório agora!
Então, Kylie e Derek correram para o escritório. Ela poderia ter corrido mais rápido se deixasse Derek para trás, mas se conteve. Que diferença fariam mais alguns segundos?
No entanto, no momento em que ela chegou na frente do escritório, seu coração estava martelando no peito. Do esforço ou de medo do que a aguardava, Kylie não sabia ao certo.
Ela ainda não tinha subido o degrau do escritório quando ouviu as vozes.
Droga!, pensou Kylie, o que será que seu padrasto estava fazendo ali?
— É meu padrasto — Kylie disse a Derek. — É melhor eu cuidar disso sozinha.
Ela correu para dentro e encontrou Burnett, Holiday, o padrasto e Jonathon na sala de Holiday.
Que diabos Jonathon estaria fazendo ali? Tom Galen estava no meio da sala, de frente para a mesa de Holiday. A fae estava sentada na cadeira com um ar descontraído, como se fosse a própria personificação da calma, mas a postura do seu padrasto não expressava o mesmo estado de espírito. Os ombros dele estavam rígidos, as mãos crispadas.
E, assim como seu padrasto, Burnett parecia um pouco tenso, mas ela poderia dizer que ele estava tentando se conter. Mas Jonathon... o vampiro parecia apenas se sentir culpado. E Kylie teve um mau pressentimento.
O olhar de Holiday se desviou brevemente para Kylie, assim como o de Burnett, mas o padrasto não percebeu que ela estava lá.
— Que tipo de escola vocês têm aqui? — perguntou Tom Galen, num tom indignado.
— O mesmo tipo de escola que você vê em todo lugar — respondeu Holiday, com a voz tranquila. — Nós temos um portão de segurança por uma razão. Você passou por ele e disparou o alarme. Foi equivocadamente considerado uma ameaça.
— Eu não sou uma ameaça, droga! Eu sou o pai de uma aluna.
— Os pais não costumam tentar invadir a escola dos filhos — Burnett insistiu.
— O que aconteceu? — perguntou Kylie.
O padrasto se virou e sua tensão diminuiu pelo menos um pouco ao vê-la.
— Eu pulei o portão, em vez de apertar a campainha, e por um instante pensei que estava entrando num quartel-general. Fui interceptado por esse moleque aqui.
Holiday levantou os olhos e Kylie pôde ver por sua expressão que ela estava tentando ser simpática.
— Jonathon viu seu pai e fez um mau julgamento. Em vez de fazer perguntas, como deveria ter feito, ele o deteve...
— Deteve? Ele me derrubou no chão! — O padrasto esfregou a lateral do corpo. — E preciso dizer que, para um garoto franzino, ele é um bocado forte!
— Sentimos muito — disse Holiday. — Não sentimos, Jonathon?
— Sim, muito, senhor — concordou Jonathon.
— Pai — disse Kylie. — A namorada do Jonathon foi atacada na semana passada. Você pode entender que ele se sente um pouco superprotetor agora.
Jonathon concordou com a cabeça. Holiday olhou para Kylie, como se dissesse, boa jogada.
Burnett pareceu concordar.
O padrasto suspirou.
— Sinto muito que a sua namorada tenha sido atacada. Ela está bem? — ele perguntou a Jonathon.
— Está — disse Jonathon, e então se encolheu como se tivesse se lembrado de demonstrar boas maneiras. — Ah, quero dizer, sim, senhor, e muito obrigado.
Com a maior parte da tensão se dissipando, Kylie olhou para o padrasto.
— O que você está fazendo aqui, pai?
Ele franziu a testa.
— Vim vê-la. Eu lhe escrevi um e-mail ontem à noite e liguei esta manhã. Você saberia que eu estava chegando, se tivesse atendido à minha ligação ou lido o meu e-mail.
— Sinto muito — disse ela. — Foi uma manhã muito agitada.
— Ela estava assistindo aula — Burnett acrescentou.
O padrasto pareceu querer pedir desculpas.
— Minha empresa me enviou a Shadow Falls para uma reunião numa filial. Mas só vai começar às duas da tarde, e eu pensei que talvez pudesse te roubar um pouquinho, para que tomássemos o café da manhã juntos.
Atrás de Tom Galen, Kylie viu a carranca de Burnett. O vampiro havia deixado claro que ela não deixaria a escola sem ele até que tivessem certeza de que Mario não estava mais nas proximidades.
Burnett olhou diretamente para Kylie e sacudiu a cabeça com determinação. Ele não estava simplesmente dizendo não, ele estava dizendo “Nem por cima do meu cadáver!”.
— Hã... eu já tomei café — disse Kylie.
— Bem, a gente pode simplesmente ir beber alguma coisa — disse o padrasto.
Kylie deu outra olhada rápida em Burnett. O homem ainda estava dizendo firmemente que não com a cabeça.
— Eu... tenho aula — disse Kylie.
A decepção encheu os olhos do padrasto. Ela odiava magoá-lo.
Aquela manhã ela já tinha magoado Lucas, depois Derek e agora o padrasto. Mas que dia...
— Mas, Kylie — contestou ele —, tenho certeza de que você tem uns minutinhos para conversar comigo.
Ela sentiu a tensão aumentar dentro dela e dentro da sala. O padrasto não ia desistir e, aparentemente, Burnett também não.
Aquele encontro não ia acabar bem...

Um comentário:

  1. Não dá pra entender a Kylie.
    O Derek é perfeito
    e o Lucas é um cretino que só desistiu do noivado por que a Kylie descobriu

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