4 de outubro de 2016

Capítulo 22

Assim que as palavras saíram da sua boca, Kylie desejou não tê-las dito. Não porque não fossem verdade. Eram. Só lamentava a forma como se expressou.
Holiday ficou ali por um longo tempo, olhando para Kylie como se estivesse pensando no que dizer. Kylie retribuiu seu olhar com o mesmo vigor. Lamentar seu tom de voz não significava que estivesse voltando atrás. Ela não podia. Talvez fosse porque se identificava com Jane Doe e sua crise de identidade, mas parecia mais do que isso. Kylie sabia que tinha que ajudar o espírito da mulher com amnésia. E iria ajudá-la, com ou sem a bênção de Holiday.
— Meu bom Deus, quando eu me tornei a minha mãe e você, uma versão mais jovem de mim mesma? — Holiday perguntou e sorriu.
Kylie viu e ouviu a intransigência diminuir na voz e na postura da líder do acampamento. Então a tensão em seus ombros se dissipou e uma onda de alívio preencheu o seu peito. Lágrimas brotaram em seus olhos.
— Eu não sei.
— Ok — cedeu Holiday. — Sente-se e vamos descobrir uma maneira de resolvermos essa situação de modo que eu possa viver com isso e você também.
Kylie ofereceu a Holiday um rápido abraço de agradecimento e então se preparou para começar a falar. Elas discutiram desde como Kylie teria acesso à biblioteca até o e-mail que enviaria à família de Catherine O’Connell. Então Holiday explicou detalhadamente como Kylie poderia se fechar para um fantasma indesejado... ou um grupo de fantasmas indesejados. E a fez prometer que, se descobrisse que Jane Doe era uma assassina de crianças, ela imediatamente desistiria de ajudá-la.
Kylie hesitou em dar a sua palavra sobre a última condição, mas depois de sondar seu coração, percebeu que não acreditava que Jane era uma assassina e por isso prometeu.
Quando pediu a Holiday para explicar como os maus espíritos poderiam machucá-la, a líder do acampamento hesitou. Kylie explicou rapidamente:
— Não é por causa de Jane Doe que estou perguntando, mas para o caso de encontrar um algum dia. — Quando viu que Holiday ainda não começara a falar, Kylie acrescentou: — Me manter na ignorância não é uma boa maneira de me proteger. Você não acha que eu preciso saber?
Holiday soltou um profundo suspiro e concordou.
— Não é bem com a sua proteção que me preocupo... Mas com o fato de não saber se você é capaz de lidar com isso.
— Eu sou capaz — afirmou Kylie. — Não pode ser muito pior do que... — Ela apontou para o computador, onde a história de Berta Littlemon tinha sido publicada havia pouco tempo.
Holiday assentiu com a cabeça.
— Você está certa. Mas, antes de eu lhe dizer, deixe-me repetir que os espíritos mais mal-intencionados não andam por aí. Eles são levados rapidamente. Isso tem de acontecer e de fato acontece um dia.
— O que eles fazem? — Kylie perguntou.
— Você teve visões de outros fantasmas, então sabe o quanto eles parecem reais. Bem, esses espíritos malignos podem fazer você reviver algumas das vidas deles e, acredite, isso pode dilacerar seu coração. Ficar tão perto do mal não é algo de que você se esquece facilmente.
Pela maneira como Holiday disse aquilo, Kylie percebeu que a líder do acampamento tinha vivenciado aquela experiência na própria pele. A ideia de que Kylie também podia ter de lidar com isso um dia fez com que sentisse um forte arrepio na espinha.
— Eles confundem a sua cabeça, Kylie. Eles... — Ela inspirou novamente. — Para ser sincera, eles violentam você mentalmente, tentam despedaçar o seu espírito e, se você mostrar o mínimo de fraqueza, podem te possuir. Acredita-se também, principalmente quando se trata de maus espíritos sobrenaturais, que podem levar a pessoa consigo para o inferno. Segundo a lenda, esses espíritos acham que se puderem levar algo de bom com eles, têm uma chance de aliviar sua própria pena.
— Então como posso evitar encontrar um deles? — Kylie perguntou, certa de que não queria ter de vivenciar nenhuma das coisas que Holiday havia descrito.
— Essa é a questão. Eles são exatamente como os outros fantasmas. Com alguns você pode simplesmente topar logo depois da morte deles. Outros, se os seus poderes forem realmente fortes, vão procurá-la para um determinado fim.
Holiday provavelmente sentiu o medo de Kylie, porque pousou a mão sobre a dela outra vez.
— Se você um dia sentir que está na presença de algum desses espíritos, tem que permanecer forte.
— Como? — Kylie perguntou, sentindo o medo diminuir com o toque calmante da amiga.
— Do mesmo modo que se fecha para os fantasmas. Mentalmente, você precisa se colocar num lugar diferente, um lugar onde sinta amor e coisas boas, onde viva a vida no que ela tem de melhor. E mantenha a fé, porque eles vão tentar convencê-la de que todas as coisas boas são frívolas e sem importância.
— Ai, meu Deus, você voltou! — Miranda gritou da porta, e entrou correndo na cabana. No momento em que seu espírito vibrante adentrou a sala, expulsou a nuvem sombria de emoção que pairava sobre Kylie.
Miranda abraçou Holiday, quase fazendo a cadeira onde esta estava sentada capotar.
— Estou tão feliz que esteja de volta! Nós precisamos de você aqui. Quero dizer... Burnett é legal, mas... ele não é você.
Holiday arqueou uma sobrancelha.
— Ouvi dizer que ele não foi nem ele mesmo por um tempo...
Miranda fez uma careta.
— Ele te contou sobre a coisa toda do canguru, não foi?
— Contou — confirmou Holiday, com a testa franzida. — E devo dizer que estou muito decepcionada com você, Miranda. — Ela estendeu a mão e apertou a da bruxinha. — Da próxima vez que transformá-lo em alguma coisa, faça isso quando eu estiver aqui, para que eu possa rir também.
As três começaram a gargalhar.
Só depois de trinta minutos Kylie e Holiday conseguiram se afastar de Miranda e continuar sua conversa em particular. Especialmente depois que contou a Holiday sobre o seu pressentimento de que havia alguém perseguindo Kylie novamente. Kylie se perguntou se o perseguidor não seria o seu amiguinho emplumado, de quem salvara a vida.
Agora, Kylie e Holiday estavam sentadas do lado de fora, na varanda da cabana. O sol das cinco horas da tarde, com sua tonalidade um pouco mais dourada, banhava o rosto das duas. Kylie pôs as pernas para fora da borda da varanda. Holiday fez o mesmo.
Descalça, Kylie balançava as pernas para a frente e para trás, enquanto as folhas de grama faziam cócegas na sola dos seus pés. Sua mente estava concentrada nas coisas que precisava falar com a amiga.
— Burnett te falou sobre o meu pedido para emprestar os livros da biblioteca da UPF?
Holiday franziu a testa.
Não era um bom sinal.
— Sim, ele mencionou.
— Por que não me deixam ver informações sobre outros seres sobrenaturais como eu se eles têm tudo isso arquivado? — A frustração era evidente em seu tom de voz. Mas esperava que Holiday soubesse que ela não era o alvo dessa frustração.
— Eu não sei — Holiday disse, e Kylie acreditou nela. — Mas sei que a UPF é como qualquer outra organização do governo: eles têm esqueletos no armário. Por que, anos atrás, antes de eu nascer, a maioria dos seres sobrenaturais considerava os lobisomens basicamente animais. Costumavam persegui-los.
— Por quê? — Kylie perguntou, sentindo-se absolutamente insultada ao pensar em Lucas e no restante de sua espécie.
— Ignorância. Estupidez. Pode escolher. É o mesmo que aconteceu com muitos grupos minoritários. Sobrenaturais podem agir como os seres humanos com muito mais frequência do que você imagina.
Holiday pegou a mão direita de Kylie e abriu sua palma.
— Ouvi dizer que você rebateu uma bola de fogo que ia atingir Miranda.
Kylie assentiu e depois fez a pergunta que não saía da sua cabeça desde a noite da festa.
— Você acha que isso prova que sou uma protetora?
Holiday encolheu os ombros como se achasse que a amiga não ia gostar da resposta.
— Provavelmente.
Ela estava certa. Kylie não gostou da resposta. Especialmente porque isso só levava a mais perguntas.
— O que realmente significa ser um protetor? Já ouvi algumas coisas a respeito. Mas... Ok, vou direto ao ponto. Miranda disse que todo protetor de que ela ouviu falar era um sobrenatural puro-sangue. E eu não sou.
— Eu sei. — Holiday parecia tão confusa quanto Kylie.
— O que isso significa?
— Não sei, mas posso apostar que significa algo que eu já sabia. Kylie Galen é especial. — Ela ergueu a mão. — Eu sei que você não gosta de ouvir isso, Kylie, mas acho melhor começar a se acostumar com a ideia.
Insegurança, medo e provavelmente uma dúzia de outras emoções negativas passaram por ela.
— E se eu não fizer jus a esse título? — ela indagou num sussurro. — E se eu estiver com medo de fazer o que eu tenho de fazer e me tornar uma péssima protetora?
Holiday abraçou uma perna e apoiou o queixo no joelho; então olhou para Kylie como se ela tivesse dito algo realmente idiota, como que a Terra é quadrada.
— Ficou com medo quando pegou a bola de fogo?
— Não, mas não tive tempo pra ter medo. Se eu soubesse que ia pegar uma bola de fogo e tivesse tempo para pensar nisso, provavelmente teria que carregar comigo uma calcinha extra, porque eu ia mijar nas calças.
Holiday sorriu.
— Talvez, mas mesmo assim teria feito isso.
— Eu não teria tanta certeza — disse Kylie.
— Ah, por favor! Olhe para essa questão toda de Berta Littlemon/Catherine O’Connell. Estou com medo de você continuar investigando isso. Eu disse que é perigoso, mas você se recusa a desistir. Você coloca o bem-estar dos outros antes do seu.
Kylie não tinha olhado para a situação por esse ângulo e achou que Holiday tinha uma certa razão, mas...
— Eu não sou uma santa — ela insistiu. — Peco o tempo todo.
Holiday levantou uma sobrancelha.
— Você o quê?
Kylie olhou para os dedos dos pés por um segundo. O esmalte cor-de-rosa com que pintara as unhas tinha quase desaparecido, e o mesmo acontecia com a sua coragem. Então ela olhou nos olhos de Holiday e decidiu confessar.
— Miranda disse que os protetores são como santos. Não sou santa, e nem quero ser. Eu quero viver uma vida normal. Quero me divertir. — Ela pensou em como tinha se sentido ao beijar Lucas e corou. — Talvez até pecar um pouco.
Holiday começou a sorrir.
Kylie franziu a testa.
— Você sabe o que eu quero dizer. Quero viver minha vida como qualquer outra garota de 16 anos. Contar piadas sujas para os amigos, talvez tomar algo com álcool de vez em quando, que não tenha gosto de xixi de cachorro, e ficar bêbada. Não que eu pense em dirigir depois ou qualquer coisa assim.
Holiday riu. Kylie esperava que a fada tivesse lido suas emoções e soubesse o que mais ela queria fazer.
E com quem ela queria fazer.
— Ser uma protetora não faz de você uma santa — esclareceu Holiday. — Faz de você uma pessoa que se importa com as outras. Não tem que desistir dos garotos.
Kylie sentiu o rosto queimar um pouco mais. Ela colocou as palmas no chão, atrás de si, e se inclinou para trás.
— Bem, essa é a melhor notícia que eu recebi hoje.
Holiday riu de novo.
— E como vão as coisas com os garotos?
— Melhores. Não perfeitas... — Kylie respondeu, e pensou na reação de Lucas aos fantasmas e todo o problema com a sua alcateia.
— Melhor é bom — Holiday disse. — Derek já me ligou depois que cheguei, para me perguntar como você estava. Ele disse que ouviu sobre o que aconteceu no cemitério. Vocês têm se falado?
— Não muito — Kylie admitiu. Ela não queria falar sobre Derek, pois ficara tentada a perguntar sobre sua reação exagerada às emoções dela. Se alguém sabia a resposta, esse alguém era Holiday. Mas, francamente, Kylie não achava que devia se preocupar. Não quando Derek não se importava o suficiente para colocar o seu orgulho de lado e pedir orientação ele mesmo.
Mais uma hora se passou e elas só ficaram ali sentadas na varanda, apreciando a brisa que não era exatamente fresca, mas também não era tão quente, e conversando sobre tudo, menos Lucas e Derek. Kylie perguntou se Burnett lhe dissera alguma coisa sobre os Brightens que não tivesse contado a ela.
Holiday assegurou que ele não estava escondendo nada.
— Você já falou com o seu padrasto? — ela perguntou alguns minutos mais tarde.
— Desde que voltei, não — confessou Kylie. — Mas recebi um e-mail dele e aposto que está planejando vir no Dia dos Pais.
— Mas você não quer que ele venha?
— Não sei — Kylie admitiu. — Eu estava quase pronta para perdoá-lo. Mas quando ele tentou me usar para se aproximar da minha mãe, dizendo “Kylie adoraria que fossemos todos juntos almoçar”, eu me lembrei de que ainda estava furiosa com ele por ter nos deixado.
— Então você ainda não o perdoou?
— Talvez eu tenha perdoado, mas não esqueci.
— A questão é que essas duas coisas andam juntas. Não que você um dia vá realmente esquecer, mas vai aceitar o que aconteceu e seguir em frente. Aceitar que todas as pessoas cometem erros. Ninguém é perfeito.
— E se eu não conseguir? — Kylie ouviu o zumbido de uma abelha que passava por ela. — E se eu não conseguir realmente perdoá-lo?
— Então deixe pra lá — disse Holiday.
Kylie se lembrou de como abraçou o pai quando ele veio vê-la e confessou que estava arrependido. Embora tivesse sido difícil, até mesmo doloroso, abraçá-lo pareceu a coisa certa a se fazer. Ela não estava pronta para “deixar pra lá” o amor que sentiam um pelo outro. Doeria demais.
Até mais do que aceitar a verdade.
Ela se perguntou se era assim que se tomava a decisão de perdoar alguém. Quando abrir mão do relacionamento feria mais do que aceitar os erros da outra pessoa. Ela só podia esperar que, com o tempo, aceitar ficasse mais fácil.
— Você vai escrever um e-mail a ele e dizer para vir ao Dia dos Pais? — perguntou Holiday.
— Provavelmente. Mas ele e minha mãe terão que alternar as visita novamente. Eu não acho que consigam ficar juntos na mesma sala. Talvez nem no mesmo quarteirão.
— Isso pode mudar — disse Holiday, enquanto espantava um inseto com a mão.
Kylie decidiu contar a ela seu medo com relação à mãe.
— Eu acho que minha mãe está pronta pra começar a namorar.
— Caramba! Eu me lembro de quando isso aconteceu com os meus pais. Foi muito estranho.
— Nem me diga. Ela está pronta, mas não tenho certeza se eu estou. — Kylie mordeu o lábio. — Acho que no fundo eu estava esperando que meus pais voltassem a ficar juntos. Eu gostaria que pelo menos uma coisa fosse como antes. Um pouco mais de normalidade não seria nada mal, sabe?
— Eu compreendo. Mas as pessoas costumam superestimar a normalidade. — Holiday sorriu. — Então, me fale sobre aquele pássaro azul.
Kylie abraçou as pernas e contou toda a história. Então decidiu fazer a grande pergunta:
— Quanto da minha alma eu dei a ele?
— Se deu alguma coisa, foi muito pouco. Não vai perdê-la por causa disso.
— Mas o que acontece quando eu dou parte dela? Morro mais cedo? Fico mais propensa a ir para o inferno? Qual é o preço de um pedaço da minha alma?
Holiday encolheu os ombros.
— Bem, se você realmente tem a capacidade de ressuscitar os mortos, o preço varia. Se for ordenado pelos deuses, então não terá nenhum custo para você. Esse gesto até enriquece a alma.
— Como a gente sabe se os deuses é que ordenaram? — Kylie perguntou.
— Você simplesmente vai saber. Os poderes é que tornarão isso muito claro.
Kylie tremeu um pouco quando Holiday mencionou os poderes. Hesitou em fazer a próxima pergunta, mas, como tinha dito à amiga antes, a ignorância era uma forma ruim de proteção.
— E se não foram os deuses que ordenaram?
— Então o preço se baseia na qualidade de vida que o ser ressuscitado vai levar. Se ele viver uma vida de bondade, o preço é muito baixo. Praticamente imperceptível. Se abusa da vida ou da vida dos outros, então isso pode custar alguma coisa à sua alma. Em poucas palavras, os pecados dele vão se tornar os seus pecados. Eu não sei até que ponto você se torna responsável pelos erros dele, mas ouvi dizer que emocionalmente isso pode causar uma sensação de vazio. E, sim, normalmente, quanto mais frações você der da sua alma, mais curta será a sua vida.
Kylie franziu a testa.
— Desse jeito não dá muita vontade de trazer ninguém de volta à vida.
— Bem, tenho certeza de que isso foi concebido dessa maneira para dar às pessoas uma pausa. Por mais difícil que seja, a morte é parte da vida. Mas provavelmente estamos discutindo isso inutilmente, Kylie. Só porque você acha que pode ter trazido um pássaro de volta à vida, não significa que tenha esse dom.
Kylie queria acreditar que Holiday estava dizendo a verdade, mas não tinha certeza.
— Curar alguém tira uma parte da minha alma? Quero dizer, se isso acontece quando eu trago alguém de volta à vida, faz sentido que a cura provoque o mesmo efeito.
— Não é como quando se ressuscita os mortos — Holiday disse —, Mas acaba exaurindo as suas forças.
Kylie se lembrava de como se sentira cansada após curar Sara e depois Lucas.
— Eu gostaria que você e Helen trabalhassem nisso juntas — disse Holiday. — Talvez até mesmo se reunindo regularmente como um grupo de mesma espécie.
Kylie levantou uma sobrancelha e suspeitou que soubesse por que Holiday estava dizendo aquilo.
— Porque eu não pertenço a nenhum grupo, não é? É por isso que está sugerindo isso?
Holiday revirou os olhos.
— Você pertence a Shadow Falls. Não ser de um determinado grupo não significa nada.
Kylie acenou com a cabeça.
— Eu gosto da Helen.
Depois de alguns minutos apenas ouvindo a natureza, ela contou a Holiday sobre as breves aparições da gralha azul. A fada não tinha uma explicação para as visitinhas do pássaro, exceto que talvez ele fosse apenas um filhote e tivesse passado por uma espécie de imprint com ela, o que significaria que achava que Kylie era sua mãe.
— Deus meu, espero que não! Porque não vou mastigar minhocas para colocar na boca dele. Quer dizer, eu sei que é isso que as mamães-pássaro fazem.
Holiday riu.
Kylie olhou para a amiga e conselheira, e a pergunta mais importante de todas escapou dos seus lábios.
— Será que nada disso dá a você uma pista do que eu sou?
A expressão de Holiday ficou séria.
— Eu gostaria que desse.
— E se eu nunca descobrir? E se eu passar a vida toda sem saber?
— Isso é bem pouco provável. Quase toda semana descobrimos algo novo sobre você. Mais cedo ou mais tarde, alguma coisa vai apontar a direção certa.
Kylie olhou para baixo e viu uma fila de formigas no alpendre.
— Acho que Lucas quer que eu seja um lobisomem.
— Sim, mas o que Lucas quer não é importante.
Algo dizia a Kylie que Holiday tinha entendido a razão que levava Lucas a querer aquilo. Ela quase perguntou, mas não tinha certeza se estava pronta para tocar no assunto.
— Você vai ser o que é, e seja o que for, será bom. Todo mundo tem que aceitar isso, e te amar pelo que você é, independentemente da sua herança familiar.
Por alguma razão, Kylie lembrou-se de Derek dizendo quase a mesma coisa.
O telefone de Holiday tocou. Ela checou o número e depois olhou para a amiga.
— Quem é? — Kylie perguntou, sentindo que aquilo tinha a ver com ela.
— Derek novamente.
Kylie suspirou. Por que só de ouvir o nome dele ela sentia um aperto no coração?

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