8 de outubro de 2016

Capítulo 21

A decepção provocou uma sensação de fraqueza em todo o seu corpo. Havia dois intrusos ali, não apenas um. Ela queria gritar, mas o ar ficou preso em seus pulmões e ela não conseguiu emitir nenhum som. Furiosa, Kylie se virou para confrontar os donos das vozes. De uma coisa poderia se orgulhar: ela estava certa. Não havia vampiros no bosque.
Só um metamorfo malcriado, na forma de um pássaro, e um lobisomem muito contrariado.
Kylie aspirou uma golfada de ar. Ainda sem recuperar o fôlego, ela se curvou para a frente e se apoiou nos joelhos até conseguir voltar a respirar normalmente. Quando seu cérebro voltou a ser oxigenado, seus pensamentos começaram a clarear.
E um deles se destacou. Ela não iria deixar que eles a detivessem.
Sem rodeios, olhou para Perry com pura determinação. Então lançou o mesmo olhar para Lucas.
— Eu estou seguindo a minha busca pessoal. Vocês precisam ir embora e me deixar fazer o que é preciso.
— Você perdeu completamente o juízo? — perguntou Perry.
— O que está acontecendo, Kylie? — Lucas perguntou, num tom exigente.
Kylie olhou para o lobisomem.
— Eu já disse. Estou em busca da verdade. Preciso que vocês me deixem ir. É importante e não estou pedindo a vocês. Estou comunicando. Me deixem em paz!
Ela esperava que parecesse mais confiante do que na verdade estava. A qualquer minuto a noite podia ficar silenciosa e Burnett podia aparecer. Por alguma razão, ela se sentia capaz de enfrentar Lucas e Perry, mas desobedecer a autoridades nunca tinha sido fácil para ela. E Burnett era uma autoridade com um péssimo humor.
Antes de saber se parecia confiante ou não, ela perguntou:
— Burnett sabe?
Lucas não abriu a boca e continuou encarando-a com raiva, talvez em choque, diante do comportamento da namorada.
— Como vocês me acharam? — ela perguntou ao metamorfo, enquanto minúsculas bolhas de eletricidade começavam a se formar em torno dele.
Um segundo depois, Perry apareceu na forma humana.
— Eu estava voando por aí, depois que deixei Miranda na cabana, e vi você pulando a cerca do acampamento.
Ela voltou a olhar para Lucas.
— E você?
Os olhos dele brilharam com raiva, sua expressão carregada se intensificou, mas ele começou a falar.
— Burnett pensou que eu tinha disparado o alarme. Ele me ligou e alguma coisa me disse que eu precisava me certificar de que estava tudo bem. Então vi o Passarinhão aqui voando...
— Passarinhão? — A voz de Perry se aprofundou com a frustração.
— Tanto faz... — Lucas continuou: — Eu o vi e pensei em dar uma espiada e ver o que ele estava fazendo.
— Você foi me vigiar? — Os olhos de Perry adquiriram o mesmo tom alaranjado.
— Não fui bem te vigiar... — A postura de Lucas tornou-se menos defensiva. — Achei que você poderia ter visto alguém invadindo o acampamento... — Seu olhar voltou-se outra vez para Kylie. — e... tivesse pensado em atacar essa pessoa. — O olhar de Lucas estava mais zangado ainda. Toda a sua atenção e frustração eram dirigidos a ela. — Mas isso não é importante. Importante é saber por que você está se colocando em perigo desse jeito. Você sabe muito bem o risco que está correndo. Então vamos voltar antes que Burnett apareça.
Era exatamente por isso que Kylie tinha que pôr um fim naquele falatório e continuar a correr. Se Burnett descobrisse o que ela estava fazendo, seria o inferno.
Ela consultou seu relógio. Só faltavam cinco minutos. O tempo estava se esgotando. E ela imaginava que o avô não fosse alguém que tolerasse atrasos.
Lembrando-se de que tinha poderes, Kylie roçou o dedo mindinho no anelar. No entanto, a ideia de usá-lo não lhe agradava nem um pouco.
— Tudo bem — ela disse, por fim. — Vou dar uma breve explicação. Eu tenho que encontrar alguém. Então podemos fazer isso do jeito mais fácil ou do jeito mais difícil.
— Encontrar quem? — Lucas e Perry perguntaram ao mesmo tempo.
— Meu avô. Ele entrou em contato comigo e...
— Como? — Lucas perguntou.
— Por e-mail — Kylie respondeu, sem saber direito por que ela tinha pensado que lhes contar a verdade adiantaria, mas a alternativa também não a animava, especialmente considerando que ela de fato não sabia o que poderia acontecer se lançasse algum feitiço. O pobre Zac Efron era testemunha.
— Não seja burra! — esbravejou Perry. — Como você sabe que o e-mail era mesmo dele?
— Eu sei que era — Kylie respondeu, confiante, sem nem querer pensar na possibilidade de Perry estar certo. Tudo aquilo poderia de fato ser uma armadilha. Mas seus instintos lhe diziam o contrário. Se ela estivesse errada, pagaria seu erro com a própria vida. Se estivesse certa, encontraria as respostas que buscava desde o primeiro dia em que chegara a Shadow Falls.
Era arriscado? Talvez. Mas era um risco que ela estava disposta a correr.
— E mais uma coisa — Kylie continuou. — Ou vocês dois me deixam ir ou...
— Não. — Os ombros de Lucas se enrijeceram. — Você não vai...
Ela não esperou mais um segundo. Agitou o dedo mindinho e imaginou uma grande rede caindo do céu sobre os dois, impedindo que eles a seguissem.
Ela viu a rede caindo de cima e escapou por pouco de ficar embaixo dela também.
— Desculpe — ela murmurou e recomeçou a correr. Com todas as suas forças, ela se concentrou em se afastar dali o mais rápido possível, antes que eles se soltassem.
Kylie correu. Mas havia alguma coisa errada. Porque ela percebeu a certa altura que não estava correndo, estava voando baixo! Se não estivesse com tanta pressa, teria reservado algum tempo para apreciar esse seu novo dom. Mas não havia tempo. Ela precisava se distanciar o mais rápido possível de Perry e Lucas, para que eles não conseguissem alcançá-la.
Por fim, ela avistou as lanças dos portões enferrujados do cemitério se projetando como armas afiadas e mortais. A noite pareceu ficar ainda mais escura à medida que ela se aproximava. Seu peito ficou oprimido quando ela se lembrou da pergunta de Perry. Como você sabe que o e-mail era mesmo dele?
Ela não sabia. Simplesmente acreditava cegamente que fosse. Isso não era suficiente?
Diminuindo o ritmo, seus pés voltaram a tocar o chão. Ela parou abruptamente a poucos metros dos velhos portões de ferro. Estava prestes a cruzá-los quando um movimento repentino do outro lado dos portões a deteve. Seu coração parou também. O ar ficou preso na garganta diante do que viu.
Rostos, dezenas de rostos, olhavam para ela por detrás das grades de ferro. Seus olhos sem vida a fitavam como que implorando pela sua ajuda. Se ao menos ela pudesse ajudar a todos! Se ao menos um movimento da sua mão ou do seu dedo mindinho fosse suficiente para resolver o problema que prendia cada um deles à terra, quando outra vida os esperava no pós-morte!
Então outro pensamento lhe ocorreu. Será que algum desses espíritos era demoníaco? Espíritos que queriam levá-la com eles para o inferno na tentativa de suavizar sua própria sentença? Que ótimo! Por que ela tinha que pensar nessa adorável possibilidade agora?
Ela se forçou a avançar mais um passo. A ideia de que teria que atravessar aqueles portões e passar por centenas de fantasmas tirou um pouco da sua coragem. Ela se lembrou de como se sentira da última vez que estivera ali e fora tocada por tantos espíritos – a dor era parecida com a sensação de ter o cérebro congelado, exceto pelo fato de que isso afetava o seu corpo inteiro.
Mas tudo valeria a pena se o seu avô estivesse esperando por ela do lado de dentro, pois ela teria algumas respostas. Definitivamente valeria a pena. Além disso, não era como se ela nunca tivesse feito aquilo antes; ela já fizera duas vezes. Mas não na escuridão da calada da noite. Algo na escuridão, apenas com a luz prateada da lua tornando visíveis os olhares dos espíritos, tornava o lugar muito mais... assombrado.
O que de fato ele era. Como se para provar isso, o frio dos espíritos a envolveu e deixou sua pele arrepiada. Ela olhou para a frente e viu dois espíritos saindo pelos portões e andando na direção dela. Endireitando a coluna, aceitando o fato de que teria de fazer aquilo, ela deu mais um passo, disposta a seguir em frente. Era como pular na parte mais funda de uma piscina gelada e atravessá-la. No entanto, quando ia dar mais um passo, ela ouviu uma voz, uma voz muito próxima a ela – próxima demais – sussurrando no seu ouvido.
— Eu não entraria ali.
Ela gritou e recuou alguns passos, antes de reconhecer a voz. Respirando fundo para acalmar os nervos, ela viu Hannah ao seu lado. Então Kylie se lembrou do que o espírito havia dito. Será que Hannah sabia algo que Kylie não sabia? Será que ela tinha se deixado enganar e seu avô não a esperava ali dentro?
— Por que eu não devo entrar? — Kylie perguntou, os nervos à flor da pele.
Hannah se aproximou mais dela e sussurrou novamente:
— Está cheio de fantasmas.
Kylie olhou para Hannah, surpresa.
— Mas...
— Eu sei que estou morta... — Hannah explicou, lendo os pensamentos de Kylie. — Assim como as moças que estão na mesma cova que eu. Mas ver todos eles... — ela apontou para o portão — ainda me apavora.
Kylie desviou os olhos do portão e consultou o relógio outra vez; ela tinha dois minutos. Precisava entrar. Mas tinha que deixar Hannah falar.
— Tem alguém esperando por mim lá dentro, mas eu preciso saber. O que você precisa que eu faça por você?
Hannah fechou os olhos, mas não antes de Kylie ver o pânico impresso neles.
— Não fuja — disse Kylie rapidamente, quando sentiu o frio diminuir. — Eu preciso saber. É por isso que você está aqui. Eu sei que é difícil falar de algumas coisas, mas às vezes temos que fazer coisas que nos assustam. Às vezes isso ajuda. Como eu mesma entrando neste cemitério. — Ela voltou a olhar para os portões e viu centenas de rostos sem vida olhando de volta para ela.
Hannah abriu os olhos; o pânico deixava suas pupilas grandes e escuras.
— Ele está mais perto. — A voz dela enfraqueceu.
— Quem está mais perto? O que ele fez? — Quando Hannah não respondeu, Kylie tentou adivinhar. — É aquele cara, Blake? Aquele que ligou para Holiday quando estávamos na cachoeira?
Hannah olhou para as mãos crispadas em frente a ela.
— Ela o amava. Ele tinha tudo o que ela queria. Eu só queria saber como é ser tão feliz. Eu tinha que ter bebido tanto? Ele tinha que ter bebido tanto? Foi errado.
Kylie começou a juntar as peças, mas ela não estava completamente certa, por isso perguntou:
— Blake era o homem com quem Holiday ia se casar?
Holiday assentiu e, quando levantou os olhos, lágrimas e vergonha brilhavam dentro deles.
— Foi ele que matou você? — Kylie perguntou.
Hannah colocou as mãos na boca como se o pensamento a deixasse enjoada.
— Foi ele? — Kylie perguntou novamente.
Quando Hannah tirou as mãos dos lábios, elas estavam tremendo.
— Eu... eu não sei se foi Blake. — Os olhos dela exprimiam terror e tristeza ao mesmo tempo. — Pode ter sido. Eu não me lembro do que aconteceu. — Ela fez uma pausa. — Só me recordo... da aura dele. — Seus olhos estavam cheios de dor. — Detalhes não consigo me lembrar. Não sei o nome dele nem como é o seu rosto, mas a crueldade como tirou a minha vida... disso não consigo me esquecer. E eu a sinto desde então. Ele às vezes volta para o lugar onde estamos enterradas. Eu o ouço andando no assoalho acima. Nós três nos agarramos umas às outras na morte e fingimos que nossas almas já se foram.
Hannah abraçou a si mesma como se a lembrança fosse insuportável.
— Ele disfarça a sua aura a maior parte do tempo. Tem o poder de parecer normal. Mas, quando não está fingindo, ele é perverso e tenebroso.
— Quando está fingindo, a aura dele é parecida com a de Blake? — Kylie perguntou.
— Eu não sei. Não tenho certeza. Nunca prestei atenção nessa aura. É a outra que... me assombra. — Ela parou de falar, como se pensasse. — É como se uma pequena parte de mim dissesse que eu sei quem é esse homem. — Hannah fez uma pausa como se seus pensamentos a levassem em outra direção e, pela expressão dela, não era muito boa. — Ele acha que matar faz com que ele seja mais poderoso; é por isso que ele mata. E no dia em que eu estava em Shadow Falls senti que ele estava por perto. Senti e tive certeza. Fui a Shadow Falls por causa dele. Ele não se contentou em matar só a mim. Ele quer Holiday. — As palavras de Hannah ficaram pairando no ar da noite, quando ela virou a cabeça para trás e olhou para o céu noturno.
— O que foi? — perguntou Kylie, temendo que o assassino estivesse próximo.
— Acho que é aquele metamorfo estranho do acampamento Shadow Falls. O lourinho cujos olhos mudam de cor o tempo todo.
O medo que Kylie tinha sentido por Hannah e de um assassino cruel diminuiu e Kylie temeu por si mesma. Se Perry a tinha encontrado ali, Lucas deveria estar por perto também. E provavelmente Burnett. Esperando que ficasse menos visível, Kylie se aproximou dos portões. Olhou novamente para os rostos sem vida que pareciam guardiões do cemitério. Ela não sabia se eles a reconheciam da outra vez que ela estivera lá. Ela não sabia nem se conseguiam vê-la de fato. Mas uma coisa era certa: se ela não entrasse agora, poderia não encontrar mais o avô.
Kylie olhou para Hannah, que ainda fitava o céu.
— Ele nos viu? — perguntou Kylie, estendendo o braço para abrir o portão.
— É ela! Eu disse que era ela! — falou um dos espíritos do lado de dentro do cemitério. Então os espíritos começaram a estender os braços através das barras do portão, tentando tocá-la. Tudo o que Kylie podia ver eram braços estendidos através do portão enferrujado. O frio arrepiava a sua pele e parecia gelar até a medula dos seus ossos. Ela mordeu o lábio, lutando contra a dor e o pânico, enquanto abria os portões.
— Ele não pode me ver. Não sei se viu você. — A voz de Hannah ecoou atrás de Kylie. Com o portão aberto, Kylie baixou a mão. Os fantasmas se espalharam, mas no instante em que ela avançou alguns metros para o interior do cemitério, eles a cercaram. O frio dos espíritos impregnou os seus lábios, cobrindo-os de gelo. A dor quase a fez cair de joelhos. Ela se forçou a avançar mais alguns metros; o alívio foi instantâneo, embora ela soubesse que não duraria muito.
Ela olhou para trás, na direção de Hannah. O medo estava estampado em seu olhar, tão sem vida quanto o dos espíritos daquele cemitério, os quais agora chegavam cada vez mais perto.
— Eu não posso entrar — disse Hannah. — Um deles pode ser um anjo da morte. Se quiserem me mandar para o inferno pelos meus pecados, eles podem. Eu mereço ir, mas não até saber que Holiday está salva.
— Eu não acho que vão mandá-la para o... — Kylie parou de falar quando Hannah começou a se desvanecer no ar.
— Salve-a por mim! Por favor, salve a minha irmã! — As palavras de Hannah ecoaram na escuridão.
O frio vindo dos espíritos ficou mais próximo.
— Por favor — disse Kylie, seu olhar passando de uma face acinzentada para outra. — Me deem mais espaço.
Os espíritos retrocederam alguns metros. Kylie olhou por sobre o ombro, esperando ver alguém deste mundo. Sua esperança foi inútil. Para qualquer lado que olhasse, ela só via a morte.
A escuridão que encobria os túmulos limitava a sua visão. Como já estivera ali, Kylie sabia que o cemitério era imenso. Será que seu avô sabia que ela estava lá? O pensamento de que talvez não fosse o avô que a esperava ali, que não fora ele quem enviara os e-mails, oprimiu o seu peito, mas ela afastou a dúvida.
Kylie deu mais alguns passos e então, lembrando-se da preocupação de Hannah com Holiday, pegou o celular em seu bolso e discou para uma pessoa que sabia que a ajudaria.
— Está tudo bem? — perguntou Derek, respondendo ao primeiro toque.
— Eu não tenho muito tempo, mas preciso que você me faça um favor. Verifique se Holiday está bem. Fique lá com ela. Não a acorde. Não a deixe saber que você está de olho nela, mas não a deixe sozinha até eu chegar.
— Caramba! O que está acontecendo, Kylie?
— Não posso explicar agora. Só faça isso, por favor.
— Onde você está? — ele perguntou. — Sei que não está na cabana.
Ela mordeu o lábio com tanta força que sentiu gosto de sangue.
— Por favor! — A palavra soou com desespero.
Ele finalmente respondeu.
— Holiday está bem. Burnett está vigiando a cabana dela.
— Por quê? Como você sabe? Aconteceu alguma coisa?
— Não, eu senti que você estava em apuros e fui checar se estava bem quando vi Burnett parado do lado de fora da cabana de Holiday. Ele disse que, depois de saber o que aconteceu com Hannah e as outras garotas, não queria correr nenhum risco.
— Isso é bom. — Ela se perguntou se seria por isso que Burnett tinha ligado para Lucas e fizera questão de checar a cerca quando o alarme soou.
— Eu posso sentir que você está apavorada, Kylie. Me diga...
— Tenho que desligar. — Ela cumpriu a promessa e desligou. Então olhou para a multidão de espíritos, aproximando-se a cada passo, lembrando zumbis famintos esperando o momento certo para atacá-la e devorá-la. Tentando afastar esse pensamento insano, induzido pelo medo, ela se lembrou de que eles eram só pessoas. Almas perdidas cuja vida fora roubada, presas a este mundo por circunstâncias infelizes.
Olhando ao redor novamente, ela perguntou:
— Tem alguém aí?
— Eu estou aqui!— respondeu um espírito.
— Eu estou aqui! — As mesmas palavras pronunciadas por cada um das centenas de espíritos chegaram aos ouvidos de Kylie como o estrondo de um trovão. Todos eles queriam sua atenção. Queriam que ela reconhecesse sua presença.
Seu peito se encheu de emoção.
— Tem alguém vivo aqui, além de mim?
— Ninguém que possa nos ver — disse um dos espíritos, parecendo desesperado.
— Não há mais ninguém vivo aqui? — ela voltou a perguntar. Mais uma vez ela se perguntou por que seu avô escolheria um cemitério como ponto de encontro.
— Nos fundos do cemitério — respondeu o espírito de uma jovem, apontando para a área mais escura do cemitério. — Eu os vi sob os carvalhos, escondendo-se nas sombras.
— Obrigada — ela agradeceu, olhando para cima mais uma vez e esperando não ver nenhum metamorfo furioso voando em círculos no céu escuro.
As nuvens deviam ter ocultado a lua, pois só algumas estrelas brilhavam no céu. Ela recomeçou a andar. A cada passo, rezava para que, na parte mais sombria e distante do cemitério, sob as árvores, ela encontrasse o avô. E com ele, as respostas de que precisava.

3 comentários:

  1. Mais alguém reparou que a rapariga fantasma disse eles e não ele?

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  2. sim, mas é a tia e o vô dela.

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