31 de outubro de 2016

Capítulo 21

Ian pegara uma bicicleta e fora na direção oposta de Meenalappa. Levara exatamente três minutos para perceber que o lugar era um fim de mundo. Um pub, uma mercearia, uma igreja e uma loja eu vendia botas de borracha e chapéus de tweed. Não, obrigado. Ele iria para a aldeia maior de Ballycreely.
Ele pedalou forte, esfriando suas bochechas aquecidas. Pela primeira vez ele não se importava com a neblina. Se não estava chovendo na Irlanda, ou iria chover ou isso já acontecido.
Ele provavelmente deveria ter sido mais amigável com Jake. Não que ele não gostasse do cara. Era só que quando Jake e Atticus apareceram, ele ficou, bem...
Com ciúmes.
Ciúmes que Amy não tivesse olhos para ninguém além Jake e tentasse esconder isso. De como Dan se iluminou quando viu Atticus.
Ninguém se iluminava ao olhar para Ian.
Ele sabia que não era a pessoa mais legal... Natalie entendia. Ela havia sido tão... não legal quanto ele.
Mas ele estava tentando! Ele estava aprendendo! As pessoas não eram boas pelo acaso, eram? Elas tinham pais que eram legais. Boas com seus filhos, boas para outros. Os pais dele... bem, eles não entendiam o conceito de “bom”.
E eles nunca, nunca teriam entendido o conceito de “sozinho”.
Essa palavra nunca tinha estado no vocabulário Kabra, mas vinha saltando ao redor da cabeça de Ian recentemente. Foi chocante quantas vezes ele encontrou-se dizendo: “Se apenas Natalie estivesse aqui...”
Ele brigara com Natalie, ficava chateado com ela e às vezes até sentia que a desprezava, mas ela tinha sido a sua melhor amiga. Talvez sua única amiga.
Perder a irmã... bem, acabou por ser muito mais difícil do que ele esperava. Claro, ele não tinha mais que seguir Natalie até a Harrods, carregando as suas compras, mas ele não sabia o que devia fazer, exatamente. Quando Nellie lhe telefonara dizendo que Amy e Dan precisavam de sua ajuda, ele entrou em ação imediatamente. Fez uma mala rápida e decolou imediatamente. Ele não tinha nem mesmo carregado suas calças.
Ninguém gosta de você, ninguém gosta de você, ninguém gosta de você.
Minha irmã está morta, minha irmã está morta...
As rodas de bicicleta rodavam e rodavam, deslizando sobre a estrada de terra molhada
As palavras giravam em sua cabeça.
E de repente ele percebeu que estava muito longe da casa, e perdido.
A névoa agora era chuva. Ian queria se chutar, mas provavelmente cairia da bicicleta.
Ele diminuiu para fazer a volta e pegou seu telefone para consultar o GPS. Então lembrou-se que Pony o desativara por motivos de segurança. A capinha do celular dizia KEEP CALM AND CARRY ON. Mantenha a calma e continue. Ele bufou. Será que realmente tinha escolha agora?
Naquele momento, uma Range Rover surgiu da curva, fazendo-o tropeçar para dentro do mato. O carro acertou sua bicicleta, que voou atrás dele.
O motorista da Range Rover pisou no freio. Com um guincho de pneus, o carro parou.
— Você é um louco assassino! — Ian berrou.
Uma menina de cabelo vermelho colocou a cabeça para fora da janela do lado do motorista.
— Bem, aquilo não vai bem. O que você estava fazendo no meio da estrada?  — perguntou ela.
Ele ouviu o sotaque cadenciado na voz dela. Mal podia esperar para voltar a Londres, onde as pessoas tinham música em suas vozes.
Ian bateu de pé.
— Eu não estava no meio da estrada! Estava no meio-fio!
— Caso você não tenha notado, esta estrada não tem um meio-fio — ela respondeu. — É uma estradinha, não muito maior do que uma trilha, na verdade. Você tem que prestar atenção nas nossas estradas, seu turista.
Ian se irritou ao ser chamado de turista.
— Talvez você tenha que prestar atenção em sua direção!
Ela sorriu, e Ian de repente percebeu que a menina era encantadoramente bonita. Ela tinha uma covinha na bochecha esquerda. Que tipo de garota tem apenas uma covinha? Ian não se importava com a assimetria, mas de alguma forma esta em particular... funcionava.
— Claro, suponho que sim — disse ela. — Mas é o carro do meu pai, assim eu gostaria de devolvê-lo enlameado para lhe dar mais trabalho. A propósito, você está bem?
— Acho que sim, obrigado pela preocupação tardia — respondeu Ian.
A careta dela se transformou em um sorriso. Ela abriu a porta e saltou para fora.
— Oh, olhe a sua bicicleta. Temo tê-la amassado um pouco.
Ian viu que a roda da frente tinha dobrado.
— Isso apenas piora meu dia.
— Não se preocupe, eu tenho um carro grande e bom tempo de sobra.
Antes de Ian pudesse protestar, ela ergueu a bicicleta com uma facilidade surpreendente e depositou-a no porta-malas do carro.
— Agora, onde posso deixá-lo?
Normalmente, isso seria considerado como um dia estelar. Ele trocaria de bom grado uma bicicleta esmagada por uma menina bonita em um carro muito caro. Mas não hoje. Ele tinha que voltar para Bhaile Anois.
A discussão com Jake tinha sido mesquinha e estúpida.
— Não se preocupe, não sou uma criminosa. Sou apenas uma garota no carro de seu pai que está disposto a salvá-lo. Eu sou Maura, por sinal.
— Roger — Ian respondeu, porque apesar da beleza desta garota, ele ainda era um Lucian, e um Kabra. Qualquer informação pessoal era liberada com base na necessidade de adquirir conhecimento.
— Hey, você deixou cair seu telefone — ela se abaixou e o devolveu a ele.
Seus dedos se tocaram brevemente, e Ian sentiu alguma coisa, algum tipo de choque a partir do toque. Ele sentiu seu rosto esquentar. Isso nunca aconteceu. Para disfarçar, deixou cair o telefone no bolso.
— Você poderia me dar uma carona para Ballycreel — a vila era suficientemente grande e daria cobertura. E ele poderia caminhar de volta para Bhaile Anois de lá.
— Você está hospedado lá, então? No Arms ou no Pocket of Fish?
— Pocket of Fish — respondeu Ian.
— Suba — disse ela. — Eu conheço um atalho.
Ian entrou. Maura acelerou, dirigindo rápido demais. Ian tentou não se agarrar na maçaneta da porta.
— Nós vivemos em Dublin, mas temos uma casa em Doolin. É mais como um castelo. Prefiro um castelo irlandês a um escocês, não mesmo? A melhor sensação de todas. Mais modernos, melhores, se você me perguntar. Aqueles do século XVI têm correntes de ar, não importa o quanto eles bombeiem o aquecimento central.
 Ok, ela não só era bonita, mas podia comparar os méritos dos castelos. Era completamente o seu tipo de garota.
— Eu não tenho muita experiência com castelos — observou Ian. Apesar do fato de que seu pai agora vivia em um. Ela lhe lançou um rápido olhar.
— Não seja tão modesto. Seu casaco é cashmere da última temporada da Brioni. Seus sapatos são John Lobb feitos à mão. E nem vou falar do seu corte de cabelo.
— Na verdade, eu prefiro uma propriedade — disse Ian. — Do início do século XIX, com aquecimento central. Você está certa. Castelos têm correntes de ar.
Ela sorriu.
— Aqui está o atalho.
Ela puxou o volante, e o Range Rover virou para uma trilha de terra que era, provavelmente, para os ovinos. Enquanto o carro chacoalhava, Ian gritou:
— Isso é uma estrada?
— Sim, se eu disser que é! — Maura berrou de volta. — Eu falei que gostaria de devolvê-lo enlameado! Só gosto de meu pai quando ele está furioso! — ela deu uma gargalhada que fez Ian rir. Ele já escutara o termo “risada contagiante” antes, mas nunca entendeu. Ele raramente ria, e certamente não iria fazê-lo só porque alguém ria.
Mas quando o Range Rover atingiu uma vala e sua cabeça bateu no teto, ele não se importou.
Ele não parava de rir.

* * *

Ela parou na rua principal de Ballycreel.
Ian puxou a bicicleta do porta-malas.
— Eu me ofereceria para pagar por isso, mas sei que você pode — ela disse.
Um pequeno respingo de lama manchava a covinha de Maura. Seu rosto estava vermelho de seu passeio selvagem, e seus olhos verdes dançavam. Eles fizeram o seu coração pular, de alguma forma. Sensação estranha.
— Obrigado pela carona — ele falou. — Se é que se pode chamar assim.
— Ligue-me algum dia — disse ela. Ela colocou um pequeno cartão no bolso.
Com um último olhar de flerte, ela pulou de volta para o carro e foi embora.
Ian olhou para o cartão. MAURA DEVON CARLISLE. Havia um número abaixo do nome. O cartão era liso e pesado em sua mão. A fonte era discreta e ainda forte. Exatamente o que ele teria escolhido.
Assim que o Range Rover saiu de vista, ele rasgou o cartão e jogou fora.
Era melhor não ser tentado. Melhor deixá-la ir.
Ian deixou a bicicleta em um beco. Começou a longa caminhada de volta para Bhaile Anois, seus passos soando na estrada asfaltada, o ritmo constante e certo em seus caros sapatos feitos à mão.
Solitário. Solitário. Solitário.

8 comentários:

  1. Eu luto todo dia pra conseguir uma garota, a dai se joga nele de graça e ele rasga o cartão... Qual foi?

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  2. Eu queria poder entrar no livro e bater na Amy por deixar o Ian assim e depois abraça-lo e dizer que vai ficar tudo bem

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  3. já posso shippar essa garota com Ian? (eu tava shippando ela com o Dan mais deixa pra lá... )
    -Ariel

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  4. eu confundi a garota da mercearia(Fiona) com a que atropelou o Ian( e sim, eu sem querer shippei ela com o Dan)
    -Ariel

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  5. isoladooooooooooo


    ta bom parei ...


    Ian amorzinho ...,ainda shipo ele com amy

    luuuh

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  6. Eu tbm ainda shipo com a Amy. Essa maura provavelmente eh a cara desfarçad nao?

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